INICIAR SESIÓNEu concordei. Meu instinto me dizia que se eu quisesse continuar viva, não poderia contrariá-lo. Com minha permissão forçada, deixei que Ryan me reivindicasse e satisfizesse todos os seus desejos reprimidos. Fui arrastada até seu quarto e lançada sobre a cama sem delicadeza. Fechei os olhos, o coração martelando contra o peito.
Ele não esperou hesitação. Sua presença me sufocava, suas mãos me prendiam, seu toque me fazia encolher. Eu tentei me desligar do momento, concentrar-me em qualquer outra coisa, mas a realidade me atingiu com força. O peso dele sobre mim roubou o ar dos meus pulmões, e eu mal conseguia reagir.
A dor veio, rasgando qualquer resquício de esperança que eu ainda guardava. As palavras sussurradas em meus ouvidos não passaram de ecos distantes, misturadas com promessas vazias que se perderam no escuro.
Senti-me tonta ao mesmo tempo que uma ânsia de vômito subia a cada vez que o corpo dele batia contra o meu. Eu precisava continuar consciente, ou um desastre poderia ocorrer e então, sem dúvidas, seria meu fim. Apertei as mãos com força contra o lençol, lágrimas transbordando enquanto sentia um calor estranho pulsar dentro de mim.
— Não pense que acabou, Mia. Estou só começando com você — disse ele. Não respondi a isso, não conseguia. O amor que eu tanto ansiava se converteu em algo obscuro.
Por algum motivo, Ryan parecia mais controlado e tranquilo agora, enquanto olhava para mim longamente. Seu olhar vagou pelo meu corpo, e em seguida para a mancha de sangue na cama. Então deslizou os dedos pelo meu corpo com suavidade.
— Você é tão frágil. Sinto que se não puder me controlar, posso acabar te quebrando. Não serei mais tão bruto, eu prometo. Só não diga de novo que quer ir embora, pois eu realmente não posso aceitar isso.
Assim que falou isso, seus lábios desceram até os meus, exigindo um beijo que eu não queria dar e, ainda assim, o correspondi. Eu não conseguiria ficar consciente se tivesse que passar por outra sessão de tortura como aquela, e o medo me fez ceder. Mesmo que aparentemente o perigo tivesse passado, Ryan ainda parecia sedento, sua boca varrendo meu corpo como se procurasse algo mais.
"Se meu corpo é a moeda de troca para a sobrevivência, então que seja!" pensei, segurando as lágrimas. Quanto ao que eu deveria sentir? Eu não sabia ao certo. Humilhação, dor, raiva... já senti tudo inúmeras vezes mais do que agora, e ainda estava aqui, persistindo em me levantar a cada queda.
Não soube dizer quanto tempo passou até que ele finalmente se afastou. Meu corpo permaneceu rígido, tenso, como se cada músculo se recusasse a funcionar. Quando consegui abrir os olhos, Ryan me observava, satisfeito.
— Você é minha agora, Mia — murmurou, enxugando delicadamente uma lágrima que me escapara. — Se quiser continuar viva, só precisa entender isso.
Não respondi, não conseguia. Sentindo-me quebrada, meu corpo cedeu a exaustão. Acordei completamente sem forças, com a sensação como se Ryan ainda estivesse dentro de mim. No entanto, ele estava sentado ao lado da cama, devidamente vestido, encarando-me com um olhar sério.
— Não me olhe assim — disse ele, sorrindo com deleite. — Como pode continuar tão fria depois de ter se entregado a mim? Admita, foi uma noite maravilhosa.
"Maravilhosa para quem?", pensei, com raiva.
Fiquei imóvel, tentando controlar a respiração enquanto estudava a situação. Ryan teve o cuidado de me cobrir com o cobertor para que eu ficasse quentinha e ainda me esperou acordar. Ele parecia calmo o suficiente para eu dizer que ele não me faria mal, mas isso poderia mudar drasticamente a depender do que eu dissesse.
— O que você quer de mim? — perguntei, segurando com força o cobertor ao meu redor enquanto me sentava.
— Você sabe a resposta para isso — disse ele, inclinando-se na minha direção. — Acredito que seja inteligente o bastante para entender a sua posição. Você, uma órfã sem lobo, não serve para ser a futura luna desta alcateia. Mas não vou deixá-la desamparada. A partir de agora, será minha serva pessoal. Alguém tão fraca e frágil como você jamais conseguiria sobreviver sozinha. Eu sou sua única saída.
Fechei os olhos por um instante. A rejeição não era uma surpresa, mas o restante fez meu estômago revirar. Ainda assim, eu não tinha escolha. Se queria sobreviver, precisaria suportar o que viesse dali em diante.
Eu não gostava da ideia de ser serva a dele, mas o quão mais difícil seria do que ser serva da Ilda? Mesmo que eu dissesse que não, ele não aceitaria. Eu sabia o que ele era de verdade e quanto poder ele possuía, alguém com quem eu não poderia me opor no momento.
