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Capitulo 3 - De volta ao Inferno

Autor: ynnanerak
last update Data de publicação: 2025-10-16 19:51:51

Cedric pegou a pasta e a colocou na mesa, lembrando a Blaine a única coisa que realmente importava.

— Blaine, nossa missão não mudou. A investigação sobre a morte de Ava e a conexão com a Bluemoon continua sendo a nossa prioridade. Não se distraia, mas a observe a distância.

— Certo, meu Alfa.

— Bom. Então, a partir de agora, ela está sob vigilância constante. Fique de olho nela. Observe cada movimento, cada contato. Se ela é a peça que vai nos levar a Viper e à verdade sobre Ava. E como resolveram usá-la contra mim, a usarei de volta.

Blaine assentiu e Cedric respirou fundo, fechando os olhos por um momento.

Apesar de todo o ódio e as provas de que Skyla era uma espiã manipuladora, ele sentiu a necessidade de vê-la, e de sentir a pele dela novamente.

Ele se levantou, determinado.

— Agora, vou vê-la. Quero ver o quão bem, ela finge.

Blaine fez uma reverência e viu Cedric sair para se encontrar com sua nova companheira.

Mas, o Beta sabia que a guerra de Cedric contra a Bluemoon era mais fácil do que a guerra que ele travaria contra o seu próprio coração.

----

Naquela noite, no caminho para casa, as duas amigas mal esperaram a Skyla se acomodar no banco de trás.

O cheiro forte de um lobisomem desconhecido impregnava o ar do carro, e a preocupação delas se misturavam ao pânico da Skyla.

— Desembucha, quem é ele?

Começou Leona, virando-se no banco do passageiro para encará-la e os olhos dela, normalmente brincalhões, estavam sérios e exigindo a verdade.

Skyla enrolou o cabelo, jogando-o para o lado, sentindo um calor subindo por sua nuca e o ponto dolorido latejando.

Ela se abanava com a mão, tentando acalmar a febre que a consumia.

— Eu não sei.

Skyla respondeu com a voz quase inaudível.

Drika, que dirigia, freou o carro bruscamente na lateral da estrada, virando-se para Skyla completamente, com o rosto pálido e assustado.

Leona também se virou completamente.

— "Não sabe"? Skyla, o que foi que você fez?

Drika sibilou, o medo por ela superando sua raiva.

Drika, com a mão tremendo, apontou para o pescoço dela.

Skyla massageou a área, sentindo o calor queimar pela mordida.

— Seu pescoço!

Leona gritou, com sua voz aguda e cheia de horror.

— Ele te marcou!

O coração de Skyla falhou uma batida, depois começou a palpitar de forma dolorosa no peito.

O desespero a consumiu, esmagando seu coração.

— Ah, não, eu vou morrer.

As palavras de Skyla saíram em um murmúrio desesperado, enquanto suas mãos cobriram seu rosto, tremulas.

Leona tentou se recompor, forçando um sorriso hesitante, desesperada para confortar a amiga.

— E se ele for seu companheiro? Você está viva, Sky! Isso significa algo!

— Meu companheiro é o Cillion! E vocês sabem!

Skyla rebateu com a voz embargada pelo medo.

Ela precisava que Cillion fosse seu companheiro. Era a única maneira de sobreviver a sua família.

Agora foi Drika quem tentou consolá-la, estendendo a mão para tocar seu joelho.

— Mas e se o Cillion não for seu companheiro e ele sim? Pense no que aconteceu. Você, que nunca sente nada por não ter loba, agiu por instinto por ele.

— Parem de besteira! Sei que vocês não gostam de Cillion, mas ele é o meu companheiro!

Skyla cobriu o rosto com as mãos novamente.

 — Oh, meu Deus, eu vou morrer mesmo... Por que, Deusa? Por que me fez agir daquela forma?

Skyla lamenta.

— Dê uma chance, ok?

Pediu Drika com a voz irritada pela teimosia da amiga.

Leona concordou, seria.

— Sim, Sky. E se você não morrer hoje à noite? Você vai acreditar que o Cillion não é o seu parceiro? E essa marca será a prova.

Skyla suspirou e Drika voltou a dirigir para casa, mas a tensão dentro do carro era quase palpável.

— Não é melhor você ir para a minha casa tomar um banho?

Ofereceu Leona, preocupada.

— Não. Eu sumi a noite toda. Meus pais vão me matar de qualquer forma.

Skyla sentiu um arrepio.

— Mas eles vão sentir o cheiro dele em você! E a marca...

