Chapter: Capítulo 43Assassino Consegui. Ah, como consegui. Um susto digno, daqueles que deixam o coração batendo descompassado e a respiração presa na garganta. Faz algum tempo que descobri o pequeno detalhe sobre minha Clara: ela não sabe nadar. Inocente demais, frágil demais… perfeita demais para que eu não usasse isso a meu favor. Foi só esperar. Ela já andava debilitada — culpa, medo, insônia… um banquete emocional que eu mesmo preparei, passo a passo. Bastou colocar o toque final: um pozinho quase imperceptível no suco gelado que Sérgio entregou. E então… a mágica aconteceu. Vocês não fazem ideia do prazer que é assistir. Não apenas o ato, mas a reação. O instante exato em que os olhos dela perdem o foco, o corpo fraqueja, e ela desaba… Ver o pânico tomar conta de Marcos foi delicioso. Denis, tentando parecer calmo, mas com os dedos trêmulos. Ah… aquele desespero deles foi como música para mim. Sim, ela demorou a recobrar a consciência. Admito: por um segundo, apenas um mísero segundo, conside
Última atualização: 2023-02-05
Chapter: Capítulo 42Marcos Estou conversando com Denis quando Sérgio aparece sozinho. — Onde está Clara? — pergunto. — Na beira da piscina tomando suco. — Você deixou, ela sozinha? — Marcos, a casa está cercada por policiais armados, nada pode acontecer a ela. — diz Denis. — Não é isso que me preocupa, e sim o fato dela estar sempre passando mal e estar na beira da piscina sendo que ela não sabe nadar. O som foi tão baixo que quase passou despercebido. Um plof abafado, como algo pesado caindo na água. No começo, pensei que fosse algum pássaro, sempre tem desses momentos. Mas então percebi que o som não vinha de lá. Era da piscina. Meu corpo se moveu antes mesmo de a mente processar. Larguei a pasta de documentos que estava folheando com Denis e corri. A visão me atingiu como um soco no estômago. Clara. Afundando. — Droga! — o grito saiu preso na garganta. Pulei sem pensar. A água gelada mordeu minha pele, mas não senti. Só conseguia ver o contorno do corpo dela, vestido leve grudado, os cabe
Última atualização: 2023-02-05
Chapter: Capítulo 41 (parte 2)Depois daquela conversa com Marcos, pensei que as coisas ficariam menos sufocantes. Mas não ficaram. Depois desta última morte, muitas outras vieram em poucas semanas. Em menos de um mês e meio, o assassino já havia matado dez mulheres. Dez. E, de alguma forma, eu sabia que cada uma delas era um recado direto para mim. Um aviso cruel de que ele estava se aproximando. Denis fechou a pasta com fotos das vítimas. Seus olhos ficaram presos em uma delas por tempo demais. Sem dizer nada, ele passou a mão pelo rosto e olhou para mim pela janela. — “Não vai acontecer de novo.” — murmurou para si mesmo, mas eu ouvi. Não era só um juramento, era um peso que ele se recusava a deixar cair sobre mim. Um aviso do assassino era cruel e estava se aproximando. A cada nova notícia, algo em mim se partia. Não conseguia mais comer direito, e quando comia, meu estômago simplesmente rejeitava. Era como se meu corpo tivesse decidido viver em constante estado de alerta. Em vez de engordar, como era esp
Última atualização: 2023-02-05
