Chapter: Capítulo 27: O Nome Que Ninguém Pode OuvirEu acordei com vozes. Não na minha cabeça, vozes de verdade, do lado de fora da porta do quarto dele. — Ela não pode ficar aqui, Dante — era a voz de um homem, mais velho, bravo — O conselho já está sabendo, o bando inteiro sentiu o cheiro de cio de despertar hoje de manhã, você sabe o que isso significa, se for uma loba sem marca de matilha... — Ela tem matilha — a voz do Dante cortou, baixa, mas tão fria que eu arrepiei mesmo enrolada nas peles — Ela tem a minha. Eu abri os olhos devagar, o quarto estava escuro de novo, já era fim de tarde, eu dormi o dia inteiro. Dante estava sentado na beira da cama, de costas pra mim, só de calça, sem camisa, conversando com alguém na fresta da porta entreaberta, a luz do corredor entrava e cortava as costas dele. Ele sentiu que eu acordei na hora, sem nem virar. — Já conversamos, Erik — ele disse pro homem lá fora — Ninguém encosta nela, se alguém tentar, eu arranco a garganta. Ele fechou a porta com força e trancou. Quando virou pra mim
Última atualização: 2026-08-11
Chapter: Capítulo 26: O Beijo Que Eu Não DeiEu ainda estava arqueada na cama dele quando ele tirou a boca da minha marca. O quarto inteiro ficou em silêncio, só com a minha respiração descontrolada e o uivo dos lobos lá embaixo no pátio que já estava sumindo. Dante me olhava como se eu fosse a coisa mais perigosa que ele já tinha visto. — Você sentiu? — ele perguntou baixo, com a voz rouca colada na minha orelha. Eu não consegui responder, só assenti, porque se eu abrisse a boca ia sair outro gemido e eu já estava com vergonha demais. Não foi um beijo, foi só a boca dele encostando na minha marca, mas meu corpo inteiro acendeu como se ele tivesse me marcado de verdade, as minhas pernas tremeram, a camisola preta grudou nas minhas costas de suor e a luz dourada da minha nuca ficou piscando igual uma lâmpada louca. É, filhote, agora ferrou, a Elara falou dentro da minha cabeça rindo — Você está em cio, não é mais febre de despertar, é cio de verdade e é por causa dele, o lobo dele chamou e o seu respondeu. — Cio? — eu suss
Última atualização: 2026-08-10
Chapter: CAPÍTULO 25: O SOL QUE NÃO ESQUENTAEu acordei quente. Não febril. Quente. O tipo de quente que vem de dentro, baixo, na barriga, e que não tem nada a ver com a febre dourada. Era o peso de um braço enorme e pesado em volta da minha cintura, me prendendo contra um peito que já não estava mais gelado. Estava morno. Quente como o meu. A cama do Dante ainda cheirava a tempestade, mas agora cheirava a mim também. A ouro queimado e a erva-mãe. Eu tentei me mexer e senti. A toalha tinha sumido em algum momento da madrugada. Eu estava só com a camisola preta seca que a Leonor tinha deixado, fina demais, levantada até o meio da coxa. E atrás de mim, colado em mim, o Dante dormia de verdade. Pela primeira vez desde que eu cheguei aqui. A respiração dele estava funda, lenta, batendo na minha marca. Os braços dele, que ontem estavam travados me segurando com autocontrole, agora estavam relaxados, possessivos, uma mão espalmada na minha barriga por baixo da camisola, a outra enfiada no meu cabelo. As runas dele não estavam ma
Última atualização: 2026-08-10
Chapter: Capítulo 24: A Noite Que Não Pode Ser SozinhaO quarto dele não cheirava a pinho queimado. Cheirava a tempestade. A pedra fria molhada de chuva, e a lenha molhada. Um cheiro tão dele que, quando ele me colocou na cama enorme, a febre que tinha dado uma trégua no banho ameaçou voltar só pelo cheiro. Ele ainda estava sem camisa. Molhado da cintura pra baixo, com as calças pretas encharcadas grudadas no corpo, as runas douradas ainda acesas fracas no peito, e nos ombros. Ele tinha me enrolado numa toalha, mas não tinha se secado. A Leonor entrou logo depois, com uma bacia de água com mais ervas e uma camisola seca preta, simples, de algodão. Ela não olhou pro peitoral dele. Nem pra mim dentro da toalha. Bruxa velha, sabia de tudo. — A febre vai voltar em ondas — ela disse, enquanto torcia um pano na água verde e colocava na minha testa — O banho puxou o grosso, mas o despertar não termina até o sol nascer. Se ela dormir sozinha, o fogo volta e ela pode convulsionar. O corpo dela ainda não aprendeu a guardar o fogo sozinho.
