LOGINA espera continuou, o sono me atingindo em meio aos soluços contidos, enquanto os braços de Ryan insistiam em me manter junto a ele. Tais palavras por ele proferidas não se sustentaram, pois ao virar a meia noite, seu aperto se tornou doloroso.
— Mia, poderia haver um erro na sua certidão de nascimento? — questionou-me com a voz mais fria, tão diferente de como estava sendo anteriormente. Não respondi a essa pergunta, o que pareceu ter levantado desconfianças nele.
— Mia! O que está me escondendo? — Com um movimento brusco, ele lançou-me por baixo dele e posicionou o corpo por cima do meu de forma dominadora. Abri bem meus olhos, encontrando um olhar feroz e nada amigável.
— Eu... — minha respiração estava pesada, as palavras se recusando a sair. Ainda assim, sentia que era hora de enfrentar a situação de frente. — Eu já fiz dezoito, mas não sinto meu lobo ainda.
Dizem que dias antes de despertar, os lobisomens começam a ter sensações interiores peculiares, então sempre sabiam dizer que havia algo acordando. Sentimentos contraditórios, desequilíbrio emocional e agitação de espírito devido à concentração de energia mágica antecediam a transformação. Eu, no entanto, não tive qualquer sinal.
— Isso não é possível, você não... — Ryan estava em choque. — Ser órfã não significa que você precisa ser fraca. Como posso acreditar que minha companheira sequer tem um lobo?
A voz dele se elevou, a frieza em seu olhar era algo que eu já presenciara incontáveis vezes, em todos aqueles que me fizeram mal. Havia desprezo neles, o que me levou ao desespero total. Por um instante, senti que deveria fazer de tudo para me justificar, mesmo que eu tivesse que quebrar a promessa que fiz à Dália.
— Ryan, eu não tenho o lobo ainda, mas se puder esperar...
— Mais do que já esperei? — questionou, exasperado. — Mia, mesmo que algum dia no futuro você desperte, lobos tardios são tão atrofiados e fracos que sequer deveriam existir.
— Mas um dia irei despertar e serei forte, Ryan! Por favor, acredite em...
Ele interrompeu-me lançando sua boca sobre a minha, seus lábios se movendo sobre os meus com ferocidade. Meus lábios estavam começando a ficar doloridos quando ele se afastou, sorrindo de um jeito que me assustou.
— Acho que você não tem muitas opções agora, não é? Para o seu bem, é melhor me responder corretamente — ameaçou.
— Você... não me ama mais? — perguntei entre lágrimas. Não adiantava mais tentar convencê-lo, ele claramente não se importava.
— Mia, eu gosto demais de você, ou do contrário não teria cuidado de você por tanto tempo. Mas você não é digna de ser minha companheira. Você só tem duas opções agora: Torne-se minha serva e amante e viva, ou morra lá fora, esquecida por tudo e todos.
"Eu não posso morrer", pensei em desespero. "Eu quero viver!"
— E então, o que será? — Ryan me pressionou, segurando meu queixo com força. — Saiba que se virar minha serva, garantirei que continue tendo tudo o que precisa, nada vai te faltar.
As palavras dele soaram mais suaves, e vi um lampejo de afetuosidade em seu olhar. Diferente de como pensei, ele não simplesmente me expulsou, ele me deu uma opção. Contudo, ser uma serva à mercê dele não estava em meus planos. Todo o calor que meu coração vinha sentindo ultimamente desapareceu, enquanto meus sentimentos congelavam novamente. Dor e solidão, eu já havia aceitado isso há muito tempo. As memórias vívidas de todas as promessas que fiz a mim mesma fizeram com que o meu presente fosse sufocado por esse passado sombrio.
— Apenas me deixe ir — respondi por fim. Mesmo em meios aos perigos externos, sabia que faria de tudo para sobreviver, assim como fiz até agora.
— Como posso te deixar ir assim, Mia? — respondeu ele, decepcionado. Pelo menos, terá que pagar por tudo o que já lhe dei.
Enquanto olhava para ele, via mais do que um desejo avassalador, via perigo. Eu já não sentia nada, não tinha mais apego a sonhos ou ilusões românticas. O preço por achar que podia desejar memórias felizes estava prestes a ser cobrado.