Insistiu Drika, igualmente preocupada.

Skyla ajeitou o cabelo para tampar a marca do companheiro e as abraçou com carinho, forçando um sorriso que não era convincente.

— Obrigada pelo carinho, meninas. Mas a essa hora, eles não estarão em casa.

“— Eu espero.”

Ela rezou mentalmente.

Durante o caminho, Leona ligou para Cillion, informando que Skyla estava bem e que estavam indo para casa, inventando uma mentira qualquer, uma mentira necessária para ganhar tempo.

Não demorou para que chegassem na frente da casa de Skyla, uma construção grande e imponente que, para ela, parecia mais uma prisão.

Skyla hesitou, nervosa, olhando a fachada como se fosse um monstro a aguardando.

Ela mandou suas amigas para casa, com um abraço rápido, um aceno, e logo ela estava sozinha.

Skyla hesitou diante da porta antes de suspirar e entrar com o coração martelando no peito.

O medo era palpável, misturando-se ao persistente aroma do estranho que ainda a envolvia como um manto de culpa.

Ela temia que seus pais sentissem o cheiro do sexo.

Ela entrou na ponta do pé, movendo-se o mais rápido que podia, com a cabeça baixa, na tentativa de evitar que fosse detectada, enquanto se esgueirava diretamente para seu quarto.

Quase alcançando o quarto, ela esbarrou em alguém e ergueu o olhar com o coração apertado.

Era sua irmã mais nova, sorriu maliciosamente, mas o sorriso dela não chegou aos olhos, que imediatamente se estreitaram ao farejar o ar.

E diferente dela, Dália tinha recebido sua loba, e o faro dela era aguçado.

— Você dormiu com um estranho?

Dália sussurrou, mas havia triunfo em sua voz.

O corpo de Skyla enrijeceu, e o pânico tomou conta.

— Por favor, não conte aos nossos pais e nem ao Cillion, eu te imploro!

Ela balbuciou, agarrando o braço da irmã.

— Eu te dou o que quiser Dália!

O sorriso de Dália se alargou, frio e cruel.

— Lamento, não há nada que você queira me dar que eu queira. Mãe! Pai! A Skyla dormiu com um desconhecido!

O grito de Dália foi alto e malicioso.

Skyla sentiu o chão desabar sob seus pés e correu para o quarto, tentando fechar a porta com urgência, mas antes que ela conseguisse trancar, sua mãe a arreganhou, abrindo-a com uma fúria selvagem.

O rosto da matriarca estava contorcido de ódio.

— Você é uma vergonha para a nossa família, vadia!

Sua mãe rugiu e seu coração se apertou.

Sua mãe a estapeou com tanta força que a fez cambalear e cair na cama.

E com o tapa, o anel de sua mãe raspou em sua bochecha, deixando uma sensação de queimadura.

— Por favor, mãe!

Skyla implorou, com os olhos embasados de lágrimas.

Nesse momento, seu pai, o Beta da Matilha, irrompeu pela porta.

A ira que o consumia era violenta e fria, e seus olhos injetados cravaram-se em Skyla, e rápido ele a pegou pelo pescoço, com uma força animalesca, a erguendo do chão.

Skyla se debateu assustada, mas ele não se importou e ele a bateu com uma força descomunal contra a parede, num impacto seco, que estalou nas costas dela.

— Desgraçada! Você não é nada além de uma aberração sem lobo, e ainda mancha o meu nome! Eu vou te matar!

Ele rosnou com a voz grave e autoritária.

O mundo girou e ficou vermelho nas bordas da visão de Skyla, quando ela começou a sentir o ar ser roubado de seus pulmões.

Seu coração martelava, enquanto seu medo da morte se tornava cada vez mais real.

O aperto em seu pescoço, era esmagador.

Ela começou a ver pontos escuros dançando em frente de seus olhos azuis.

— Papai, você vai matá-la de verdade!

Dália fingiu com a voz de boa moça, agarrando o braço dele, mas Skyla conseguiu ver a ponta de satisfação no sorriso perverso dela.

Dália era mais falsa que nota de três reais.

O pai a encarou, mas seus olhos não demonstravam hesitação, apenas nojo.

Ele manteve o aperto, desfrutando do terror nos olhos da filha.

Sentindo-se fraca demais para lutar ou até mesmo tossir, o corpo de Skyla cedeu e a última coisa que ela viu, antes que tudo escurecesse completamente, foi o rosto furioso de seu pai, e o sorriso satisfeito de Dália.

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