Chapter: Capítulo. 16. Vínculo enfraquecido.Na manhã seguinte, fui chamada ao salão principal. O conselho estava reunido. Isadora ocupava seu lugar ao lado do Alfa, enquanto o curandeiro permanecia próximo à lareira. Zayan estava de pé diante de todos. — Maíra, aproxime-se. Obedeci. — O conselho foi informado sobre a situação do vínculo — anunciou ele. — Após avaliar os riscos para a alcateia, decidi iniciar os procedimentos necessários para rompê-lo. Senti o sangue abandonar meu rosto. Sabia que aquele momento chegaria. Mesmo assim, ouvir a decisão em voz alta provocou uma dor que eu não estava preparada para suportar. — Quando? — perguntei, quase num sussurro. — Assim que o curandeiro considerar seguro. Assenti. — Entendo, meu Alfa. Ele me observou por alguns segundos. — Não haverá mudança na sua posição durante o processo. Você continuará cumprindo suas funções e seguirá as ordens da Luna. — Sim, meu Alfa. — Também espero que não interfira no tratamento nem procure criar situações para se aproximar de mim. Le
Última atualização: 2026-10-16
Chapter: Capítulo. 15 A Frieza do AlfaUma semana depois, Zayan convocou-me ao escritório. Encontrei-o de pé diante da janela, com as mãos cruzadas atrás das costas. Isadora estava sentada em uma poltrona, lendo um documento. Sua postura era impecável, como sempre. — Mandou me chamar, meu Alfa? — Entre e feche a porta. Obedeci. — A partir de hoje, você não servirá mais as refeições nesta casa — anunciou ele. Pisquei, surpresa. — Fiz alguma coisa errada? — Não se trata de um erro. Isadora reorganizou as tarefas dos funcionários. Olhei para a Luna. — Entendo, minha senhora. — Você será transferida para os serviços externos — explicou Isadora. — Vai cuidar dos depósitos, acompanhar a distribuição de suprimentos e auxiliar na manutenção dos alojamentos dos trabalhadores. Era um trabalho mais pesado. Os depósitos ficavam na parte mais distante da propriedade, e os alojamentos precisavam de reparos constantes. Ainda assim, não havia motivo para questionar. — Quando devo começar? — Amanhã, antes do amanhecer — respo
Última atualização: 2026-10-16
Chapter: Capítulo. 14 A crueldade da escolha POV: Maíra O silêncio que se seguiu após a discussão entre Zayan e Isadora durou três dias. Três dias em que o Alfa não voltou a me chamar de companheira destinada. Três dias em que não apareceu na cozinha quando eu levava as refeições, não perguntou sobre meus ferimentos e sequer olhou em minha direção quando cruzávamos os corredores. No início, pensei que estivesse ocupado com os assuntos da alcateia. Zayan sempre tinha reuniões, relatórios para analisar e decisões que exigiam sua atenção. Mas, no quarto dia, quando o vi passar por mim no pátio e desviar o olhar deliberadamente, compreendi que alguma coisa havia mudado. Não era indiferença. Era esforço. Eu conhecia o suficiente sobre o vínculo para reconhecer os sinais. O lobo dele ainda me procurava. Às vezes, eu sentia o puxão no peito quando estávamos próximos, uma espécie de saudade que não me pertencia inteiramente. Em outras ocasiões, quando ele se afastava, uma dor profunda se espalhava pelo meu corpo, como se algo dent
Última atualização: 2026-10-15
Chapter: Capítulo 13. O ódio da Luna CresceA voz dela ecoou pelo corredor. Os guardas abaixaram a cabeça. Eu permaneci imóvel, desejando desaparecer. Zayan apertou os punhos. — Não faça isso novamente. Isadora ficou pálida. — Está me dando ordens por causa dela? — Estou deixando claro que não permitirei que o vínculo seja usado para prejudicar minha companheira. Isadora soltou uma risada incrédula. — Sua companheira? O Alfa ficou em silêncio. Ela deu um passo em sua direção. — Você passou semanas afirmando que não a queria. Que pretendia romper o vínculo e permanecer ao meu lado. Mas agora a chama de sua companheira diante dos guardas? Zayan não respondeu. Isadora olhou para mim. E, naquele instante, percebi que alguma coisa havia se quebrado entre nós. A mulher que antes me tratava com formalidade agora me observava como se eu tivesse roubado algo que lhe pertencia. — Saia daqui, Maíra — ordenou ela. Zayan virou-se imediatamente. — Isadora… — Eu disse para ela sair! O Alfa ficou imóvel. Olhei para ele. E
