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05.Desejo Lupino

last update Data de publicação: 2024-01-24 20:23:14

William Carter. 

Deslizo meu uísque favorito sob a bancada enquanto observo a mulher se vestir após uma longa noite. Eu já estava satisfeito, então queria que ela sumisse da minha vista o mais rápido possível.

A maioria dos lobos gostava de fazer sexo em sua forma humana. E eu compartilho do mesmo pensamento, apesar de me sentir superior a essa raça. 

— Se o senhor desejar, posso ficar mais, meu alfa. — ela toca em meu ombro. 

Olho para a loba com desprezo. 

Em meus trinta e quatro anos de vida, não encontrei a minha companheira, e nem faço a mínima questão de encontrar. Elas são como um brinquedo para mim, as uso e quando já fizeram o que eu queria, mando embora.

— Não. Você não quer que eu repita, eu odeio repetir as frases. — falei e ela saiu do quarto rapidamente com o resto de suas roupas na mão.

Dei o último gole no meu uísque e segui para o escritório, quando Lucca, meu Beta, entrou no mesmo.

— Senhor, há um problema na sede principal da construtora — ele disse. 

— Que problema? — arqueei as sobrancelhas.

— Vândalos tentaram invadir, adolescentes. 

— Humanos idiotas! — rosnei batendo o copo contra a mesa — Sempre se metendo onde não devem. 

— O que posso fazer sobre isso, meu senhor? — Lucca se senta na poltrona. 

— Nada Lucca. Obrigado. Eu mesmo resolverei pessoalmente. Vamos até a delegacia agora! Essa raça estúpida só entende as coisas assim. 

Esses assuntos me deixavam extremamente estressados. Mas eu precisava de um negócio de fachada para esconder quem eu sou. O Alpha. 

Era CEO de uma construtora, a maior da cidade e de todos os arredores. Todos me respeitavam, e aí de quem não o fizesse.  Eu não costumava ter piedade de ninguém. 

— Desculpe-me a pergunta Alpha, mas o que irá fazer na delegacia? — Lucca pergunta me seguindo. 

— Irei denunciar esses estúpidos. E pedir que a polícia dê uma boa coça nele. É para isso que pago aqueles policiais inúteis. 

Ele assentiu e entramos no veículo. Eu estava extremamente estressada.  Poderia matá-los, poupando assim meu precioso tempo, mas não estava a fim de levantar suspeitas de uma carnificina na região.

Assim que chegamos em frente a delegacia, estacionamos o carro. Eu bufei, irritado com este problema, e sai em direção a entrada. 

Meu beta me seguia com passos cautelosos. Aqui na cidade, a maioria dos habitantes era lobos, outros humanos que não faziam ideia que existimos, e era melhor que continuasse assim. 

A minha alcateia ficava em uma reserva que era minha propriedade também. Segura, e longe da civilização. Eu tinha a maior fonte de produção da cidade de Portland, grande parte da fortuna foi gerada pela minha família, meu pai era um Alpha respeitado aqui e em outras matilhas. É claro, sem que nossos sócios humanos descubram este pequeno detalhe. 

Adentrei a delegacia e fui direto para a sala do xerife, exigindo uma posição.

— Senhor, o xerife está ocupado agora. Mas vou anunciar que está aqui. — ele baixou a cabeça em submissão, todos deveriam estar submissos ao Alfa.

— Não precisa me anunciar, eu vou entrar. 

Abri a porta e o xerife estava ocupado assistindo a um filme adulto. 

Mas que merda. 

Por isso que esses vândalos invadem as coisas dos outros, enquanto o xerife fica assistindo essa estupidez. 

Eu queria correr daqui após isso que vi. 

Pigarreei. 

— Senhor… senhor Carter, eu não esperava sua visita. — ele gaguejou desligando imediatamente o computador do escritório. 

— Percebi. — dei um sorriso irônico. — Vou ser direto ao ponto, aqueles moleques vandalizaram a porra da sede da minha construtora, de novo. — respirei fundo. 

— Eu, já tomei providências contra eles. São uns idiotas. Farei algo de novo, não se preocupe.

O xerife Jonathan era mais um humano comprado, assim como todos desse lugar. Eu o pagava muito bem pelo silêncio, e proteção aos meus. E ele sabia que minha ordem era o que valia aqui. 

— Não. — disse firme. — Sem segundas chances, quero que os prendam, e deem um castigo, e digam que se eles mexerem com mais alguma coisa que pertence a mim, eles irão acordar sem cabeça. 

Ele engoliu o seco, aparentemente assustado, e me encarou. 

— Pode deixar senhor. 

De repente, ouvi um burburinho, uma gritaria ensurdecedora para os meus ouvidos, e sai para conferir. 

Não se tem mais silêncio nem na porra da delegacia. 

Dei de cara com ela…

A garota desastrada que derrubou vinho tinto em minha camisa naquela festa. 

Como poderia esquecer.

Era ela, meu olfato a reconheceria em qualquer lugar do mundo.

 Havia algo diferente no cheiro dessa garota, seria ela uma humana? Uma lupina? Eu não sabia distinguir sem provas suficientes, mas algo nela me deixava confuso.