Por LissandraSenti que eu realmente não prestava quando, no dia seguinte, me sentei confortavelmente em um banco no jardim e o observei se afastar. Como ele usava o colar, eu conseguia acompanhar seus movimentos até o momento em que se posicionou no lado oposto da cratera.Em meus braços, Magnus começou a mamar quando uma cena chamou minha atenção. Uma imensa coluna de fogo ergueu-se no ar, tão grande que comecei a me questionar se não era o próprio vulcão tentando entrar em erupção. Parando para pensar, talvez Adrian realmente tivesse poder para provocar algo assim.Então o fogo se espalhou pelo céu, criando uma visão espetacular. As chamas rodopiavam, se estendiam e se retraíam em movimentos grandiosos. Ri baixinho ao perceber que Adrian não estava apenas dando tudo de si, mas também se exibindo. Eu definitivamente deveria elogiá-lo quando retornasse.O espetáculo no céu continuou por quase meia hora até que percebi uma mudança. A conexão que eu sentia com o cristal de Adrian começ
Por LissandraMarido e mulher… quase senti meu coração saltar ao ouvir isso. Adrian queria que eu fosse sua esposa. Só de pensar nisso, meu estômago borbulhou de alegria. E a marca — algo que só pode ser feito com uma única pessoa em toda a vida — ele queria colocar em mim. Eu me sentia verdadeiramente amada, honrada por ele ter me escolhido.Ainda assim, um suspiro escapou dos meus lábios enquanto eu baixava o olhar. Nos marcarmos, em teoria, seria perfeito. Não só nos uniria para sempre, como também faria com que nossos lobos criassem um vínculo oficial de companheiros, já que ambos tínhamos origem imperial. O problema era que… eu não tinha minha loba.— Eu adoraria, mas… — pensei em várias desculpas, mas todas me soavam inadequadas. Apesar de já ter dado à luz, eu não sentia que minha loba estivesse prestes a despertar, e não sabia por quanto tempo conseguiria adiar aquilo. — Eu te contei sobre meus amigos preciosos. Só acho que, se vamos fazer isso, gostaria que eles pudessem esta
Por LissandraPor alguns dias, a neve caiu. Talvez fosse reflexo da preocupação que senti ao saber que Adrian teria de descer a montanha novamente. As lembranças dele naquele estado tiraram meu sono nas noites que antecederam sua partida.Adrian havia voltado a trabalhar normalmente e chegara o momento de fazer mais uma entrega. Como não havia como evitar, tentei acalmar meu coração e rezei por dias ensolarados. Felizmente, meu desejo foi atendido e ele pôde iniciar o trajeto livre de imprevistos climáticos.Claro, parte do meu alívio vinha de vê‑lo partir usando o colar que eu lhe dera. E isso trouxe benefícios inesperados. Primeiro, ele podia sentir que o pingente estava sempre gelado, mas sua percepção era facilmente enganada pelo próprio ambiente. Como o exterior era constantemente gélido, a diferença não lhe parecia tão antinatural quanto eu temia, o que me poupou de ter que dar explicações.O verdadeiro benefício, porém, era poder localizá-lo e sentir seu estado por meio do cri
Por LissandraEra fofo vê-lo tão empolgado, ainda mais quando ficava atrapalhado. Ele esbarrou no batente da porta ao sair, pois estava olhando para mim em vez de prestar atenção no caminho.Fiquei para trás por um momento, pois precisava pegar algo mais importante. Só depois disso me despi, enrolei-me em uma toalha e saí, levando o presente de Adrian escondido na dobra da toalha dele. Eu estava um pouco ansiosa ao ir ao seu encontro.Sem camisa, mas ainda de calças, ele estava em pé no corredor, em frente ao banheiro. Acendia lamparinas e velas ao longo do caminho, iluminando todo o espaço. A noite estava especialmente escura, mas, mesmo sem a luz do luar, ele conseguiu criar uma atmosfera romântica ao espalhar aquelas luzes pelo ambiente.— Eu queria preparar uma refeição especial para você hoje, mas não consegui. Sinto muito — comentei, parando à sua frente. — Mas, se não se importar… posso ser o seu lanchinho especial.— Está mais para uma refeição principal — murmurou ele, desvia
Por LissandraO milagre... não seria tão fácil convencer Adrian a acreditar nisso, não depois do que ele passou. A piora veio muito antes do esperado.Adrian se abriu comigo e contou que, ao descer a montanha no primeiro dia, conseguiu se afastar por muitos quilômetros e se abrigar em um vilarejo não muito distante. Porém, ainda na primeira noite, o calor do núcleo começou a se intensificar. Isso o fez iniciar o retorno imediatamente no segundo dia, porém, no meio do caminho, o núcleo entrou em estado de estresse, desacelerando seus passos.Mesmo com o trenó vazio, ele foi ficando cada vez mais exausto, até abandoná-lo antes de iniciar a subida da montanha. A crise o atingiu no percurso, fazendo sua consciência oscilar enquanto tentava, a todo custo, voltar para casa. Se tivesse conseguido, teria chegado de volta no segundo dia.No fim, tudo o que ele pôde fazer foi se arrastar lentamente montanha acima no terceiro dia, avançando apenas nos breves momentos de lucidez que ainda lhe res
Por LissandraNão assenti nem respondi. Não queria que Adrian desistisse, que continuasse preso como um pássaro em uma gaiola. Eu queria voar livremente com ele e ajudá-lo a realizar seus sonhos, assim como ele havia feito por mim.Quando encontrei esse refúgio, quando pensei que éramos apenas nós dois, seguros de tudo e de todos, eu me sentia plena. Mas era um pensamento egoísta. No fundo, eu sabia que aquilo não duraria para sempre e, ao olhar para o rosto dele, tive ainda mais certeza disso. Por ele ou por mim, não podíamos continuar vivendo isolados. Além disso, agora que Magnus havia nascido em segurança, era meu dever retomar a luta pelo meu império.— Como me encontrou? — perguntou ele, enxugando delicadamente minhas lágrimas.— Ontem à noite, quando você não voltou, saí para te procurar e consegui te rastrear — respondi, sabendo que aquilo não era exatamente uma mentira, embora meus métodos fossem algo que ele jamais imaginaria. — Então eu te trouxe de volta comigo.— Você dei