Chapter: Capítulo 41 (parte 1)Clara O barulho da porta rangendo me acorda. Ainda sonolenta, viro para o lado e vejo a cama vazia. Marcos não estava ali quando adormeci, e pelo jeito acabou de chegar. A luz fraca do abajur da sala invade o corredor por alguns segundos antes de ele fechá-la devagar, como se quisesse não me acordar. Finjo que ainda durmo, mas escuto seus passos. Lentos. Pesados. E, principalmente, silenciosos demais para alguém que não tem nada a esconder. Ele entra no quarto, o cheiro de rua e de noite fria vindo junto. O colchão afunda quando ele se senta na beira da cama. Sua mão pousou na minha perna, quase num carinho mecânico, mas sem calor. — Você estava onde? — minha voz quebra o silêncio. Marcos congela, e eu sei que o peguei de surpresa. Ele demora alguns segundos para responder. — Coisa de trabalho. — Trabalho a ponto de voltar com essa cara? — me ergo, apoiando nos cotovelos. — Não tenta disfarçar, Marcos. Você está tenso. — Não quero te preocupar, Clara. — Ele suspira, massageando
Última atualização: 2023-02-05
Chapter: Capítulo 40Marcos A estrada sempre parece mais longa à noite. Não importa quantas vezes eu a percorra. O farol corta a escuridão à frente, revelando apenas pequenos trechos do asfalto, mas não dissipa o peso que se acumula no meu peito a cada quilômetro. O silêncio dentro do carro é opressor, quebrado apenas pelo som do motor e pelos meus próprios pensamentos, que se atropelam. Sérgio não usaria aquele tom urgente se não fosse algo sério. Ele me conhece há tempo demais para dramatizar sem motivo. E, se for o que eu estou pensando, então as coisas acabaram de escalar para um nível que não consigo mais manter distante de Clara. Um nível que invade, contamina, destrói qualquer ilusão de controle. Chegamos ao perímetro isolado pouco depois. As luzes giratórias das viaturas pintam a noite de vermelho e azul, criando sombras distorcidas entre as árvores. A cena parece retirada de um pesadelo repetido vezes demais. Assim que desço do carro, o cheiro metálico de sangue me atinge em cheio, forte, incon
Última atualização: 2023-02-05
Chapter: Capítulo 39Clara Abro os olhos no escuro. O quarto está silencioso, exceto pelo som suave da respiração de Marcos ao meu lado. Uma réstia de luz prateada entra pela fresta da cortina, desenhando um traço fino no chão. Meu coração está acelerado e não é por causa de um pesadelo é pelas palavras de Sérgio. “Ela tinha o direito de saber.” Ecoa na minha mente como um sussurro incômodo, um lembrete de que algo grave está acontecendo bem mais perto de mim do que imaginam. Viro para o lado, observando o contorno de Marcos na penumbra. Ele parece tão tranquilo, mas sei que não está. Quando penso no jeito que me tirou do quarto mais cedo, percebo que havia mais medo nos olhos dele do que raiva. Sento-me devagar, abraçando os joelhos. Meus pensamentos voltam ao bilhete que vi na mão dele. As frases frias, quase debochadas. “Estou louco para te reencontrar.” O pior é que ele falava como se já me conhecesse… intimamente. Meus dedos formigam. E se Sérgio tiver razão? E se eu estiver vivendo numa bolha de
Última atualização: 2023-02-05
Chapter: CAPÍTULO 71O Laboratório Central de Criptografia era um santuário de silêncio e luz neon. Lisa, sentada diante do console principal, sentia os olhos de Jason e da General Oliver pesarem sobre suas costas como lâminas. Seus dedos, ainda trêmulos, dançavam sobre o teclado holográfico. Ela estava entregando os códigos de acesso à cópia que Jason recuperara.— Pronto — Lisa sussurrou, a voz desprovida de qualquer esperança. — O arquivo está aberto.A General Oliver aproximou-se, observando a torrente de dados fluindo pelas telas. Eram fórmulas químicas, registros de população, protocolos de controle atmosférico. Era o suficiente para convencê-la de que o legado de Thomas fora neutralizado.&md
Última atualização: 2026-07-01
