FAZER LOGINRafael e Sofia caminhavam pelo parque e pararam para alimentar os patinhos. Os dois sempre passavam um tempo observando os patinhos na lagoa que existia bem no centro de um dos parques da cidade. Havia uma parte gramada, e os dois gostavam de se deitar ali para olhar as nuvens no céu.
Aquela época do ano era a estação favorita de Rafael. Os dois adoravam passar o sábado visitando pontos turísticos da cidade. Nos momentos ao lado da filha, o arquiteto se desligava do mundo, dos negócios, e tinha olhos apenas para sua pequena princesa. A mãe insistia tanto para que ele se casasse novamente e tivesse outros filhos, mas Rafael não pretendia se casar outra vez.
Existia alguém na vida dele, mas não era nada sério, apenas uma companhia nos momentos em que precisava de um pouco de sossego. A experiência com o casamento não foi das melhores, então sua “amiga”, além de ser alguém independente, sabia das regras da relação dos dois, não exigindo nada e sendo apenas uma parceira de cama nos momentos em que ele queria relaxar.
Sofia não precisava de uma nova mãe, e nem ele de uma nova esposa.
— Papai, vamos almoçar no shopping? Hoje quero comer McDonald’s. Me comportei a semana inteira, e a tia Marina pode confirmar. Fiz todas as tarefas da escola e não desobedeci nem a ela, nem a vovó Francesca.
Marina passou o relatório da semana para o pai, confirmando que Sofia foi uma boa filha, se comportou e concluiu todas as tarefas da escola.
— Vou confiar na palavra da senhorita. Então espero não me deparar com nenhuma surpresa negativa durante a semana.
Rafael disse, pegando a menina no colo. Juntos, caminharam em direção ao carro. Ele acomodou a filha no banco de trás e depois se sentou no banco do motorista, ligando o carro e seguindo para o shopping favorito da filha.
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Ângela e Rosa ouviam atentamente tudo o que Marina contava sobre o péssimo encontro com o chefe.
— Filha, se você não gostou desse homem, é melhor largar o emprego enquanto é cedo, antes que a menina se apegue tanto a você.
— Mãe, mas eu gosto de trabalhar na mansão. E outra coisa: o mal-humorado nem fica em casa. Lúcia me disse que ele sai bem cedo e volta à noite; ninguém encontra o chefe andando pela casa. Agora, nos fins de semana, pelo que entendi, serão minhas folgas, e pretendo aproveitar com vocês.
— Aliás, Ângela, o que acha de irmos ao shopping? Queria tanto comprar algumas coisas e passar o dia com meus dois amores. Mãe, vamos?
Marina não queria ficar pensando no patrão no dia da folga. Queria mesmo era aproveitar o sábado ao lado da mãe e da irmã.
— Assim passamos um sábado em família. Nem sei quando terei tempo de ficar assim com vocês. Vai que, na próxima semana, o patrão tenha alguma viagem.
Rosa preferiu ficar em casa. Não estava se sentindo bem e achou melhor ficar descansando. Ângela e Marina, uma hora depois, chegaram ao shopping e foram direto para a praça de alimentação.
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— Papai, vamos! Eu quero comer o maior sanduíche que tiver. A vovó não está aqui para brigar comigo, nem a tia Marina. Só não conta para elas, ou eu vou ficar de castigo.
— Mocinha, você sabe que me deixa em uma situação complicada. Se sua avó Francesca sonhar com você comendo besteira no almoço…
Rafael não sabia dizer não e acabou concordando. Quando estavam na fila, de longe, ele avistou alguém que não desejava encontrar.
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Marina se aproximava da fila quando notou um homem alto com uma linda menina de cabelos claros. Parou por um instante, tentando se esconder, mas já era tarde.
Isso não pode estar acontecendo. É muito azar encontrar esse homem justo no meu dia de folga!
Marina pensou consigo mesma.
Sofia a avistou e saiu correndo até ela, deixando Rafael parado na fila.
— Tia Marina, como você sabia que nós dois estávamos aqui? A vovó contou? Veio almoçar com meu papai e eu?
Sofia questionou a babá, com um sorriso inocente nos lábios, sem perceber a reação de Marina.
Marina queria que um buraco se abrisse e ela se enterrasse nele, só saindo no domingo à noite.
— Foi apenas uma coincidência… uma infeliz coincidência. Vim fazer compras com a minha irmã.
Ângela estava parada, olhando a irmã inventar uma mentira, segurando-se para não rir na frente da garotinha.
— Sofia, esta é a minha irmã Ângela. E, Ângela, esta é a pequena Sofia.
A menina estendeu a mãozinha para Ângela, cumprimentando a jovem e ganhando um abraço.
— Olá, tia Ângela. Me chamo Sofia, e sua irmã é agora a minha melhor amiga.
Sofia abraçou Ângela e, depois das apresentações, sem dar tempo para que Marina recusasse, saiu puxando a babá pela mão até a fila da lanchonete.
