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Autor: Karol Dark
last update Data de publicação: 2025-05-14 19:00:25

Acordei com o cheiro de café e bacon. *Estranho.* Eu não cozinho bacon.

Abri os olhos devagar, confusa com o teto alto e a luz dourada entrando por cortinas que não eram minhas. *O apartamento de Luca.*

A memória da noite anterior voltou como um soco: *o contrato, a ameaça, minha assinatura tremula no papel.*

— *Mamãe!*

Sofia entrou correndo no quarto, pulou na cama e abraçou meu pescoço antes que eu pudesse reagir. Ela cheirava a shampoo infantil e—*maldição*—bacon.

— *O papai fez panquecas em forma de coração!* — anunciou, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.

*Papai.* A palavra ainda me cortava como uma faca.

— *Bom dia, princesa* — respondi, forçando um sorriso enquanto penteava seus cachos com os dedos.

Foi então que notei: ela estava vestida com roupas *novas*—um shorts jeans e uma camiseta rosa com a estampa *"Daddy's Little Girl"*.

**Meu sangue ferveu.**

— *Onde está Lu—seu pai?* — corrigi-me, evitando o tom ácido.

— *Na cozinha!* — ela cantou, pulando da cama. — *Ele disse que a gente vai morar aqui agora! Que eu vou ter um quarto só meu e um cavalo de verdade!*

*Um cavalo de verdade?*

Saí da cama tão rápido que quase tropecei no tapete persa. Não me importei de estar só de camiseta e calcinha—*ele já tinha visto muito mais*—e marchei em direção à cozinha.

Luca estava de costas para mim, usando apenas um shorts de boxer preto enquanto mexia algo na frigideira. Seu torso nu—todo músculos definidos e tatuagens discretas—me fez engolir seco. *Quatro anos e o homem parecia esculpido em mármore.*

— *Um cavalo, Luca?* — gritei, cruzando os braços. — *Você está comprando minha filha agora?*

Ele virou-se devagar, uma panqueca perfeita em forma de coração na espátula. Seus olhos verdes percorreram meu corpo da cabeça aos pés antes de encontrarem meus olhos.

— *Bom dia para você também, dolcezza* — disse, com aquele sotaque italiano que fazia até insultos soarem como cantigas. — *E sim, um cavalo. Tenho um haras em Toscana. Sofia vai adorar.*

— *Ela tem quatro anos!*

— *Eu comecei a cavalgar com três* — ele respondeu, voltando a fritar as panquecas como se não estivéssemos no meio de uma guerra.

Sofia correu para ele, abraçando sua perna. — *Eu quero um cavalo roxo!*

Luca sorriu—*um sorriso genuíno, não aquele sorriso de negociador implacável*—e acariciou seus cachos.

— *Roxo é difícil, principessa. Mas te dou um preto como o daquele filme que você gosta.*

Era *assim* que ele fazia. Não com gritos ou ameaças, mas com panquecas em forma de coração e promessas de cavalos. *Como eu poderia competir com isso?*

— *Precisamos conversar* — eu disse, baixo. — *Sozinhos.*

Luca olhou para Sofia, depois para mim, e assentiu.

— *Sofia, vai escolher um desenho para assistir na sala. Papai e mamãe vão resolver umas coisas.*

— *Tá bom!* — ela saiu cantarolando, feliz da vida.

Assim que ela sumiu no corredor, Luca desligou o fogão e virou-se para mim.

— *Fala.*

— *Esse jogo precisa parar* — eu sussurrei, avançando em sua direção. — *Você não pode chegar depois de quatro anos e começar a fazer promessas absurdas!*

Ele não recuou. Pelo contrário, fechou a distância entre nós até que eu pudesse sentir seu calor.

— *Não é jogo, Bella* — ele respondeu, sério. — *Eu perdi quatro anos da vida dela. Não vou perder mais um dia.*

— *E o que você sabe sobre criar uma criança?* — provoquei. — *Além de comprar presentes caros?*

Seus olhos escureceram.

