Chapter: Epílogo[SEIS MESES DEPOIS]BÉATRICE MONTMORENCY* * * — PAPAI! — Aeliana gritou sendo jogada no alto por Henry que gargalha com a nossa filha. Observo os dois e penso em como em tão pouco tempo os dois se aproximaram, parecendo que nunca estiveram separados. No começo imaginei que fosse necessário fazer terapia, mas no final as coisas fluíram e agora eles se tornaram inseparáveis. — SOCORRO… MAMÃE! — novamente meu pequeno sol grita pulando da cama. Meu coração quase salta para fora ao ver os dois correndo como duas crianças pelo quarto — PEGA A MAMÃE! — Aeliana declarou e os dois viaram na minha direção. Sinto a cama afundar com o peso dos dois, mas sou mais rápida. — Os dois, vamos parando! — adverti tanto o pai como a filha — Em pleno domingo e vocês dois ainda não tomaram nem mesmo chave? — Aeliana fez beicinho descendo da cama. Seguro a vontade de rir diante do seu pijama de dragão — A senhorita está muito indisciplinada, se continuar assim vai voltar para o internato. — Mas mamãe!
Última atualização: 2024-09-17
Chapter: Capítulo 75BÉATRICE * * * — Ma-mãe? — Aeliana perguntou, um pouco confusa, ela adentrou o escritório. Assim que os seus olhos se encontraram com os meus, ela sorriu correndo na minha direção, porém, ao perceber outra pessoa no local ela hesitou no meio do caminho — Mamãe… porque tá chorando? — ela pergunta mesmo que os seus olhos estejam fixos em Henry. Ao meu lado, Henry permanece imóvel fitando Aeliana com intensidade. Não sei exatamente como está o seu coração, mas provavelmente deve estar uma bagunça e impressionado como a nossa filha parece tanto com ele. Apesar de sermos muito próximas e até mesmo parecidas, Aeliana é como um espelho de Henry. Seus fios são como a obsidiana, além de resistentes, possuem volume, semelhante aos de Henry que só mantém a elegância pelo corte regular. Sorrio observando os dois se encararem em silêncio. Os orbes como safiras fitam Aeliana dos pés a cabeça e eu imagino o que Henry deve imaginar quando ver sua filha vestida de maneira tão peculiar, ele vai
Última atualização: 2024-09-17
Chapter: Capítulo 74BÉATRICE* * *— Eu sinto muito… Henry. — digo entre as lágrimas. É tudo que o meu pulmão cansado consegue falar. Pedir desculpas de um jeito tão covarde.Mesmo que eu peça perdão de joelhos, eu não conseguirei devolver os anos perdidos de Aeliana ou a primeira vez que ela me chamou de “mamãe” que para Henry teriam sido momentos como “papai” também. No fim, pedir perdão é tudo que me resta.— Eu não posso te devolver os anos perdidos de Aeliana… eu sei. — minha garganta dói e o bolo desce rasgando, mas eu não posso parar — Não desista de Aeliana e por favor, não deixe respingar nela nenhum dos meus erros. Ela tudo que eu tenho… sem ela. Eu não tenho mais nada. — declarei com toda a força que me restava no meu corpo — Eu sei que pareço ser uma mãe negligente que abandonou a filha para se vingar do seu ex marido, mas não é sobre isso. — fungo entre as palavras — Eu precisava me livrar de tudo que me amarrava ao passado. Juro que tentei esquecer, mas, todas às vezes que eu via Aeliana eu
Última atualização: 2024-09-17
Chapter: Capítulo 73BÉATRICE* * *— Como? — perguntei boquiaberta com as palavras do meu irmão. De repente alguém bater na porta, é uma das empregadas.— Senhor e senhorita. — a mulher se curva — Tem um convidado aguardando pela senhorita, posso informar que a senhorita irá descer ou acompanho o mesmo até aqui?— Não. — respondi por reflexo, mas me recomponho para Aeliana não ouvir o teor da conversa — Não… informe ao convidado que estarei descendo. Peça-o para que me aguarde. Por favor.— Sim, senhorita. Irei transmitir as suas palavras. Com licença. — após se curva, a mulher saiu deixando eu e Ethan a sós.— O que pretende fazer? — Ethan questionou e só uma coisa me veio à mente, a minha filha. Sem pensar muito, respondi:— Irei vê-lo. — digo e oriento Ethan a esperar alguns minutos com Aeliana, para que de tempo até que eu leve Henry para um lugar onde possamos nos falar com tranquilidade. Afinal, é um assunto extremamente delicado.Desço os degraus da escadaria da mansão pensando nas possibilidades
Última atualização: 2024-09-16