Acuada no canto da parede de cabeça baixa. Ela estava sendo acusada de alguma coisa, observei ao redor, e lá estavam os Turner, eles eram velhos conhecidos da matilha, lobos que também tinham poder aquisitivo na região, eu não os suportava muito. Eu sentia uma soberba neles, e ninguém pode ser melhor que eu.

Eles abaixaram a cabeça imediatamente sem olhar em direção aos meus olhos, e assentiram. 

O único motivo pelo qual ordenei que soltassem elas, era para irritar os, Turner, e porque o cheiro dessa m*****a garota me intrigava.

Eu não tenho nada a ver com ela e com a vida deles, não me importo com os seres alheios. 

Ela era da família deles? Eram tantas perguntas que eu me fazia. 

Sai de lá antes que ela pudesse me agradecer, ela era insignificante, e fui direto para a alcateia. 

Ela ficava em uma das reservas que estava em meu nome. Sendo assim, discreta e segura para meu povo. 

A essa hora da noite o cheiro da floresta estava mais intenso. Respirei deixando o ar fresco entrar pelas minhas narinas, era reconfortante e me deixava relaxado estar aqui. 

Isso era o meu refúgio, eu comprei parte da cidade, e ninguém pode entrar aqui sem autorização, e se tentar, provavelmente morrerá.

Ao pisar lá, todos imediatamente abaixaram a cabeça, eles não ousavam olhar diretamente no olho de seu alfa. 

— Senhor, é um prazer a sua visita — o gama se curvou perante a mim. 

— Levante. — Falei o observando. — Não irei me demorar, apenas vim me certificar que estava tudo certo por aqui. 

— Está, sim, senhor”, ele confirmou com a cabeça. — Cuido para os lobos agirem corretamente.

Assenti e caminhei mais um pouco. Olhei para esse lugar, que meu pai construiu com tanta dedicação e me lembrei de mim, correndo pelas florestas, me divertindo entre os rios. 

Eu costumava ser alguém normal, até meus pais morrerem. E eu tenho certeza que isso foi armação de alguém. 

Desde então, me tornei frio, irredutível. Não tinha tempo para perder. 

— Meu Alpha”. Lia curvou-se perante a mim.

Olho para ela, tentando não me concentrar na sua bunda. Única coisa de atrativo nela, para lhe ser sincero.

"O que foi?" Pergunto. 

“Eu não sabia que o senhor viria", ela mexeu em seus cabelos ruivos". Eu teria me preparado mais. "

"E quem disse que eu lhe devo satisfação?" lancei um olhar indiferente para ela".

Lia achava que seria a minha companheira. Ela é filha de um membro da alcateia, que por acaso é o gama responsável pela proteção, porém eu a ignoro. Não quero me casar. Pelo menos não com ela.

Ela saiu de minha frente desolada. 

Um dos anciãos me chamou para a tenda a fim de conversar. O encarei de cima a baixo e o segui. 

A única coisa boa nisso tudo, era a maravilhosa vida dos lobos.

— Meu alfa, é bom te ter aqui. — ele disse. —  Com todo respeito, acho que preciso conversar com você.

— O que quer dizer? — arqueei a sobrancelha.

Ele encontra meu olhar com uma teimosia expressiva em seu rosto. 

"Está na hora de encontrar uma companheira. As pessoas comentam, precisamos de uma Luna na matilha. O senhor sabe, que lhe respeito, assim como um dia respeitei seu pai, mas é um conselho para o bem". 

Cerro os punhos. De novo ele vem com esse assunto…

Ele era um dos melhores amigos do meu pai, e me viu crescer. Eu apesar de tudo o respeitava, e esse era o único motivo para eu não partir a cabeça dele ao meio.

— Nunca encontrei minha companheira predestinada, Fenrir.—  falei com um semblante sério. 

— Não precisa ser uma companheira, somente uma mulher que o senhor julgue capaz de ser a Luna.

— Estou farto desse assunto. Ele me cansa — dou um suspiro.

— As pessoas da matilha começam a falar senhor. A maioria das matilhas exige que seu Alfa tenha uma Luna, e podem se rebelar contra você, precisa de um herdeiro.

— Não há nenhuma mulher para mim, ancião. Aprecio a solidão, porém sozinho nunca estou.

— A Deusa da Lua sempre tem alguém em mente para cada um dos seus, William, você verá isso, o amor pode ser bom até para o rei alfa, essas lobas com quem o senhor fica não são qualificadas para tal cargo.

Lancei um olhar desdenhoso para ele e rosnei. Eu não preciso de uma rainha, não preciso de uma esposa me infernizando. Somente se eu puder a controlar. O amor não existe.

— Que se foda o amor, Fenrir — sai da tenda. —

Sai de lá correndo e voltei para casa, ao me sentar na cadeira do escritório, passei as mãos no cabelo e revisei alguns papéis da construtora, já estava com sono e irritado pela conversa com Fenrir aquela altura do tempo.

Revirando os papéis na mesa, acabei me deparando com o convite para um jantar.

