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Capitulo 2 - Marca

Autor: ynnanerak
last update Fecha de publicación: 2025-10-16 19:51:23

O choque se transformou em um terror frio e paralisante.

Na sociedade lican, apenas o verdadeiro companheiro pode marcar.

Se um lobo tentasse marcar alguém que não fosse o seu par, o laço era rejeitado e causava uma morte lenta e dolorosa.

O casamento com Cillion era o seu refúgio, mas, essa marca era sua sentença de morte.

Assustada consigo mesma e pelo que fez, Skyla saiu da cama, ignorando a vertigem.

O medo era mais forte do que sua dor e por isso, ela correu atrás de suas roupas, encontrando tudo rasgado no chão, encarando-as sem chão antes de pousar seu olhar no desconhecido adormecido.

“- Seu bruto!”

Irada e olhando ao redor desesperada, sua mente martelava sem parar.

“- O que eu faço? As meninas devem estar me procurando feito loucas, ou pior falaram com Cillian. Ele não pode saber. Não agora.”

É quando seus olhos azuis pousaram na camisa preta jogada no canto.

“- É isso que dá rasgar as roupas dos outros.”

Ela pegou a blusa, vestindo-a sem cerimônia, cobrindo-a até o meio das coxas.

“- Graças a Deusa por ser tão grande.”

Seu coração acelerou, e ela correu para fora do quarto antes de esbarrar em alguém e se encolhe, cobrindo o pescoço com a mão.

Ela olhou para cima, e reconheceu instantaneamente Blaine, o Beta da temida Alcateia da Lua Vermelha.

A Alcateia da Lua Vermelha era muito famosa por serem assassinos assustadores.

Eles eram implacáveis e tinham uma reputação sombria que os precedia. Skyla sentiu o cheiro de força bruta e autoridade emanando dele, a mesma pressão que ela sentira no homem que a marcara.

Ignorando a beleza intimidadora à sua frente, e com medo de ser reconhecida, ela se encolheu, curvando-se.

Ele a olhou de cima a baixo com um sorriso lento e calculado que não chegava aos olhos.

Parecia que ele sabia exatamente de onde ela estava vindo e o que havia feito.

Em pânico, ela ignorou-o e fugiu, correndo para o estacionamento.

O ar frio da manhã a fez tremer, mas ela não parou até avistar a conhecida caminhonete de Drika.

— Aonde você estava? Te procuramos a noite toda!

Questionou Drika, entre furiosa e aliviada, saindo do carro.

— Oh, meu Deus, você dormiu com alguém?

Farejou Leona, surgindo do lado do passageiro, com seus olhos redondos arregalados de surpresa.

Skyla encolheu-se e Drika olhou nervosamente para dentro do casarão aonde aconteceu a festa.

— Entra no carro! Temos que sair daqui, agora.

A pressa de Drika a assustou ainda mais, mas Skyla não discutiu e só correu para o banco de trás.

— Como não te encontramos, ligamos para o Cillion.

Contou Leona com a voz angustiada, enquanto Drika acelerava.

O coração de Skyla falhou uma batida e elas correram para longe do território neutro.

Enquanto isso, Blaine, entrou no quarto principal, sem sequer bater.

Ele encontrou Cedric parado perto da janela, completamente nu, com a mão apertando o peito como se tentasse conter o próprio coração.

A respiração de seu Alfa era profunda e irregular, e um cheiro inegável de sexo, pairava no ar.

— Achei que nunca veria essa cena novamente.

Blaine comentou, com um sorriso insolente.

Cedric se virou com os olhos em chamas e rosnou a pergunta com a voz rouca.

— Ela se foi?

— Sim, meu Alpha.

Blaine inclinou a cabeça, com o sorriso desaparecendo.

Ele conhecia Cedric.

Desde a morte de Ava, sua companheira e mãe de seu filho Curtis, Cedric havia se tornado uma fortaleza fria, abstendo-se de qualquer intimidade.

— O abstinente finalmente caiu.

Provocou Blaine, antes de perceber a seriedade no olhar de seu alfa.

- Quem é ela, meu Alfa?

— Algo que achei que nunca mais teria...

Cedric rebateu angustiado, enquanto Blaine arrumava uma nova camisa para seu alfa que se vestia com uma fúria incomum.

— Mas o corpo... o corpo não mente, e aquela fêmea, é a minha nova companheira.

Blaine arregalou os olhos surpreso.

- Companheira? Espera? É sério?

