INICIAR SESIÓNAntes...
Elisie Charpentier
Muitos dizem que a máfia francesa não é das maiores e nem chega perto de uma das mais poderosas do mundo. Exemplo, não dá para se comparar com a máfia italiana. Mas, dentro do nosso território e partes da Europa, as coisas ainda são pesadas e marcantes.
A máfia em si já tem um peso obscuro, negro e sufocante em diversos sentidos. Então, eu nunca vi uma forma de amenizar nada. Posso falar por mim! No último período de conflitos, eu perdi tudo. Os meus pais morreram, eu fui obrigada a me casar e entrei na outra etapa de inferno na minha vida.
Posso dividir em duas partes: antes do casamento e depois. Não sei qual a pior.
Antes, eu sofria nas mãos da minha mãe que sofria muito de bipolaridade. Em certos momentos, ela era tolerável e agia como um doce suave. Tomávamos chá no fim da tarde, ela acompanhava as minhas aulas de etiqueta e os meus estudos gerais. Me fez virar uma dama! Sempre me calar, nunca contestar, sempre manter a postura, classe e sempre ter a voz de veludo. Aprendi a falar outros idiomas, fiz balé e danças sofisticadas, aprendi sempre a andar arrumada, elegante e saber o meu lugar.
E qual é? Uma sombra.
Ela era rígida nisso. Acompanhava e me fazia companhia. Até me levava às compras.
Em outros momentos, quando o meu pai agia como um monstro com ela, tudo se tornava uma escada. Ele a atacava, e depois ela vinha até mim. Eu era surrada sem motivos algum e no dia seguinte, tinha que sorrir e mostrar classe. O corpo dolorido e cortado, mas eu tinha que me manter. Tinha que suportar a dor e fingir que não existia.
Toda surra tinha um foco: as costas e às vezes as pernas. Era uma forma de esconder as marcas que passavam semanas.
Os vestidos cobriam e eu ainda tinha que usar corpete. Às vezes a surra era com cordas, outras vezes eram um tipo de chicote e até humilhações perante qualquer um pela frente. Cansei de ser arrastada pelos cabelos da sala de jantar até o meu quarto e todos os funcionários já estavam acostumados. E eu tinha que me manter calada.
O meu pai incentivava. Ele me odiava com todas as forças, mas não tocava em mim.
O motivo? Eu ter nascido mulher.
Ele vivia jogando na minha cara que eu era uma praga, que por minha causa, ele nunca prepararia um homem para administrar tudo e muito menos iria ensinar o que ele sabe. Como se eu tivesse culpa! Então, quando ele bebia muito, eu ouvia diversos desabafos humilhantes e todos os tipos de xingamentos. E eu tinha que ficar calada, olhando para ele! E toda vez que ele descarregava tudo, dizia a mesma coisa para finalizar.
“Mostre a ela para o que ela serve!”
E as surras começavam. E durou anos!
Eu tenho as marcas até hoje. Cortes, cicatrizes, vestígios... essa parte do meu corpo tem as marcas de um campo de batalha.
Quando eu fiz os meus dezoito anos, o meu noivado foi acertado e o acordo confirmado. Eu tinha que me casar com Henri Dumas. O filho mais velho de uma grande família do nosso ciclo social e como sempre, eu não pude contestar e nem perguntar. Na verdade, dava para contar nos dedos as vezes que eu falava num dia.
Só que, os meus pais não puderam ver o casamento. Morreram antes!
Com isso, eu fiquei nas mãos dele. De Henri. Estamos casados há cinco anos e ele é a segunda fase do inferno da minha vida. No começo, até que dava para tolerar, afinal, eu já tinha marcas de uma sobrevivente ao viver com dois loucos. Mas, tudo foi piorando. Nos primeiros meses foi algo até agradável. Nós tínhamos algum tempo juntos, o sexo era bom e ele me levava para jantar. Algo que eu jamais imaginei que teria ao me casar.
Depois do primeiro ano, ele foi mostrando bem quem ele era: um homem ambicioso, manipulador, traidor e um viciado.
É, um viciado!
Eu perdi as contas de quantas vezes o vi bebendo pela casa, sem nem andar sozinho. Sempre se apoiando na parede. Álcool e drogas. Ele sempre falava e ainda fala de dinheiro sem parar. Ele sempre diz não tem mais dinheiro por minha causa, sendo que eu praticamente nem peço nada a ele. Nada mesmo!
E claro, ele me trai. E muito.
Por sorte não temos mais nada de relações há um bom tempo. E nem sinto falta disso. E uma forma que eu tenho para fugir dele é sempre usar vestidos longos e cheios de tecidos. Quando menos ele ver o meu corpo, menos vai pensar em mim.
A conta é básica!
E claro, eu tenho outros truques. Faço de tudo para não ser tocada por ele.