Última atualização: 2026-08-10
Chapter: Capítulo 23: O Toque que não QueimaA água já tinha esfriado. Não porque o fogo tinha acabado, mas porque o fogo tinha encontrado onde ficar. Eu ainda estava sentada entre as pernas dele dentro do tonel, com as costas coladas no peito dele, a camisola branca totalmente transparente de tão molhada, colada no meu corpo como uma segunda pele. Eu deveria estar com vergonha. Qualquer outra mulher do bando teria se coberto, teria gritado, teria mandado o Alfa virar o rosto. Eu não consegui. Porque pela primeira vez desde que acordei com essa febre, eu não estava queimando. Eu estava morna. E o único motivo era as duas mãos grandes dele ainda segurando a minha cintura debaixo da água, e a testa dele ainda encostada na minha marca atrás da nuca. O frio dele me ancorava. — Valerie — a voz dele saiu baixa, rouca, perto da minha orelha — A água esfriou. Você vai ficar doente se ficar aqui. — Não vou — eu murmurei, com os olhos fechados, a cabeça tombada no ombro dele — Se eu sair, queima de novo. Ele ficou em silên
Última atualização: 2026-08-09
Chapter: Capítulo 22: A Febre Dourada O colo dele era o único lugar frio no castelo inteiro. Enquanto o Dante descia a escada em espiral comigo nos braços, eu sentia o resto do mundo queimando. As paredes de pedra suavam. O ar do corredor parecia pesado de fumaça, mas não tinha fumaça nenhuma. Era a minha febre fazendo tudo distorcer. Eu estava com quarenta graus. Depois quarenta e um. Eu sentia o suor escorrer pela minha testa, pelas minhas costas, encharcando a camisola fina que a Leonor tinha me vestido enquanto eu estava apagada. — Você está queimando a minha camisa — ele murmurou, mas a voz dele não era de reclamação. Era de preocupação. Ele me apertou mais contra o peito, e onde a minha bochecha encostava no pescoço dele, a pele dele ficava gelada por dois segundos e depois voltava a ficar quente — Segura só mais um pouco. A sala é logo ali. Ele está se segurando pra não te morder, filhote. A Elara falou dentro de mim, com aquela voz rouca divertida — O l
Última atualização: 2026-08-09
Chapter: Capítulo 80 — O silêncio que guardava os sonhosO caminho de volta para a mansão de Long Island foi feito em silêncio. Nicholas dirigia com as mãos firmes no volante, mas o olhar perdido na estrada revelava que a mente dele estava longe — naquele escritório, nas palavras de Elias, na notícia que abalara as fundações de tudo o que acreditavam. Maya, sentada ao seu lado, observava a paisagem passar pelas janelas: as árvores altas, as casas afastadas, o céu que começava a ganhar tons de âmbar com o entardecer. A mão dela repousava sobre a barriga, e a cada movimento suave do bebê, sentia um misto de força e apreensão.— Ele vai mesmo — disse ela, mais para si mesma do que para ele, revendo na memória a forma como Augusto saíu da sala. — Não esperou nem mais um minuto. — Ele já deve estar a caminho — respondeu Nicholas, com a voz baixa e pensativa. — Mandou preparar o jato particular assim que saímos do escritório. Disse que não pode esperar nem mais uma noite para ver o irmão. Quarenta anos esperando foi tempo demais. Maya assentiu,
Última atualização: 2026-08-22
Chapter: Capítulo 79 — O estranho que conhecia seu rostoO escritório do andar mais alto do edifício Alencar era amplo, com paredes de vidro que revelavam o horizonte inteiro de Manhattan. Mas naquela tarde, ninguém prestava atenção à vista. O ar estava carregado de uma tensão que fazia o tempo parecer correr mais devagar. Augusto estava sentado atrás da escrivaninha de madeira escura, com as mãos entrelaçadas sobre a superfície polida, a postura rígida de quem se prepara para enfrentar algo que evitou por décadas. Nicholas estava de pé ao lado dele, com os punhos cerrados e o olhar atento, como um leão protegendo o seu território. Maya permanecia um pouco mais ao lado, sentada em uma poltrona de couro, com a coluna ereta e a mão entrelaçadas repousada com firmeza sobre a perna. A porta se abriu sem que ninguém batesse, e um homem entrou. Ele era alto, ombros largos e postura ereta. Os cabelos castanhos-escuros, curtos e bem cuidados, emolduravam um rosto de traços firmes e marcados, com um queixo decidido e olhos escuros, profundos e ate
Última atualização: 2026-08-21
