INICIAR SESIÓNHavia cicatrizes em várias partes do corpo de Maya — largas e estreitas, algumas recentes e outras já secas.
“Quem fez isso com você, Maya?”, perguntou a curandeira, com a voz trêmula.
“Se eu te contar, isso vai fazer alguma diferença?”, respondeu Maya, com amargura na voz.
“Sinto muito, Maya… sinto muito por tudo o que você deve ter passado nas mãos da matilha”, disse a curandeira.
“Já estou acostumada, então não importa”, respondeu Maya, com indiferença.
A curandeira ficou em silêncio ao perceber que Maya não queria falar sobre o assunto. Ela terminou de enfaixar o ferimento e lhe deu ervas para fazê-la dormir.
Quando Maya levou o copo aos lábios, um flash de memória a atingiu.
Certa manhã, ela estava no quintal, cantarolando baixinho enquanto lavava a pilha de roupas que Zara havia mandado. Seu estômago roncava, mas ela não se atrevia a se mover até terminar tudo.
Ainda concentrada nas roupas, ouviu uma voz estridente.
“Maya! Onde está aquela vadia?”, gritou alguém, seguido pelo som de passos apressados.
“Maya, você ainda não terminou de lavar minhas roupas? Quão inútil pode ser?”, disse Zara, a voz carregada de irritação.
“Desculpe, as roupas são muitas, não consegui terminar a tempo”, implorou Maya.
“Eu te dei uma hora, e já se passaram cinquenta minutos! Você é tão preguiçosa, meu Deus!”, retrucou Zara, e Maya arregalou os olhos de medo.
“Mas, irmã, uma hora é pouco, são muitas roupas”, respondeu Maya, cerrando os dentes e apertando os punhos em silêncio.
“Como ousa me responder?”, gritou Zara, dando-lhe um tapa no rosto. O som ecoou no ar enquanto a dor queimava o queixo de Maya. Ela sentiu a vista escurecer, cambaleou e se apoiou na parede. Olhou furiosa para Zara, o rosto vermelho de raiva, mas não podia fazer nada. Zara era a fêmea mais forte de toda a matilha. Com calma, voltou ao trabalho, ignorando-a.
Zara ficou parada por alguns minutos antes de sair com um sorriso maldoso nos lábios.
Maya entrou na sala e viu o pai segurando um enorme chicote. Seu coração deu um salto. Zara estava ao lado dele, ainda com o mesmo sorriso.
“Bom dia, pai”, cumprimentou Maya, nervosa.
“Guarde seu cumprimento, sua Jezabel! Como ousa ir ao meu escritório e tocar no livro sagrado da matilha Lua de Sangue?! Eu não avisei que é proibido tocar?”, gritou Beta Atheus, as veias saltando no pescoço e na testa.
“E-eu não fiz isso, pai, juro! Acabei de lavar as roupas”, gaguejou Maya, apavorada.
“Ah, ainda vai mentir? Vou te mostrar o inferno hoje”, respondeu ele, a voz carregada de ódio.
Ele agarrou o braço dela e a arrastou até o sótão.
“Não fui eu, pai, por favor, me escute!”, implorou ela, mas suas súplicas foram ignoradas. Antes que a porta se fechasse, viu o sorriso vitorioso de Zara.
O pai a jogou no chão do sótão.
“Tire a blusa e deite de bruços”, ordenou. Ela obedeceu com as mãos trêmulas.
Ele começou a açoitar. Maya não chorou nem implorou — sabia que seria inútil. Quando terminou, ele saiu em silêncio, mas voltou logo em seguida com um ferro de passar ligado.
“Arrrggghhh!”
“Isso vai te ensinar uma lição. Você vai ficar aqui até segunda ordem.”
Com o som do trinco se fechando, Maya chorou em silêncio, sentindo as lágrimas quentes escorrerem pelo rosto.
De volta ao presente, seu corpo estremeceu. Ela deixou o copo sobre a mesa e respirou fundo, tentando conter as lágrimas antes que a curandeira percebesse.
O caminho até o palácio do Alfa Zane foi silencioso até que o Beta Gavin resolveu falar.
“Alfa, o senhor não acha que aquela garota deveria vir conosco?”
“Ela virá, mas não agora, Gavin.” Kane estava com a mente distante.
Gavin percebeu e ficou quieto.
Por que um Alfa rejeitaria sua companheira? Isso é absurdo. Acho que vou adiar o investimento que vim propor aqui, pensou Kane.
