Chapter: Fim DiaanaCinco anos. Nem acredito que já tinham passado cinco anos desde que meu filho nasceu. Às vezes eu parava no meio da cozinha, segurando uma caneca de café, e ficava olhando pra parede só lembrando de como tudo tinha mudado tão rápido. Eu, que achava que não sabia nem manter uma planta viva, agora tinha um menino correndo pela casa deixando carrinhos, dinossauros e migalhas de biscoito em cada canto.Ele ia fazer cinco anos na semana que vem, e eu tava surtando porque ele queria uma festa com tema de “Ninjas do Espaço”. Eu nem sabia que isso existia. Ethan disse que ia resolver tudo, mas eu conhecia meu marido: quando ele dizia “eu resolvo”, era porque vinha exagero pela frente. Capaz dele contratar ninjas de verdade pendurados no teto só pra “fazer bonito”.Falando nele… Ethan continuava o mesmo homem lindo, teimoso, protetor, dramático às vezes — mas agora com um bônus: a mania de falar que tava “na hora do segundo filho”. Ele falava disso quase todo dia. Eu acordava com ele f
Última atualização: 2025-12-05
Chapter: Chá revelaçãoDianaO dia do chá revelação tinha chegado, e eu tava tão nervosa que parecia que ia desmaiar só de olhar pro bolo. Minhas mãos tremiam igual gelatina balançando na bandeja. Ethan fingia calma… mas eu conhecia aquele homem. Por dentro, ele tava surtando bonito.— Você tá bem? — perguntei, meio rindo.— Tô ótimo — ele respondeu com o sorriso mais metido desse planeta. — Só tô tentando não cair duro no chão.Revirei os olhos. Desde que eu engravidei, ele virou tipo um guarda-costas emocional. Eu espirrava e ele já perguntava se devia ligar pro médico.A família do Ethan começou a chegar. Eva, a mãe dele, já entrou falando alto, toda animada, como sempre.— Meu Deus, eu não dormi! Sonhei que ia ser menina! Tenho certeza absoluta!Luana, a irmã dele, só respondeu:— Mãe, você sonha até que o micro-ondas te chama pelo nome. Não confio nesses seus sonhos.E a madrasta… bom… aquela mulher parecia que tava respirando arrogância. Não sei como alguém conseguia ter uma cara tão permanente de que
Última atualização: 2025-12-01
Chapter: Vontade de Ameixa VerdeDianaEu acordei no meio da madrugada com uma sensação estranha.Não era dor.Não era enjoo.Era… vontade. Uma vontade absurda, surreal, totalmente fora da lógica humana.Eu queria ameixa verde.Do nada.Acordei sentando na cama como se alguém tivesse me chamado pelo nome.— Meu Deus… — murmurei, passando a mão no rosto. — Preciso de ameixa verde. Agora.Olhei para o lado.Ethan dormia igual um anjo gigante, respirando pesado, todo jogado na cama. Quase dei dó de acordar.Quase.— Ethan — cutuquei.Nada.— Ethan…Ele resmungou, virou de lado e me abraçou achando que era travesseiro.— Ethan, amor… acorda. — Bati no braço dele com carinho, daquele jeito que não machuca mas perturba.— Hm… que foi? — ele abriu um olho, só um, igual um gato preguiçoso.— Eu preciso de ameixa verde.Ele piscou.Pisca de novo.A terceira piscada já veio com a cara de “o quê?”.— O quê?— Ameixa verde — repeti. — Eu preciso.— Agora? — ele perguntou, com a voz meio rouca de sono.— Sim. Tipo… agora agora.E
Última atualização: 2025-11-25
Chapter: — Eu tô aqui. Não importa o que aconteça.DianaQuando a gente entrou no carro, minhas mãos ainda tavam tremendo. Não era frescura, não era drama… era o choque mesmo.Eu me sentei no banco como se meu corpo estivesse desligado.Ethan deu a volta e sentou no volante, mas antes de ligar o carro ele virou pra mim.— Diana… olha pra mim.Eu olhei, mas meus olhos estavam meio perdidos. Meu cérebro ainda tentava entender o que tinha acontecido. Um segundo eu tava rindo no banheiro porque o sabonete era chique demais. E no outro… meu ex me puxou à força, como se eu fosse propriedade dele.— Você tá pálida — o Ethan disse, encostando a mão na minha coxa. — Você quer ir pro hospital? Quer ligar pra polícia agora?Eu engoli o ar, não a palavra proibida, só o ar mesmo.— Não… eu… eu só quero ir pra casa. Por favor.Ele não discutiu.Ligou o carro na hora.Durante o caminho inteiro, eu fiquei olhando pela janela. O mundo parecia estranho. As luzes passando pela rua, as pessoas andando tranquilas… e eu ali, com um nó no peito.— Eu devia