Chapter: Capítulo 72[ALGUNS DIAS DEPOIS]BÉATRICE* * *Tudo desmoronou, era como se uma avalanche tivesse nos pego de surpresa. Contudo, eu sabia que no final daquela história eu era a errada.Não havia justificativas.Quando eu vi minha filha tremendo nos braços de Henry eu fiquei desesperada e entrei em choque. Foi ainda pior pela forma como ele descobriu.Se eu soubesse que aquelas ligações eram de Sofia e da diretora do internato eu teria atendido, mas eu não poderia imaginar, afinal havia falado com Sofia no dia anterior e estava tudo bem… ou melhor, eu achava que estava.— Ei, não adianta se lamentar agora. — meu pai apertou o meu ombro direito tentando me tranquilizar da merda que eu havia feito.— Eu sei. — respondi tomando um pouco do café da minha xícara. Observo minha filha ainda adormecida em seu quarto na mansão do meu pai.Depois daquele dia a doutora Collins informou que devido a teve um quadro de psicogênica, mais conhecido como febre emocional, o que me deixou parcialmente mais tranquil
Última atualização: 2024-09-16
Chapter: Capítulo 71HENRY* * *— Henry… eu posso explicar. — Béatrice declarou e eu encarei perplexo. A menina em seus braços se contorce de dor, sua pele está completamente vermelha e mesmo que eu quisesse entrar em um conflito resolvo agir ao invés disso. Corri apressadamente até o quarto para vestir minha calça e pegar as chaves do meu veículo.Não demoro muito e já estou na sala. O homem de cabelo acinzentado ainda não havia retornado, sem esperar por ele eu pego a menina dos braços de Béatrice.Assim que a garota está em meu colo ela geme de dor e seu rostinho se contorce. Céus, que menina linda! Meus olhos doem e sinto vontade de chorar pelo desespero, mas me recomponho. Tomando a menina em meus braços, caminhei para fora do apartamento.— HENRY! — Béatrice me gritou do corredor. Não dei ouvidos. Desço os degraus da escada de emergência com medo de vascular e deixar a garota nos meus braços cair. Minha mente está a milhão pensando nas possibilidades dessa garota ser filha de Béatrice e…— Não vo
Última atualização: 2024-09-16
Chapter: CAPÍTULO 37Cinco anos depois...O sol da Toscana derramava-se preguiçosamente sobre os extensos campos de lavanda, banhando a paisagem com uma luz dourada que parecia suspender o tempo. A brisa atravessava as fileiras de flores em movimentos suaves, carregando consigo um perfume delicado que invadia cada canto da propriedade. Ao longe, as colinas desenhavam um horizonte sereno, coberto por vinhedos, oliveiras centenárias e antigas construções de pedra que pareciam guardar séculos de histórias. Clarisse permanecia imóvel sobre a varanda, apoiando delicadamente as mãos no corrimão de ferro trabalhado enquanto observava a cena diante de si. Ainda existiam dias em que precisava lembrar a si mesma que aquela era, de fato, a sua realidade.Poucos metros adiante, o pequeno Lorenzo corria livremente entre os campos, gargalhando enquanto tentava alcançar dezenas de borboletas que insistiam em escapar de suas pequenas mãos. Os cabelos claros balançavam ao sabor do vento, e os olhos azuis, exatamente iguais
Última atualização: 2024-10-21
Chapter: CAPÍTULO 36Os dias que se seguiram foram dedicados à recuperação, mas também ao florescimento silencioso de um amor que, durante tanto tempo, precisou existir entre sombras. A violência daquela noite na cabana ainda permanecia gravada em ambos. Havia cicatrizes visíveis, como a perna engessada de Alfonso e os hematomas que lentamente desapareciam da pele de Clarisse, e outras muito mais profundas, invisíveis aos olhos, que somente o tempo seria capaz de amenizar. Ainda assim, pela primeira vez desde que seus caminhos se cruzaram, eles não precisavam lutar contra o mundo para permanecer juntos. A mansão, que durante tantos anos servira como palco de segredos, perdas e lembranças dolorosas, transformou-se lentamente em um lugar diferente. Os corredores antes silenciosos passaram a guardar risos discretos, conversas demoradas e pequenos gestos de carinho que nenhum dos dois imaginava um dia viver.Com a perna imobilizada, Alfonso viu-se obrigado a desacelerar pela primeira vez em muitos anos. Acostu
Última atualização: 2024-10-21
