FAZER LOGINHelena Albrecht nunca imaginou que seu casamento pudesse ser tão silencioso. Eles não haviam escolhido aquele casamento. A união entre suas famílias fora arranjada, construída sobre dever e conveniência. Mas, com o passar dos anos, o que começou como obrigação transformou-se em algo que nenhum dos dois esperava. Amor. Um amor silencioso, imperfeito e difícil de traduzir em palavras, mas real o bastante para fazer Helena esperar por ele durante todos os anos em que esteve na guerra. Então Adrian retorna. Vivo. Condecorado. E completamente diferente do homem que partiu. O comandante que volta para casa carrega cicatrizes que não aparecem na pele. Dorme pouco, assusta-se com ruídos, vigia portas e janelas e mantém Helena a uma distância que ela não consegue compreender. Helena tenta alcançá-lo, mas, quanto mais se aproxima, mais ele se afasta. Até que, cansada de amar sozinha, ela encontra em Theo aquilo que seu marido já não consegue oferecer: carinho, ternura e o desejo de fazê-la sentir-se mulher novamente. Entre culpa, paixão e segredos, Helena se envolve em uma relação proibida que ameaça destruir o pouco que ainda resta de seu casamento. Mas existe algo sobre Adrian que ela desconhece. Algo que ele trouxe consigo da guerra. Um passado que pode colocar em dúvida tudo o que Helena acreditava saber sobre o homem que ama. Porque talvez o verdadeiro motivo de Adrian nunca ter voltado para ela seja muito mais doloroso do que Helena poderia imaginar.
Ver maisO sol já se erguera alto no céu quando os três cavaleiros retornaram à propriedade dos Valmont. Théo foi o primeiro a divisar o telhado da casa entre as copas das árvores. Os cavalos reduziram o passo naturalmente ao aproximarem-se do estábulo, e por um longo trecho nenhum dos três pronunciou palavra. A manhã havia começado com risadas, provocações e leveza. Terminara de outra forma — mais pesada, mais silenciosa, mais cheia de coisas não ditas.Théo seguia alguns metros à frente, o olhar fixo no caminho, como se estivesse imerso em pensamentos que preferia não compartilhar. Raimond, por sua vez, sabia que Adrian deixara as margens do riacho carregando um fardo que não lhe pertencia inteiramente. E Adrian... Adrian não conseguia pensar em nada além de Helena.Assim que desmontou, entregou as rédeas a um empregado e ergueu o olhar em direção à casa. Antes mesmo de raciocinar, seus olhos já a procuravam entre as janelas e o jardim. Era automático. Quase irritante. E ao mesmo tempo, impo
O sol ainda não havia escalado o topo das árvores quando os três deixaram a propriedade dos Valmont. Os cavalos avançavam pelo caminho de terra, cascos batendo suavemente no solo, levantando nuvens finas de poeira dourada. Por alguns minutos, nenhum deles falou. Não era um silêncio pesado, mas sim familiar — daqueles que não exigem palavras. Adrian conhecia aquele silêncio. Passara anos cavalgando ao lado de Raimond sem precisar dizer uma única palavra. Na guerra, haviam aprendido que algumas coisas se leem nos olhos, no porte, na respiração. Bastava um olhar para saber quando o outro estava exausto, ferido, ou prestes a cometer alguma estupidez. E Raimond, infelizmente, continuava sendo mestre nisso. — Aposto que ainda chego primeiro à ponte — disse Raimond, de repente, quebrando a quietude. Adrian sequer virou o rosto. — Você está ficando velho, Valmont. Raimond soltou uma gargalhada sonora. — Eu? Olhe bem para você. — Continuo em melhor forma. — E convencid
A primeira coisa que Helena sentiu ao acordar foi o calor. Um calor familiar, que parecia envolvê-la por inteiro.A segunda foi o vazio ao seu lado.Ainda pesada de sono, abriu os olhos devagar. A luz dourada da manhã atravessava as cortinas de tecido espesso, espalhando uma claridade suave e quente pelo quarto. Por alguns instantes, permaneceu imóvel, a respiração lenta e tranquila, tentando reconhecer o ambiente. O cheiro de rosas. Os móveis de madeira escura. A cama que não era a sua.Então se lembrou.Um sorriso surgiu em seus lábios antes que pudesse evitar.Puxou o lençol até o peito, abraçando-o como se ainda pudesse sentir o peso do corpo dele ali. Adrian não estava mais ao seu lado. Mas a presença dele ainda parecia preencher cada canto do quarto.A noite anterior voltou-lhe à mente em fragmentos nítidos: o brilho sombrio nos olhos dele, a voz grave e baixa soando perto de sua pele, as mãos firmes que a seguraram sem hesitação, com aquela urgência que havia substituído, de um
Adrian acordou antes do amanhecer. Por alguns instantes, permaneceu imóvel. O quarto ainda estava mergulhado numa penumbra suave, e o silêncio era tão profundo que parecia sagrado — quebrado apenas pela respiração calma e tranquila de Helena ao seu lado. Virou o rosto devagar, como se temesse romper a quietude do momento. Ela dormia profundamente. Os cabelos espalhados sobre o travesseiro, o rosto sereno e relaxado, inteiramente diferente da mulher de olhos brilhantes, lábios entreabertos e pele corada que estivera em seus braços poucas horas antes. Adrian ficou ali, observando-a. E havia algo quase doloroso naquela visão. Amor, sem dúvida. Uma saudade que parecia não ter fim. E uma culpa — pesada, silenciosa — que ele não conseguia afastar, não importava o quanto tentasse empurrá-la para o fundo da mente. Passou o olhar devagar pelo rosto dela, traçando com os olhos cada linha, cada curva, como se estivesse gravando-a na memória. Seis anos.












Bem-vindo ao Goodnovel mundo de ficção. Se você gosta desta novela, ou você é um idealista que espera explorar um mundo perfeito, e também quer se tornar um autor de novela original online para aumentar a renda, você pode se juntar à nossa família para ler ou criar vários tipos de livros, como romance, leitura épica, novela de lobisomem, novela de fantasia, história e assim por diante. Se você é um leitor, novelas de alta qualidade podem ser selecionados aqui. Se você é um autor, pode obter mais inspiração de outras pessoas para criar obras mais brilhantes, além disso, suas obras em nossa plataforma chamarão mais atenção e conquistarão mais admiração dos leitores.