Chapter: Capítulo. 14Noite…A cobertura ficou pequena demais.Marcel andava pela cozinha como se já fosse o dono do lugar — abrindo armários, pegando um copo, servindo água como se tivesse morado ali a vida inteira. Cada som que ele fazia chegava até a sala, onde Verônica tentava trabalhar. O notebook estava aberto, mas ela não lia uma linha sequer. Sentia a presença dele em cada canto, pesada, invasiva, como se o ar tivesse mudado de temperatura.— Você sabe que a partir de amanhã vamos ter que vender o conto de fadas perfeito — disse ela, sem levantar os olhos da tela. A voz saiu controlada, mas baixa demais.Marcel parou na entrada da sala, o copo na mão. Apoiou o ombro na parede e a observou.— E quem disse que não vai ser?Ela fechou o notebook com força e o encarou.— Porque a gente se odeia, Ferraz. De verdade. Não é pose.Ele deu um passo para dentro da sala. Os olhos verdes brilhavam com algo perigoso.— Mas não dizem que ódio e desejo moram no mesmo endereço?— Não me venha com frase de livro ba
Última atualização: 2026-08-31
Chapter: Capítulo. 13 Segundos depois que a porta se fechou, o silêncio que ficou para trás pesou mais do que qualquer grito.Verônica ficou parada no meio do quarto, a toalha ainda apertada contra o peito, os dedos brancos de tanto força. A respiração vinha curta, irregular. A pele ainda molhada agora arrepiava — não só pelo ar-condicionado, mas pela sensação invasiva de ter sido vista.Vista de verdade. Não a Verônica Luz do terno impecável, do olhar cortante, da voz que mandava no mercado.A outra. A que saía do chuveiro distraída, murmurando reclamações bobas da vida, a que existia só quando as portas estavam trancadas.E ele o seu maior rival tinha visto. O estômago dela revirou num misto ácido de raiva e algo muito pior: vulnerabilidade. Uma vulnerabilidade que ela passara a vida inteira construindo muralhas para nunca sentir. Marcel não só invadira o apartamento — ele invadira o único espaço onde ela ainda conseguia ser só carne, só pele, só mulher sem armadura.E o pior não era a raiva. Era o ca
Última atualização: 2026-08-31
Chapter: Capítulo. 12Na saída, já no estacionamento Helena caminhou ao lado de Marcel, sem tocá-lo.— Sua noiva é forte e o tal Rafael é... atentecioso.— Ele é mais do que atencioso.— Você não gosta dele.— Eu só não confio nele.Helena sorriu, baixo.— Pois eu confio em você e estou do seu lado, Marcel. Para o que precisar.Ele a encarou por um instante.— Por que voltou agora, de verdade?— Porque você está prestes a se casar com a mulher errada e eu precisava ter certeza de que você não entraria nessa sem uma amiga por perto.— E se eu disser que sei o que estou fazendo?Helena deu um passo à frente, sem agressividade, apenas presença.— Então eu serei a única que não vai te culpar quando tudo desmoronar.Ela entrou no carro e foi embora.Marcel ficou parado.De longe, Verônica observava ao lado de Rafael.— A víbora é boa. — murmurou Rafael.— Ela sempre foi. A diferença é que agora eu não tenho medo de morder de volta.— Então segura. A queda dela vai ser lenta e nós vamos assistir da primeira fila
Última atualização: 2026-08-31
Chapter: Capítulo. 11— Vamos entrar? — sugeriu Helena, deslizando a mão no braço de Marcel com uma naturalidade estudada.Ele não respondeu, apenas seguiu o grupo, mas durante todo o caminho até a mesa, os olhos dele voltavam, inevitáveis, para Verônica e Rafael.Para o jeito como Rafael puxava a cadeira antes que ela pedisse.Para o modo como ela inclinava o corpo para ouvi-lo, relaxada, sem a armadura que usava com todo o resto do mundo.Para a risada fácil, sem pose, sem jogo.Para a mão de Rafael tocando as costas de Verônica ao ajudá-la a se sentar — um gesto simples, mas carregado de uma intimidade antiga que fazia o maxilar de Marcel travar.Era desconfortável e ele não sabia nomear o que sentia, mas sabia que não era só inveja do que Rafael fazia, mas também de quem recebia.À mesa, Helena estava radiante. Falou de Londres, dos projetos, da saudade, mas sempre voltava o olhar para Marcel, com uma ternura que não invadia, mas que ocupava espaço como se quisesse provar, silenciosamente, que também
Última atualização: 2026-08-31
