Chapter: Capítulo FinalAnaUm mês passou tão rápido que eu quase nem percebi. Foi o tipo de mês em que tudo muda, mas ao mesmo tempo parece que nada está realmente no lugar ainda. Eu e o Lex estávamos… bem. Finalmente bem. A mãe dele parou de aparecer na minha frente como se fosse um fantasma elegante e mal-humorado. O Mark se recuperou, voltou pra fazenda e me mandou uma mensagem educada avisando que ia cuidar da vida dele. E eu? Eu só queria respirar sem sentir que estava equilibrando mil bombas no braço.Pois bem, eu devia saber que paz na minha vida dura o quê? Cinco minutos?Só que dessa vez… era bom. Era aquela paz gostosa. Aquela sensação de “caramba, acho que a vida tá mesmo entrando nos trilhos”.O Lex estava diferente. Mais carinhoso. Mais aberto. Mais presente. A terapia dele tinha começado pra valer e, olha, o homem vinha voltando do consultório com um brilho no olhar que me deixava até emocionada. Ele ria mais. Ele dormia melhor. Ele se permitia sentir sem fingir que não sentia. Era lindo.E si
Última atualização: 2025-12-13
Chapter: Bebendo até cairAnaQuando eu cheguei no bar, já estava tudo meio tremido dentro da minha cabeça. Tobias estava encostado no balcão, bebendo uma cerveja como se fosse suco, e quando me viu, abriu os braços como se eu fosse um prêmio que ele tinha acabado de ganhar.— Olha só quem apareceu! — ele disse, me puxando pra um abraço exagerado. — A mulher mais confusa dessa cidade!— Calma aí, né? — eu resmunguei rindo fraco. — Nem pedi minha bebida ainda.Ele me olhou de cima a baixo como quem avalia se eu estava inteira.— Tá com cara de quem viveu cinco temporadas de novela num único dia. — comentou, levantando a mão pro garçom. — Dois shots pra ela. Fortes.— Só um. — corrigi.— Não discute. — ele respondeu, sério demais pra ser verdade.E os dois shots chegaram.Eu peguei o primeiro e virei de uma vez. Ardeu até minha alma, mas naquele momento eu precisava ardida mesmo.Tobias cruzou os braços.— Agora fala. — ordenou. — Despeja. Tudo. Sem pular partes. Sem me poupar, porque eu não sou feito de cristal.
Última atualização: 2025-12-13
Chapter: DeclaraçãoAna O hospital sempre teve aquele cheiro de desinfetante que queimava um pouco a garganta, mas naquele dia parecia ainda mais forte. Talvez porque meu estômago já estivesse embrulhado antes mesmo de eu entrar. Talvez porque eu sabia que, quando abrisse aquela porta, nada seria simples.Eu caminhei pelo corredor devagar, segurando a bolsa contra o peito. Era loucura, mas meu coração parecia batendo no ritmo do bip das máquinas. A cada passo, uma nova dúvida me enchia a cabeça: *Será que ele estava consciente? Será que lembrava de tudo? O que eu ia dizer?*Parei diante do quarto 217 e respirei fundo. Minhas mãos estavam geladas. Empurrei a porta devagar.E lá estava ele.Mark.Deitado, fraco, pálido… mas com um olhar que eu conhecia melhor do que conhecia o meu próprio. Um olhar que eu tinha amado por anos. Não o olhar arrogante e distraído que ele tinha nos últimos meses, antes de me trair. Era o outro. O primeiro. O que fazia eu esquecer o mundo quando ele sorria.Ele levantou os olh
Última atualização: 2025-12-13
Chapter: O que ele fez?AnaA mulher me encarou como se tivesse acabado de ganhar uma batalha que eu nem sabia que estava lutando. Só que eu não estava pronta pra baixar a cabeça pra ela. Nem ferrando.Respirei fundo, ajeitei a postura e respondi:— A senhora não pode escolher quem o Lex ama.Elena riu daquele jeito amargo, como se eu tivesse contado uma piada trágica.— Amor? — Ela repetiu, fazendo um gesto com a mão, como se empurrasse a palavra pra longe. — Você realmente acha que sabe alguma coisa sobre o meu filho, menina?— Eu sei o suficiente pra entender que ele merece escolher a própria vida. — retruquei, firme, sentindo minha voz tremer só um pouco. — E a senhora não pode controlar isso.Ela inclinou o rosto, como se estivesse analisando uma formiga que ousou desafiar seu salto.— Ele me deve isso.Eu franzi a testa.— Deve… o quê?Ela apertou os olhos numa mistura de raiva e algo que eu não esperava ver ali: dor.— Ele me deve isso depois do que fez com a minha filha.Meu coração bateu tão forte q
Última atualização: 2025-12-13
