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####CAPÍTULO 01

last update Fecha de publicación: 2026-02-21 04:08:41

Subi para o meu quarto chorando, com o peito apertado e a sensação sufocante de que as paredes daquela casa estavam se fechando ao meu redor.

— Fechei a porta atrás de mim e caminhei até a janela, tentando respirar, mas o ar parecia não entrar, meu peito doía. Me senti traída e vendida por meus pais.

Minhas mãos tremiam quando peguei o celular, e sem pensar duas vezes, liguei para Diana, a única pessoa que me entende.

— Assim que ela atendeu, as palavras saíram atropeladas.

— Pelo amor de Deus, Diana, me socorre!

— Charlotte, o que aconteceu? — a voz dela veio alarmada. Me diz! Que desespero é esse?

— Me ajuda, amiga, pelo amor de Deus, não sei mais o que fazer, estou desesperada, papai enlouqueceu, de vez.

— Charlotte, respira, controla o choro — Diana disse, tentando me acalmar.

— Eu não estou entendendo nada do que você está falando.

Me diz como calma o que está acontecendo pra eu poder te ajudar.

Respirei fundo, tentando reorganizar os pensamentos e o caos que se tornou a minha vida.

— Papai me deu um ultimato há poucos minutos, amiga e dentro de uma semana, ele vai oficializar o meu noivado.

E, para piorar, você nem imagina com quem!

— Como assim oficializar um noivado? — Diana reagiu, incrédula. — Ele nunca te deixou namorar, te controla o tempo todo, você é controlada até nos pensamentos?

— Justamente! E agora tudo faz sentido — falei, a voz embargada.

— Você lembra que estávamos sempre indo às festas na casa dos Prescott?

E que o papai vivia fazendo jantares e reuniões aqui em casa, sempre convidando essa família, e eles nunca deixavam de vir?

— Pai me comunicou que vou me casar com Percival.

Houve um breve silêncio do outro lado da linha.

— Meu Deus… — Diana disse devagar.

— Eu não acredito no que você está me contando.

—Sim, o Percival — falei, sentindo o estômago revirar.

— Percival é um gay pedófilo, depravado! — Diana exclamou.

— Exatamente, eu estou apavorada, amiga, não é só isso.

Todo mundo aqui na Inglaterra sabe, Diana. Dentro e fora daqui, todos sabem quem ele é.

— Teus pais estão te jogando no inferno — ela murmurou.

— Eu disse tudo isso ao meu pai — expliquei.

— Falei que o problema nunca foi ele ser gay, mas quem ele é como pessoa, o que faz nos clubes e nos gostos doentios que ele tem.

— E o que o seu pai disse?

— Disse que isso não importa, que é calúnia— minha voz falhou.

— Meu pai não está preocupado com o que pode acontecer comigo nesse casamento.

Ele disse que não é verdade o que falam, que Percival é um lorde e jamais faria as atrocidades que dizem a seu respeito.

E que, quanto à homossexualidade, isso se resolveria com uma inseminação artificial para garantir um herdeiro da linhagem.

Do outro lado da linha, Diana ficou em silêncio por alguns segundos.

— Charlotte, você sabe o que pode acontecer com você se esse noivado seguir adiante, não sabe?

— Esse é justamente o meu desespero. — respondi, sentindo um nó se formar na garganta.

— Ele vai me obrigar a casar, Diana, meu pai quer me obrigar a casar com um monstro.

Está tudo decidido, eles já organizaram esse casamento.

— Você precisa sair daí agora, Charlotte agora! — a voz de Diana ficou firme.

— Hoje eu estou de folga, vem pra a minha casa agora.

— Eu não posso simplesmente sair — respondi, andando de um lado para o outro.

— Eles me vigiam dia e noite você sabe disso.

E agora, depois do que eu disse, vão controlar cada passo meu.

Houve um breve silêncio.

— Então faz o seguinte — disse ela, decidida. — Pede roupas emprestadas para a Marie, vocês têm praticamente o mesmo tipo físico.