Em menos de um segundo, meia dúzia de homens vestidos de branco invadiu a casa. Correntes envolveram os pescoços dos lobos que imobilizavam Lionel e os decapitaram no mesmo movimento. Tudo aconteceu rápido demais para que meus olhos acompanhassem. Em meio ao caos, uma presença feroz atravessou o espaço e decepou o braço de Raiden que empunhava a lâmina, arrancando dele um grito de dor.A figura então se colocou à minha frente, apontando a espada para o pescoço do inimigo. O que mais me chamou a atenção foi o símbolo do brasão imperial gravado em sua armadura.Meu coração pareceu saltar do peito quando ergui o olhar e encontrei um rosto familiar.— Que bom que cheguei a tempo, alteza — disse Vitor, examinando-me rapidamente, como se quisesse se certificar de que eu estava mesmo bem.Aquelas palavras simples trouxeram um alívio tão profundo que meu corpo pareceu, enfim, se lembrar de como respirar. Assenti em agradecimento e me apressei até Lionel, preocupada demais para pensar em qualq
Apesar de surpreso, Raiden firmou a espada em sua mão. Agora que havia chegado tão longe, não havia mais como recuar. — Ninguém me enviou. Eu vim porque quis — rebateu, encarando Lionel com ódio. — Um órfão miserável, de sangue impuro como você, recebendo tanta atenção do alfa? Você não merece. Não sei como consegue lutar assim, mas não tem chance. E não se preocupe, não vou deixar você morrer antes de ver aquela vadia despedaçada. Vai ser um prazer provar a mesma carne que o alfa provou.— Seu rato imundo — rosnou Lionel, avançando contra Raiden.Ao mesmo tempo, os lobos que antes apenas o cercavam decidiram atacar. Por mais rápido e forte que fosse, Lionel não conseguia escapar de todas as garras e golpes que vinham de todos os lados. O inimigo era implacável.Fiquei paralisada, o coração disparado enquanto minha mente buscava uma forma de ajudá-lo. Pensei em atacá-los à distância com minha magia de gelo, mas temia acertar Lionel no processo. Se congelasse o chão para desestabiliza
Bloqueadores gama, um tipo de tecnologia cuja existência eu desconhecia até pouco tempo atrás. Minha primeira percepção desse recurso ocorreu no hotel da ilha onde os Lobos do Inverno operam. A maioria dos hotéis de lá os possuía, impedindo qualquer conexão telepática nas proximidades. Eu só descobri isso há poucos dias, mas, como vinha tendo bastante tempo para conversar com Lionel durante os treinos, acabei saciando minha curiosidade sobre muitas coisas.Tudo o que aconteceu naquela ilha passou a fazer sentido depois que soube disso. O mais intrigante era que esse tipo de recurso era comercializado exclusivamente pela companhia Lobos do Inverno. Provavelmente importado, aquele objeto estava longe do alcance de pessoas comuns. Isso só podia significar que os atacantes tinham grande influência ou alguém poderoso agindo por trás deles.Quando Lionel ordenou que eu fosse para o esconderijo, não retruquei. Se permanecesse por perto, limitaria seus movimentos e acabaria atrapalhando. Se q
Mesmo com as lágrimas embaçando minha visão, procurei o olhar dele e encontrei não fúria, mas desespero. Seu semblante, quase sempre frio comigo, realmente vacilou. Sua respiração estava intensa, e seus lábios se moviam ligeiramente, como se quisesse dizer algo.— Não vou me arrepender de ter te afastado — declarou.Em seguida, tirou a mão da minha boca e apoiou ambas na parede atrás de mim. Seu rosto estava tão próximo ao meu que eu podia sentir sua respiração tocar minha pele. Mesmo afirmando que não se arrependia, havia um traço de culpa em seu semblante. Como era possível alguém se culpar e, ainda assim, não se arrepender? O que ele escondia de mim?— Você pode me odiar, e tem todo o direito, mas jamais vai se livrar de mim enquanto viver. Como sente tanta repulsa por mim e sempre me acusa de te forçar, a partir de hoje não vou te obrigar a fazer aquilo se não quiser. Em troca, deverá acatar minhas regras com obediência, ou retirarei essa promessa. Em algum momento, você ainda se
O primeiro dia no que podia ser chamado de uma prisão aberta foi como um raio de sol depois de uma tempestade. Após verificarmos as condições da casa e dos arredores, percebemos que, embora estivesse situada em zona urbana, era relativamente isolada, cercada por outras construções menores e abandonadas. Era difícil entender por que Oliver escolhera justamente aquele lugar, mas o fato é que aquilo nos concedia muito mais liberdade sem que parecesse estarmos fazendo algo suspeito.Depois de conversar com Lionel sobre como encenaríamos aquele teatro e sobre o que ele poderia dizer a Oliver, fiz um pedido sério. Eu não podia mais permanecer ociosa, e livros não me ajudariam a sobreviver naquela situação.— Por favor, quero que me treine.Sentia que precisava melhorar meu condicionamento físico e adquirir habilidades práticas reais. Sem minha loba e tendo de esconder meus poderes, tudo o que me restava era apostar no aprimoramento das minhas habilidades medíocres, algo que eu estava determ
Dito isso, Lionel sacou uma chave velha e abriu a porta daquela casa, deixando-me surpresa.— A casa é sua? — perguntei, espiando o interior antes de entrar.Embora a fachada externa fosse desleixada, a parte interna estava limpa e tinha um aspecto aconchegante. Diferente da mansão de Oliver, não havia luxos e extravagâncias, mas todo o essencial para se ter o conforto mínimo podia ser visto.— Não, essa casa pertence ao alfa — respondeu, fechando a porta logo após adentrarmos. Olhei-o, desconcertada, esperando por respostas.— Isso faz parte da conversa que tive com ele. Imagino que ele a tenha adquirido recentemente, já que não houve tempo de reformar. Quanto ao que há aqui dentro, ainda não conheço. Temos que descobrir juntos, mas vejo isso como algo bom — disse ele, soltando um riso divertido. — Você é realmente genial, alteza.— Sou, é? — perguntei, animada. Parecia que notícias boas vinham por aí.— Sim. Oliver ficou encurralado por sua causa. Quando entrei para conversar com el