Chapter: capítulo. 10Mais tarde — Sala da fusãoVerônica assinava documentos quando Rafael se aproximou com o tablet na mão e a expressão serena.— A amiga do seu noivo chegou.Ela parou de escrever.— Helena.— Em pessoa. Abraço demorado, voz baixa, “voltei por você”. O pacote completo.— Marcel a recebeu bem?— Como um idiota nostálgico.Verônica largou a caneta e massageou a testa.— Ele não sabe o que ela fez.— Ele sabe o que sente e é isso que ela usa contra ele.— O que ela quer agora?— Fingir que é abrigo. Ele sai de uma relação fria, e ela chega quente, disponível, compreensiva. Não precisa se insinuar. Só precisa ficar por perto.Verônica o encarou.— Você conhece bem esse tipo.Rafael inclinou a cabeça, um sorriso discreto nos lábios.— Eu sou o tipo. Só que do seu lado.Ele se aproximou, tomou o pulso de Verônica entre os dedos, devagar.— Ela quer que ele ache que só ela o entende. Vamos mostrar que você também tem alguém que te entende.— E o que você pretende?— Apenas ser eu. Próximo, ele
Última atualização: 2026-08-31
Chapter: Capítulo. 09Jardim do hotel, minutos depois da dança.Marcel precisava de ar.A dança tinha sido um erro ou talvez a única coisa que fazia sentido em dias. O perfume de Verônica ainda estava na sua pele, o calor da mão dela na nuca, a coxa roçando a sua. Ele saiu para o jardim tentando esfriar o corpo, mas a noite abafada só piorava tudo.Foi quando Aline apareceu, vinda das sombras como quem planejava o instante exato.— Vocês dançaram tão bem — disse ela, parando ao lado dele. — Pareciam quase reais.— Quase? — Marcel sorriu, sem olhar para ela. — Achei que tínhamos convencido.— A mim, não.Aline deu um passo à frente, bloqueando o caminho dele.— Eu te avisei que sabia que isso é marketing. E continuo dizendo: se você quiser uma parceira que não precise fingir, eu estou aqui.Marcel a encarou. A luz do jardim desenhava o rosto de Aline. Ela era bonita, sim. Mas havia algo de desespero escondido atrás do sorriso.— Você não quer ser minha parceira, Aline. Quer ser a sombra da sua irmã no meu
Última atualização: 2026-08-31
Chapter: Capítulo. 13. Advogado do diaboSARA---Letícia tinha razão ao dizer que o Dr.Rafael é osso duro de roer, já fazem três meses e desde o primeiro dia o cara tem me dado nos nervos e meu showzinho na boate no primeiro dia apenas intensificou as coisas, eu sabia que iria me arrepender de descer até o chão, mas não sabia que seria tanto.No dia seguinte em uma reunião acerca de um processo, quando eu fiz uma observação de extrema relevância, ao invés de me elogiar normalmente como todos fizeram, ele teve a audácia de me dizer que depois de ver minhas habilidades como dançarina ele esperava ouvir mais do que apenas o óbvio naquele caso.O senhor, tenho um Q.I acima da média, não sabe nem ao menos reconhecer algo que não venha dele.Um narcisista, arrogante, de ego enorme, minha aversão por ele é nítida, sempre que estamos no mesmo local o ambiente muda e eu evito falar ao máximo em sua presença, pois sei que ele vai achar um jeito de me fazer sentir pequena.O Allan nem sequer aguenta ouvir mais reclamar sobre ele, por
Última atualização: 2026-08-31
Chapter: Capítulo. 12 Tensões— Temos um encontro marcado hoje Rafael. —disse ela impaciente. — Eu avisei que tinha outros planos com o pessoal do trabalho. —respondi cansado. Eu a observei com o canto de olho, pois sabia que ela estava irritada comigo, Priscila é uma conhecida de longa data, atua hoje em dia na defensoria pública. Ela é exatamente meu tipo de mulher, linda, inteligente e madura, no entanto é carente e pegajosa às vezes. Sempre gostei da minha liberdade, não que eu vá sair galanteando várias mulheres, mas gosto de ter meu espaço pessoal respeitado e ela sabe muito bem disso, nunca tive problema em arranjar mulher, muito pelo contrário é sempre difícil me livrar delas. Pensei que com ela as coisas seriam diferentes, quando iniciei nosso relacionamento aberto que deu certo por sete meses, mas agora ela está começando a sufocar, coisa que ela havia prometido que não faria. — Priscilla eu vou subir para dormir, se você tiver a intenção de fazer o mesmo pode subir comigo, caso contrário vá par
Última atualização: 2026-08-31