Sai como uma pessoa comum, pela porta dos fundos, ninguém vai perceber.

Parei no meio do quarto.

— Como eu nunca pensei nisso? — murmurei.

— Me vestir como uma pessoa comum… eu passei a vida inteira tentando fazer tudo certo, obedecer, seguir regras, e agora eles querem me obrigar a fazer algo muito errado.

— Exatamente — Diana respirou fundo.

— Eu te ajudo, amiga, vem para a minha casa, meus pais não vão contar nada.

Traga algumas roupas e seus documentos, eles nem vão perceber que você saiu, faz tudo com calma, te espero.

Desliguei e Abri o guarda-roupa e peguei uma bolsa grande e coloquei o essencial: roupas simples, documentos, o dinheiro que eu mantinha guardado, minhas joias pequenas que vovó me deu.

Chamei Marie, no meu quarto, ia pedi um chá para meus pais não suspeitar. Ela entrou no quarto sempre atenciosa.

— Preciso de um favor seu, Marie — disse, em voz baixa. — Você pode me emprestar uma roupa sua?

Em troca, eu te dou algumas das minhas roupas.

Marie não fez perguntas, apenas assentiu.

— E trás um chá para ninguém perceber, leva essa minha mochila pra teu quarto, eu vou me vestir lá.

Esses vestidos aqui, sapatos e bolsas são teus, pode levar, os perfumes também, se minha mãe ver diga que eu dei, deixa que eu confirmo.

— Marie saiu com as roupas e mochila nos braços.

Mamãe veio logo em seguida perguntar porque eu estava dando roupas para a empregada, respondi que não queria mais, e já que ia me casar preciso de um enxoval novo.

— Ela ficou satisfeita com minha resposta.

Desci, fui aos aposentos de empregados, e me troquei no quarto de Marie, ela me ajudou, pedindo um Uber no nome dela, eu saí pelos fundos como se fosse ela, e ninguém percebeu.

O coração quase saltou do peito quando entrei no táxi.

— Para este endereço, por favor — disse, entregando ao motorista o papel com o endereço de Diana.

Quando cheguei, ela abriu a porta antes mesmo de eu bater.

— Você veio mesmo, amiga, até que enfim saiu da gaiola de ouro.

— Vim, e o meu desespero foi o meu combustível da coragem — respirei fundo.

— Peguei só o básico como você orientou. roupas simples e meus documentos.

Ela me puxou para dentro e fechou a porta.— Eu vou arranjar um emprego para você, e já sei com quem.

Ri, nervosa e exausta. — Diana, eu nunca trabalhei, nunca fiz nada além de tomar chá.

— Vai ter que aprender — ela respondeu, sem rodeios.

— Você precisa sair da Inglaterra, urgente , e se eles te encontrarem vão te casar com Percival, você sabe o que vai acontecer.

Dizem até que ele mantém um site de sadomasoquismo.

Engoli em seco. Será que ele é como o Epstein?

— Veja o ex-príncipe Andrew… quem diria que um príncipe seria um depravado né?

— O mundo está cheio de títulos e vazio de caráter — Diana se aproximou.

— Amanhã eu vou te levar comigo, o meu patrão está aqui, na Inglaterra, ele está desesperado por uma babá.

Levantei o olhar.

— Babá? — E você quer me indicar como babá? — perguntei, desesperada.

— Sim — ela disse, sem hesitar.

— Ele vai perguntar se você tem experiência, e você vai dizer a verdade: que não tem, mas que precisa do emprego e vai fazer de tudo pelo bem das crianças, e que só precisa de uma oportunidade.

Meu estômago se revirou. — Como eu vou saber cuidar de duas crianças?

— Aprende tudo no YouTube amiga— Diana sorriu, apesar da tensão. — Aquilo é uma universidade online, e vai aprender tudo lá.

