LOGIN~MAKSIM~
O disparo ecoou em meus ouvidos... mas não senti o impacto. Por um segundo, acreditei que havia morrido e que meu corpo simplesmente ainda não tinha processado a dor. O homem diante de mim continuava apontando a arma em minha direção, mas sua expressão já não era a de alguém que tinha o controle. Seus olhos se arregalaram com uma surpresa estúpida, seu sorriso desapareceu e seu corpo ficou rígido antes de desabar para o lado como um saco sem vida. Levei apenas um instante para entender o que havia acontecido e, quando virei a cabeça, eu a vi. Alessia Cardinale estava de pé a poucos passos de mim, com o braço estendido e uma pistola firme na mão. Não tremia. Não hesitava. Não parecia uma mulher que acabara de salvar a vida de alguém por pura sorte; parecia uma mulher que sabia exatamente onde atirar para matar sem pensar duas vezes. Baixou a arma lentamente, avaliando o ambiente como se aquele caos não fosse nenhuma novidade para ela, como se o salão repleto de cadáveres e sangue fosse apenas outro cenário no qual sabia se mover. Seu vestido de um branco imaculado havia sido manchado de sangue, seu cabelo estava levemente desalinhado, mas sua expressão... sua expressão foi o que me fez franzir o cenho. Fria. Controlada. Perigosa. Nada parecida com a mulher que eu havia decidido desprezar minutos antes. Levantei-me com cuidado, sentindo a humilhação de ter sido salvo por uma mulher, mas ignorando-a enquanto a observava. Algo não se encaixava. Tudo o que eu havia pensado sobre ela acabava de se despedaçar em mil pedaços e, o que era pior, eu não gostava da sensação de não ter o controle da situação. — Mais um pouco... — disse, sem olhar diretamente para mim, enquanto empurrava com o pé a arma do cadáver para afastá-la. Olhei para ela com incredulidade, irritado com o tom arrogante em sua voz, com a insolência... e com o fato de não haver nem um vestígio de nervosismo nela. — Ainda bem que eu estava com tudo sob controle, não é? — acrescentou com uma leve ironia antes de se virar para mim. Cerrei a mandíbula. — Eu não precisava da sua ajuda — respondi com frieza, embora a realidade fosse outra e nós dois soubéssemos disso. Seus lábios se curvaram levemente, não em um sorriso doce, mas em algo mais afiado, mais consciente. — Claro que não — retrucou. — Porque seu desejo era morrer, não é mesmo, meu valente Pakhan? Aquele comentário me atravessou mais do que qualquer bala. Não pelo conteúdo, mas pela altivez com que ela o disse. Não havia medo. Não havia intenção de agradar. Apenas uma ironia lançada na minha cara sem nenhum tipo de filtro. E então eu entendi. O que eu não gostava nela não era apenas sua aparência. Era o fato de ela não ser uma mulher fácil de controlar. — É claro que não — disse por fim, tentando fechar aquela fissura antes que se tornasse maior. — E, para que veja que sou um homem honrado, agradeço por ter salvado minha vida, Alessia Cardinale. Ela me encarou então, diretamente, sem hesitar, como se estivesse esperando exatamente aquela resposta. — Era isso que eu queria ouvir, Maksim Volkov — disse com calma. — Porque você, como chefe da sua organização, sabe muito bem o que isso significa em nosso mundo. O barulho do salão continuava ao nosso redor, homens gritando ordens, passos apressados, corpos sendo retirados, mas, para mim, tudo aquilo se apagou diante de suas palavras. Meu olho começou a tremer por causa de um tique, porque eu imaginava aonde ela queria chegar. — Em nosso mundo, uma vida se paga com outra — acrescentou. Fechei as mãos em punhos e tensionei a mandíbula com força, até fazer meus dentes rangerem. — Eu salvei sua vida, Maksim Volkov — continuou, dando um passo em minha direção sem o menor vestígio de dúvida. — Isso faz de você um homem em dívida comigo. Observei-a com dureza, medindo cada palavra, cada gesto, cada maldito detalhe que antes havia deixado passar. — Eu não devo nada a ninguém — respondi. — Claro que deve — retrucou sem hesitar. — Você deve tudo à pessoa que acabou de impedir que estourassem sua cabeça. A ira me atravessou como um raio, porque eu não queria estar em dívida com Alessia Cardinale. Em nosso mundo, esse tipo de