INICIAR SESIÓNEULÁLIA
— Você é uma loba bonita e fértil, mas só serve para isso, procriar. E eu nunca seria louco de me deitar com você para ter lobos ruivos. Lobos estranhos. Quando tenho minha companheira de verdade. Engoli o gosto da decepção. Eu era uma loba que não podia deitar-se com qualquer um; diziam que deveria ser apenas de um alfa, para procriar e elevar o nível da matilha, mas essa era a parte em que eu nunca contei a Ciro. Ele só sabia que eu era uma loba para ter filhos e não alguém dita como especial. — Eu sou especial. — Digo com os olhos cinzas já injetados de raiva. — Claro que é. Nunca achou seu par e não vai achar. Não era por isso que estava comigo? — Riu da minha fraqueza, magoando-me profundamente. Uma vez, aquele mesmo oráculo que me disse sobre meu modo especial também me disse que alguém como eu não tinha um par, que não tinha um companheiro de nascença. Só restava ter um de sangue, algo como uma segunda chance. Mas era quase impossível. — Eu ainda tenho uma chance. — Achei que ele me reivindicando seria essa chance, seria meu par. — Quem faria isso com uma traidora? — Aproximou-se, saindo dos braços de Rosalina. Eu não recuei. — Já que é uma traidora, assassina e está resistindo ao processo, rejeitando seu novo alfa, terá que morrer! — Levantou a mão, deixando as garras aparecerem. Como se estivesse despertando de um transe, eu me forcei a reagir, a rejeitar de verdade aquele laço de submissão. "Ele não é meu alfa, meu alfa está morto." Repeti sem parar por várias vezes e, de repente, me transformei na loba branca quase nunca vista. Então, comecei a correr floresta adentro. — Atenção! A traidora fugiu! — Gritou Ciro. Eu tive que correr ainda mais rápido, compreendendo que não havia saída para mim. Por mais que conseguisse ganhar tempo, cedo ou tarde eles iriam me alcançar. E mesmo se não conseguissem, eu seria pega pelos caçadores ou pelo conselho do supremo por traição. "Vamos, sua idiota, corra e ganhe tempo!" Disse minha voz interior, vista como minha loba. O uivo do alfa chamando seu povo foi ouvido. Eu era uma loba solitária agora, não seria afetada por sua ordem. Me obriguei a repetir várias vezes o que minha voz interior insistia: correr pela vida, tentar sobreviver mais um dia. Talvez eu tivesse, sim, um futuro. Por mais que ouvisse todos os uivos e rosnados atrás de mim, esforcei-me ao máximo, dei tudo de mim, não pensei em onde iria ou onde chegaria. "Preciso ao menos me afastar desse lugar." Havia uma chance mínima de não morrer pelas mãos de Ciro, o verdadeiro traidor, e eu preferiria morrer por outras mãos, uma que estivesse limpa. Continuei sem parar, sem permitir que a exaustão me abatesse, tentando limpar minha mente em meio ao caos e ao perigo iminente, até que atravessei a fronteira para os humanos. "Prefiro os caçadores." Me deixei cair depois de entrar na cidade dos humanos. Minhas forças estavam quase no fim, por isso mudei de forma antes de desmaiar de exaustão. Andando trêmula até um beco escuro, encontrei uma casa pequena perto de um bar lotado. A casa estava vazia, o que me fez associar que o dono se encontrava no bar ao lado. Entrei pela janela que encontrei aberta, arrastando meus pés para forçá-los a me ajudar. "Vamos, só falta encontrar uma roupa." Caminhei pela pequena casa até encontrar o que buscava. Por sorte, o dono tinha uma esposa, e eu pude pegar a roupa mais esquecida do guarda-roupa. Quando vesti, sob minha respiração ainda meio ofegante, lavei meu rosto sujo no banheiro e minhas mãos. Depois, me empurrei para fora da casa. Nós nos recuperamos mais rápido não apenas em acidentes, mas também em força de sobrevivência. Só precisava de um lugar para me misturar antes que me encontrassem. Ciro era capaz de