Última atualização: 2025-11-24
Chapter: Uma mão me agarrou...Diana Quando o musical acabou, eu tava quase flutuando. Aquelas músicas lindas, os figurinos, o palco… tudo parecia mágico. Eu saí do camarote segurando a mão do Ethan como se eu fosse uma criança empolgada indo pra uma feira de doces.— Gostou? — ele perguntou, com aquele sorriso gostoso de ver.— Eu amei — falei na lata. — Tipo… amei de verdade. Eu nunca tinha visto nada assim. Sério, eu tô até meio zonza.Ele riu do meu entusiasmo e me puxou pra perto.— Fico feliz. Você merece coisas assim.Eu só não derreti ali porque eu ainda tinha alguma dignidade.Ou achava que tinha.Enquanto a gente descia as escadas, eu senti aquela pressão na bexiga que só grávida sente do nada, tipo “vai agora ou você explode”.— Preciso ir no banheiro — falei, quase trotando. — Me espera aqui?— Claro. Vou ficar logo ali — ele apontou pro corredor, mão no bolso, tranquilo.Entrei no banheiro com aquele brilho de pessoa que tá se achando chique demais pra estar viva. Tudo era bonito. Iluminação linda, pi
Última atualização: 2025-11-23
Chapter: Uma ida ao TeatroDianaQuando o Ethan me chamou no fim da tarde, eu tava largada no sofá, comendo bolacha salgada como se aquilo fosse a comida mais chique do mundo. Ele apareceu na porta da sala, com aquela cara de “eu aprontei e preciso compensar”, e falou:— Amor… vamos ao teatro hoje? Só nós dois. Meu pedido oficial de desculpas.Eu já sabia que ele tava tentando me agradar desde aquele vexame da reação dele com a gravidez. E sinceramente? Ele tava se esforçando tanto que eu até tava achando fofo. Respirei fundo e levantei do sofá.— Tá bom… mas eu vou tomar um banho primeiro. — falei.Ele sorriu daquele jeito torto que sempre me desmonta.— Vai com calma. Eu te espero.---Fui pro banheiro e deixei a água quente cair sobre mim, como se aquilo fosse levar embora qualquer resto de tensão que ainda morava nos meus ombros. Fechei os olhos, respirei devagar e deixei a cabeça encostar na parede gelada. Meu corpo tava mais sensível por causa da gravidez, ou talvez fosse só emoção acumulada. Sei lá. Só s
Última atualização: 2025-11-22
Chapter: FimCaleb Dois anos passaram.Quando eu falo isso em voz alta, parece simples demais para tudo que a gente viveu. Dois anos desde o pior medo da minha vida. Dois anos desde o fundo do poço. Dois anos desde o dia em que eu achei que nunca mais ia respirar direito. E mesmo assim… aqui estamos.Lucas e Isabela vão fazer quatro anos.Quatro.Eu ainda lembro deles cabendo no meu antebraço, dormindo em qualquer lugar, dependendo da gente para tudo. Agora eles correm pela casa, brigam por brinquedo, dão risada alta, fazem perguntas sem parar e têm opiniões fortes sobre absolutamente tudo. Principalmente sobre bolo.Eles estão empolgados com o aniversário como se fosse um evento mundial. Contam os dias no calendário, perguntam se vai ter bexiga, se os amiguinhos vão, se o bolo vai ser grande, se podem escolher a roupa. A casa virou um caos delicioso.E, pela primeira vez em muito tempo, caos não significa medo.Significa vida.Pamela está diferente. Mais leve. Não perfeita, não intocável, mas ma
Última atualização: 2026-01-29
Chapter: Já tinham se passado três meses.PamelaJá tinham se passado três meses.Três meses podem parecer pouco quando alguém fala em voz alta, mas para mim foi como atravessar uma ponte longa demais. Cada dia teve peso, teve silêncio, teve lembrança. Não foi um “pronto, passou”. Foi um processo lento. De respirar fundo. De aprender a relaxar de novo. De aceitar que a vida continuava.Daniel continuava preso.Os advogados disseram que a condenação estava próxima. Ele e os comparsas dele. As provas eram muitas, claras, diretas. Não existia espaço para dúvida. A justiça estava caminhando, e isso me dava uma sensação estranha de segurança misturada com tristeza.Segurança porque meus filhos estavam protegidos.Tristeza porque ele era meu irmão.Ainda é difícil dizer isso em voz alta.Meu irmão.Não é só uma palavra. É sangue. É origem. É algo que eu descobri tarde demais e da pior forma possível. Às vezes eu me pego pensando em como teria sido se tudo fosse diferente. Se ele tivesse chegado na nossa vida de outra maneira. Se el
