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A. M. Simões
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Romances de A. M. Simões

Quando o Destino Nos Reencontra

Quando o Destino Nos Reencontra

Alguns amores acabam. Outros apenas esperam o destino encontrar o caminho de volta. Carmem aprendeu cedo que sobreviver também é uma forma de coragem. Marcada por uma infância difícil e por segredos familiares que jamais foram completamente revelados, ela lutou para construir a própria vida e se tornar uma mulher forte, inteligente e independente. Então Rafael reaparece. O homem que um dia fez parte de sua história retorna quando Carmem menos esperava — e basta um reencontro para que sentimentos que pareciam enterrados voltem a ocupar espaço entre os dois. Mas eles já não são os mesmos. Entre lembranças, silêncios, desejo e o medo de repetir antigas dores, Carmem e Rafael tentam resistir a uma aproximação que se torna cada vez mais difícil de evitar. Ao mesmo tempo, um caso cercado de mistério começa a revelar verdades capazes de atingir não apenas suas vidas profissionais, mas também o passado que Carmem acreditava conhecer. Quanto mais perto ela chega da verdade, mais percebe que alguns segredos atravessam gerações. E quanto mais Rafael se aproxima, mais difícil se torna proteger o próprio coração. O destino lhes deu um reencontro. Mas a segunda chance dependerá das escolhas que fizerem a partir dele.
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Chapter: O que herdamos e o que escolhemos
Carmem saiu da casa de Rosalina no fim da tarde. Precisava dirigir. Precisava ficar sozinha. Precisava organizar pensamentos que pareciam não caber dentro dela. Parou o carro próximo a uma praça e permaneceu ali. A história que conhecia não havia sido desmentida. Isso talvez fosse o mais doloroso. A violência continuava sendo violência. Deodato continuava sendo o homem que destruíra a infância de Iolanda. Rosalina continuava sendo filha daquela violência. Mas agora existiam outras pessoas. Outras testemunhas. Outras tentativas. Outros silêncios. A família que Carmem acreditava conhecer parecia apenas uma parte de uma história muito maior. O celular vibrou.Rafael. Ela olhou para o nome. Não atendeu. Alguns segundos depois, chegou uma mensagem. Não precisa responder. Só quero saber se você está bem. Carmem fechou os olhos. Queria dizer sim. Como sempre. Digitou: Não estou. A resposta veio: Onde você está? Carmem enviou a localização.***Rafael chegou vinte minutos depois. Encontrou Ca
Última atualização: 2026-09-03
Chapter: As cartas de Dona Amélia
Ninguém tocou no envelope durante alguns segundos. Parecia absurdo que um pedaço de papel tão pequeno pudesse ocupar tanto espaço naquela cozinha. Carmem sentou-se novamente.— Mãe, o que a senhora sabe?Iolanda balançou a cabeça.— Não tudo.Augusto empurrou a pasta na direção delas.— Eu acho melhor vocês lerem.Rosalina pegou o envelope. As mãos tremiam. Carmem colocou a própria mão sobre a dela.— Quer que eu leia?Rosalina respirou fundo.— Não.Abriu. O papel estava frágil. A caligrafia antiga era irregular. Rosalina começou em silêncio. Poucas linhas depois, lágrimas encheram seus olhos.— O que está escrito? — perguntou Carmem.Rosalina tentou continuar. Não conseguiu. Entregou a carta. Carmem leu. Dona Amélia escrevia para Alzira. Não havia pedido de perdão. Havia desespero. Falava de Iolanda. Da gravidez. Do medo de Deodato ser preso. Da vergonha diante da sociedade. E de uma decisão que agora reconhecia como monstruosa. Carmem sentiu raiva. Mesmo depois de tantos anos. Mesm
Última atualização: 2026-09-03
Chapter: O homem que trouxe o passado consigo
