INICIAR SESIÓNO atelier de noivas na Fifth Avenue cheirava a flores brancas, champanhe e dinheiro antigo. Tapetes felpudos abafavam cada passo, e as araras de cetim e renda pareciam esculturas expostas em um museu impecável.Marina olhava para o espelho do provador com uma sensação constante de que a qualquer momento alguém pediria seus documentos e a acompanharia até a saída."Se você suspirar de novo assim, vão achar que o vestido está apertado," disse Priya, confortavelmente instalada em um sofá de veludo rosa, segurando uma taça de champanhe. "E não está. Ele é horrível, mas não apertado.""Obrigada pelo apoio moral, Pri," ironizou Marina, ajeitando o corpete de pregas rígidas do primeiro modelo. Parecia uma coluna grega ou um bolo de casamento Vitoriano.Ao lado do sofá, Carol — a secretária impecável de Ethan, que havia sido escalada como consultora logística e 'guardiã da discrição' pelo próprio noivo, que garantia poderem confiar nela, pois sempre foi muito leal a ele — anotava algo devorad
O sol de quinta-feira à tarde atravessava as copas das árvores no Central Park, desenhando sombras compridas e douradas sobre o gramado do Sheep Meadow. O ar cheirava a terra úmida e grama cortada, um contraste gritante com o cheiro de café queimado e ar-condicionado reciclado do escritório.Marina estava encostada na mureta de pedra perto do The Dairy, ajustando a alça da bolsa e tentando convencer a si mesma de que seu coração estava acelerado apenas por ter subido a ladeira.“Você está tensa” Priya disse, sem levantar os olhos da tela do celular, onde ajustava as configurações da câmera. “Relaxa os ombros, se você tirar fotos parecendo que está prestes a depor no tribunal, a imigração vai achar que fomos contratadas por uma agência de sequestro.”“Eu não estou tensa” Marina respondeu, embora soubesse que estava mentindo pessimamente. “Só acho absurdo a gente precisar encenar um romance no meio do parque em pleno horário de expediente.”“É por uma boa causa: a sua permanência neste
A porta da sala de reuniões no vigésimo segundo andar bateu com um estalo seco, abafando o burburinho do open space. Priya girou a chave na fechadura e se virou para Marina com uma pasta suspensa debaixo do braço e os olhos brilhando de pura adrenalina corporativa.“Pronto. Ninguém nos incomoda nos próximos quarenta e cinco minutos.” Priya disse, jogando a pasta sobre a mesa de vidro. “Bloqueie a sala na agenda como "Reunião de Alinhamento de Métricas Regionais". Se o Kyle perguntar, estamos analisando relatórios extremamente complexos.”Marina soltou uma risada fraca, embora o nó no seu estômago continuasse bem apertado. Sentou-se numa das cadeiras de couro e olhou para a amiga. “Pri, você tem certeza de que não tem ninguém do RH rondando o andar?” Marina perguntou, ajeitando a gola da blusa. “Se descobrirem que o contrato de casamento entre a estagiária do marketing e o CEO da empresa foi planejado numa sala de reuniões da própria Whitmore Group, a gente não vai ser só demitida. N
O trajeto de volta no banco traseiro do carro com o motorista seguiu em um silêncio carregado, Manhattan passava pela janela como um borrifo de luzes desfocadas. Marina mantinha o corpo levemente virado para a porta, rebatendo na mente cada olhar de Richard e cada pergunta afiada de Derek.Ethan soltou o nó da gravata com um suspiro longo, jogando a cabeça para trás no encosto de couro.“Você devia ganhar um bônus por hoje” disse ele, a voz quebrando o silêncio. “A resposta sobre 'não adiar o inevitável' foi um toque de gênio, até o Vance ficou impressionado.”Marina se virou para encará-lo, dobrando as mãos sobre o colo.“Eu só disse o que precisava ser dito para sobrevivermos àquela mesa, Ethan. O seu primo não está convencido, ele vai continuar procurando uma falha.”“Deixa ele procurar” Ethan respondeu, virando o rosto para ela. O sorriso torto de sempre reapareceu, mas os olhos entregavam o cansaço. “Nós fomos perfeitos. A partir de hoje, o conselho vê o futuro da Whitmore Group
O lustre de cristal da sala de jantar privativa do Le Bernardin projetava reflexos dourados sobre a mesa de mogno. Para Marina, no entanto, a atmosfera parecia menos com um restaurante de luxo e mais com uma arena.Ela ajeitou o vestido de seda verde-esmeralda e verificou, pela terceira vez em dez minutos, o anel de noivado em seu anelar esquerdo. A safira central era pesada e fria contra a pele, um lembrete constante de que cada segundo daquela noite exigia atuação perfeita.Ao seu lado, Ethan manteve a expressão descontraída de sempre, mas Marina aprendeu a notar a ligeira rigidez em seus ombros. Sob a mesa, a mão dele buscou a dela, entrelaçando os dedos com uma firmeza calculada. O toque era quente e surpreendentemente tranquilizador.“Respire” sussurrou Ethan, inclinando-se para perto do ouvido dela. O hálito morno roçou seu pescoço, enviando um arrepio involuntário pela sua espinha. “Você está impecável. Só precisa olhar para mim como se eu fosse a melhor coisa que já aconteceu
Ethan pegou a folha assinada e a encarou por um momento como se analisasse uma proposta de fusão bilionária. Em seguida, colocou-a de volta sobre a mesa de centro, exatamente entre eles. A distância física entre os dois no sofá de couro parecia subitamente muito menor do que os dois metros reais que os separavam.“Mentirosos profissionais com um cronograma a cumprir.” Ethan corrigiu, recostando-se e cruzando os braços. O tom brincalhão de antes cedeu espaço para a postura calculista do executivo. “A imigração é a menor das nossas preocupações imediatas, Marina. Amanhã às nove da manhã temos a reunião do conselho. Se meu tio notar um milímetro de hesitação entre nós, ele desmonta essa farsa antes do almoço.”Marina tirou os óculos de leitura e guardou-os na bolsa, descansando as mãos no colo.“Seu avô não vai notar nada. Eu passei as últimas quarenta e oito horas decorando a sua biografia não autorizada. Sei onde você fez ensino médio, qual é a sua cor favorita e até o nome do seu prim