Chapter: ElenaAnaQuando eu empurrei a porta da sala, senti meu estômago dar aquele mergulho chato, tipo montanha-russa que você não pediu pra entrar. Lá estava ela. A famosa mãe do Lex. Elena Moreau Cavalcanti. A mulher que, só pelo jeito que segurava a bolsa, já parecia me julgar pelo ar que eu respirava.E olha… ela era exatamente como eu tinha imaginado na minha cabeça paranoica: postura impecável, cabelo milimetricamente arrumado, roupa cara que gritava “eu comprei isso numa loja que você não entra nem pra pedir informação”, e aquele olhar… aquele olhar de scanner de aeroporto, passando por mim dos pés à cabeça como se procurasse contrabando.Cida estava parada ao lado dela, rígida, como se estivesse protegendo a casa de um incêndio silencioso. A mulher abriu um sorrisinho seco quando me viu, um sorriso tão falso que quase deu pra ouvir o clique do plástico.— Ana, bom dia — Cida disse, como se tivesse acabado de me chamar pra ver um ET na sala.Eu só balancei a cabeça e respirei fundo antes d
Última atualização: 2025-12-11
Chapter: A Mãe…AnaAcordei com alguém me chamando. Não aquele “chamando” fofo, tipo toque de despertador baixinho. Era voz mesmo. Voz de gente. Voz insistente. Voz que parecia estar ali há mais tempo do que eu queria admitir.— Ana… Ana… — alguém falava.Demorei uns bons segundos pra entender onde eu estava, por que eu estava ali, por que minha cabeça parecia recheada de algodão e, principalmente, por que eu tinha sonhado com o Lex daquele jeito ridículo que me deixou com a cara enfiada no travesseiro depois.Abri os olhos. A luz do quarto deixava claro que não era cedo. A essa altura, provavelmente já tinha passado de “de manhã” e estava entrando lindamente na categoria “quase tarde”.— Ana! — a voz repetiu, mais forte.Era a Cida. Só podia ser a Cida. Ninguém mais tinha aquele tom de “eu sou educada, mas você tá me deixando maluca”.Eu sentei na cama meio torta, piscando feito alguém que levou um tapa de luz.— Tô indo… — murmurei, ainda com a língua enrolada.Me levantei como se meu corpo fosse f
Última atualização: 2025-12-10
Chapter: O sequestro parte 3Milena Eu continuei fingindo que estava desmaiada, mantendo o corpo mole e a cabeça caída sobre o peito. Mas a minha encenação não durou muito tempo. Senti uma mão bruta segurar a ponta do saco de pano e puxá-lo com violência para cima, arrancando o tecido da minha cabeça de uma vez só.A luz forte do galpão abandonado bateu direto nos meus olhos, me fazendo piscar várias vezes para tentar enxergar o que estava ao meu redor. A tontura ainda flutuava na minha mente, mas a visão daquele lugar imundo me deixou em alerta máximo.Três homens estavam parados bem na minha frente. Todos eles usavam máscaras pretas de tecido cobrindo do nariz até o queixo, deixando apenas os olhos escuros e maldosos de fora.— Olha só, rapazes! A bela adormecida resolveu acordar! — um deles debochou, soltando uma risada nojenta e seca.Ele deu um passo para perto de mim e esticou a mão suja, passando os dedos nojentos no meu cabelo. Eu puxei a cabeça para trás no mesmo instante, encarando-o com o olhar mais f
Última atualização: 2026-09-01
Chapter: O sequestro parte 2Ulisses O sangue queimava nas minhas veias como se fosse puro ácido. Os meus pulmões pareciam em chamas, rasgados pelo esforço e desesperado de ter corrido atrás daquele carro preto por no meio do trânsito. A minha camisa social estava transparente de tão encharcada de suor, desbotada, com os botões do peito abertos e as mangas rasgadas. O meu terno caro tinha ficado para trás em algum lugar daquela rua amaldiçoada. Mas eu não me importava com nada disso. A única coisa que se repetia na minha cabeça como um eco infernal era a imagem da Milena sendo jogada para dentro daquele veículo, indefesa, pálida, inconsciente pelo veneno que deram a ela.Eu esmurrei a mesa de madeira do delegado com tanta força que o computador e os papéis saltaram no ar, fazendo um barulho ensurdecedor que parou toda a delegacia.— Eu já disse mil vezes e vou repetir para vocês, cambada de inútil! — gritei com a voz rasgada, os meus olhos injetados de puro ódio e desespero. — O sujeito tinha mais de um metro e
Última atualização: 2026-08-31