dívida não se tratava de moral, nem de gratidão, nem de emoções baratas. Tratava-se de poder, de reputação, de regras que não eram quebradas sem consequências. E ela acabava de me colocar dentro de uma dessas regras. Para os italianos, era algo chamado Omertà. Para nós, russos, era chamado de uma forma mais simples, mas igualmente importante em nossos códigos de honra. Salvar uma vida era considerado um ato supremo, e quem recebia tal ajuda ficava marcado pela obrigação de retribuir o favor, porque, caso contrário, isso poderia resultar na perda de status e de honra. — Tenha cuidado com o que diz — adverti, baixando a voz. — Não estou dizendo nada que você não saiba — respondeu com uma calma que era mais provocadora do que qualquer grito. — Você está em dívida comigo pelo resto da vida, a menos que possa me devolver o preço da sua vida... a vida que salvei há alguns instantes. — E o que você quer? — rosnei. Ela sorriu triunfante. — Você sabe muito bem, Maksim Volkov. O silêncio voltou a se instalar entre nós, tenso, carregado de algo que eu não podia ignorar. Pela primeira vez desde que tudo aquilo havia começado, eu não tinha uma resposta imediata, e isso me irritou profundamente. Alessia voltou a sorrir e deu mais um passo em minha direção, diminuindo a distância. — Você não precisa de uma esposa bonita que possa exibir como um troféu — disse, olhando para o lado. Segui a direção de seu olhar e vi uma mulher bonita caída no chão, sobre uma poça de sangue, exatamente o tipo de mulher que fazia meu gosto. — Está vendo? — perguntou, apontando para a mulher. — Aquela era Elena Marchetti, a mulher que lhe dariam como esposa e o tipo de mulher que o seu critério teria escolhido. Agora ela está morta. A mulher que seria sua esposa e sua escolha está morta, porque não servia para nada além de ser um enfeite para você. Então você também estaria morto neste momento. Perceba que sua escolha teria sido um grave erro. Encarei-a e, até aquele momento, não a vi como um erro. Eu a vi como um problema. Um problema sério. — Case-se comigo — disse, sustentando meu olhar. — Cumpra a palavra que deu ao meu pai, pague sua dívida de honra comigo e, embora lhe custe admitir, perceba que eu sou o tipo de mulher de que um homem como você precisa. Alguém que está no mesmo nível que você e que lhe será útil para algo além de ser um mero enfeite, Pakhan.~MINA~Oh, Deus.Nunca na minha vida havia sentido uma sensação igual àquela.Desabei sobre a mesa, com a respiração ofegante, e senti Artem deslizar os dedos para fora de mim e depositar um beijo na parte interna de cada uma das minhas coxas.—Venha aqui —disse, acomodando minhas coxas trêmulas ao redor de sua cintura enquanto me envolvia com os braços para me levantar da mesa.Enlacei os braços ao redor de seu pescoço e ele me beijou profundamente.Gemi, sentindo o gosto do meu orgasmo em sua língua. Meus quadris se moveram instantaneamente contra ele, fazendo minha intimidade nua roçar a rigidez quente sob sua calça.Não consegui evitar um gemido mais alto, imaginando tudo aquilo dentro de mim ou em minha boca.—Gosta de sentir seu próprio gosto na minha língua? —perguntou, enterrando os dedos nos meus cabelos e inclinando minha cabeça para aprofundar o beijo.—Mmm... —suspirei enquanto nossas línguas se entrelaçavam—. Quero fazer o mesmo com você.Senti a reação que minha confissã
~ARTEM~Não precisei que repetisse duas vezes. Éramos adultos, esposos perante a lei e... porra, eu não ia continuar negando o inegável.Eu também a desejava e, se ela estava de acordo, quem era eu para negar isso a ela? Quem era eu para negar aos nossos corpos o que eles desejavam e precisavam?Dei um passo largo, encurtando a distância entre nós, segurei-a pela nuca e a puxei para mim, tomando a boca dela com a minha, beijando-a como se estivesse faminto por ela e deixando claro que a desejava mais do que ao meu próximo suspiro.Os lábios dela eram macios e urgentes, e eu me pressionei contra ela, sentindo o calor, a necessidade e a promessa de tudo o que estava por vir.No início, ela ficou imóvel, surpresa com o meu ímpeto repentino, mas, segundos depois, a boca dela se movia junto à minha e suas mãos se agarravam com força ao meu pescoço, enquanto eu aprofundava o beijo.Mina gemeu e suspirou na minha boca quando nossas línguas se entrelaçaram. Meus quadris se sobressaltaram ao p