Última atualização: 2026-10-01
Chapter: Capítulo. 12 Companheira e não luna.Na manhã seguinte, o peso das novas tarefas tornou-se evidente. Helena tentou intervir quando viu a lista que Isadora havia preparado. — Minha Luna, essas atividades são excessivas para uma única pessoa. Isadora estava sentada à mesa do desjejum. — Maíra é uma das servas mais eficientes da mansão. — Não duvido disso, mas… — Então não vejo motivo para questionar a distribuição. Helena baixou a cabeça. — Como desejar, minha Luna. Eu permanecia próxima à porta, aguardando novas instruções. Isadora virou-se para mim. — Maíra, quero que os aposentos principais estejam limpos antes do meio-dia. A lavanderia deverá estar organizada até o fim da tarde, e o salão de recepção precisa estar pronto para a reunião desta noite. — Sim, minha Luna. — E cuide para que tudo esteja impecável. — Sim, senhora. Peguei a lista e saí. Helena me alcançou no corredor. — Não precisa aceitar tudo sem dizer nada. — Ela é a Luna, senhora. — E você não é uma máquina. Sorri discretamente. — Vou
Última atualização: 2026-09-30
Chapter: Capítulo. 11 Perseguida pela luna.Naquela noite, o conselho se reuniu novamente.Eu estava servindo o jantar quando percebi que Zayan parecia inquieto.Seu lobo estava agitado, e o vínculo transmitia uma sensação de desconforto que me fazia sentir o peito apertado.Tentei manter a concentração.Quando me aproximei para servir o vinho, uma pontada intensa atravessou meu corpo.A taça escorregou de minhas mãos.O vidro se chocou contra o chão, espalhando cacos sobre o mármore.O salão ficou em silêncio.— Maíra! — exclamou Helena, que estava próxima à entrada.Abaixei-me imediatamente.— Perdão, minha Luna. Meu Alfa.Zayan se levantou tão depressa que a cadeira caiu para trás.— Não toque nisso!Sua voz ecoou pelo salão.Parei, surpresa.Ele atravessou o espaço entre as mesas e segurou meu braço antes que eu pudesse recolher os cacos.— Você se machucou?Olhei para ele, confusa.— Não, meu Alfa.Zayan examinou minha mão.Um pequeno corte havia surgido próximo ao polegar.Uma gota de sangue escorreu pela pele.O Alfa ros
Última atualização: 2026-09-30
Chapter: Capítulo. 47 Marcel ficou alguns minutos no corredor antes de se mover. A porta do quarto estava entreaberta, um fio de abajur cortando o piso. Empurrou com cuidado. O quarto estava em penumbra. Verônica dormia de lado, o corpo ainda meio encolhido por cima da coberta, a blusa social amassada, o cabelo preto espalhado no travesseiro. Mesmo dormindo, havia tensão residual nos ombros, como se o dia não tivesse liberado o músculo por completo. Marcel aproximou-se sem acender a luz. Sentou na beira da cama com uma lentidão quase cerimonial. Não tocou o rosto dela de imediato. Só ficou ali, ouvindo a respiração. Quando, enfim, ergueu a mão, limitou-se a puxar a coberta um pouco mais para cima do ombro dela — um gesto pequeno, doméstico, destituído de estratégia. Verônica mexeu-se. Os olhos abriram só um pouco, turvos de sono e cansaço. — Rafael falou com você — murmurou, não como pergunta. — Falou. Ela estudou o rosto dele na meia-luz, procurando o gume antigo da acusação. Não encontrou. E
Última atualização: 2026-10-13