Rafael notou que logo seria atendido e fez apenas um cumprimento de cabeça, sinalizando para a filha voltar ao seu lugar. Mas, antes que falasse algo, Sofia avisou que os quatro almoçariam juntos.
— Sofia, não vou incomodar o seu pai. Ele quer ficar com você; é melhor só os dois. Ângela e eu acabamos de chegar e nem estou com fome…
Assim que fechou a boca, o estômago de Marina roncou, fazendo a irmã disfarçar um sorriso.
— Senhor Rafael, eu não quero atrapalhar, mas ela me chamou e não quis parecer rude na sua frente.
A atendente chamou Rafael, e Sofia aproveitou para pegar na mão de Marina, avisando que iria se sentar com as duas enquanto o pai fazia os pedidos.
— Filha, como vou saber o que a senhorita vai pedir? Não tenho uma bola de cristal para adivinhar o que a babá gosta.
Ângela aproveitou o momento e disse que pediria pela irmã, e que ele não precisava se preocupar com isso.
— Irmã, pode se sentar com a pequena, que já eu levo seu lanche.
Dez minutos de espera pareciam dez anos para Rafael. A irritação era evidente em seu rosto. Se pudesse, teria pegado a filha e ido para outro lugar, mas, se fizesse isso, Sofia com certeza contaria para a avó, e sua mãe iria repreendê-lo por tratar a babá mal.
— Sofia, acho que seu pai não gostou de você nos convidar para almoçar. Aliás, o que a senhorita está fazendo em uma lanchonete, hein? Se sua avó descobrir, ela vai brigar comigo.
Sofia começou a rir, aproximou-se do ouvido da amiga e disse:
— Meu papai não vai contar, sua boba. Então nós duas estamos salvas.
As duas riram e não notaram quando Ângela e Rafael se aproximaram com as bandejas.
O almoço aconteceu com Ângela e Sofia falantes, enquanto Marina e Rafael mal abriam a boca. O constrangimento entre os dois era bem visível, e, por um instante, a jovem ficou triste. Não compreendia o motivo de o chefe não ter gostado dela.
Não que Marina estivesse chateada pelo mau humor dele — isso não importava para ela —, mas parecia que Rafael a achava incapaz de cuidar da filha. Enquanto comia, seu pensamento era que iria mostrar ao senhor estressado que poderia ser a melhor babá para sua filha.
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— Que garota intrometida!
Rafael pensava enquanto observava Marina comer. Algo nela o incomodava, e ele não se sentia à vontade em sua presença. Esperaria o primeiro deslize e faria questão de demiti-la. Seu sexto sentido com as pessoas nunca falhava, e ele sabia que a babá não era adequada nem tinha responsabilidade para cuidar da filha.
Assim que acabaram de comer, pai e filha se despediram de Marina. Sofia pediu que ela não chegasse muito tarde no domingo, pois queria que as duas ficassem juntas pelo menos por algum tempo antes de o fim de semana acabar.
Marina prometeu que chegaria depois do almoço, e assim teriam o resto da tarde para ficarem juntas.
A tarde de sábado passou voando, e a manhã de domingo também. Marina se despediu da família logo após o almoço e se dirigiu novamente ao trabalho. Chegou à mansão por volta das quatro horas da tarde e encontrou toda a família reunida na sala.
— Boa tarde!
Sofia veio correndo e se jogou nos braços da moça, perguntando como tinha sido o fim de semana dela.
— Filha, venha se sentar conosco.
Francesca pediu que Marina se acomodasse no sofá ao lado de Rafael. Assim que a moça se sentou, o patrão se levantou, dizendo ter uma ligação importante a fazer.
Pediu licença e se dirigiu ao escritório. Logo depois, ligou para alguém.
— Você está em casa? Podemos nos encontrar agora?
Marina escolheu um vestido florido com uma jaqueta.Deixou a roupa separada, viu quanto tinha de dinheiro na carteira, conferiu se os documentos estavam certinhos e voltou para a cozinha. Assim que terminasse de ajudar, Lucia iria tomar banho para se arrumar e esperar Sofia chegar do colégio para depois poder sair.Rafael e Luciano tinham passado a manhã em reunião com Roberto e Lara e aproveitaram para contar sobre a aparição de Giulia com André no jantar.Todos se preparavam para sair para o almoço, quando Lara pediu que Rafael esperasse, pois tinha algo urgente para falar com ele.— Não conta para Marina, mas ela me ligou hoje e pediu para marcar uma consulta médica. Pelo jeito, o senhor está tão apaixonado que anda até cometendo algumas loucuras.— Que loucura você quer falar?— Rafael, você é mais velho e mais experiente que ela. Deveria tomar mais cuidado.Rafael relembrou dos dois no escritório e, sim, ele realmente tinha esquecido de usar o preservativo e acabou não conversand
Sofia acabou dormindo com Marina no quarto. A menina queria ver a jovem assim que acordasse, para ter certeza de que ela não tinha ido embora.Rafael deixou que a filha ficasse com Marina e acabou adormecendo antes que os pais voltassem para casa.Francesca acordou cedo e pediu que Rafael esperasse Sofia ir para a escola. A mãe tinha algo importante para contar ao filho.Marina havia percebido que Francesca estava nervosa e até um pouco tensa. Por isso, avisou Rafael que seria melhor os dois conversarem com a mãe dele mais tarde.Francesca chamou o filho à sala e contou tudo o que havia acontecido durante o jantar da noite anterior.Luciano insistia para que a esposa se acalmasse, dizendo que ela estava fazendo uma tempestade em copo d'água por causa do novo patrocinador.— Mamãe, a senhora falou tanto e, até agora, eu não entendi. O que esse novo patrocinador faz para a senhora não querer aceitá-lo?— Filho, a pessoa que vai passar a ajudar o clube é ninguém menos que André e Giulia.
