FAZER LOGIN“Meu… marido?” Scarlett perguntou, confusa, ao que Alan demonstrou impaciência ao encher os pulmões e revirar os olhos.
“É, garota! Não ouviu?” E ele resmungou mais alguma coisa que ela não entendeu. “Agora, vai logo arrumar as suas tralhas.”
Scarlett não se moveu, ainda sentindo as palavras do pai assentando nela. Ele perdeu a paciência de vez e segurou-lhe os ombros e lhe deu um empurrão em direção ao guarda-roupas.
“Se eu voltar aqui e você não tiver terminado o que mandei fazer, vai se arrepender de um dia ter sido adotada, em vez de morrido!” ele a ameaçou. “Depois de ter comido e bebido de graça na nossa casa, chegou a hora de mostrar alguma utilidade!”
Alan passou por Scarlett de vez e fechou a porta com força. Ela sentiu o coração se apertando, o peito não conseguia subir e descer enquanto ela tentava respirar. A cabeça doía, bem como o ouvido que foi atingido com o tapa no dia anterior.
Ela seria enviada para a casa de um estranho para se casar. E agora?
‘Talvez seja melhor,’ ela disse a si mesma. ‘Não é como se as coisas fossem melhorar, por aqui.’
Com esse pensamento, Scarlett pegou a pequena valise de pano que tinha e começou a colocar as poucas roupas que possuía — em sua maioria, roupas usadas que Rachel não queria mais. Antes da filha legítima dos Cantrell chegar, Scarlett não tinha a vida de princesa, mas era mil vezes melhor. Agora, tudo o que lhe restavam eram lembranças de dias menos ruins.
Ela precisava de uma operação para se curar, e pretendia sair de casa e começar a trabalhar com Rebecca, uma amiga da época do colégio, três anos mais velha. E ela viu tudo o que Scarlett passou depois que Rachel retornou para a vida dos Cantrell, por isso, disse à amiga que, assim que fizesse dezoito anos, deveria sair de casa.
Mas então, Ewan a pediu em namoro e Scarlett ficou, ainda que Rebecca lhe dissesse que não era um bom negócio. Apaixonada, ela não deu atenção e, agora, não teria a oportunidade de recomeçar. Não ao lado de alguém que ela sabia que gostava dela.
Rebecca era humana, de família humilde, mas esforçada. Ela aprendeu massagem e era isso o que ela fazia para viver.
‘Eu posso… ir embora. Posso… posso fugir no meio do caminho. E aí, eu vou para o lado da Rebecca.’
No entanto, o que duas humanas — umas delas sem audição decente — fariam contra lobos? Por lei, os lobisomens não eram superiores aos humanos quanto aos direitos, no entanto, na prática, não havia como um mero humano lutar de frente contra um ser daqueles. Beirava o impossível.
Scarlett se deu conta de que apenas colocaria Rebecca em perigo. E se ela sumisse por um tempo, antes de ir atrás da amiga? E onde ficaria? Como se manteria? Os Cantrell fizeram o possível para manter Scarlett sem habilidades ou cursos. Todas as vezes que ela tentava, Rachel queria a oportunidade e conseguia. Até mesmo a vaga na universidade de artes. No fim, descartou. A intenção era apenas atrapalhar a ‘surdinha’.
Uma hora depois, Alan retornou ao quarto e encontrou a bolsa de Scarlett preparada. Ele bufou, talvez por não ter mais um motivo pra brigar com a garota, e fez sinal com a cabeça para ela acompanhá-lo.
Um carro estava esperando por Scarlett.
“Você vai sozinha. E não se atreva a tentar dar uma de esperta e fugir, Scarlett, ou eu vou atrás daquela sua amiguinha imprestável, entendeu?”
Abaixando a cabeça, Scarlett assentiu.
Rachel e Vanessa estavam ali, olhando para Scarlett com sorrisos nos lábios, porém, Ewan parecia incomodado. Ele não gostava de Scarlett. Ela era surda, por mais bonita que fosse. Muito quieta, muito calada. E, além de tudo, humana. Ele fingiu que gostava dela apenas para ajudar Rachel em uma vingança. Ele devia isso a ela. Agora, no entanto, ele sentia algo esquisito no peito, ao ver o carro no qual Scarlett entrou afastar-se, até sumir de vista.
A viagem foi demorada. Scarlett imaginou que estavam indo para alguma propriedade humana, no entanto, ela percebeu que o caminho era muito mais dentro da floresta. O motorista estava separado dela por um vidro, então, Scarlett não se atreveu a bater ali e pedir informações.
O carro parou em um posto de gasolina e o motorista saiu. Ele abriu a porta do carro.
“Não se afaste. Eu vou recarregar o carro. Caso queira comer algo, senhorita, tem uma loja de conveniência bem ali.”
Scarlett olhou na direção indicada e agradeceu, saindo do carro e indo até lá.