O resto da caminhada transcorreu em silêncio.
Ao chegarem, Zane os recebeu calorosamente e os conduziu para dentro. O guarda que os acompanhara voltou ao posto.
Dentro do palácio, Gavin olhou ao redor, impressionado com o que via.
As paredes eram uma mistura de vidro e pedra, refletindo a luz suave vinda do teto. Em cada lado do salão havia uma estátua de lobo, tão bem esculpida que parecia viva. O mármore brilhava sob a luz dourada, criando uma atmosfera de força e elegância. Criadas iam e vinham com bandejas ou espanadores, ocupadas em seus afazeres.
Alpha Zane os conduziu até a sala de jantar, que era tão majestosa quanto o resto do palácio.
As mesas e cadeiras eram de ouro puro, com bordas enfeitadas por pequenas pedras que cintilavam quando a luz as tocava. As cortinas espessas, feitas de algodão e seda, balançavam suavemente com a brisa que entrava pelas janelas abertas.
Alpha Zane puxou uma cadeira e sentou-se, e os outros o imitaram. Assim que se acomodaram, Alpha Kane pigarreou antes de falar.
“Mais uma vez, sejam bem-vindos, meu Alfa e Beta”, disse Zane, tentando soar amistoso.
Ele estava prestes a continuar quando as criadas entraram com bandejas de comida, frutas e bebidas. O aroma de pão recém-assado e carne assada fez o estômago de Gavin roncar.
As criadas arrumaram a mesa e saíram, com as cabeças baixas.
“Vamos comer”, disse Alpha Zane, servindo vinho em três taças.
Gavin começou a comer imediatamente — seu apetite era notório.
Alpha Kane apenas tomou um gole de vinho.
“Vim com uma proposta”, disse ele, fazendo Zane erguer o olhar. “Quero investir no seu negócio de ouro, e em troca, você me dará trinta por cento do lucro anual.”
O rosto de Zane se iluminou com um sorriso satisfeito.
“Mas terei que adiar por motivos pessoais”, completou Kane.
O sorriso de Zane desapareceu, substituído por uma expressão de desagrado.
“Mas… por quê? Pensei que esse fosse o motivo da sua visita hoje?”, questionou Zane.
“Você está me questionando, Zane?”, respondeu Alpha Kane, endireitando-se na cadeira.
Rita voltou acompanhada de outros estudantes e de alguns professores que vinham correndo atrás dela, enquanto os conduzia de volta ao banheiro onde afirmava que algo terrível havia acontecido. Maya ouviu os passos se aproximando e rapidamente concentrou toda a sua energia em fazer com que as garras retraíssem de volta aos seus dedos normais antes que alguém pudesse vê-las.Ela saiu da cabine e tentou parecer o mais inocente e confusa possível, enquanto Rita apontava para ela com o dedo trêmulo e os olhos arregalados. Os professores olharam ao redor do banheiro, tentando entender que emergência os havia feito correr pelos corredores durante o horário de aula.“Eu vi com meus próprios olhos”, disse Rita, ofegante, enquanto encarava as mãos de Maya, que agora pareciam completamente normais. “Ela tinha garras saindo dos dedos, como algum tipo de animal, e tentou me atacar com elas.”O senhor Patterson e a senhora Johnson trocaram olhares céticos enquanto observavam Maya, que estava ali em
Rita ficou ali parada, com a mão pressionada contra a bochecha vermelha e a boca aberta em completo choque, porque ninguém jamais havia ousado encostar um dedo nela antes — e muito menos alguém como Aiden, que normalmente cuidava da própria vida. O suco de laranja ainda pingava do cabelo de Maya, caindo no chão e formando uma pequena poça ao redor de seus pés, enquanto todos no corredor continuavam encarando a cena em silêncio atônito.“Você acabou de me dar um tapa?”, Rita finalmente encontrou a voz, que saiu aguda e cheia de raiva enquanto ela olhava para Aiden com puro ódio nos olhos. “Você faz ideia em quem acabou de encostar?”Aiden manteve sua posição, embora Maya percebesse que suas mãos tremiam levemente ao lado do corpo e que seu rosto havia empalidecido ao perceber o que tinha acabado de fazer. Ele manteve os olhos fixos em Rita e não recuou, nem mesmo quando ela se aproximou, apontando o dedo diretamente para o peito dele.“Eu sei exatamente quem você é”, disse Aiden, com u