-Pior que é...

Ele fechou os punhos em confusão.

A atração que sentira por aquela fêmea era avassaladora, mais poderosa do que qualquer coisa que ele já sentira.

Mais até, do que sentira com sua falecida esposa.

— Ela me pegou desprevenido. Eu não sei nem o nome dela. Quero saber tudo sobre aquela fêmea até o noitecer.

Cedric ordenou acendendo um cigarro e Blaine faz uma reverência respeitosa.

— Sim, alfa.

O comando de Cedric não admitia falhas.

—  Quero tudo. Quero o dossiê completo. Investigue-a. Agora.

Blaine parou de sorrir.

— Sim, alfa.

— E, Blaine?

Cedric o chamou antes que ele saísse.

— Não mencione isso a Curtis.

— Entendido.

Blaine respondeu, sabendo que os segredos de seu Alfa eram a única coisa que mantinha Curtis seguro.

Poucas horas depois, Cedric estava em seu escritório, exausto e irritado, repassando os últimos relatórios de ataque as matilhas vizinhas.

Ele ainda conseguia sentir o cheiro doce daquela mulher impregnado em sua pele, e isso deixava-o desorientado e excitado demais para se concentrar.

A porta se abriu e Blaine entrou com um arquivo em mãos.

— Seu nome é Skyla Prier.

Blaine disse sem rodeios, entregando-o o arquivo.

Cedric pegou o arquivo, sua raiva aumentando a cada linha que lia do pequeno dossiê.

— É a filha do Beta da Matilha Bluemoon?

Ele rosnou, jogando o arquivo na mesa.

— Aquele maldito Beta! Eu sabia que era uma armadilha.

— Não é só isso, Alfa. A jovem tem uma péssima reputação.

Blaine começou a relatar com sua voz monótona e profissional, enquanto as informações perfuravam a alma de Cedric como facas.

- Ela é vista como oportunista e interesseira dentro da matilha. Mas há rumores de que ela se envolve com o parceiro da própria irmã. Os boatos a pintam como uma promíscua, que usaria qualquer meio para conseguir o que quer.

Cedric se levantou da poltrona de couro, sentindo a fúria em seu peito se tornar tão intensa que seu lobo ameaçava sair.

A dor de ser enganado por uma jovem loba o deixava louco.

Seu lobo interior que gritava que ela era a sua nova companheira, mas tudo agora, parecia ser uma piada de mal gosto.

Ela havia armado esse encontro.

Era uma espiã, manipuladora enviada pelo inimigo para derrubá-lo.

— Eu sabia! Eu sabia que o que aconteceu era bom demais para ser verdade.

Cedric, rosnou.

Nesse momento, Curtis entrou, o rosto marcado pela dor e a frustração que só um filho que perdeu a mãe pode sentir.

— Por que você não está fazendo nada para vingar a minha mãe?!

A tensão triplicou.

A raiva de Cedric pela traição de Skyla se chocou com a culpa e a fúria que Curtis sempre despertava ao mencionar Ava.

— Cale a boca, Curtis!

Cedric rugiu, suas garras finalmente estalando.

— Por que você a deixou morrer?!

Curtis gritou de volta, com lágrimas nos olhos.

— Por que você não faz nada?! Você é o Alfa! Onde está a sua vingança?!

— Isso não é da sua conta, moleque!

Cedric apertou a mandíbula, omitindo a verdade, sentindo-se um fracasso diante do próprio filho.

— Você está escondido aqui, brincando com... com... mulheres aleatórias enquanto a memória dela é profanada!

Curtis sibilou, sentindo o cheiro de fêmea vir de seu pai.

Cedric cambaleou.

O Rei Alfa, que costumava ser implacável, sentia-se um dividido.

— Saia!

Cedric ordenou, apontando para a porta, com sua voz tremendo.

— Saia antes que eu esqueça de que é meu filhote!

Curtis fugiu, irado, deixando Cedric, que desabou na cadeira, a cabeça entre as mãos, para trás.

O ódio pela Matilha Bluemoon, queimava em seu peito.

Blaine esperou até que a fúria de Cedric diminuísse.

— O endereço dela está no dossiê. O que faço com ela?

Blaine perguntou e Cedric levantou a cabeça, com seu olhar frio.

Seu lobo estava gritando em sua mente de que algo não estava certo, que deveria haver uma versão diferente da história de Blaine.

— Deixe-a. Eu irei visitá-la pessoalmente.

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Último capítulo

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