Última atualização: 2026-01-29
Chapter: Pequenos surtosCalebEssa semana passou devagar demais para mim.Por fora parecia que tudo estava voltando ao normal. Eu ia para a empresa, respondia e-mails, assinava papéis, falava com funcionários. Mas por dentro… era como se eu ainda estivesse preso naquele dia. Naquela ligação. Naquele galpão vazio. Naquele medo sufocante.Eu não contei para muita gente, mas fui ao psicólogo duas vezes nessa semana.Duas.E não foi por vontade. Foi porque eu percebi que não estava bem.Eu estava tendo pequenos surtos. Nada gritante, nada que alguém de fora olhasse e falasse “ele está mal”. Mas eu sabia. Pamela sabia. Eu ficava irritado do nada, perdia o foco, às vezes minha respiração acelerava só de ouvir um telefone tocar alto. Teve um dia que um carro freou forte na rua e eu congelei inteiro.Meu corpo reagia antes da minha mente.Os sonhos eram piores.Toda noite, sem falhar, eu sonhava que eles eram sequestrados de novo. O cenário mudava, mas a sensação era a mesma. Eu corria. Eu gritava. Eu chegava sempre
Última atualização: 2026-01-29
Chapter: Uma semana depois...PamelaJá tinha passado uma semana.Sete dias podem parecer pouco quando a gente olha no calendário, mas dentro de mim parecia que tinham sido meses. Meu corpo ainda acordava cansado, minha cabeça ainda demorava para entender que tudo tinha acabado. Às vezes eu levantava de madrugada só para ir até o quarto das crianças e confirmar que elas estavam ali. Respirando. Seguras. Vivas.Essa semana foi estranha. Silenciosa demais. Não tinha mais telefone tocando de madrugada, não tinha polícia entrando e saindo, não tinha gente falando ao mesmo tempo. Só a casa… e o eco do que aconteceu.Eu ainda sentia medo.Mas agora era um medo diferente. Não era mais pânico. Era como uma sombra que me seguia, mas já não me engolia.Lucas e Isabela estavam bem. O Lucas voltou a rir alto quando brincava. A Isabela ainda estava mais grudada em mim do que o normal, mas isso não me incomodava. Pelo contrário. Eu deixava. Eu queria que ela se sentisse segura. Eu queria que eles dois sentissem que nada no mund
Última atualização: 2026-01-29
Chapter: FORAM PRESOSCaleb Eu acordei antes do despertador. Na verdade, eu quase não dormi de verdade. Meu corpo descansou, mas minha cabeça ficou em alerta a noite inteira, como se ainda estivesse esperando algum barulho estranho, algum telefone tocar, alguma notícia ruim.Abri os olhos devagar.A primeira coisa que fiz foi olhar para o lado.Pamela dormia de lado, com o cabelo espalhado no travesseiro. A respiração calma, profunda. O rosto finalmente em paz. No meio da cama, Lucas e Isabela estavam largados de um jeito torto, cada um encostado em nós, como se ainda precisassem ter certeza de que estávamos ali.Fiquei alguns segundos só olhando.Essa cena simples… era tudo.Saí da cama com cuidado, quase em câmera lenta, para não acordar ninguém. O chão estava frio sob meus pés. Peguei a camiseta jogada na cadeira e vesti em silêncio.Fui até a cozinha.Coloquei água para ferver, preparei o café, peguei uma caneca. O cheiro começou a se espalhar e, pela primeira vez em muitos dias, não senti aquele nó n
Última atualização: 2026-01-29