Chapter: Capítulo. 46Cobertura de Verônica, 20h31Marcel não tinha conseguido deitar.Permaneceu sentado na beira da cama do quarto de hóspedes, a camisa aberta no colarinho, os antebraços apoiados nas coxas, os olhos fixos no ponto em que o piso mudava de tom. A imagem do corredor insistia com uma precisão cruel: Verônica encolhida, a cabeça no colo de Rafael, o caminho seco de uma lágrima atravessando o rosto dela. Ele passara em silêncio. Agora o silêncio devolvia o peso.Bateram na porta. Uma vez só.— Sou eu — disse Rafael.Marcel fechou os olhos por um instante.— Entra.Rafael atravessou o vão com cuidado, como se o cômodo inteiro pudesse rachar com qualquer movimento em excesso. Sem blazer. Sem a postura impecável de quem organiza crise alheia. Só o celular na mão e uma cansaço antigo colado ao olhar.— Não vim brigar.— Ainda bem — respondeu Marcel, sem se levantar. — Porque eu também não tenho energia para a briga errada.Rafael aproximou-se até uma distância respeitosa. Desbloqueou a tela, mas
Última atualização: 2026-10-11
Chapter: Capítulo. 45 São Paulo, fim da tarde Rafael não foi para a assessoria depois do conselho. Ficou andando sem destino por duas quadras, o vento batendo no rosto, a frase de Verônica ainda presa na cabeça como farpa: eu fico na técnica, ele fica no front. Ela se oferecendo de novo. Sempre se oferecendo. Sempre calculando o próprio corpo como peça sacrificável para manter o tabuleiro de pé. Ele parou numa esquina, tirou o celular e abriu a galeria privada. Não a pasta do trabalho. A outra. A primeira imagem que subiu não era dos três. Era só dos dois. Igor Oliveira de frente, a boca no canto da boca de Rafael, a mão na nuca dele, o apartamento pequeno ao fundo. Na seguinte, os dois no sofá, pernas enroscadas, a cabeça de Igor no peito de Rafael, a TV ligada em qualquer coisa. Noutra, um espelho de banheiro embaciado, os dois sem camisa, Igor rindo com a escova de dente na mão, Rafael beijando o ombro dele sem olhar para a câmera. Casal. Simples. Real. Indisfarçável. A dor veio antiga e inteir
Última atualização: 2026-10-10
Chapter: Capítulo. 44São Paulo, 8h03A sala do conselho estava cheia demais para o tamanho da paciência de Verônica.Vidro, madeira escura, café mal bebido e a tela da parede ainda repetindo, em silêncio, recortes da noite anterior: o Atlas de Orlando, as fotos de Ilhabela, o trio da faculdade, a palavra “triângulo” aparecendo com a naturalidade suja de quem já tinha vendido a manchete antes de apurar qualquer coisa.Marcel chegou dois minutos antes dela. Terno escuro, rosto fechado, a mesma contenção da mensagem da noite. Quando Verônica entrou, os dois trocaram só um olhar. Não havia carinho ali. Havia alinhamento.Ele abriu a reunião como prometeu.— A fusão não vai discutir vida pessoal nesta mesa — disse, a voz baixa e firme. — Vamos discutir origem, cronologia e continuidade operacional. O resto é ruído.Ruído, no entanto, era exatamente o que alguns acionistas tinham vindo buscar.O primeiro a falar foi direto:— Ruído que está derrubando percepção de valor. O mercado lê instabilidade societária. L
Última atualização: 2026-10-09
Chapter: Capítulo. 43São Paulo, 19h40 Marcel não foi para a cobertura. Também não voltou para a war room. Foi para o escritório vazio da Ferraz Tech, no andar alto, onde a cidade ficava longe o bastante para não ouvir opinião de ninguém. Sentou sem tirar o terno. Não ligou a luz principal. Só o abajur do canto, o notebook fechado na frente, o silêncio grosso de quem ainda estava saindo de uma sala demais. A raiva continuava no corpo. Não a raiva limpa de reunião perdida. A outra. A que vinha misturada com humilhação, ciúme e a imagem de Verônica se colocando na frente de Rafael como se aquilo fosse o instinto mais natural do mundo. Marcel ainda sentia a marca invisível da mão dela no peito, empurrando-o para trás. Ainda ouvia o “sai”. Por um longo tempo, ele só ficou ali. Não porque tivesse feito as pazes com o que vira. Porque gritar não ia mudar o fechamento do mercado. Levantou, abriu a pequena barra do escritório e serviu água, não uísque. Bebeu devagar. A cabeça, teimosa, insistia em voltar
