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Ver o próprio namorado e a irmã se beijando na sala de casa foi o pior presente de aniversário que Scarlett poderia receber.
A embalagem com o bolo caiu de suas mãos, chamando a atenção do casal. Enquanto Ewan deu um pulo, como se tivesse sido pego — e foi! — aprontando algo de errado, Rachel se moveu lentamente, ainda com uma perna no colo do rapaz, e passou o dedo indicador pelo canto dos lábios. Ela sorriu cinicamente.
“O que é isso?!”, perguntou Scarlett, os olhos marejados de lágrimas. A voz dela, bem como o corpo todo, tremiam.
“Scar, eu…”
“Ai, Ewan, ainda vai ficar falando como se devesse alguma coisa pra ela?” Rachel perguntou e se levantou calmamente, cheia de arrogância, do sofá. “É, você viu. Pronto. O gato tá fora da sacola.”
Scarlett mantinha os olhos em Ewan. Ele soltou o ar, como se estivesse enfadado, continuando sentado, com as pernas afastadas e os braços abertos, apoiados no encosto do sofá.
“Scar, Rachel e eu estamos juntos. É isso. Eu só não sabia como te contar.”
A forma displicente da fala dele fez Scarlett sentir como se uma faca estivesse sendo girada dentro do peito dela. Ela tinha amado Ewan desde que eram pequenos! Mas claro, ela já deveria ter previsto. Depois que Rachel voltou para o lar dos Cantrell, a filha perdida, não havia mais espaço para Scarlett. Ela só pensou que pelo menos Ewan continuaria sendo fiel aos sentimentos, mesmo que às vezes ele tomasse o lado de Rachel em algumas situações.
“Como vocês puderam?!” Scarlett bateu os pés, os punhos fechados ao lado do corpo.
“Podendo?” Rachel disse, perdendo a paciência. “Olha só, o que pensou? Além de ser uma filha adotiva, você é humana! Por que um filho de Beta, como Ewan aqui, prestes a assumir o cargo, ficaria com uma… coisinha, como você?”
“Ewan!” Scarlett apontou o dedo para Rachel. “É isso o que você pensa de mim? Por isso… por isso me traiu?”
Rachel jogou a cabeça para trás, gargalhando.
“Traiu? Se toca, garota! Ele nunca esteve com você! Todos no nosso meio sabem disso! Você… você não passou de um passatempo! Um ato de caridade! Deveria ser grata!” Rachel não tinha terminado. “Se toca, Scarlett! Você é surda! Nunca que alguém do nível do Ewan se uniria a você!”
A mão de Scarlett foi diretamente para as orelhas, onde os aparelhos estavam. Scarlett foi adotada quando ainda era criança, e quando chegou à casa dos Cantrell, ela já não tinha mais a audição perfeita. Ela ouvia pouco, mesmo com os aparelhos.
“O que tá acontecendo aqui?” o pai delas, Alan Cantrell, surgiu à porta, seguido da esposa, Vanessa, que entrou na casa e colocou-se ao lado de Rachel. “Eu fiz uma pergunta! Oh, Ewan! Não sabia que estava aqui!”
“A Scarlett pegou o Ewan e eu aqui na sala e tá armando esse escândalo!”
A forma como Rachel falou fez Scarlett estreitar os olhos e virar um pouco a cabeça para o lado.
“E você fala desse jeito? Ewan é, não… era, meu namorado. E eu chego e vejo os dois se beijando! Não é motivo para ficar irritada? Uma puta atracada no meu namorado!”
Scarlett não viu o tapa chegando, mas sentiu a ardência na bochecha e foi parar ao chão. Ela olhou sem acreditar, para Alan. Não que ele nunca tenha se tornado físico nos castigos, no entanto, ela não estava errada! E Rachel não negou!
O impacto fez com que um chiado agudo tomasse a cabeça de Scarlett, já que atingiu um dos aparelhos.
Vanessa revirou os olhos.
“Que namorado? Garota iludida! Completamente cega! Além de surda, né?” ela disse e jogou os cabelos castanhos, como os da filha, para o lado. Os olhos azuis das duas, um azul profundo e malicioso, encaravam Scarlett, no chão. “A minha Rachel e o Ewan estão juntos há muito tempo. A única vadia aqui é você!”
Eles sabiam. As suspeitas de Scarlett se confirmaram. Eles sabiam o que estava acontecendo. Sabiam e não só não fizeram nada, eles aprovavam aquela traição!
“Por quê? Por que me tratam assim?”
“Vai começar o drama.” Vanessa falou e revirou os olhos. “Alan, pode levar essa garota de vez daqui? Já está na hora do jantar e ela está estragando o meu apetite!”
Vanessa passou por Scarlett, bem como Rachel, esta segurando-se no braço de Ewan. Ele mal olhou para Scarlett.
Alan parou perto dela e a olhava, de cima, como um soberano olhando para um pedaço de lixo no chão.
“Nunca mais levante a voz para a minha filha, entendeu?” ele perguntou e torceu a boca. “Da próxima vez, um tapa vai ser generoso demais!”
Ele também se retirou, deixando Scarlett sozinha. Ela fechou os olhos e soltou o ar, junto com um lamento, enquanto a cabeça e o ouvido continuavam a doer.