Chapter: isso é tudo que eu preciso.Pamela Eu acordei assustada, como se alguém tivesse me puxado para fora de um buraco fundo. O coração disparado, a respiração curta, o corpo inteiro suado. Por um segundo, eu não sabia onde estava. O quarto parecia escuro demais, silencioso demais. Meu peito doía.O pesadelo ainda estava grudado em mim.No sonho, eu corria. Corria sem sair do lugar. Gritava os nomes dos meus filhos, mas minha voz não saía. As paredes da casa iam se fechando, o chão sumia, e eu sentia aquele medo antigo, conhecido, aquele pavor que eu achei que nunca mais ia sentir. Eu via as mãozinhas deles se afastando de mim, e eu não alcançava.Acordei com um soluço preso na garganta.Levei alguns segundos para entender a realidade. Para sentir o colchão. O lençol. O ar entrando e saindo do meu peito. Então eu mexi os braços.E senti.Lucas estava agarrado ao meu lado esquerdo, com a perna jogada por cima da minha coxa. A cabeça pesada encostada em mim, a respiração quente, tranquila. Isabela estava do outro lado,
Última atualização: 2026-01-29
Chapter: Onde o sol sempre brilhaLucy Se alguém me dissesse, há um ano, que eu estaria de pé em frente a um espelho de moldura dourada, vestindo camadas de seda e renda francesa, enquanto o perfume de peônias frescas invadia meus pulmões, eu teria rido. Ou teria chorado de medo.Naquela época, a única coisa que eu esperava do futuro era o anonimato e a sobrevivência. Eu era uma sombra, um sussurro, uma mentira chamada Francine. Uma farsa, com medo da vida, com medo de ser presa, ou viver fugindo até sua morte, vivendo os dias horriveis e humilhantes como se a vida não tivesse sentido. Como se o mundo fosse um lugar cinsa vazio que mantem todo mundo sozinho, sem dinheiro e triste. Essa era a minha realidade. Uma misseravel, sozinha e desesperada, com um piguinho bem pequeno de esperança no coração, torcendo que o universo me desse uma mãozinha, um empurão pra a direção certa. Ao inves de me jogar como de costume pelo penhasco.Mas hoje, o reflexo que me devolve o olhar é o de Lucy. Uma mulher completa, amada e, acima
Última atualização: 2026-04-28
Chapter: Onde o sol sempre brilhaLucy Se alguém me dissesse, há um ano, que eu estaria de pé em frente a um espelho de moldura dourada, vestindo camadas de seda e renda francesa, enquanto o perfume de peônias frescas invadia meus pulmões, eu teria rido. Ou teria chorado de medo.Naquela época, a única coisa que eu esperava do futuro era o anonimato e a sobrevivência. Eu era uma sombra, um sussurro, uma mentira chamada Francine. Uma farsa, com medo da vida, com medo de ser presa, ou viver fugindo até sua morte, vivendo os dias horriveis e humilhantes como se a vida não tivesse sentido. Como se o mundo fosse um lugar cinsa vazio que mantem todo mundo sozinho, sem dinheiro e triste. Essa era a minha realidade. Uma misseravel, sozinha e desesperada, com um piguinho bem pequeno de esperança no coração, torcendo que o universo me desse uma mãozinha, um empurão pra a direção certa. Ao inves de me jogar como de costume pelo penhasco.Mas hoje, o reflexo que me devolve o olhar é o de Lucy. Uma mulher completa, amada e, acima
Última atualização: 2026-04-28
Chapter: A Nova FamíliaLucyAs semanas que se seguiram foram as mais intensas e doces da minha vida. Com a ajuda dos advogados de peso do Demétrio e as provas irrefutáveis de violência que o Rafael e a Giselly ajudaram a reunir, o processo para regularizar minha situação avançou rápido. Eu não precisava mais me esconder. Pela primeira vez em anos, eu podia assinar "Lucy" em um documento oficial sem sentir que estava assinando minha própria sentença de morte.Mas a maior mudança não estava nos papéis, estava dentro daquela mansão.— Lucy! Lucy! Olha o que eu fiz na escola hoje! — a Maria Luiza entrou correndo pela sala, tropeçando nos próprios pés de tanta empolgação.Ela estendeu um desenho feito com giz de cera. No papel, havia quatro figuras grandes e duas menores.— Quem são esses, meu amor? — perguntei, puxando-a para o meu colo.— Aqui é o tio Demétrio, aqui é o Luiz, aqui sou eu e aqui é você — ela apontou com o dedinho sujo de tinta. — E esses dois aqui no cantinho são o Alfredo e a Gi. É a nossa fam
Última atualização: 2026-04-28