Chapter: CAPÍTULO 70O silêncio na Sala de Correção tornou-se denso, uma redoma onde apenas as respirações de Jason e Lisa existiam. A revelação de que a General Oliver era a mãe de Jason pairava no ar como uma névoa tóxica. Ele a olhava com uma mistura de adoração e desespero, os olhos percorrendo o corpo dela como se procurasse uma rachadura na armadura emocional que ela erguera.— Ela vai voltar em logo, Lisa — Jason sussurrou, a voz rouca, quase um lamento. — Se eu não sair daqui com uma resposta, com o código de recuperação daquele cartão... ela vai apagar você. E eu não posso ver isso acontecer. Eu não posso.Ele se aproximou mais, o calor do seu corpo contrastando com o frio metálico da cadeira de contenç&at
Última atualização: 2026-06-29
Chapter: CAPÍTULO 69O Setor de Detenção de Alta Segurança não se parecia com as celas rústicas dos rebeldes na Terra. Aqui, tudo era de um branco ofuscante. Lisa foi presa a uma cadeira metálica no centro de uma sala cujas paredes eram feitas de um vidro polarizado, dando a sensação de que o vácuo do espaço a observava de todos os lados. Não havia sombras onde se esconder.A General Oliver estava sentada à sua frente, mas não havia mesas, papéis ou luzes sobre o rosto. Apenas o silêncio pressurizado da Estação.— Sabe por que chamamos este lugar de Sala de Correção, Lisa? — Oliver começou, sua voz suave ecoando nas paredes lisas. — Não é pela tortura física. A dor é primitiva, e você já
Última atualização: 2026-06-26
Chapter: CAPÍTULO 68O som das botas da Polícia de Elite ecoava pelos dutos de ventilação, cada vez mais próximo. A luz vermelha de alerta do terminal piscava sobre o rosto de Jason, acentuando as linhas duras de sua mandíbula. Ele estendeu a mão, a palma aberta, aguardando.— Lisa, agora! — ele ordenou, a voz num sussurro urgente. — Eles vão derrubar essa porta em segundos. Se você estiver com isso na mão quando eles entrarem, eu não poderei impedir o que virá a seguir.Ela olhou nos olhos de Jason. Ele parecia desesperado, uma mistura de protetor e carrasco. Lisa precisava que ele acreditasse nela. Precisava que ele baixasse a guarda por tempo suficiente para que ela pudesse sair daquele perímetro.— Você disse que faria qu
Última atualização: 2026-06-24
Chapter: CAPÍTULO 67O terminal ejetou dois pequenos cartões de memória com um clique mecânico que soou como um tiro no silêncio da subestação. Lisa os pegou com a rapidez de um reflexo nervoso. Ela olhou para a porta, depois para o próprio ombro. Em um ato de desespero visceral, ela descolou a borda do curativo. A ferida, ainda aberta e sensível, latejou. Ignorando a pontada de dor lancinante, ela pressionou um dos cartões contra a carne viva e fechou o curativo por cima, selando o segredo com seu próprio sangue. Se eles a revistassem, procurariam em bolsos e dobras; ninguém esperaria que ela usasse a própria dor como cofre.Jason entrou no segundo seguinte. A arma estava erguida, o cano apontado para a sombra até que o reconhecimento o atingiu. Ao ver o rosto dela, pálido e banhado pela luz azul fantasmagórica da tela, ele
Última atualização: 2026-06-22
Chapter: CAPÍTULO 66Lisa não parou para observar os pedaços caírem. Precisava agir. Se ele percebesse que ela ouvira a conversa com Elias, as portas daquele apartamento nunca mais se abririam.— Falta pouco — Jason respondeu, recuperando o controle e aproximando-se. Ele estendeu a mão para tocar o rosto dela, mas Lisa se levantou com agilidade, fingindo que ia buscar sua bota no chão. — A general vai querer o relatório em breve. Mas você está segura aqui, Lisa. Nada vai te acontecer enquanto estiver comigo.— Eu sei — ela mentiu, forçando um sorriso melancólico que pareceu convencê-lo. — Só estou... Precisando de roupas limpas. Vou para o meu apartamento trocar de roupa. Depois podemos ir ao laboratório de diagnósticos, posso processar os dados finais
Última atualização: 2026-06-19