tudo, já que havia matado seu próprio pai. Caminhei até o bar movimentado e sentei na cadeira perto do balcão vazio. Lá, quase me joguei para respirar finalmente. Deitei minha cabeça no balcão sem cerimônia. — Você está bem? — Ouvi a voz de um homem perguntar ao meu lado. — Eu só vim… descansar. — Digo antes de levantar a cabeça. — Quem viria descansar em um lugar desses? — Sua voz era concentrada, mas potente. Levantei os olhos, encontrando apenas um homem loiro, com cabelos caindo por cima do peitoral, loiros claros e olhos azuis. Ele parecia uma pintura perfeita. Sem perceber, observei-o por inteiro: alto, forte, vestido casualmente, mas a roupa abraçava seus músculos como uma pele. — Sou nova na cidade… — Dei de ombros, fingindo me recuperar de sua presença poderosa. Algo nele me atraía como um ímã, me acalmava e assustava ao mesmo tempo. Eram emoções contraditórias que me levaram a pensar como alguém poderia mexer tanto comigo em apenas segundos. — Quem é você? — Nunca tirei os olhos dele. Ele estreitou um pouco seus olhos azuis e indagou de volta, levemente intrigado: — Eu é que pergunto: quem é você? De repente, percebi que, apesar de ele não exalar um cheiro lupino, seus olhos tiveram uma leve mudança de tom por milissegundos. Os azuis piscina mudaram para um cinza quase branco, com um tom avermelhado ao redor das pupilas. A mudança foi tão impressionante e tão rápida que quase caí da cadeira, como se fosse apenas um piscar de olhos, uma ilusão. Tentei me equilibrar ao sair da cadeira. "Merda!" Ele não era humano.EULÁLIA Não havia como reclamar, apesar de ter sido uma surpresa inesperada. — Eles nem são de maior. — reclamei. Como poderia a minha bebê já encontrar seu par logo assim que nasce? Bati na testa. Mas então pensei no que mais importava. A segurança de ambos era o que mais deveria ter peso. E não era como se Isolde e seu companheiro fossem se casar amanhã. — Tudo bem! Eu consigo lidar com isso! — digo, soltando um suspiro, vendo a fascinação na cara do jovem lobo. Wulfric caminhou até ele e respondeu a mim: — Mas eu ainda não quero lidar com isso! — pediu a bebê. Raphaelio não teve como negar, mas não saiu do cômodo, permaneceu maravilhado com minha filha. — Não deixe o queixo cair agora. Venha ver o outro lobo. Quem sabe não goste dele também! — Ronan voltou ao seu habitual mau humor, praticamente ameaçando Raphaelio. — Ronan. — murmurei. Ele me encarou por um momento. Então voltou-se para o jovem e ameaçou: — Você terá que cuidar dela o tempo todo. Mas eu fica
EULALIA Enquanto tinha meu descanso, depois de amamentar os bebês, pude observar os dois dormindo nos braços dos padrinhos. Ronan, que demorou para segurar sua afilhada com certo receio de “quebrá-la”, segundo ele, estava sereno, sempre olhando para o rostinho da bebê enquanto ela dormia. Eu assistia à cena do sofá mais próximo, na sala de desjejum. Reymond e Muriel pareciam fascinados com Leofric, seu afilhado. Eles pareciam já serem casados. O que me fez pensar que talvez eles já tivessem feito a ligação deles. Não estranharia — o poder dos companheiros vence até mesmo a timidez. Sorri, os observando. Ronan ainda estava de pé, praticamente balançando de um lado a outro, temendo que Isolde acordasse quando ele parasse de se mover. Pelo menos era a sensação que ele passava. Wulfric observava a cena de longe, pretendendo me auxiliar com uma boa refeição, mas que eu recusei por enquanto. Era bonito observar como novas vidas traziam grandes mudanças. Naquele momento, Leofric era