Hoje você dorme aqui em casa, não vou deixar que volte mais para aquela casa, não vou te abandonar.

— Amanhã cedo você vai comigo para o trabalho — continuou. — Vou avisar ao meu chefe que encontrei a babá perfeita.

— E ele vai aceitar? — perguntei, insegura. — Ele é um velho mal-humorado?

Ela riu.

— Não. Ele é um homem bonito, decente, o conheço, chamo de tio Alexander.

É gentil, mas desesperado é pai de uma menininha linda de três anos a Emilly e de um bebê, o Alex que só chora dia e noite.

— E a mãe das crianças?

O sorriso dela desapareceu.

— Morreu três dias depois do parto, do Alex, um aneurisma.

O silêncio caiu sobre nós.

— Não tem babá que aguente, a s crianças sentem falta da mãe — completou Diana.

— Mas você vai ter que dar um jeito, dessas crianças se apegarem a você.

— Essa é a sua única saída.

Apertei a mochila com mais força contra o corpo.

fugir era a minha salvação e gostando ou não, aquele seria o começo de uma vida que eu jamais planejei, mas que eu precisava enfrentar. breve, dentro de uma semana, como eu te falei.

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Último capítulo

  • A BABÁ DOS MEUS FILHOS É UMA LADY   ####AGRADECIMENTOS

    CARTA AO MEU PÚBLICOOlá, queridos leitores e queridas leitoras!Chegamos ao ponto final de mais uma longa, intensa e emocionante jornada. Escrever as últimas linhas de uma obra é sempre um momento de transição, onde o coração aperta de saudade dos personagens, mas também transborda de uma gratidão imensa por cada um de vocês que caminhou ao meu lado desde o primeiríssimo capítulo. Ver vocês comentando, teorizando, torcendo pela nossa Lady Vitória e vibrando com a proteção inabalável do Alexander foi o combustível que me manteve firme digitando e estruturando cada detalhe desta nossa fortaleza de amor. Sem o carinho, a paciência e a fidelidade de vocês, nenhuma dessas páginas teria o mesmo valor ou o mesmo brilho.Como eu sempre faço questão de narrar e explicar a vocês ao longo das minhas postagens, eu não escrevo apenas romances tradicionais com fórmulas prontas; o que eu coloco no papel e trago para a tela de vocês são verdadeiras novelas. E por ser um

  • A BABÁ DOS MEUS FILHOS É UMA LADY   ####EPÍLOGO

    VIDA E O ENCONTRO DAS ALMASAlexanderO silêncio do fim de tarde na nossa casa traz uma paz que preenche cada canto da minha alma. Eu permaneço de pé na varanda principal da mansão, observando o sol dourado deitar-se vagarosamente sobre o horizonte, colorindo o céu em tons degradê de laranja, rosa e roxo. Dez anos se passaram desde aquela madrugada em que o nosso casal de caçulas veio ao mundo de surpresa. Catorze anos de um casamento que se consolidou como uma rocha indestrutível. O tempo correu de forma generosa, transformando a nossa rotina, acalmando os ventos do passado e trazendo uma nova, madura e maravilhosa dinâmica para os nossos dias.Hoje, ao me olhar no espelho do closet antes de descer, noto que os meus cabelos estão grisalhos, quase completamente brancos nas têmporas — marcas físicas de uma vida inteira de batalhas, de noites de vigília e, acima de tudo, da honra de liderar e proteger o meu clã. Estou celebrando o meu aniversário de 48 anos