~MINA~Artem e eu, sentados no banco traseiro de uma limusine, éramos a imagem perfeita de um casal recém-casado, mas a realidade estava muito longe disso.Mantive os olhos na janela, nas luzes que passavam rapidamente e se transformavam em sombras. Artem estava ao meu lado, é claro, mas eu bem poderia estar sozinha. Ele não me tocava. Não conversávamos. Mal respirávamos.O trajeto até o apartamento foi desconfortável e longo o suficiente para que eu pensasse na nossa próxima noite de núpcias e naquele beijo que havíamos trocado diante de todos, e para que me perguntasse que diabos havia acontecido para cruzarmos aquela linha que, em teoria, não deveríamos cruzar.Eu não ia me enganar. Não naquele momento. Não depois do que havia feito.Eu também o desejava e havia gostado do beijo, mas era justamente eu quem havia estabelecido aquelas regras do nosso acordo e agora estava ali, sentindo crescer nos meus lábios a necessidade e o desejo de voltar a sentir os lábios dele sobre os meus, s
~ARTEM~Mina correspondeu ao beijo.Foi isso que acabou mandando toda a minha sanidade para o caralho.Eu havia pensado em beijá-la rapidamente, apenas o suficiente para calar todos os imbecis que estavam gritando ao redor e cumprir o que esperavam de nós. Um roçar de lábios, talvez dois segundos, nos afastarmos e seguir em frente.Mas, assim que senti seus lábios sob os meus, alguma coisa mudou e já não consegui me conter. Quis provar aqueles lábios que havia dias me tentavam, e, quando seus dedos se fecharam sobre minha camisa e senti que ela correspondia, esqueci completamente as regras que havíamos imposto a nós mesmos.Meus lábios formigaram com a sensação. Faísca e ardor, um fósforo prestes a pegar fogo, mas sem chegar a se acender. Minha mão permaneceu firme em sua nuca enquanto a outra encontrou sua cintura quase por instinto.Mina se aproximou mais e eu aprofundei o beijo, dando vazão de uma vez a todo aquele desejo que vinha se acumulando havia tempo demais entre olhares, ap
~MINA~Caminhei em direção a Artem tentando me concentrar em não tropeçar, em respirar normalmente e em não pensar demais no fato de que, dentro de alguns minutos, aquele homem se tornaria meu marido.Maldição... Meu marido.Quase comecei a hiperventilar de nervosismo, e não ajudava em nada o fato de ele me olhar daquela maneira.Desde que apareci, ele não havia tirado os olhos de mim. Nem sequer parecia se importar que Maksim estivesse ao seu lado como padrinho, que Alessia estivesse do outro como madrinha ou que ao redor houvesse várias das pessoas mais importantes da Bratva junto com suas famílias.Sua atenção estava fixa em mim, e a intensidade daquele olhar conseguiu me deixar mais nervosa do que toda a cerimônia.Valentina caminhava alguns passos à frente, espalhando pétalas de rosas brancas com tanta concentração como se aquela fosse a missão mais importante de sua curta vida.Quando finalmente cheguei até Artem, Emiliano estava perto dele com as alianças e um sorriso tão grand
~ARTEM~—Nervoso? —perguntou Maksim, chamando minha atenção e fazendo com que eu desviasse o olhar da porta, para onde estava olhando desesperadamente, esperando ver Mina entrar de uma puta vez.—Claro que não —murmurei.Maksim riu baixinho e arqueou uma sobrancelha.—Tem certeza?—Sim.—Então pare de olhar tanto para a entrada.Lancei um olhar fulminante para ele.—Se estou olhando para lá, é só porque já está tarde e Mina não aparece —rosnei—. Odeio falta de pontualidade.Maksim voltou a rir.—Sei, claro —soltou com ironia—. Na verdade, você odeia pensar que ela pode ter desistido e nunca mais entrar por aquela porta.—Vai apodrecer, seu maldito imbecil —murmurei, esperando que nenhum dos presentes me ouvisse, especialmente Emiliano, que estava ao meu lado, vestido para a cerimônia e segurando as alianças com uma seriedade que parecia desproporcional para um menino de seis anos.Maksim voltou a rir. Obviamente, estava se divertindo muito às minhas custas.—Pode se comportar, por fav







