A promessa que nos casou

A promessa que nos casou

last updateÚltima atualização : 2026-10-16
Por:  Paulamonteiro_autora Atualizado agora
Idioma: Portuguese
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Camila Mariah Souza cresceu acreditando que Rafael Muniz seria seu melhor amigo para sempre. Eles eram inseparáveis, dividiam quintais, segredos e promessas de infância… até que, aos treze anos, Rafael precisou deixar o Brasil e partir para o Canadá. Entre promessas eternas, anos se passaram e Rafael construiu uma nova vida, ganhou um novo nome, novos amigos e novas prioridades. Camila, por sua vez, aprendeu a viver sem ele e decidiu enterrar aquela antiga amizade junto com as lembranças da infância. Até que uma tragédia muda seu destino. Um casamento. Um contrato. Eles terão que permanecer ligados até que ela complete vinte e um anos. Camila não quer Rafael. E ele sequer parece lembrar que ela existe. Então ela decide viver sua própria vida, seguindo o sonho de estudar design em Vancouver. O problema? Certas conexões nunca desaparecem completamente. Porque talvez o maior erro de ambos tenha sido acreditar que o tempo era capaz de apagar aquilo que um dia os uniu.

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Capítulo 1

Prólogo

Camila Mariah Souza

Desde que me entendo por gente, minha vida é unida à do Rafael Muniz. Quando nasci, ele já estava lá para me proteger.

Essa era a história que nossos pais nos contavam sempre que podiam.

Nossas mães eram amigas desde o colegial, e nossos pais se tornaram amigos assim que seus respectivos relacionamentos começaram a ficar mais fortes.

Rafael e eu somos inseparáveis, mesmo sendo cinco anos mais nova que ele.

Nossas casas eram lado a lado, e no meu quintal havia uma abertura na cerca que dava diretamente para o quintal da casa dele.

Era a nossa passagem secreta.

Pelo menos, era assim que chamávamos.

Eu tinha sete anos quando decidimos que precisávamos fazer algo importante.

Algo que durasse para sempre.

Naquela tarde, eu estava sentada no gramado do meu quintal, tentando desenhar uma casa que parecia muito mais um quadrado torto, quando ouvi três batidas na madeira da cerca.

Olhei para o outro lado.

Rafael estava ali.

— Mila!

— O quê?

— Vem aqui.

— Por quê?

Ele colocou o dedo sobre os lábios.

— É segredo.

Revirei os olhos.

Rafael sempre dizia que era segredo quando queria me fazer obedecer.

Levantei e atravessei a pequena abertura na cerca.

— Pronto. Agora fala.

Ele estava segurando uma caixa de sapatos.

Meu interesse aumentou imediatamente.

— O que tem aí?

— Coisas importantes.

— Tipo?

— Coisas que ninguém pode mexer.

Apontei para a caixa.

— Posso ver?

— Você é muito curiosa.

— E você é muito chato.

Ele riu.

— Por isso a gente se dá bem.

Sentei ao lado dele.

Rafael abriu a caixa e tirou alguns objetos.

Um carrinho vermelho.

Uma fotografia nossa.

Uma pulseirinha de miçangas que eu havia feito para ele.

Um papel dobrado.

E duas canetas.

Franzi a testa.

— Para que isso?

— Vamos fazer uma cápsula do tempo.

— O que é isso?

Ele me encarou como se eu tivesse acabado de perguntar o que era o céu.

— Você não sabe?

Balancei a cabeça.

— Não.

— É uma coisa que a gente guarda hoje para abrir quando for grande.

Meus olhos brilharam.

— Quando formos adultos?

— Isso.

— E vamos lembrar de tudo?

— Se a gente colocar coisas importantes, sim.

Peguei a fotografia.

Era uma foto antiga. Eu estava com dois dentes faltando e Rafael tinha uma expressão séria que não combinava nem um pouco com ele.

— Eu estou feia.

— Você sempre foi feia.

Abri a boca, indignada.

— Rafael!

Ele gargalhou.

— Estou brincando!

Dei um tapa no braço dele.

— Você é um idiota.

— E você é baixinha.

— Eu vou crescer.

— Não vai.

— Vou sim!

— Não vai alcançar nem a maçaneta.

Cruzei os braços.

— Quando eu crescer, vou ficar mais alta que você.

Ele ficou pensativo por alguns segundos.

— Impossível.

— Por quê?

— Porque eu vou continuar crescendo também.

— Então eu vou casar com um homem mais alto que você.

Rafael fez uma careta.

— Não.

— Não, o quê?

— Você não vai casar.

— Vou sim.

— Não vai.

— Quem decide sou eu.

Ele puxou a caixa para perto.

— Então eu vou colocar uma regra na cápsula.

— Que regra?

— Que você nunca pode casar.

Fiquei olhando para ele.

— Você não manda em mim.

— Mando sim.

— Não manda!

— Mando porque sou mais velho e ponto.

— Só cinco anos!

— Cinco anos é muita coisa.

— Não é!

Ele sorriu.

— É sim.

Peguei uma das canetas.

— Então eu também vou colocar uma regra.

— Qual?

Escrevi no papel com a letra torta de uma criança de oito anos.

Rafael se inclinou para olhar.

— O que você escreveu?

— Que você nunca pode se esquecer de mim.