— Bom dia, senhora Dumas. — Uma das empregadas se aproxima. — Eu fiz o seu chá!
— Muito obrigada!
Aqui, sozinha na varanda de frente ao jardim, eu tenho os meus minutos de paz. Não faço ideia de onde Henri está e nem quero saber. Mas, logo isso vai acabar e eu estarei longe dele.
Eu vou literalmente acabar com ele.
Terá sorte se sair vivo!
Por grande esperteza, nunca engravidei desse maluco. É um perigo pra mim? Sim, mas ter um filho com ele seria pior. Eu sinto que estaria no clico que cresci. Ele não será um pai, não irá me ajudar e um filho só complicaria tudo. Eu estaria acabada e não quero viver isso.
Jamais!
Eu tomo o meu chá, bem relaxada. Respiro fundo, como uns biscoitos amanteigados e vejo o sol e sinto o vento fresco.
— Aí está você... — A voz me faz arrepiar. — Fugindo de mim, Elisie?
Ele chegou!
— Você não parece bem... — Comento ao vê-lo. — Precisa de alguma coisa, meu marido?
— Preciso que você suba...
Ah! Isso jamais.
Eu engulo em seco. Ele bebeu e sinto o cheiro forte de álcool. Jamais vou para a cama com esse homem.
Não depois de anos já.
— Eu mandei subir, porrä! — Eu fecho os olhos por um minuto e me levanto.
Eu vou andando sem pressa e com um amargo na boca. Ele vem logo atrás, tropeçando um pouco, mas se mantendo de pé. Ele sobe os degraus com dificuldade e eu ganho tempo. Quando chego ao quarto antes dele, eu corro para a estante ao lado. Eu pego o copo dele e um frasco que eu tenho reservado. Despejo o conteúdo no copo e quando ele entra, eu já estou servindo uma dose de uísque.
Ele sorrir satisfeito com isso.
— Muito bem... gosto assim! — Eu finjo tomar um pouco e até faço uma careta. — Me sirva.
— Aqui! Eu aprendi bem... — Eu me aproximo e entrego a ele. — Pode me dizer onde esteve? Fiquei preocupada.
— Por aí... — Ele toma um gole longo. — Com outras pessoas... fazendo coisas... — Eu sei bem.
Ah! Como eu sei.
Henri bebe o restante, tudo num gole só e j**a o copo para o lado que se despedaça no chão. Ele me puxa pela cintura e eu prendo o ar. Céus! Que cheiro horrível. Mas, eu o empurro para a cama e ele cai com tudo. Eu abro os botões da sua camisa num puxão só e abro o cinto da sua calça. Ele fica maluco com isso.
Mas, ele logo começa a piscar demais, a se mexer menos e eu só continuo retirando a sua roupa. Os sapatos, a calça e o deixo deitado. Logo ele apaga de vez e respiro aliviada.
— Mais uma vez deu certo... — Saio da cama. — Desgraçado!
De brinde, eu uso bem as unhas. Arranho o pescoço dele, o peito e o deixo todo livre na cama. Pronto!
Consegui fugir dele mais uma vez!
Elisie BellamyVoltar para casa nunca pareceu algo tão precioso.Enquanto o carro atravessa as ruas iluminadas da cidade, eu continuo com Fabian protegido em meus braços e sinto meu corpo inteiro finalmente relaxar depois da tensão da última hora. Lucien cumpriu exatamente o que prometeu.Uma hora.Foi só isso.Uma hora inteira sendo observada por dezenas de homens perigosos, chefes de famílias, aliados e membros da máfia francesa que encaravam o meu filho como o futuro chefe da organização. E agora acabou. Nós estamos indo para casa.Finalmente.Apoio a cabeça no banco enquanto observo Fabian dormindo tranquilamente enrolado na manta azul-clara. Ele sequer imagina toda a grandiosidade que existe ao redor do seu nome agora.Vincent dirige o carro pela avenida praticamente vazia e Louis está sentado no banco do passageiro, olhando distraidamente para fora da janela. Lucien está ao meu lado e uma de suas mãos permanece repousada sobre a minha coxa desde que saímos da sede.É como se ele
Lucien Bellamy – Um mês depoisO grande dia chegou.Hoje a máfia inteira irá conhecer o meu filho e reconhecer que temos um herdeiro legítimo para o comando da organização. Meu filho já tem um mês e duas semanas de vida e está a cada dia mais forte e mais perfeito. Sei que parece óbvio vindo de mim, mas é um fato incontestável.Meu menino é perfeito e a cada dia mais parecido comigo.Essas semanas sendo pai abriram os meus olhos de uma forma inexplicável e que me sinto moldado. Sou um novo homem. Me sinto diferente de tudo que já fui e hoje eu conheço de forma concreta a minha força... e a minha fraqueza. São eles. Elisie e Fabian são os responsáveis por eu ser quem eu sou hoje e não troco nada do que tenho.Nada.Minha casa se tornou um verdadeiro local blindado de todas as formas e ninguém chega perto sem a minha autorização. Tenho levado a segurança deles muito à sério e com a ajuda dos meus irmãos temos tudo sob controle. E hoje, meu filho será visto como o herdeiro supremo.Confe
