Início / Lobisomem / A Lua dos Exilados / Capítulo 38 — A Roda dos Ensinamentos

Compartilhar

Capítulo 38 — A Roda dos Ensinamentos

last update Data de publicação: 2025-09-17 02:26:25
(POV Selene)

O sol filtrava pelas frestas quebradas do depósito, riscando o chão com linhas douradas. O cheiro de ferro, suor e terra molhada já fazia parte do ar que eu respirava. Meu corpo estava coberto de hematomas, os músculos doíam como se fossem explodir, mas nada disso importava.

Hoje era dia de roda.

E Ronan não perdoava.

Ele girava uma adaga entre os dedos como se fosse extensão da própria mão. O olhar escuro, duro, me pesava mais do que o metal frio que eu segurava.

— Foco, Selen
Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App
Capítulo bloqueado

Último capítulo

  • A Lua dos Exilados   Capítulo 121 — Epílogo da Lua

    (POV — A Lua) Faz tanto tempo que nem o tempo se lembra. Antes dos nomes, antes das espadas, antes dos lobos… eu já vigiava o mundo. Sou o espelho do que nasce e o túmulo do que morre. Sou o que resta quando até o amor se cala. E ainda assim, mesmo entre as ruínas, há um som que me desperta: o eco dos corações que não desistiram de uivar. Durante séculos, observei homens se destruírem em nome da luz. Vi cidades erguidas sobre ossos, reinos queimados por orgulho, deuses inventados e depois esquecidos. Mas nunca — nunca — vi alguém me olhar com tanta coragem quanto ela. Selene. Minha filha sem prece, minha bênção e minha ferida. Nascida da carne e da estrela, feita de um sopro que nem eu planejei. Enquanto outros me adoravam em silêncio, ela ousou me questionar. Enquanto outros se ajoelhavam, ela se ergueu. E é por isso que a observei com tanta ternura e temor. Lembro-me do dia em que seu selo despertou pela primeira vez. A terra se curvou, o mar recuou,

  • A Lua dos Exilados   Capítulo 120 — O Último Uivo

    (POV Selene)O silêncio que veio depois da batalha não parecia paz.Era o tipo de silêncio que nasce quando o mundo fica sem forças pra continuar gritando.Nem o vento ousava se mover direito — ele apenas roçava as folhas queimadas, carregando o cheiro espesso de ferro e fumaça.A Lua havia se recolhido.O Eclipse se dissipara.Mas o céu ainda sangrava, manchado de vermelho nas bordas, como uma ferida que se recusa a cicatrizar.Eu me movia devagar entre corpos e brasas.A cada passo, o selo pulsava — não de poder, mas de luto.Cada vida perdida queimava dentro dele como uma lembrança gravada a fogo.Os Exilados tinham vencido, mas vitória nenhuma vem sem preço.Dorian estava a poucos metros, o ombro envolto em faixas e o rosto coberto de fuligem.Mesmo ferido, ainda mantinha o olhar de quem carrega um exército inteiro nas costas.Quando me viu, apenas assentiu.Não precisávamos de palavras — o peso era o mesmo em nós dois.Ronan caminhava atrás, arrastando o corpo de um caçador até a

  • A Lua dos Exilados   Capítulo 119 — O Eclipse

    (POV Dorian Hale)O som da guerra já não era som — era respiração.Um coração coletivo batendo junto ao chão, feito de gritos, uivos e aço.O Eclipse cobria tudo, e a luz vermelha fazia o sangue brilhar como metal vivo.A montanha tremia, e a fenda dos Exilados já não parecia abrigo — era o centro de um mundo em ruína.Eu via tudo.Cada golpe, cada perda, cada lobo caído.E, entre eles, Selene — a Lua encarnada, caminhando entre chamas e sombras.Ronan estava de joelhos, exausto, a lança cravada no solo.Elias lutava à distância, a flecha sempre no ponto onde o selo dela pulsava.Caelan movia-se nas sombras como um demônio da noite.E eu…Eu era o Alfa.E o Alfa não podia cair.— Mantenham a linha! — gritei. — Protejam o flanco!Os lobos responderam, uivos se misturando a ordens.Mas os caçadores vinham em ondas — intermináveis, implacáveis, com os olhos cheios de fé cega.Eles não vinham por glória.Vinham por purificação.E nada é mais perigoso do que um homem que acredita ser santo