  • A BABÁ DOS MEUS FILHOS É UMA LADY   ####CAPÍTULO 90

    A VIDA E O PERDÃOVitóriaO tempo se move em um ritmo próprio, indiferente às nossas vontades ou aos nossos medos. Há dias em que ele parece congelar nas horas de calmaria, e há momentos em que ele avança como uma enxurrada, transformando tudo ao redor. Cinco meses depois que os gêmeos caçulas nasceram, trazendo uma nova lufada de ar e de choro para dentro da nossa fortaleza, o meu pai partiu. Acompanhar a partida de Arthur foi um golpe doloroso, um choque silencioso que mudou a atmosfera dos nossos corredores. Ele simplesmente descansou, deixando um vazio imenso onde antes ecoava o som da sua cadeira de rodas e as suas tentativas de interagir com os netos.E eu vejo a tristeza da minha mãe todos os dias. Eleanor tenta manter a postura altiva que herdou da sua criação europeia, mas o olhar dela está mais vago, e as marcas do tempo em seu rosto parecem ter se acentuado com a ausência do companheiro de uma vida inteira. No entanto, ela não se entregou ao is

  • A BABÁ DOS MEUS FILHOS É UMA LADY   ####CAPÍTULO 88

    O MAIOR DOS BRINDESVitóriaAlexander me abraça por trás, colando o peito nas minhas costas enquanto as minhas mãos trêmulas rompem o selo de cera escura do envelope. Retiro os papéis dali de dentro e, ao correr os olhos pelas primeiras linhas, o meu coração falha uma batida.Não são escrituras de novas terras, nem relatórios de Pequim. É o nosso antigo contrato de casamento. Aquele documento frio, cheio de cláusulas, parágrafos e termos jurídicos que assinamos anos atrás, quando a nossa união não passava de um acordo de conveniência e proteção mútua. Mas, ao passar a página, vejo que o documento original está carimbado com letras garrafais: RESCINDIDO.Logo abaixo dele, há um novo termo de transferência de custódia e um calhamaço de papéis timbrados da junta comercial e do departamento jurídico da corporação Hale. É a concessão de metade das ações ordinárias de todo o seu conglomerado, além da alteração do nosso regime de bens.— Alexand

  • A BABÁ DOS MEUS FILHOS É UMA LADY   ####CAPÍTULO 89

    HORA DO MILAGREAlexanderEu estava imerso em um sono profundo, daqueles raros e benditos que a calmaria da nossa fazenda nos proporciona. No meu sonho, eu corria por um campo ensolarado, brincando e rindo com as nossas crianças, vendo o Alex chutar uma bola e a Emily colher flores enquanto os gêmeos tentavam alcançá-los com seus passinhos rápidos. Era um cenário perfeito de paz.No entanto, a transição entre o sonho e a realidade aconteceu de forma abrupta. Uma mão firme apertou o meu ombro, e a voz de Vitória ecoou na penumbra do quarto, carregada de uma urgência que ativou instantaneamente o meu modo de alerta tático.— Amor... acorda! Alexander, por favor, acorda!Abri os olhos sobressaltado, sentando-me na cama em um único reflexo, com o coração batendo na garganta. Olhei para o lado e vi Vitória segurando a barriga proeminente, com uma expressão que misturava dor e uma expectativa avassaladora.— O que aconteceu? O que foi,

  • A BABÁ DOS MEUS FILHOS É UMA LADY   ####CAPÍTULO 87

    UM NOVO CICLO VitóriaO tempo tem uma maneira bonita de curar as feridas mais profundas, transformando cicatrizes em lembranças distantes e as dores do passado em sabedoria. Três anos se passaram desde aquele nosso último e intenso encontro em Yorkshire com os pais de Percival. Três anos desde o dia em que aquela dinastia aristocrática desmoronou sob o peso da desonra.O destino deles foi implacável, como se a própria vida cobrasse o preço por tanta cegueira. O pai de Percival não resistiu. O velho nobre morreu logo depois daquela nossa conversa no jardim; a saúde dele, já debilitada pela idade, ruiu completamente. Acredito sinceramente que ele tenha morrido de desgosto, incapaz de suportar o fardo de ver o sobrenome da família arrastado pela lama do submundo cibernético e do pátio militar de Pequim. A mãe dele, agora viúva, mudou-se definitivamente para a Toscana, onde mora em uma propriedade isolada junto com a filha. A irmã de Percival, que antes

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