Era o convite do jantar dos Turner que ignorei, todo ano eles faziam uma reunião com os membros maiores da alcateia. E eu, sempre odiei participar dessas reuniões estúpidas organizadas por eles. 

Mas quem sabe eu teria um motivo para comparecer.

Será que ela estaria lá?

Anne Turner… gostaria de saber que possível parentesco ela teria com eles. 

Eu nunca vi essa garota antes e ela despertou em mim algo que eu não tinha verdadeiramente a muito tempo…

Desejo.

Talvez eu tivesse planos para ela.

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Último capítulo

  • A Luna secreta do Alpha   Epílogo.

    Anne Turner. Quatro anos depois. Cá estava eu me encarando no espelho. A maquiagem pronta para a minha tão sonhada formatura de medicina que era daqui a alguns instantes. Eu estava nervosa, mas a pequena mão que segurava as minhas com um olhar muito meigo me acalmava e dizia que eu poderia tudo. Noah estava com três aninhos, e falava tudo que eu podia ou não podia imaginar. "Mamãe, linda." ele falou com sua voz doce." "Sério meu amor? Você é lindo. Agora vai ficar com a titia Zara e sua prima enquanto eu vou terminar de me arrumar tá bom?" Ele assentiu e saiu saltitando. Muito fofo e inteligente o meu lobinho.Eu nem podia acreditar, foram tantos anos sonhando com isso. Me segurei para não borrar a maquiagem ao me lembrar de tudo que passei para estudar. Das noites em claro, dos livros que tinham que ser escondidos, de fugir para conseguir ir até a faculdade. Eu agradeci mentalmente, por tudo ter dado certo. "Já está pronta? Futura médica?" Wil

  • A Luna secreta do Alpha   81. Natal

    Anne Turner Um dos primeiros natais que eu passaria comemorando. Era até inacreditável.Tudo que eu sonhei e pedi estava se realizando, coisas simples, como poder participar do natal sem ser como uma empregada. Poder comprar presentes para quem eu amava, e ter uma família para chamar de minha.Me abaixei para pegar os enfeites de natal no porão e imediatamente lembrei-me de como odiava o escuro. Ele me trazia sensações ruins, prisão, desconforto, mas agora isso não precisaria ser um motivo para temer.Eu costumo dizer que a felicidade é algo singular. Nem sempre estará tudo perfeito e harmônico, mas também haverá momentos bons, felizes. Se fossemos felizes o tempo todo não daríamos o devido valor à felicidade. Peguei os enfeites e os pendurei na árvore de natal. Foi quando senti uma mão em minha cintura e pude sentir diversos calafrios,assim como a primeira vez que aquela mão me tocou. Ainda era o mesmo sentimento."Eu te ajudo com isso." William segurou alguns dos enfeite

  • A Luna secreta do Alpha   80. Surpresas

    William Carter.Eu particularmente odiava reuniões de negócios. Era exaustivo ouvir todos aqueles lobos prepotentes falarem enquanto eu sabia que metade deles não fazia nada que prestasse pelas suas alcateias.Seguro um drinks na mão enquanto o tédio me consumia e eu prestava atenção em tudo ao meu redor, menos no que o idiota no palco falava. Mas aquilo era importante para ter boas relações, eu sabia disso. "Então você é William Carter." a voz feminina ecoou sob meus ouvidos."Olhei para a frente e dei de cara com a loba loira em seus 1.70m de altura, e um perfume que espantaria mil lobos de vez."O próprio.""Ouvimos falar da sua matilha em Portland, um dia eu e meu pai gostaríamos de fazer uma visita."Ela era filha de um dos Alfas da alcateia vizinha. "É. Você e seus pais estão convidados." forcei uma gentileza.""Sabe…" a loba se aproximou." Você é um dos Alfas mais charmosos que eu conheço, Carter. Que tal se adiar sua volta para Oregon hoje? Podemos tomar um vinho…Tudo por m

  • A Luna secreta do Alpha   79. Lua

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  • A Luna secreta do Alpha   Capítulo 77. NY

    Anne Turner Os meses se passaram desde que nossa vida voltou ao normal, e estávamos de volta à nossa nova casa na reserva. A rotina finalmente começou a se estabilizar, mas estando casada com um Alfa, a palavra "rotina" nunca era sinônimo de calmaria. Seu espírito empreendedor e sua vontade de nos proporcionar sempre o melhor o levaram a abrir uma nova construtora em Nova York, colocando-a em meu nome. Ele disse que queria garantir que eu nunca ficasse desamparada. E realmente ele a abriu. Eu estava feliz. Por mais que Portland fosse o nosso lar, a ideia de expandir nossos horizontes me enchia de entusiasmo. Viemos para Nova York para ver de perto o andamento dos negócios e, finalmente, aproveitar a lua de mel que nunca conseguimos ter quando o maluco do Michael sequestrou nosso filho.A distância entre Portland aqui em Oregon e Nova York,era de aproximadamente 3.940 quilômetros,mais ou menos seis horas de viagem. Uma eternidade, mas o carinho que William fazia em meu cabelo torn

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