Maya estava parada do lado de fora do prédio da faculdade e sentia o estômago se revirar em nós enquanto os estudantes passavam por ela pelas portas da frente. O prédio parecia enorme e intimidador, com suas paredes de tijolos vermelhos e incontáveis janelas que pareciam encará-la de cima. Ela puxou as alças da mochila e tentou acalmar a loba dentro de sua cabeça, que não parava de dizer para ela correr de volta para a floresta, onde tudo fazia sentido.“Escute com atenção”, disse Aiden ao se aproximar dela, mantendo certa distância para que os outros alunos não pensassem que eles tinham vindo juntos. A voz dele estava baixa e séria, e ele olhava para frente, não para ela. “Quando entrarmos, você não me conhece e eu não conheço você. Não somos família e não somos amigos. E é melhor você não me envergonhar lá dentro.”Maya se virou para olhá-lo, mas ele já estava caminhando em direção à entrada, e ela precisou se apressar para acompanhá-lo sem parecer que estava seguindo-o. Seus cabelo
Maya estava ajoelhada no chão da sala de estar, encarando a televisão quebrada, a tela estilhaçada em pedaços, fios soltando faíscas fracas. Suas mãos tremiam enquanto tentava entender o que havia feito. Os passos pesados de Aiden pararam na porta, sua respiração alta e irregular. Ela ergueu o olhar e viu o rosto dele se contorcer de raiva.“O que você fez com a minha TV?”, a voz de Aiden começou baixa, mas logo ficou alta e cortante. “Você faz ideia de quanto isso custou? Você simplesmente destruiu como se não fosse nada!”A garganta de Maya se apertou, e sua voz mal conseguiu sair. “Desculpa, eu não fiz por querer… eu achei que as pessoas lá dentro estavam presas, eu só estava tentando ajudá-las.”Aiden riu, um som cruel que fez Maya querer se esconder. “Presas? Dentro de uma TV? Eu sempre achei que você fosse burra, mas agora tenho certeza absoluta de que você não é deste planeta. Você não pertence a este lugar, só quebra tudo o que toca!” Ele deu um passo à frente, os punhos cerra
Maya acordou com o som de vozes vindo do andar de baixo. Ela já morava com a Sra. Katerina havia duas semanas, e todas as manhãs seguiam a mesma rotina. A Sra. Katerina a recebia com um sorriso caloroso e roupas limpas, enquanto Aiden a encarava como se ela fosse uma praga indesejada que havia invadido sua vida perfeita.Ela se espreguiçou e saiu da cama, passando os dedos pelos cabelos embaraçados. O quarto rosa havia se tornado seu refúgio, o único lugar onde se sentia verdadeiramente segura dos olhares frios e das palavras duras de Aiden. A Sra. Katerina havia comprado roupas novas para ela, mas Maya ainda preferia os vestidos simples que a faziam lembrar de casa.Lá embaixo, ela podia ouvir a Sra. Katerina cantarolando enquanto preparava o café da manhã. O cheiro de panquecas subiu até o quarto, fazendo seu estômago roncar. Pelo menos a comida ali era boa, mesmo sendo diferente do que ela estava acostumada na matilha.Maya desceu as escadas, tentando pisar com cuidado no chão de m
Eles seguiram viagem em silêncio, mas Maya não conseguia conter o encantamento diante das coisas estranhas e belas que via. Seus olhos se arregalaram ao avistar um arranha-céu.Que tipo de casa longa é essa? ela se perguntou.Quando um avião passou voando, ela cobriu os ouvidos rapidamente, assustada. Tudo o que ela fazia, a mulher percebia, mas escolhia permanecer em silêncio.Logo, entraram em uma ampla entrada de veículos, e o queixo de Maya caiu ao ver as frotas de carros estacionados ali.Essas pessoas têm tantas caixas que se movem sozinhas, pensou.Então seu olhar pousou sobre a mansão, e sua respiração falhou. Não era nada parecida com a que ela havia visto antes. A de Kane era o céu, mas esta… esta era o paraíso.“Sinta-se em casa, querida. Esta é sua casa agora”, disse a mulher.Maya não respondeu. Apenas continuou a encará-la de forma estranha.“Qual é o seu nome, se me permite perguntar?”, a mulher falou novamente.“Maya”, ela respondeu baixinho.“Maya? Nunca ouvi um nome