— *Sei que ela tem medo do escuro. Que gosta de morango mas é alérgica a kiwi. Que adora aquele desenho da princesa com cabelo colorido.* — Ele inclinou-se para frente. — *E sei que ela merece um pai. Mesmo que você odeie admitir.*

Fiquei sem ar. *Como ele sabia tudo isso?*

— *Você... você nos espionou?*

Luca sorriu, mas não era um sorriso feliz.

— *Chama-se ser pai, Isabella. Algo que você me negou.*

Antes que eu pudesse responder, ele pegou algo do balcão—*o contrato*—e colocou diante de mim.

— *Assinamos ontem. Agora vivemos juntos. Pelo menos nos próximos seis meses, até a guarda compartilhada ser oficializada.*

— *Seis meses?!*

— *Tempo suficiente para Sofia se acostumar com a ideia de que temos uma família* — ele explicou, como se estivesse falando de um acordo de negócios. — *E tempo suficiente para você decidir se me quer por perto... ou só porque um juiz ordenou.*

Seu dedo traçou minha clavícula, fazendo meu corpo tremer contra minha vontade.

— *Escolha é sua, dolcezza. Mas eu já fiz a minha.*

E então ele me beijou.

Não era um beijo doce. Era posse, desafio, uma marca de fogo que me lembrava de tudo que havíamos sido em Dubai. Meu corpo reagiu antes que meu cérebro pudesse protestar—minhas mãos agarrando seus ombros, minha boca cedendo à sua.

Foi Sofia quem nos interrompeu.

— *Eca!* — ela fez careta, parada na porta da cozinha. — *Vocês estão se beijando!*

Luca afastou-se devagar, seus olhos ainda presos nos meus.

— *Get used to it, principessa* — respondeu para Sofia, mas olhando para mim. — *Your mom and I... we have a lot of lost time to make up for.*

E o pior?

*Eu sabia que ele não estava falando só de beijos.*

(Flashback – Dubai, Última Manhã)

*Luca dormia profundamente quando eu saí da cama. Havia um voo para o Rio em três horas, e eu precisava sumir antes que ele acordasse—antes que eu fizesse algo estúpido, como pedir para ele me acompanhar.*

*Mas então vi o bilhete.*

*Um cartão de embarque para o Rio. No meu nome. No mesmo voo que o meu.*

*Deixei-o em cima da mesa, sem dizer nada. Quando a porta do hotel fechou atrás de mim, eu já sabia: Luca Domani era o tipo de homem que nunca desistia do que queria.*

*O problema? Eu não sabia se era forte o suficiente para resistir.*

(Presente – Apartamento de Luca)

O resto do dia passou num borrão.

Luca levou Sofia para um passeio no helicóptero—*sim, o maldito helicóptero*—enquanto eu ficava no apartamento, tentando processar minha nova realidade.

Era um lugar absurdamente luxuoso, é claro. Três andares, piscina infinita, vista para o Cristo Redentor. Mas o que mais me chamou a atenção foi o quarto de Sofia—*pronto há semanas, talvez meses.*

Havia fotos minhas espalhadas pela casa—minhas e *dele*, como uma família de mentira. Em uma delas, até parecíamos felizes.

Foi então que encontrei *o quarto principal.*

Nossa cama—*porque agora era nossa*—era grande o suficiente para cinco pessoas. As cortinas eram seda pura, e na mesa de cabeceira...

*Um contrato novo.*

Desta vez, o título era simples: **"Acordo Matrimonial."**

E no final, outra nota escrita à mão:

*"Case-se comigo de verdade, Bella. Não por Sofia. Não pelo dinheiro. Mas porque você ainda me quer tanto quanto eu te quero."*

Quando ouvi o helicóptero pousando no terraço, escondi o papel debaixo do travesseiro—*como se pudesse esconder algo de Luca Domani.*

Sofia não parava de falar sobre o passeio.

— *A gente voou por cima do Cristo, mamãe! E o papai deixou eu segurar o controle!*

— *Foi só por um segundo* — Luca riu, servindo vinho no meu copo. — *Mas ela é natural. Talvez seja a próxima piloto da família.*

*Família.* A palavra soou estranha, perigosa.

— *Eu quero ser princesa* — Sofia corrigiu, com a seriedade típica das crianças.

— *Você já é* — Luca respondeu, sem tirar os olhos de mim.