Chapter: A ReconstruçãoLucyVoltamos para a mansão no dia seguinte. O ar parecia diferente, como se as janelas tivessem sido abertas depois de anos de poeira acumulada. Helena se fora, e com ela, todo aquele peso de falsidade que sufocava os corredores. As crianças correram pelo jardim assim que descemos do carro, gritando de alegria por estarem de volta ao seu reino, mas eu... eu ainda me sentia estranha. Era a primeira vez que eu entrava naquela casa como Lucy.— Está tudo bem? — a voz de Demétrio soou perto do meu ouvido. Ele parou ao meu lado, observando minha hesitação.— É estranho — confessei, olhando para as minhas próprias mãos. — Por meses, eu atendi por outro nome. Eu me forcei a esquecer quem eu era para proteger a minha vida. Agora que não preciso mais me esconder, parece que estou aprendendo a andar de novo.Demétrio segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos. O calor da pele dele me trouxe de volta para o presente.— Nós vamos aprender juntos — ele disse, com aquela voz grave que sempre me d
Última atualização: 2026-04-28
Chapter: Máscaras no ChãoLucyO saguão do hotel de luxo para onde o Demétrio nos levou era frio e impessoal, mas parecia uma fortaleza comparado à mansão invadida pela sombra da Helena. Eu estava no quarto com o Luiz e a Maria, tentando manter a calma enquanto eles assistiam a um desenho animado, mas meus olhos não saíam da porta. Cada vez que o celular vibrava, meu estômago dava um solavanco.Demétrio estava no andar de baixo, em uma sala de conferências com Rafael e o exército de advogados. Por volta das três da tarde, ele subiu. A expressão dele não era de derrota, era de uma fúria contida, daquelas que precedem uma tempestade.— Ela está na delegacia da mulher — ele disse, fechando a porta atrás de si. — Helena entrou com a denúncia contra você, Lucy. Ela alegou que você é uma fugitiva perigosa e que eu estou sendo cúmplice.— E agora? — perguntei, sentindo o pânico subir pela garganta. — Vão me levar?Demétrio caminhou até mim e segurou meu rosto.— Não. O Rafael e a Giselly acabaram de chegar. Eles enco
Última atualização: 2026-04-28
Chapter: O Golpe Final de HelenaLucyO sol mal tinha começado a despontar no horizonte quando ouvi o barulho de portas de armário batendo no andar de cima. O clima na mansão estava elétrico. Depois de uma noite quase sem sono, onde Demétrio e eu ficamos abraçados no sofá do escritório conversando sobre o futuro, o despertar foi um choque de realidade.Helena não era o tipo de mulher que aceitava a derrota em silêncio. Ela era uma predadora, e predadores acuados são os mais perigosos.Desci para a cozinha e encontrei o Alfredo com um semblante preocupado, servindo um café forte.— Ela está descontrolada, Francine... digo, Lucy — ele corrigiu, dando um pequeno sorriso triste. — Está jogando roupas nas malas e gritando no telefone.— Ela sabe que o cerco fechou, Alfredo — respondi, pegando uma xícara. — A Giselly e o Rafael devem ter encontrado algo grande na empresa.Antes que eu pudesse dar o primeiro gole, Helena invadiu a cozinha. Ela estava impecável como sempre, mas os olhos tinham um brilho maníaco. Ela ignorou
Última atualização: 2026-04-28
Chapter: — Reunião em dez minutos na minha salaAuroraEu continuei ali, deitada de bruços na cama imensa de Rodolfo, sentindo o meu corpo inteiro pulsar e tremer enquanto me recuperava daquele maremoto de prazer. A sensação de preenchimento ainda queimava de forma gostosa na minha intimidade, e a minha respiração aos poucos ia voltando ao normal. O ar fresco do quarto parecia gelado na minha pele suada, e a respiração pesada do meu marido, que tinha se afastado devagar, indicava que ele também estava recuperando o fôlego na penumbra.Mas a névoa de luxúria começou a se dissipar, e com o fim do sexo, o peso daquela culpa reapareceu com força total no meu peito. Eu não podia continuar guardando aquilo. O beijo de Victor no subsolo, a confusão de vozes na minha cabeça, a sensação de traição… tudo aquilo estava me sufocando. Eu precisava ser honesta, mesmo que ele dissesse que não queria saber mais cedo.Com muito esforço, apoiei as mãos no colchão e me virei devagar, sentando-me na beirada da cama e puxando o meu roupão de veludo par