Carmem passou a noite pensando na ligação de Rosalina. Não dormiu. Toda vez que fechava os olhos, via a mesma imagem. Deodato. O cachimbo. O cheiro de bebida. O som dos passos chegando em casa. A voz dizendo aos filhos que tinham o mesmo sangue e o mesmo cheiro. Durante anos, Carmem acreditara conhecer o pior daquela história. Talvez estivesse enganada. Às oito da manhã, ligou para Rosalina.— Onde está mamãe?— Aqui comigo.— E o homem?— Disse que volta hoje.— Não deixa ele entrar antes de eu chegar.— Carmem...— Estou falando sério.Rosalina suspirou.— Você está fazendo aquilo de novo.— O quê?— Tentando resolver tudo.Carmem fechou os olhos. Rafael havia dito quase a mesma coisa.— Eu só quero proteger vocês.— Eu sei. Mas mamãe não é mais aquela menina.A frase atravessou Carmem. Talvez nenhuma delas tivesse percebido o quanto continuavam tratando Iolanda como se uma parte sua tivesse permanecido presa naquele passado.— Estou indo.***A casa de Rosalina tinha cheiro de café
Última atualização: 2026-09-03
Chapter: Quando o passado b**e à porta
O amanhecer encontrou os dois no sofá. Carmem abriu os olhos primeiro. Rafael dormia. Ela ficou observando-o. Era estranho vê-lo ali. Dentro de sua casa. Desarmado. Tão distante da figura formal do tribunal. Levantou-se cuidadosamente. Preparou café. Quando Rafael apareceu na cozinha, o cabelo ligeiramente desarrumado, Carmem riu.— O quê?— Nada.— Está rindo de mim.— É estranho ver um juiz assim.— Assim como?— Humano.Rafael aproximou-se.— Não conte para ninguém.Ela entregou uma xícara.— Sua reputação está segura comigo.Ele beijou sua testa. O gesto foi tão natural que Carmem ficou imóvel. Rafael percebeu.— O que foi?— Nada.Mas não era nada. Beijos ela sabia administrar. Desejo também. Carinho era mais complicado. Carinho alcançava lugares aos quais a paixão, sozinha, não chegava.***Nos dias seguintes, a investigação avançou. Marcelo foi chamado para prestar depoimento. Negou qualquer envolvimento. Admitiu o relacionamento com Helena. Negou ameaças. Negou conhecer o home
Última atualização: 2026-08-31
Chapter: A noite em que ela não quis ficar sozinha
Rafael chegou vinte e cinco minutos depois. Carmem abriu a porta. Ele percebeu imediatamente que ela havia chorado. Não comentou. Entrou. Ela fechou a porta. Por alguns segundos, apenas ficaram frente a frente. Então Carmem fez algo que surpreendeu os dois. Abraçou-o. Rafael demorou apenas um instante antes de envolver seu corpo. Não perguntou nada. Não disse que tudo ficaria bem. Apenas ficou. Carmem apoiou o rosto contra o peito dele. Ouviu seu coração. Sentiu o cheiro da camisa. E permitiu que, por alguns minutos, o próprio corpo deixasse de permanecer em estado de defesa.— Eu odeio sentir medo.Rafael passou a mão lentamente por seus cabelos.— Eu sei.— Não. Você não sabe.— Então me conta.Ela ergueu o rosto.— Quando eu era criança, o medo fazia parte da casa. A gente sabia quando Deodato chegava bêbado. Sabia pelo jeito de abrir o portão. Pelo barulho dos passos.A voz falhou.— Nós fingíamos dormir.Rafael sentiu o abraço apertar.— Eu prometi que, quando crescesse, nunca m
Última atualização: 2026-08-31
Chapter: O homem da fotografia
As imagens das câmeras trouxeram uma resposta. E uma pergunta ainda maior. Um homem havia se aproximado do carro de Carmem. Boné. Óculos. Rosto parcialmente escondido. Mas um detalhe permitiu que os investigadores avançassem. O veículo usado para deixar o local estava registrado em nome de uma empresa. A empresa pertencia a Marcelo. Quando Carmem recebeu a informação, sentiu o corpo gelar. Não era mais coincidência. Havia uma ligação. A polícia pediu novas medidas. Marcelo seria formalmente investigado. O caso ganhou uma dimensão que rapidamente chegou à imprensa. Naquela tarde, o nome de Carmem apareceu pela primeira vez em uma matéria.Perita aponta inconsistências que podem mudar o caso Helena Vasconcelos. Ela fechou a página. Não gostou. Para Carmem, exposição significava vulnerabilidade.Durante anos, Carmem aprendera a trabalhar nos bastidores. Seus pareceres carregavam seu nome, sua assinatura e sua responsabilidade, mas raramente seu rosto. Preferia assim. Não precisava ser co
Última atualização: 2026-08-30
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