O jantar foi... surpreendentemente normal. Luca cozinhou—*bem, por sinal*—e Sofia contou tudo sobre sua vida, como se estivesse acumulando quatro anos de histórias para contar ao pai.

Foi quando ela finalmente adormeceu no sofá—*depois de insistir que "papai" lesse a história*—que o ar entre nós ficou pesado novamente.

— *Ela é incrível* — Luca murmurou, observando-a dormir. — *Tão inteligente. Tão corajosa.*

— *Ela é tudo* — respondi, sem pensar.

Ele olhou para mim, seus olhos verdes queimando.

— *E você também.*

Antes que eu pudesse responder, ele levantou Sofia nos braços—*com uma naturalidade que me surpreendeu*—e levou-a para o quarto.

Quando voltou, trouxe dois copos de vinho.

— *Para nós.*

— *Não sei se deveríamos...*

— *Celebrar?* — ele completou, sentando-se perto demais. — *Nosso primeiro dia como família.*

— *Família de mentira* — corrigi, pegando o copo.

Luca sorriu, aquele sorriso perigoso que conhecia tão bem.

— *Toda família começa com uma mentira, dolcezza. O truque é transformá-la em verdade.*

E então, enquanto o Rio brilhava lá fora, Luca Domani fez o que fazia melhor—*desafiou-me a jogar com fogo.*

E eu?

*Eu já estava em chamas.

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Último capítulo

  • A Bebé Secreta Do Bilionário    25

    O cadáver de Theta-1 ainda cheirava a cobre e mentol.** Luca o envolvera em uma lona, mas o sangue insistia em vazar, **desenhando um rastro vermelho no convés que a chuva não lavava.** **Sofia** observava a mancha com **olhos que já não eram de criança.** — *Ele era o primeiro* — disse, **tocando a lona com a ponta dos pés.** — *Mas não o último.* **Meu corpo ainda guardava as marcas de Luca** — os arranhões nas costas, a mordida no ombro. **Marcas que Theta-1 não tinha.** — *Quantos existem?* — perguntei, **minha voz rouca da noite de gritos e gemidos.** Luca limpou a faca no jeans. — *Sete. Um para cada pecado capital.* **O rádio do barco cuspiu estática.** *"Theta-2 ativado. Coordenadas confirmadas."* **Uma voz idêntica à de Luca.**Encontramos os documentos** escondidos no compartimento secreto do barco. **Fotos de sete homens idênticos.** Sete Lucases. **Setenta páginas de observações clínicas.** *"Theta-7 apresenta tendências homicidas..."* *"Theta-3 respo

  • A Bebé Secreta Do Bilionário    24

    O **cheiro de sal e suor** impregnava o ar da cabana à beira-mar. Luca observava o horizonte da varanda, **o torso nu marcado por cicatrizes frescas** — lembretes silenciosos de que estávamos vivos. **Por enquanto.** **Meus dedos traçaram a trilha de uma bala que quase o levou.** — *Você está frio* — murmurei, minha boca perto o suficiente para sentir o arrepio em sua pele. Ele não se virou. **Seus músculos tensionaram sob meus toques.** — *Não deveríamos...* **Minha mão desceu pelo seu abdômen, encontrando o elástico do seu boxer.** — *Deveríamos estar mortos. Mas não estamos.* **Seu suspiro foi minha resposta.**O primeiro contato foi eletricidade pura.** Luca me puxou contra seu corpo como um homem se agarrando a um penhasco. **Nossas bocas colidiram com a fúria de quem sobreviveu ao fim do mundo.** — *Quantas vezes você me amou como mentira?* — ele rosnou entre meus lábios, **as mãos arrancando meu vestido como papel.** **Minha resposta foi um gemido quando seus