Última atualização: 2026-10-08
Chapter: Capítulo. 42São Paulo, 18h47A crise do Atlas ainda não tinha esfriado quando a segunda bomba caiu.Rafael entrou na war room sem bater, o celular na mão, o rosto já diferente. Menos o profissional impecável. Mais alguém que tinha levado um golpe abaixo da linha.— Saiu.Verônica tirou os olhos da linha do tempo do projeto.— O quê?Ele desbloqueou a tela e deslizou a primeira imagem.Ilhabela.Verônica de biquíni vermelho na areia, o corpo cortado pela luz da tarde. Rafael ao lado, sem camisa, a cabeça virada para ela. Na sequência, os dois rindo. Depois, uma foto mais fechada: a mão dela no braço dele, a boca aberta no meio da risada. O ângulo era de longe. Lente longa. Alguém tinha esperado o momento certo.Marcel, do outro lado da mesa, endureceu inteiro.A legenda do portal vinha pronta:Enquanto o noivo apaga incêndio no mercado, Verônica Luz curte praia com o “melhor amigo ou amante de longa data?"— Tem mais — disse Rafael.A voz saiu baixa. Raspada.A segunda leva era de câmera de segura
Última atualização: 2026-10-07
Chapter: Capítulo. 45 - O passado padrão SARA Acordei com o peso de um braço na cintura e o cheiro familiar no travesseiro. Por um segundo o corpo relaxou antes da cabeça alcançar. Allan. Sofá. Piercing. Raiva do elevador. Vinho. Letícia sabendo de tudo. — Merda — sussurrei para o teto. — Você realmente fez isso. De novo. Com o outro. Na mesma semana. Minha terapia vai pedir aumento. Ele se mexeu atrás de mim, a voz rouca de sono: — Você está monologando de novo. — É o meu mecanismo de defesa. Junto com humor ácido e decisões questionáveis. Allan soltou um riso baixo contra meu ombro. Não apertou. Não cobrou. Só ficou ali, o polegar fazendo um caminho lento na minha barriga. — Eu não esperava ontem — ele disse. — Eu também não. — Virei o rosto o suficiente para olhar para ele. — Isso não significa que a gente voltou. Ou que eu sei o que estou fazendo. — Eu sei. — Ele segurou meu olhar, e pela primeira vez em semanas a expressão dele não tinha medo de parecer demais. — Só… a porta abriu um pouco. E eu não quero que
Última atualização: 2026-10-16
Chapter: Capítulo. 44. A melhor amiga, vinho e seu filhoSARA Eu saí do elevador com o sangue quente e a frase ainda ecoando na cabeça. “A doutora Salles tem uma habilidade impecável para ter amigos próximos.” apesar da minha resposta eu não estava arrependida. Só estava irritada demais para fingir profissionalismo até o fim do expediente. Em vez de ir para casa, mandei mensagem para a Letícia. « Você está livre? Preciso de amiga. Não de sócia. » A resposta veio em menos de um minuto. « Meu sofá. Vinho. Agora. » Vinte minutos depois eu estava no apartamento dela, sapatos jogados na entrada, taça na mão, o corpo afundado no sofá como se o dia tivesse durado uma semana. Letícia sentou do outro lado, pernas cruzadas, a mesma expressão de quem já sabia que a conversa não seria sobre processo. — Fala. — Seu filho me levou para um café depois da minha primeira consulta. Rimos. Foi… fácil. Leve. Quase esqueci que a gente tinha virado um desastre. — Bebi um gole. — No caminho, aparentemente, passei em frente à Lex no momento
Última atualização: 2026-10-11