Última atualização: 2026-08-19
Chapter: — Agora é a minha vez, esposa…AuroraO ritmo da minha cavalgada era lento, torturante e absurdamente delicioso. Eu subia e descia no colo de Rodolfo com todo o cuidado do mundo, sentindo cada centímetro daquele pau monumental deslizando para dentro e para fora da minha intimidade. As minhas paredes internas, ultrajantemente molhadas e sensíveis, abraçavam a rigidez dele como se tivessem sido moldadas exatamente para aquele encaixe. Apoiei as duas mãos nos ombros largos e musculosos dele, sentindo a quentura da sua pele enquanto ele mantinha a cabeça inclinada para a frente, devorando o meu seio esquerdo. A língua dele circulava meu mamilo com firmeza, e a cada sucção mais forte, um arrepio elétrico cortava o meu baixo ventre, me fazendo manchar o peito dele com meus suspiros sôfregos.Rodolfo desceu a mão direita até a minha bunda, cravando os dedos na minha carne e apertando com vontade a cada vez que eu descia o quadril e afundava o membro dele até o limite final. O som molhado do nosso contato preenchia a penum
Última atualização: 2026-08-19
Chapter: — Eu vou começar sentando bem devagarzinho…AuroraA pegada de Rodolfo era simplesmente deliciosa. Não havia outra palavra para descrever a forma como ele me dominava, como suas mãos grandes e quentes encontravam cada ponto sensível do meu corpo sem qualquer hesitação. Ele apertava a minha cintura com força, puxava meu corpo contra o dele e me beijava com um desejo tão faminto que me fazia esquecer qualquer rastro de culpa ou dúvida. Eu me entregava completamente. O meu corpo reagia instantaneamente ao toque dele, ficando mole, dormente e embaçado pelo tesão líquido que me dominava de ponta a cabeça.Movida por esse fogo avassalador, apoiei minhas mãos nos ombros largos dele
Última atualização: 2026-08-15
Chapter: Talvez… talvez eu não deva mesmo contar nada.AuroraO carro blindado finalmente parou em frente à fachada iluminada da mansão. Desci com as pernas bambas, mal registrando o "boa noite" cortês do motorista. Cruzei o saguão de mármore como uma sombra e subi as escadas correndo, direto para o meu quarto.Liguei o chuveiro no mais quente e entrei debaixo do jato de água, esfregando os lábios com a ponta dos dedos até a pele ficar vermelha e dolorida. Eu queria apagar o fantasma daquele beijo no subsolo. A minha mente não conseguia focar em absolutamente mais nada. O rosto de Victor, a pegada dele nas minhas costas, a provocação sobre o meu marido não existir... e depois, a
Última atualização: 2026-08-14
Chapter: O que o Rodolfo vai fazer quando souber desse beijo?AuroraO olhar de Victor sobre mim parecia carregar uma voltagem elétrica capaz de acender todo aquele subsolo escuro. Antes que eu pudesse responder à pergunta provocativa dele, ele encurtou o último milímetro de distância entre nós e selou seus lábios nos meus.Foi um beijo quente, avassalador e ardente. A intensidade com que a língua dele invadiu a minha boca me tirou o chão por completo. No primeiro segundo, o instinto e a razão tentaram gritar para eu recuar, mas meu corpo simplesmente não obedeceu. Eu retribuí o beijo com a mesma fome, cravando as mãos nos braços fortes dele. E foi aí que o mundo pa
Última atualização: 2026-08-13
Chapter: — Por um segundo você lembrou o meu marido Aurora— Olá?! Tem alguém aí?! — gritei o mais alto que consegui.A minha voz ecoou pelo depósito enorme, batendo nas prateleiras metálicas e voltando para mim como um sussurro fantasmagórico. Silêncio absoluto. A porta de ferro pesada tinha se trancado com um estalo seco, mas o pânico não me dominou de primeira. Eu estava acostumada a lidar com problemas maiores do que uma porta emperrada no subsolo."Que se dane," pensei, bufando de raiva enquanto ajeitava o casaco. "Já que estou trancada neste buraco, vo
Última atualização: 2026-08-12