Chapter: O sequestro parte 1Milena A escuridão que me cobria era diferente de um desmaio comum. Não era só o efeito daquela droga nojenta que tinham colocado no meu suco, era uma escuridão pesada, sufocante e quente. Tentei piscar os olhos, mas as minhas pálpebras bateram contra um tecido grosso e áspero. Havia um saco de pano cobrindo toda a minha cabeça, deixando o ar que eu respirava abafado e com um cheiro forte de poeira e mofo.A minha cabeça latejava como se um martelo estivesse batendo direto no meu cérebro. A tontura ainda flutuava no meu corpo, mas o instinto de sobrevivência falou mais alto do que o efeito do remédio.Tentei mover as mãos para tirar aquele pano do meu rosto, mas os meus braços simplesmente não saíram do lugar. Puxei com mais força e senti o atrito violento de uma corda grossa cortando a pele dos meus pulsos. Olhei para baixo por dentro do pano, tentando me mexer, e percebi que as minhas pernas também estavam completamente presas, amarradas juntas pelos tornozelos contra os pés de uma
Última atualização: 2026-08-31
Chapter: O DesmaioMilena A taça de vidro tremia tanto na minha mão que algumas gotas do suco de uva respingaram na minha calça. O pavor tomou conta de mim com uma força avassaladora. O homem de branco abriu a porta da sala VIP e saiu em silêncio, empurrando o carrinho de inox sem olhar para trás nem por um segundo.— Ulisses! — chamei, a minha voz saindo rasgada, sufocada de tanto pavor.Ulisses desligou o celular no mesmo instante, assustado com o tom da minha voz. Ele cruzou a sala num pulo, vindo até mim e se ajoelhando na minha frente, segurando os meus ombros com firmeza.— Mili! O que foi?! O que aconteceu?! Você está pálida! — ele perguntou desesperado, os olhos azuis faiscando de preocupação ao ver o meu corpo inteiro tremer.— Aquele homem... o homem que acabou de sair daqui com o carrinho de comida... — murmurei, apontando para a porta com o dedo trêmulo, sentindo as lágrimas de pavor queimarem os meus olhos. — Eu conheço ele, Ulisses! É o mesmo homem que estava me perseguindo na rua! O mesm
Última atualização: 2026-08-30
Chapter: A ClínicaMilena O carro do Ulisses parou suavemente na entrada de um prédio moderno e espelhado, localizado no bairro mais nobre da cidade. A fachada de vidro reluzia sob a luz da manhã, e na porta principal já havia um segurança de terno preto pronto para abrir a porta do veículo para nós.Eu olhei pela janela com os olhos bem abertos, impressionada. Nunca na minha vida tinha colocado os pés em um lugar como aquele. Para mim, ir ao médico sempre significava filas gigantescas em postos de saúde ou salas de espera barulhentas.— Chegamos, Mili — Ulisses disse num tom suave, saindo do carro e vindo até o meu lado para segurar a minha mão e me ajudar a descer.Caminhamos juntos para dentro da clínica, e o ar-condicionado gelado e cheiroso me recebeu na hora. O chão de mármore branco brilhava tanto que dava para ver o reflexo dos nossos sapatos. Assim que pisamos na recepção, duas recepcionistas vestidas com roupas impecáveis se levantaram imediatamente, dando um sorriso largo.— Seja muito bem-v
Última atualização: 2026-08-30
Chapter: Nossa família…Milena A noite passou num piscar de olhos, sem pesadelos ou sombras daquela cela fria para me atormentar. Pela primeira vez em semanas, a escuridão do meu sono foi preenchida por uma luz suave e quente. No meu sonho, eu estava em um quarto todo pintado de branco e azul-claro, segurando um pacotinho minúsculo e macio nos braços. Era o nosso bebê. O rostinho dele era perfeito, com os olhos azuis idênticos aos do Ulisses e os cabelinhos escuros colados na testa.Eu balançava o corpinho pequeno com todo o amor do mundo, sentindo um calor inexplicável no peito, uma paz que eu achava que nunca mais ia sentir na vida.De repente, os passos firmes que eu já conhecia tão bem ecoaram pelo quarto. Olhei para a porta e vi o Ulisses parado ali, usando uma camisa social branca com as mangas dobradas. O rosto dele não tinha aquela expressão fria de bilionário arrogante ou o pavor do dia anterior. Ele sorria de um jeito aberto, sincero e cheio de uma ternura que cortava o meu coração.O Ulisses se a
Última atualização: 2026-08-28