A mulher do balcão sorriu ao ver Scarlett e perguntou o que ela queria.
“Ah, nada,” Scarlett falou. Ela não tinha muito, apenas um presente de aniversário que Rebecca lhe enviou no ano anterior: 150 dólares. Ainda que ela pudesse comer, estava com medo de desperdiçar recursos.
A mulher olhou para o carro de onde Scarlett saiu, olhou para a jovem e colocou a mão nas ancas.
“Você parece com fome,” ela disse. “Você… você precisa de ajuda? Ele é um lobo, mas…”
A jovem pegou um taco de baseball e Scarlett sacudiu a cabeça.
“Okay, então. Vocês estão indo pra onde?”
“Eu não sei,” Scarlett disse com sinceridade, até perceber que soaria estranho. “Meu pai está me enviando para a casa de uns colegas dele. Não os conheço.”
“Ah, sim…” a mulher disse e estendeu a mão. “Eu sou Rosemary. Fico mais tranquila. Por um momento, achei que estava sendo levada para o CrestMoon!”
“CrestMoon?” Scarlett sacudiu a mão dela e Rosemary se apoiou no balcão.
‘’É! O bando dos Kingsley. O Alfa deles é pavoroso. Dizem que depois da Batalha Infernal, ele voltou vitorioso, mas ó, completamente pinel!” Rosemary rodou o indicador perto do ouvido e fez cara de ‘louca’. “Mas também… parece que ele voltou muito ferido. Dizem que a cara dele tem um rasgão das garras do inimigo. Pelo menos venceu, não é?”
A saliva de Scarlett ficou seca na boca, deixando um gosto amargo.
“Coitado,” Scarlett olhou para a janela e viu o motorista acenando para ela. “Eu preciso ir. Foi um prazer, senhorita Rosemary.”
“Prazer. Ei, mas qual o seu nome?”
Scarlett virou-se para ela e sorriu.
“Scarlett Cantrell.”
Ao entrar no carro novamente, Scarlett suspirou. Os lobisomens realmente se metiam em confusões. Eles às vezes lutavam ao lado de humanos, como aconteceu na Batalha Infernal. Kingsley… ela lembrou-se do que tinha lido em algum tabloide: Zane Kingsley, a Besta. Ele era um lobisomem muito poderoso, dono também de negócios no mundo humano, como a Corporação Kingsley.
Apoiando a cabeça no vidro, Scarlett acabou cochilando e, quando acordou, alguém a sacudia de leve.
“Senhorita, chegamos,” o motorista falou e Scarlett se endireitou no banco. Ela aceitou a mão dele para descer do carro e, ao olhar para cima, viu que uma Mansão imensa se projetava, com três andares.
“Onde estamos?” ela perguntou e o motorista franziu a testa, como se não entendesse a pergunta dela. “Que lugar é esse?”
“Bem-vinda ao CrestMoon!” uma voz grave falou e Scarlett viu um homem imenso, de cabelos loiros curtos, no estilo militar, e olhos amendoados. “Sou Holden Parry, Beta do CrestMoon.”
“Ah…” Scarlett estava sem palavras.
“Por favor, futura Luna, venha comigo. O Alfa a espera.”
O médico suspirou e colocou as duas mãos em cima da mesa e soltou um suspiro. “Ela precisa de uma cirurgia, para começar,” ele começou a falar e Zane mostrou os dentes. Não para o médico, mas porque o desgraçado do Bates tinha causado aquilo. “Pelo que pude perceber, essa necessidade não é de agora.” “O senhor está me dizendo que a minha esposa foi negligenciada pela família dela?” As palavras saíram entre dentes e o médico podia sentir a aura assassina daquele Alfa. “Eu não posso afirmar isso, mas posso lhe garantir apenas que a senhorit… digo, a senhora Kingsley já deveria ter performado essa cirurgia há algum tempo. Devido ao histórico dela.”Ele não se atreveria a falar mal dos Cantrell. Ainda que fossem de outro bando, e seu poder não se comparasse ao de Zane, ele não era imbecil. Aquele macho diante dele não lhe era favorável — e ele não o culparia —, e se ele e os Cantrell decidissem que ele era um alvo, não era só a carreira que estaria em perigo. O médico limpou a gargan
Naquela noite, Scarlett dormiu nos braços de Zane, após eles terem uma sessão quente. Pela manhã, foram para o médico. Ao ver que era o mesmo médico de antes, a expressão de Zane fechou e a aura dele ficou opressora. “Você tá bem?” Scarlett perguntou, segurando a mão dele. Ele, que estava de máscara, apenas assentiu. Os dois sentaram-se na sala de espera e Scarlett notou como outras pessoas se afastaram instintivamente. Eles pareciam ter medo só de olhar para Zane, desviando os olhares e os rostos. Ainda que Scarlett não fosse o alvo daquela atenção, ela sentiu-se mal. Como podiam tratá-lo assim? Não era uma questão de hierarquia, ele ser o Alfa nem nada do tipo, e sim porque ele era uma pessoa. Mas ela, melhor do que ninguém, compreendia como as pessoas podiam ser. Ela tinha um problema auditivo, não mudava em nada a aparência dela e, exceto quando alguém sabia que ela precisava de um aparelho para ouvir — que sempre ficava escondido atrás dos cabelos —, ela passava por esse me