Lucas e Marina não conseguiram ficar sozinhos por dois dias e, enfim, chegou a noite do jantar.Aquilo deu esperança a Marina de finalmente conseguir conversar com o namorado sem que ninguém os interrompesse.Rafael mal podia esperar pela oportunidade de falar com Marina e agradeceu por sua mãe não ter insistido para que ele participasse do evento.Francesca e Luciano saíram depois das sete da noite, e Marina estava nervosa e ansiosa para finalmente ficar a sós com Rafael.Naquela noite, vestiu um vestido delicado, fez uma maquiagem leve e usou o perfume de que Rafael mais gostava.A patroa avisou que chegaria bem tarde. Assim, os dois teriam bastante tempo para ficarem juntos depois que Sofia dormisse.Após o jantar, Rafael avisou que ficaria no escritório. Marina subiu com Sofia, que protestava porque queria ficar acordada até mais tarde. Com carinho, explicou que já estava na hora de dormir e colocou a menina na cama antes das nove horas.Em seguida, desceu até a cozinha e encontro
Marina terminava de se arrumar. Rafael e Luciano não haviam retornado para casa naquele dia e, após o almoço, Francesca informou que as três sairiam. Ela deixou Sofia na sala enquanto ia se trocar e releu a mensagem enviada por Rafael.Na noite seguinte, pretendia conversar com Rafael sobre como contariam a Francesca e Sofia que estavam em um relacionamento. Se Francesca descobrisse que os dois já estavam juntos havia dois meses, será que ficaria magoada?Decidiu afastar esses pensamentos por um momento, concentrando-se em aproveitar o passeio e, quem sabe, fazer algumas compras.---Rafael olhava constantemente para o celular, esperando uma mensagem de Marina. Como não recebia resposta, decidiu aguardar até a noite.— Filho, aconteceu alguma coisa? Você não para de olhar para esse celular.— Não, pai. Estou apenas conferindo alguns e-mails. Nada importante.Durante o almoço com o pai e o irmão, Leonardo e Lara estavam ausentes, deixando apenas os três integrantes da família Albuquerq
Marina e Francesca estavam ocupadas organizando a lista de compras. Luciano e Rafael já haviam saído, e Sofia estava na escola.— Querida, esta semana Luciano e eu temos um jantar. Você gostaria de me acompanhar ao shopping? Preciso comprar um vestido novo.— Claro, dona Francesca. Podemos ir hoje, depois do almoço? Sofia ficará animada em sair um pouco e...— Isabel mandou uma mensagem por meio de Rafael. Ele me avisou antes de sair para o trabalho. E como foi o seu fim de semana com Lara? Vocês se divertiram?Marina não sabia como responder. Tinha a sensação de que Francesca estava tentando descobrir alguma coisa.— Foi muito agradável. Lara se tornou uma grande amiga, e eu gosto de passar um tempo com ela.— Que bom, querida. Fico feliz por você se sentir à vontade em nossa casa. Rafael deu trabalho depois que você chegou ontem?A jovem só conseguia pensar nos momentos que havia compartilhado com Rafael e em como poderia explicar tudo aquilo para Francesca.— Rafael tem sido muito
Francesca estava sentada no sofá do quarto, pensativa, quando Luciano saiu do banheiro e encontrou a esposa.— Francesca, no que está pensando? Desde que chegamos, você está calada, sentada nesse sofá.— Querido, você não sentiu que aqueles dois estavam escondendo alguma coisa? Como se não quisessem que soubéssemos que ficaram sozinhos por algumas horas.— Francesca, você está imaginando coisas. Até ontem, estava fazendo planos para casar os dois.Luciano lembrou-se da conversa que a esposa tivera com ele.— Luciano, não é que eu não queira os dois juntos. Eu só não aceito que façam alguma coisa pelas minhas costas. Se Rafael estivesse interessado em Marina, eu seria a primeira a procurar Rosa para acertar o casamento deles. E, acredite, ter Marina como minha nora é algo que desejo desde que ela começou a trabalhar aqui. Só que Marina é nossa responsabilidade. E se os dois não derem certo? Sofia vai sofrer, Marina também, e, além disso, Rafael já viveu um casamento que começou da mane