  • A Lua dos Exilados   Capítulo 118 — O Uivo da Vingança

    (POV Ronan Blackwood)O vento do Norte tem um som próprio.Não é brisa, é lâmina.Corta o ar, arranca o calor e deixa só o instinto — o mesmo que sempre me guiou.Quando o Eclipse caiu sobre o campo, eu soube que a hora tinha chegado.O sangue congelava nas veias, mas a alma queimava.Anos de fuga, de exílio, de promessas sussurradas às estrelas — tudo convergia ali.A Lua chamava, e eu a ouvi.Dorian ainda gritava ordens atrás de mim.Selene brilhava no centro do caos, viva como um cometa.Elias, o caçador amaldiçoado, lutava contra os próprios demônios.Mas eu…eu só via os homens com o símbolo da Ordem avançando sobre os lobos do Norte.Homens que usavam o mesmo brasão dos que mataram meu pai, queimaram minha aldeia e chamaram o meu povo de feras.Pisei no chão encharcado de sangue e ergui a lança.O metal vibrava com o toque da Lua — uma arma feita para um só propósito: vingar.— Pelo Norte! — rugi.A voz ecoou pelas montanhas, seguida de um uivo coletivo.Meus irmãos responderam.

  • A Lua dos Exilados   Capítulo 117 — O Julgamento do Caçador

    (POV Elias Drave)O céu não era mais azul.Era um abismo vermelho, e nele o sol morria devagar, engolido pela Lua.O Eclipse havia começado, e com ele, o fim daquilo que eu acreditava ser verdade.O campo de batalha era um pesadelo vivo.Corpos caíam, lobos e caçadores se misturavam, sangue virava barro.Mas eu não via nada disso com clareza.Tudo o que via era ela —Selene, no centro do caos, envolta em luz e sombra, lutando como se a Lua tivesse tomado forma de carne.Por um instante, lembrei de quando recebi minha primeira missão na Ordem.Eu era só um garoto.O mestre me disse: “O sangue da Lua é praga. Se o encontrares, destrói.”E por anos, obedeci.Matei sem questionar, acreditei que limpava o mundo.Mas agora, vendo-a ali — viva, divina e terrível —, percebi a ironia.Eu havia sido criado para destruir o que agora me mantinha vivo.O selo no meu peito pulsava no mesmo ritmo que o dela, mesmo à distância.Quando ela respirava, eu sentia.Quando sangrava, o gosto do sangue ardia

  • A Lua dos Exilados   Capítulo 116 — O Chamado da Guerra

    (POV Selene)O amanhecer veio tingido de vermelho.Não o vermelho do sol, mas o da Lua, que ainda teimava em permanecer no céu, pálida e ferida.Ela chorava — e suas lágrimas caíam em forma de neve.O frio era cortante, seco, o tipo de frio que cheira a sangue e ferro.Quando saí da tenda, o acampamento já estava desperto.Lobos corriam entre fogueiras acesas, afiando lâminas, distribuindo armas, preparando o que sabiam que viria.Ninguém precisava de palavras.A guerra estava no ar, e a Lua tinha chamado todos nós pelo nome.Dorian estava na linha da frente, os cabelos presos, a armadura leve sobre o corpo.Os olhos azuis dele brilhavam com uma mistura de determinação e exaustão.Quando me viu, apenas assentiu — como se dissesse: é hoje.E era.Ronan, de torso nu e pele marcada por cicatrizes, organizava grupos de ataque.A cada ordem dada, o lobo rugia sob a pele.A fúria do Norte parecia viva de novo, e as chamas da forja refletiam nos olhos dourados dele.Caelan permanecia mais af

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status