Elisie BellamySer mãe é muito mais difícil do que eu imaginei.Eu achava que o maior desafio seria o parto. As dores absurdas, o medo, o desespero de sentir o corpo sendo levado ao limite. E sim… aquilo foi assustador. Eu ainda lembro da sensação das contrações esmagando meu corpo, da exaustão, do suor, da falta de forças e do medo desesperador de algo dar errado.Mas agora eu entendo que o parto é só o começo. Porque depois que o bebê nasce… nasce uma mãe também e eu estou aprendendo isso todos os dias.Já faz uma semana desde que Fabian nasceu e eu sinto como se tivesse vivido um ano inteiro nesses últimos dias. Tudo mudou. Meu corpo mudou, minha rotina mudou, meu sono praticamente desapareceu e, minha mente… vive em alerta constante.Nesse exato momento, eu estou sentada na cama enquanto observo Fabian dormindo no berço ao lado. Ele parece tão pequeno ali. Tão delicado. O peitinh0 sobe e desce devagarzinho enquanto ele dorme profundamente e eu juro… às vezes preciso levantar só pa
Lucien BellamyEu seguro o meu filho nos braços e percebo, pela primeira vez na vida, que não existe poder maior do que esse.Nada.Nem a máfia. Nem o nome Bellamy. Nem dinheiro, medo, respeito ou sangue.Nada se compara ao peso pequeno e quente desse bebê contra o meu peit0.Fabian dorme tranquilamente enquanto eu permaneço sentado na poltrona do quarto, observando cada detalhe dele como se o mundo inteiro tivesse parado só para me permitir viver esse momento. A casa inteira está silenciosa. Finalmente chegamos em casa depois de quase dois dias no hospital e, mesmo cercado de conforto e segurança, eu ainda sinto como se tudo fosse irreal.Meu filho nasceu.Meu filho está aqui e isso muda absolutamente tudo.Eu abaixo o olhar novamente para ele e sinto meus olhos marejarem outra vez. Nunca fui um homem emocional. Nunca fui o tipo que se desmonta ou demonstra demais o que sente. Mas Fabian… esse garoto destruiu qualquer muralha que existia dentro de mim sem nem abrir os olhos direito.
Elisie Bellamy – Meses depoisO quarto parece silencioso demais depois de tudo.Eu ainda sinto o corpo pesado, dolorido e estranho, como se cada músculo tivesse sido esmagado por horas sem descanso. Minha pele está quente, meu cabelo grudado na testa pelo suor e minhas pernas parecem incapazes de sustentar qualquer coisa. Estou exausta num nível que nunca conheci antes.Mas nada disso importa quando olho para os meus braços.Fabian está aqui. Meu filho.Meu bebê.Eu o seguro contra o peit0 enquanto ele chora baixinho, fazendo pequenos sons manhosos que apertam meu coração inteiro. É inacreditável pensar que ele estava dentro de mim há poucas horas. Agora está aqui… respirando, se mexendo, existindo de verdade.Eu não consigo parar de olhar.Fabian mantém os olhinhos fechados enquanto eu e Lucien tentamos acalmá-lo juntos. Minha mão treme levemente quando passo os dedos pelos cabelinhos ralos dele e sinto uma vontade absurda de chorar ainda mais.Porque eu sou mãe. Isso é real.Eu sou
Lucien BellamyEu nunca imaginei que pisaria tantas vezes em um quarto de bebê. Mas agora estou aqui, parado no meio do quarto do meu filho, olhando tudo e absorvendo cada detalhe. E percebendo, mais uma vez, que isso é real.Fabian Bellamy está chegando.Meu filho.O herdeiro da França.Mas acima disso… meu filho. Meu primeiro filho.O quarto inteiro está pronto para o receber. O berço fica no centro da parede principal, em madeira clara e detalhes em branco. Ao lado dele há uma poltrona grande de amamentação que Elisie escolheu dizendo que precisava ser confortável e, fora os outros itens que complementam o quarto. Tem também uma cama menor ao lado da parede, caso ela queira descansar aqui durante a madrugada, e um móvel cheio de gavetas já completamente organizado.Tudo nesse quarto tem a mão dela.Os desenhos de leão e girafa espalhados pela decoração deixam o ambiente bem infantil. Tem pequenos quadros nas paredes, livros infantis decorativos nas prateleiras, bonecos de animais,