  • A Bebé Secreta Do Bilionário    23

    **O símbolo Λ pulsava sob minha pele** como uma segunda batida cardíaca. Luca recuou como se eu fosse uma serpente pronta a atacar, **seus olhos escuros dilatados de horror.** — *Quantas?* — a voz dele rachou no meio. — *Quantas vezes eles te... reiniciaram?* **Eleonora riu através dos alto-falantes.** *"Oh, Luca... ela nem é a Bella original. A verdadeira morreu no parto da primeira Sofia."* **O mundo girou.** Minhas mãos **— estas mãos que pensava minhas —** tremeram diante de meus olhos. Quantas memórias eram falsas? Quantos beijos, quantas noites, quantas **filhas** haviam sido programadas em meu cérebro como códigos? Daniel apontou a arma para minha cabeça. — *Como sabemos que você não vai se virar contra nós agora?* **Antes que pudesse responder, o piso tremeu.** **A verdadeira Sofia (a primeira? a última?) surgiu na porta do laboratório,** **gotejando líquido criogênico, os olhos azuis elétricos.** — *Mamãe sempre escolhe papai* — disse com voz que ecoava como

  • A Bebé Secreta Do Bilionário    22

    **O café queimava na língua, amargo como minhas memórias.** Luca observava o horizonte da varanda, **o perfil cortado contra o sol nascente**, as cicatrizes da guerra ainda frescas em seu torso. Três passos me separavam dele. **Três passos que pareciam um abismo.** — *Você dormiu?* — perguntei, oferecendo-lhe a segunda xícara. Ele aceitou sem tocar meus dedos. — *Sonhei com ela de novo. A Sofia verdadeira... presa naquele gelo.* **Seu queixo tremia.** Eu queria tocá-lo. **Mas não ousava.** Desde o deserto, **éramos estranhos compartilhando uma casa fantasma.** Até que **o som de risos** nos fez girar. **Sofia (a nossa Sofia, a que sobrou)** corria pelo jardim com o cachorro, **seus olhos verdes brilhando como esmeraldas vivas.** Luca engoliu seco. — *Como podemos amar uma cópia?* **Minha resposta veio em forma de lágrima.**A noite caiu com o peso de um segredo.** Na cama que já foi nossa, **dois corpos se deitavam separados por um oceano de silêncio.** — *Lu

  • A Bebé Secreta Do Bilionário    21

    **O sol nascia vermelho sobre o mar Tirreno** quando os primeiros sons de metralhadora chegaram. **Sofia** já estava em pé, vestida com as roupas velhas do pescador, **os novos olhos verdes escaneando a floresta.** — *Eles vieram pelo sul* — murmurou, como se pudesse **ouvir o bater de corações a quinhentos metros.** Eu engoli seco, **a arma tremendo em minhas mãos.** — *Como você sabe?* Ela virou para mim, **e por um segundo, vi o algoritmo dançando em suas pupilas.** — *Porque eu os chamei.* **O primeiro soldado explodiu em pedaços ao pisar na mina terrestre.**Os corredores brancos estavam pintados de vermelho.** Luca recarregou a pistola, **o ferimento no abdômen reabrindo sob o esforço.** — *Onde caralhos está Varelli?* Daniel verificou o tablet hackeado. — *Sub-solo Nível 7. Mas tem um problema.* **A imagem mostrou uma câmara de vidro.** **Dentro, uma figura magra conectada a tubos.** — *Merdinha sagaz* — Luca rosnou. — *Ele está mantendo o próprio ne

  • A Bebé Secreta Do Bilionário    20

    Os primeiros raios de sol filtravam pelos vidros quebrados, iluminando **os estilhaços de mármore manchados de vermelho**. Eu contava os corpos **pela terceira vez** – como se o número pudesse mudar. **Doze inimigos.** **Três dos nossos.** **Marina jazia no centro do salão, envolta num lençol negro.** — *Ela sabia que ia morrer* — **Adriano** murmurou, passando os dedos pela balança de prata pendurada no pescoço dela. — *Deixou isto para você.* **Entregou-me um pingente gelado.** Dentro, um microchip. Luca, **ainda pálido da cirurgia**, examinou-o contra a luz. — *É um acesso.* — *Ao quê?* — minha voz ecoou vazia. **Sofia**, sentada nos degraus com o tablet no colo, respondeu sem olhar: — *Ao núcleo do Conselho.* **Todos nos viramos.** — *Como você sabe disso, pequena?* — Adriano ajoelhou-se frente a ela. Ela ergueu os olhos – **e por um instante, não eram os de uma criança.** — *O algoritmo me mostrou.O microchip nos levou **a um cofre escondido atrás da

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