Chapter: Capítulo. 11 HipnotizadoQuando eu percebi que eles estavam comentando sobre nossa dança, meu sangue ferveu e para completar minha vontade de bancar a descontrolada, começou a tocar "abusadamente", eu não poderia pedir música melhor para extravasar a tensão do meu corpo naquele momento e ao som das batidas eu comecei a rebolar como se não houvesse um amanhã. Um o qual provavelmente eu estarei arrependida e morrendo de vergonha, mas no momento eu estou levemente embriagada. Então mesmo depois de ponderar as consequências eu faço mesmo assim, pois no final das contas é para isso que o álcool serve. Meu corpo se movia sozinho, entregue ao ritmo, à batida, à liberdade daquele instante. As mãos percorriam minha cintura, meus cabelos balançavam no ar, e eu sentia cada olhar como combustível. Era viciante. Era perigoso. Era exatamente o que eu precisava. --- RAFAEL --- O dia foi realmente um saco, Dra. Menezes já me recepcionou com uma showzinho de amizade na porta do meu escritório, eu sabia que iria m
Última atualização: 2026-08-30
Chapter: Capítulo 10. Show DignoLetícia e eu entramos na minha sala e tratei de me recompor.— Eu aceito suas desculpas, mocinha. — imitei baixo o suficiente para que nós duas ouvíssemos.— Que tipo de ser vivo fala isso e ainda por cima em voz alta? Espirituosa, Dra. Menezes. — imitei novamente, engrossando a voz, arrancando uma risada dela.— Ai, Sara, fico aliviada que você não se deixou abalar por esse cretino. — disse ela aliviada.— Como dizia Charlie Brown Jr., hoje ninguém vai estragar meu dia. — cantarolei.E eu não ia me abalar mesmo. Estava dentro de uma sala só minha, com direito a mesa e cadeira.Por enquanto, tenho um escritório para chamar de meu, e não seria ele quem iria me tirar a chance de brilhar nesse momento só meu.— Um homem grande para um ego grande, não é mesmo? — constatei.— Queria poder dizer que a arrogância dele é para esconder um ego frágil por ter um pau pequeno, mas infelizmente a lenda diz o contrário. — Letícia disse, decepcionada com o fato.Ri fraco. Como eu queria que ele tives
Última atualização: 2026-08-29
Chapter: Capítulo. 09. Senhor CretinoFui recepcionada pelo sorriso caloroso de Letícia, que rapidamente colocou uma venda em meus olhos.— Mulher, se acalme! Você irá me fazer pagar mico logo no meu primeiro dia? — indaguei, no entanto não conseguia parar de sorrir também.— Relaxa, menina. Quase não tem ninguém aqui ainda. Vem.Ela me guiou pelo corredor. Eu tremia de ansiedade e felicidade. Quando minha mão tocou a maçaneta do que seria meu paraíso profissional, uma voz rouca e grave cortou o ar.— Dr. Menezes, que show é esse na frente da minha sala?Imediatamente retirei a venda dos olhos para ter a visão do homem mais lindo que eu já tinha visto em toda a minha vida, pessoalmente, é claro.Meus olhos passearam por toda a extensão do corpo dele sem que eu pudesse controlar. Louro, olhos azuis, com uma barba perfeitamente desenhada para o queixo forte e quadrado. Na tentativa de não dar muito na cara, foquei meu olhar em seus ombros. Eu nunca havia visto um homem daquele tamanho todo. E olha que, para mim, todos com m
Última atualização: 2026-08-27
Chapter: capítulo 08. Armadura de renda O mês passou voando. Hoje é dia de mudança. O novo apartamento é incrível. Condomínio com academia e piscina. Letícia está me alugando pelo mesmo valor do antigo. Me sinto desconfortável com isso, ela sempre foi mãezona demais , mas assim que eu me estabelecer, pago o preço justo. Allan veio ajudar, mas passou o dia inteiro estranho e calado. Se eu soubesse que seria tão incômodo, não teria deixado ele vir. À noite, exaustos, estávamos no sofá comendo pizza quando eu quebrei o silêncio. — Então… devo presumir que a minha mudança mexeu mais com você do que eu pensei e que você vai se afundar na solidão sem a minha ilustre pessoa abrilhantando o seu dia a dia. Ele me encarou com aquele olhar que eu detesto. — Você tem que parar de ser teimosa e procurar um psicólogo a partir de agora. — Allan, eu estou bem. — Você não está bem e sabe disso. Suas crises podem até ter diminuído de frequência, mas quando acontecem são mais intensas. Agora, com essa distância, vai ser mui
Última atualização: 2026-08-26