O sorriso dele desapareceu por um instante.

Ele pegou a caneta da minha mão.

— Eu nunca vou esquecer você.

— Promete?

— Prometo.

— Mesmo quando crescer?

— Mesmo quando crescer.

— Mesmo quando tiver namorada?

Ele fez uma careta.

— Não vou ter namorada.

— Todo homem tem namorada.

— Eu não.

— Por quê?

Ele deu de ombros.

— Porque você já me dá trabalho suficiente.

Ri.

Depois, ele pegou outro pedaço de papel.

— Agora escreve outra coisa.

— O quê?

— O que você quer ser quando crescer?

Pensei por alguns segundos.

— Quero ser feliz.

Rafael ficou quieto.

— Só isso?

— É.

— Não quer ser rica?

— Não.

— Famosa?

— Também não.

— Ter uma casa enorme?

— Talvez.

Ele sorriu.

— Então eu vou escrever que quero construir uma casa enorme.

— Para quê?

— Para você morar perto de mim.

Meu coração infantil bateu mais forte, embora eu não soubesse explicar por quê.

— E se eu quiser morar longe?

Rafael pensou.

— Então eu vou construir duas casas.

— Uma para você e uma para mim?

— Não.

— Então?

Ele apontou para mim.

— Uma para nós dois.

Fiquei vermelha.

— Isso não pode.

— Por quê?

— Porque meninos e meninas não moram juntos.

Ele riu.

— Você inventa cada coisa.

— Minha mãe falou!

— Então sua mãe está errada.

— Não está!

Começamos a discutir, como fazíamos quase todos os dias.

Até que ouvimos nossas mães chamando nossos nomes.

— CAMILA!

— RAFAEL!

Nós nos entreolhamos.

— Vamos esconder.

— A cápsula?

— É.

Corremos para o meu quintal.

Rafael pegou uma pequena pá que havia trazido escondida.

— Onde?

Olhei ao redor.

— Aqui.

Apontei para perto da árvore que meu pai havia plantado quando eu nasci.

Rafael começou a cavar.

Eu me ajoelhei ao lado dele, tirando a terra com as mãos.

Quando o buraco ficou fundo o suficiente, colocamos a caixa dentro.

Antes de cobri-la, Rafael segurou meu pulso.

— Espera.

— O quê?

Ele tirou a pulseirinha de miçangas que estava dentro da caixa.

— Essa não.

— Por quê?

— Porque essa você fez para mim.

— E daí?

Ele colocou a pulseira de volta na caixa.

— Quero guardar.

Sorri.

— Então coloca uma coisa sua também.

Ele tirou uma pequena moeda do bolso.

— Essa é do meu pai.

— Você tem certeza?

— Tenho.

Ele colocou a moeda dentro.

Depois olhou para mim.

— Agora você.

Pensei e tirei do cabelo uma presilha rosa.

— Isso.

— Você gosta dela.

— Gosto.

— Então não coloca.

— Quero colocar.

— Por quê?

Apertei a presilha entre os dedos.

— Porque, quando eu for adulta, quero abrir essa caixa e lembrar da menina que eu era.

Rafael sorriu.

— Então eu vou lembrar você.

Fechamos a caixa.

Antes de cobri-la completamente, Rafael segurou minha mão.

— Camila?

— O quê?

— Se um dia você esquecer de mim…

— Eu não vou.

— Mas se esquecer…

Ele respirou fundo.

— Eu vou lembrar por nós dois.

Meu sorriso desapareceu.

— Eu nunca vou esquecer você, Rafael.

Ele apertou minha mão.

— Promete?

— Prometo.

Cobrimos a caixa com terra.

Depois pisamos em cima para esconder qualquer sinal.

Rafael bateu as mãos para tirar a sujeira.

— Pronto.

Olhei para o lugar.

— Quando vamos abrir?

— Quando formos adultos.

— Quantos anos?

Ele pensou.

— Vinte e cinco.

— Nossa! Isso é muito velho!

Ele gargalhou.

— É.

— Quando eu tiver vinte e cinco — parei, contando nos dedos, e concluí — você vai ter trinta.

— Exatamente.

— Você vai estar muito velho.

— E você vai continuar baixinha.

— Eu vou crescer!

— Vamos descobrir.

Fiz uma careta para ele.

— Quando abrirmos, vou estar mais alta que você.

Rafael estendeu a mão.

— Fechado.

Apertei a mão dele.

— Fechado.

Depois ele me puxou pela mão e atravessamos a abertura da cerca.

Naquele dia, enterramos uma caixa cheia de pequenas coisas.

Uma fotografia.

Uma pulseira.

Uma moeda.

Uma presilha.

Nossos sonhos escritos em pedaços de papel.

E duas promessas infantis que pareciam impossíveis de quebrar.

Eu só não sabia que algumas promessas feitas na infância não desaparecem quando crescemos.

Algumas esperam.

Escondidas debaixo da terra.

Esperando o momento certo para voltar à superfície.

E, muitos anos depois, quando aquela caixa fosse finalmente aberta, eu descobriria se Rafael Muniz jamais havia esquecido a promessa que fizemos naquele dia.

Nem a mim.

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avaliações

Hanna Sophia
Hanna Sophia
Amando a história deles, queria que ele descobrisse que a Mariah é a Camila
2026-09-09 19:54:32
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