Chapter: Capítulo. 43 . Irmãos dos anjosRAFAELEu não dormi direito.A imagem não saía: Sara rindo, o corpo leve, a cabeça inclinada para o lado dele. Allan fechando a porta do carro com uma naturalidade que eu não conseguia imitar. E, por cima disso, as duas brigas. O grito. O braço dela tremendo quando eu a tirei dali. O silêncio no carro depois.Eu tinha sido o homem que a tirou do meio do caos. Agora eu era o homem que assistia o caos voltar andando de lado, rindo, como se nunca tivesse existido.No escritório, no dia seguinte, mantive a distância combinada. Ou o que restava dela. Entreguei prazos. Assinei papéis. Evitei o corredor na hora do café.Até ela aparecer na porta da minha sala com uma pasta.— O parecer do caso Almeida — disse, a voz profissional, o olhar firme demais para quem tinha passado a tarde anterior rindo na calçada.— Deixa na mesa.Ela deixou. Hesitou meio segundo. Eu não levantei os olhos do computador.— Alguma coisa mais, doutor?— Não.A porta se fechou. O clique soou mais alto do que deveria
Última atualização: 2026-10-10
Chapter: Capítulo. 42 Reaproximações.SARA O café era pequeno, barulhento o suficiente para não forçar silêncio e quieto o bastante para a gente se ouvir. Allan pediu o mesmo de sempre. Eu pedi o mesmo de sempre. A coincidência fez os dois rirem sem precisar comentar. — Então — ele começou, girando o copo. — A Letícia ainda te trata como se você tivesse doze anos? — Pior. Agora ela combina preocupação de mãe com olhar de sócia. É aterrorizante. — Imagina viver com isso desde os quinze. — Você sobreviveu. Mais ou menos. — Mais ou menos é generoso. A conversa escorreu fácil. Fofoca leve do prédio antigo. Uma história mal contada de um cliente ridículo. Uma piada dele sobre elevador demorado e vizinho engraçado. Nada pesado. Nada sobre nós. Só o tipo de conversa que a gente sempre soube ter — o tipo que fazia o tempo passar sem doer. Em algum momento eu me peguei rindo de verdade de novo. O mesmo riso de antes da consulta. O de antes de tudo virar nó. Quando o café acabou, eu rodei o copo vazio entre as m
Última atualização: 2026-10-09
Chapter: Capítulo 41. A consultaSARA Eu passei dois dias inteiros fingindo que a noite com o Rafael não tinha acontecido. No escritório mantive a distância. Entreguei pareceres. Respondi e-mails. Evitei o corredor na hora do café. O corpo ainda lembrava — a mão no pulso, a boca, o jeito como ele tinha ficado — mas a cabeça precisava de outra coisa. Qualquer outra coisa. Foi aí que a ansiedade voltou de um jeito diferente. Não era crise completa. Era um zumbido constante, como se alguém tivesse deixado uma TV ligada no volume baixo dentro do meu peito. Na quarta-feira à noite eu abri o celular, digitei “psicólogo perto de mim” e fiquei olhando a tela como se ela fosse morder. — Olha só você — murmurei. — Adulta, profissional, com dívida, chefe na cama e agora pesquisando terapeuta às onze da noite. O sucesso personificado. Marquei a primeira consulta para sexta, no fim da tarde. Quando a confirmação chegou, o estômago revirou. Eu ia sozinha. Claro que ia. Só que a ideia de atravessar a porta de um consultório s
Última atualização: 2026-10-08
Chapter: Capítulo. 40. Entre o Vizinho Libertino e o advogado arrogante.ALLAN A mensagem chegou no meio da manhã, quando eu já estava no trabalho fingindo que conseguia me concentrar. Eu tinha escrito e apagado três vezes antes de enviar: « Só para você saber que o espaço continua valendo. Mas se um dia quiser falar, eu escuto. Sem pressa. Sem cobrança. » A resposta dela demorou quase uma hora. « Eu vi. Obrigada. » Três palavras. Mas eram três palavras. Eu estava na cozinha do meu apartamento quando li. Do outro lado da parede, Andressa andava de um lado para o outro. A ironia continuava no mesmo lugar: a mulher que eu queria tinha se mudado; a que estava ao lado agora ocupava exatamente o espaço que um dia foi dela. Eu gostava da Sara. Gostava de um jeito que me dava raiva admitir. E agora o máximo que eu podia fazer era não estragar o pouco de espaço que ela ainda me dava. Mesmo que doesse. Mesmo que eu desconfiasse que alguém já estava ocupando o lugar que eu tinha perdido por orgulho. RAFAEL No escritório eu mantive a distância. Ou te
Última atualização: 2026-10-07