Chapter: CAPÍTULO 35Alfonso retornou à mansão com a sensação de que algo estava errado. O silêncio era pesado, e a ausência de Arthur na porta de entrada era um mau pressentimento. Ao adentrar o hall, a cena o atingiu como um soco: Arthur e os seguranças caídos, inconscientes. A raiva, fria e calculista, começou a ferver em suas veias. Ele sabia. Ele sabia que Nicholas havia feito isso.Alfonso correu para os aposentos de Clarisse, o coração martelando contra as costelas. O quarto estava vazio, o roupão de seda jogado sobre a cama, um rastro de desordem que confirmava os seus piores medos. Ele sentiu um desespero que nunca havia experimentado antes. Clarisse estava em perigo, e a culpa o corroía. Ele a havia deixado sozinha, vulnerável, e agora ela estava nas mãos de um louco.Ele chamou Arthur, que começava a recobrar a consciência. — Onde ele a levou? — A voz de Alfonso era um rosnado, carregada de uma fúria que Arthur nunca havia ouvido.Arthur, com a cabeça latejando, tentou se levantar. — Senhor... N
Última atualização: 2024-10-21
Chapter: CAPÍTULO 34Os dias que se seguiram foram um turbilhão de paixão e descoberta. Clarisse permaneceu na mansão de Alfonso, isolada do mundo exterior, imersa em uma bolha de desejo e luxo. Eles passavam horas na cama, explorando os corpos um do outro, a atração entre eles queimando como um fogo inextinguível.Alfonso era um amante intenso, exigente, mas também surpreendentemente terno. Ele a tratava como uma rainha, satisfazendo todos os seus desejos, protegendo-a do escândalo que a sua fuga havia causado na cidade. Clarisse, por sua vez, sentia-se viva, desejada, livre. A culpa por ter abandonado Nicholas havia desaparecido, substituída por uma certeza inabalável de que ela havia feito a escolha certa.No entanto, a sombra da dívida de Gabriel ainda pairava sobre ela. Uma tarde, enquanto descansavam após fazerem amor, Clarisse tocou no assunto.— Alfonso... e o Gabriel? A dívida dele...Alfonso acariciou os cabelos dela, os olhos azuis fixos no teto. — A dívida está paga, Clarisse. Eu a perdoei no m
Última atualização: 2024-10-21
Chapter: CAPÍTULO 33A noite anterior ao casamento arrastava-se como um pesadelo interminável. Clarisse estava sentada no chão do seu quarto, as pernas encolhidas contra o peito, o vestido de noiva pendurado no armário como um fantasma a assombrá-la. O hematoma em seu rosto, embora disfarçado por maquiagem, latejava a cada batida do seu coração. As palavras de Alfonso ecoavam em sua mente: "A sua liberdade está a um passo de distância."Mas ela não fora. O medo, a culpa e a promessa vazia de Nicholas a haviam prendido. O relógio marcou meia-noite, e com ele, a certeza de que o jato de Alfonso havia partido sem ela. A gaiola de ouro estava trancada, e ela havia jogado a chave fora.O dia do casamento amanheceu cinzento. Clarisse moveu-se no automático, permitindo que Isabella e Carol a arrumassem. Ela não sentia nada. Nem alegria, nem tristeza. Apenas um vazio profundo e anestesiante.Quando as portas da igreja se abriram, a marcha nupcial soou como uma marcha fúnebre. Nicholas a esperava no altar, o sorris
Última atualização: 2024-10-21
Chapter: CAPÍTULO 32Os dias seguintes foram um borrão de dor e isolamento para Clarisse. O hematoma em seu rosto era um lembrete constante da violência de Nicholas, e a vergonha a impedia de sair de casa. Ela inventava desculpas para Isabella, para a escola, para o mundo. Apenas Gabriel, que a visitava diariamente, sabia a verdade, e a sua culpa era palpável.Clarisse se escondia em seu quarto, as cortinas fechadas, o mundo exterior reduzido a um sussurro distante. Ela se sentia presa, encurralada entre a violência de Nicholas e a chantagem de Alfonso. Não havia saída, não havia para onde correr. O casamento se aproximava, e a ideia de se casar com o homem que a agredira, que a humilhara, era um pesadelo que ela não conseguia escapar.Uma tarde, enquanto Clarisse estava encolhida no sofá, um som suave na porta a fez sobressaltar. Era Arthur. Ele segurava uma pequena cesta, com um sorriso discreto nos lábios. — Senhorita Grigio. O senhor Albuquerque pediu que eu lhe entregasse isso. — Arthur concluiu, este
Última atualização: 2024-10-21