EULÁLIA— Está se sentindo mal? — Wulfric me analisou com preocupação.— Não, acho que não. — digo com um meio sorriso.— Tem certeza? — perguntou.Na realidade, havia sido apenas mais pressão na parte baixa da barriga. Aquilo, por um momento, me deixou assustada.— Amanhã o médico virá vê-la! — proferiu ele.Eu não negaria, afinal, havia sido minha culpa tê-lo deixado preocupado. E, para variar, era muito bom se sentir protegida por alguém como Wulfric.O tempo foi passando, e um dia, quando estava conversando com Muriel, que recentemente tinha ficado sozinha no castelo, sem sua amiga que vinha com ela de sua alcateia antiga, estávamos arrumando o quarto dos bebês para distrair minha mente — especialmente sobre a ansiedade de ter meus filhos nos braços. Olhando as roupinhas, os brinquedos e os seus berços temporários (já que bebês lupinos cresciam rápido), meu coração se mantinha acelerado, cheio de expectativa por tê-los sob meus olhos a qualquer hora.Então algo aconteceu… Tudo vir
EULÁLIA Não permiti que Ronan pensasse daquela forma, então prometi que faria algo. — Não precisa se esforçar mais do que faz para o povo. E quanto à loba que se presta a tentar seduzi-lo mesmo não vendo interesse da sua parte, eu a repudio. Ronan apertou os dedos com um leve sorriso. — E a Luna pode fazer isso com alguém que faz parte do seu povo? — Estou sendo sincera, Alfa Ronan! — ele sorriu pequeno e concordou. — Que bom que não sou o único a repudiá-la agora. Em outro momento, eu poderia rir disso, mas não foi esse em particular. Pois era notório o desconforto do alfa. Talvez não fosse apenas pela loba intrometida e insistente, mas pela presença de Wulfric, apesar de ele ter ficado quieto o tempo todo. Mas todos os alfas sabiam que ele tinha poder para ler as mentes. Eu jamais saberia o que se passava na cabeça de alguém, só poderia supor, como fazia agora. Porém, o supremo, mesmo atento a tudo enquanto fingia que era indiferente, estava ouvindo os nossos pensamentos.
EULÁLIA Eu sabia o quanto aquele assunto era delicado e não poderia permitir que alguém se aproveitasse de seus pesadelos para ter um benefício próprio. Eu não permitiria que fizessem isso com o Ronan. “Ele está acreditando que temos algo a ver com isso, principalmente porque falei sobre?” Era um receio esperado, pois eu havia tocado no assunto primeiro e agora alguém se atrevia a querer obrigá-lo a isso. Esperei apenas que a reunião acabasse, recolhendo mais informações sobre seu caso. Logo caminhei pelos corredores em busca do supremo. O encontrei no escritório, junto com Reymond. Ambos me cumprimentaram. Sem muitos rodeios, falei sobre o assunto que me levou até eles. — Quero fazer uma visita à alcateia do Alfa Ronan! Reymond olhou para minha barriga, assim como Wulfric. — Isso não me impede de sair do castelo para visitar as alcateias. — reclamei. — Eu entendo o que você está pensando em fazer. Mas não pode andar sozinha, Eulália. — Wulfric foi direto. — Então venha co
EULALIA — Você quer adotar uma criança ou procurar sua segunda companheira? Poderia parecer cruel a primeiro momento, mas ele devia reconhecer que era melhor não permanecer sozinho com a dor que carregava. E talvez ele quisesse isso, só não tivesse coragem. Ele não pareceu gostar de forma alguma e, por isso, eu já tinha uma terceira opção. — Sinto muito, Luna… mas devo recusar ambas! — foi rápido. Apertei os lábios e sorri. — Mas temos uma terceira opção, que não pode ser recusada. — Então não é uma opção. É uma ordem! — ele reclamou, apertou os braços cruzados e não se mostrou animado. Apenas fiz bico de desinteresse, na verdade, estava interessada em sua reação. — Seja padrinho do meu segundo filho! — seus olhos saltaram e seus braços caíram. — A água era pura mesmo. Tem certeza? — me fez gargalhar. — Acho que a água benta faria mais efeito. — comentou, me fazendo rir com sua piada automática, pois ele não ficou empolgado com ela. — Não é, de fato, uma opção. — digo.