“Eu sei que você viu,” ele falou, calmamente e acariciou o rosto de Scarlett. Ela foi uma moça que morou aqui. Éramos amigos de infância. Ela casou e foi para outro bando. Quando a guerra estourou, ela foi uma das vítimas.”Scarlett não respondeu, apenas olhou para Zane, sentindo-se envergonhada. “Scarlett, não importaria se ela estivesse viva, se tivesse sido uma namorada minha. Você é a minha esposa.”Ela umedeceu os lábios. “Desculpe. Eu… eu fiquei… insegura.” Zane odiava que duvidasse dele, menos ainda da lealdade ou da honra. No entanto, o fato de Scarlett ter sentido algo que ele classificaria como ciúmes, o fez sorrir por dentro. Sim. Se ela tinha ciúmes, era porque gostava dele. “Eu sou só seu,” ele falou. “Não precisa ficar insegura. Acho que quem deve ficar inseguro aqui sou eu, não acha?”Scarlett o olhou com confusão. “Eu sou uma humana e ainda com problemas de audição. Você… você é um lobisomem, forte, bonito. Um Alfa!”“Bonito?” Zane se colocou a rir. “Eu não estava
‘Acho que ele não vai se incomodar se eu pegar esse livro…’ ela pensou, já tirando o livro da prateleira com cuidado, para não bagunçar nada. Assim que o livro saiu, um papel caiu. Ela se abaixou para pegar e colocar no lugar, porém, viu que era uma fotografia. Ao olhar para a imagem, reconheceu Zane imediatamente. Ele estava sorrindo, e era evidente que era bem mais novo. Ali, não havia qualquer marca no rosto dele, a pele era lisa e o sorriso, mais do que encantador. Scarlett sorriu involuntariamente, até perceber que ele tinha o braço passado pelos ombros de uma garota. A jovem possuía cabelos cor de mel, olhos esverdeados brilhantes, e sorria tão feliz quanto ele, olhando para a câmera. Scarlett mordeu os lábios, pensativa, e virou a fotografia. Não tinha nome, nem data. Nada. Ela olhou novamente para aqueles dois e soltou um suspiro. Que ela soubesse, Zane não teve irmãos, então, aquela jovem era uma amiga? Ou namorada? A sensação dentro do peito dela que estava se formando
Eles não passaram de beijos e mãos bobas. Zane a chupou novamente, e dessa vez, deu algumas mordidinhas pelo corpo de Scarlett. O cheiro dele estava nela inteira. Os dois cochilaram, mas ele despertou antes e precisou voltar ao serviço. Quando saiu do quarto, deixando um bilhete para a esposa, encontrou com Holden no caminho, que já estava com tudo pronto para viajar. Ele olhou para o Alfa e sorriu. “Pelo visto, sua relação com a Luna está mesmo indo de vento em popa, né?” Zane estreitou os olhos, mas sorriu. Ele tinha mais de uma máscara, e antes de sair do quarto, colocou uma. “Sim, está tudo indo muito bem.” “Ah, isso eu acredito. O cheiro de vocês está no ar,” ele cobriu a boca com a mão. “Sério, não tem como alguém não saber que vocês andaram…” “Cuide da sua vida, Beta,” Zane falou com autoridade, no entanto, havia um divertimento por trás das palavras. “Estou cuidando. E vocês dois estarem bem é o melhor para o bando. Acredite, pelo menos a maioria de nós está muito feli
“Quero,” ela falou baixo, em meio a um gemido. Zane a beijou, vorazmente, devorando a língua dela e explorando cada canto daquela boca suculenta. A mão direita de Zane a mantinha no lugar, enquanto a esquerda desceu, apertando o seio dela e puxando o mamilo de leve. Um beliscão que enviou uma onda de eletricidade por cada nervo de Scarlett. Enquanto descia mais, ele lambia o pescoço dela, no exato ponto onde em breve ela ostentaria a marca dele. Ao chegar na intimidade de Scarlett, os dedos dele roçaram na entrada e ela se remexeu, como se buscasse alguma coisa. Ele sabia o que ela queria, e era um esforço hercúleo não colocar o membro rígido para fora e deixá-lo ser envolvido pelas paredes quentes do interior da esposa. Scarlett não demorou a alcançar o clímax, porém dessa vez, um dos dedos de Zane, melados com os líquidos dela, tocou a outra entrada. Ela arregalou os olhos, pois não esperava isso, mas logo os fechou, tomada por outro orgasmo. Zane sorriu nos cabelos dela, satisf