Chapter: Capítulo 78 – Novas sombras, velhas raízesOs dias que se seguiram foram os mais tranquilos que Nicholas e Maya haviam conhecido desde o início de tudo. A mansão de Long Island parecia finalmente ter encontrado a sua verdadeira alma: risadas baixas ecoavam pelos corredores, o sol entrava sem medo pelas janelas abertas, e o silêncio, quando vinha, era de paz, não de tensão ou ameaça. As notícias sobre a prisão de Helena, Gustavo e Brigitte haviam dominado os noticiários por dias, mas aos poucos o burburinho foi diminuindo, dando espaço a outras histórias. O mundo parecia ter seguido em frente — mas Nicholas sabia que, no fundo, as raízes antigas raramente morrem de uma só vez. Naquela manhã de terça-feira, o sol brilhava com uma intensidade suave sobre o jardim que descia até a praia. Maya estava sentada sob a sombra de um carvalho antigo, com uma mão apoiada sobre a barriga já mais pronunciada e um livro aberto sobre o colo. Os cabelos soltos balançavam levemente com a brisa, e havia uma expressão serena em seu rosto que faz
Última atualização: 2026-08-21
Chapter: Capítulo 77 – O calor depois da tempestadeA noite caiu sobre Long Island com uma calma que não se sentia ali havia meses. O vento do oceano soprava suave pelas janelas entreabertas da suíte principal, trazendo o aroma salgado e fresco do mar, e as luzes da casa estavam baixas, criando uma penumbra acolhedora que envolvia tudo como um cobertor quente. Depois que Augusto se despediu e os últimos funcionários se retiraram para os seus quartos, Nicholas e Maya ficaram sozinhos. O silêncio da casa não era mais pesado ou cheio de ameaças invisíveis. Era um silêncio de paz, de alívio, de quem finalmente pode respirar fundo sem medo de o que vem pela frente. Maya estava de pé diante da grande janela de vidro, olhando para as luzes distantes da costa que piscavam no horizonte. Vestia apenas um robe de seda leve, com os cabelos soltos caindo sobre os ombros, e a mão repousava de forma natural e protetora sobre a curva da barriga, onde o bebê se mexia devagar, como se também sentisse que o perigo havia passado. Nicholas aproximou-se
Última atualização: 2026-08-21
Chapter: Capítulo 76: A Armadilha Que Virou Contra ElesA manhã seguinte começou com um silêncio tenso na mansão de Long Island. O vento soprava forte do oceano, sacudindo as folhas das árvores e fazendo as cortinas da suíte principal dançarem suavemente perto da janela aberta. Maya estava sentada na poltrona de vime perto da lareira, com uma xícara de chá de gengibre nas mãos, mas seus olhos estavam fixos no celular que repousava sobre a mesa de centro. Ha pouco mais de dez minutos, ela havia recebido uma mensagem de um número desconhecido, com um texto curto e gélido que fizera seu sangue correr mais frio do que o vento da manhã: “Cuidado com a enfermeira que vai hoje. Ela vai trocar a sua medicação. Eles querem fazer você perder o bebê.” Maya leu e releu aquelas palavras, sentindo o coração bater descompassado no peito. Não sabia quem havia enviado — talvez alguém da equipe de Brigitte que se arrependeu, talvez uma pessoa com a consciência pesada que decidiu avisá-la antes que fosse tarde. Mas uma coisa era certa: a mensagem parecia
Última atualização: 2026-08-18
Chapter: Capítulo 75: O Tempo e a AmeaçaTrês semanas se passaram desde o anúncio que calou a alta sociedade de Nova York. O outono chegou a Long Island pintando as árvores de tons de ouro, vermelho e cobre, e o vento que soprava do oceano agora trazia um frescor que anunciava o inverno. Na barriga de Maya, a vida crescia devagar e firme — já era possível notar uma curva suave sob os vestidos mais largos, e os primeiros movimentos leves, como pequenas borboletas se mexendo por dentro, começavam a fazer os olhos de Nicholas se encherem de uma alegria que ele nunca imaginou ser capaz de sentir. Naquela manhã de sábado, o sol entrava pelas janelas da suíte principal com uma luz dourada e suave. Nicholas estava sentado na beira da cama, com uma expressão de concentração absoluta no rosto, enquanto passava loção hidratante com extremo cuidado sobre a barriga de Maya. Ela ria baixinho, com a cabeça apoiada nos travesseiros, observando a dedicação quase religiosa dele. — Você sabe que não precisa fazer isso todas as manhãs, não
Última atualização: 2026-08-18