Quando tinha sete anos, ela foi adotada pelos Cantrell, que tinham perdido a filha, Rachel. O problema foi que Vanessa nunca quis substituir a filha, mas não era cruel com Scarlett, enquanto Alan era um pai carinhoso.
Mas há cinco anos, Rachel foi encontrada em uma situação horrível. Ela era espancada todos os dias. Chegou ali mal-nutrida e imunda. Claro que os Cantrell a encheram de carinho e amor. Scarlett inicialmente pensou que teria uma irmã, no entanto, conforme o tempo foi passando, ela percebeu que o que tinha passado por aquela porta não passava de um demônio na vida dela.
Rachel causava situações para incriminar Scarlett, fazendo-a parecer encrenqueira e maliciosa. Ewan, que inicialmente não gostava da legítima filha dos Cantrell, começou a mostrar preferência por ela.
Dois anos atrás, ele fez vinte e dois anos, enquanto Scarlett fez dezoito, e ele resolveu pedi-la em namoro. Encontrar o companheiro predestinado não era impossível, mas muito difícil. E Ewan afirmou que não queria mais esperar. Um ano e meio depois, ele a pediu em casamento.
Scarlett riu de si mesma. Ela deveria ter percebido que não passava de uma brincadeira cruel. Ewan sempre passava a mão na cabeça de Rachel, era evidente que ele não queria Scarlett. Nem mesmo um beijo eles trocaram nesse tempo todo! O que ele chamava de respeito, na verdade, Scarlett compreendeu finalmente do que se tratava: nojo.
Lentamente, ela levantou-se e foi para o quarto. Mesmo que ela cambaleasse, nenhum ômega se atreveria a ajudá-la, não quando Rachel e Vanessa muito provavelmente despejariam seu descontentamento em cima deles, depois.
Pessoas começaram a chegar para o jantar na casa dos Cantrell, em comemoração ao aniversário da filha deles. Não de Scarlett, mas de Rachel. Elas compartilhavam a data. Enquanto isso, a filha adotiva permanecia sozinha. Após tomar um remédio para a dor, ela acabou dormindo.
Pela manhã, a porta do quarto foi aberta com violência e Scarlett, que estava sem os aparelhos, não escutou. Então, só sentiu quando foi puxada pelo braço com estupidez e levada ao chão.
“Ah!”, ela fez, sentindo uma dor subir pelo ombro e punho. Ela tinha caído de mau-jeito. Ao levantar o olhar, viu Alan encarando-a com desprezo.
“Levanta logo!”, ele ordenou. Scarlett leu os lábios dele. Ela fez sinal para a orelha e foi pegar os aparelhos. Alan bateu o pé, impaciente. Assim que viu que Scarlett já poderia ouvir, ele começou a falar. “Faça as suas malas.”
Scarlett piscou algumas vezes e se levantou do chão.
“Vamos viajar?” ela perguntou, sentindo um nó na garganta.
Alan sorriu de lado, mas sem humor.
“Você vai viajar. Vai para a casa do seu marido!”
O médico suspirou e colocou as duas mãos em cima da mesa e soltou um suspiro. “Ela precisa de uma cirurgia, para começar,” ele começou a falar e Zane mostrou os dentes. Não para o médico, mas porque o desgraçado do Bates tinha causado aquilo. “Pelo que pude perceber, essa necessidade não é de agora.” “O senhor está me dizendo que a minha esposa foi negligenciada pela família dela?” As palavras saíram entre dentes e o médico podia sentir a aura assassina daquele Alfa. “Eu não posso afirmar isso, mas posso lhe garantir apenas que a senhorit… digo, a senhora Kingsley já deveria ter performado essa cirurgia há algum tempo. Devido ao histórico dela.”Ele não se atreveria a falar mal dos Cantrell. Ainda que fossem de outro bando, e seu poder não se comparasse ao de Zane, ele não era imbecil. Aquele macho diante dele não lhe era favorável — e ele não o culparia —, e se ele e os Cantrell decidissem que ele era um alvo, não era só a carreira que estaria em perigo. O médico limpou a gargan
Naquela noite, Scarlett dormiu nos braços de Zane, após eles terem uma sessão quente. Pela manhã, foram para o médico. Ao ver que era o mesmo médico de antes, a expressão de Zane fechou e a aura dele ficou opressora. “Você tá bem?” Scarlett perguntou, segurando a mão dele. Ele, que estava de máscara, apenas assentiu. Os dois sentaram-se na sala de espera e Scarlett notou como outras pessoas se afastaram instintivamente. Eles pareciam ter medo só de olhar para Zane, desviando os olhares e os rostos. Ainda que Scarlett não fosse o alvo daquela atenção, ela sentiu-se mal. Como podiam tratá-lo assim? Não era uma questão de hierarquia, ele ser o Alfa nem nada do tipo, e sim porque ele era uma pessoa. Mas ela, melhor do que ninguém, compreendia como as pessoas podiam ser. Ela tinha um problema auditivo, não mudava em nada a aparência dela e, exceto quando alguém sabia que ela precisava de um aparelho para ouvir — que sempre ficava escondido atrás dos cabelos —, ela passava por esse me
“Eu sei que você viu,” ele falou, calmamente e acariciou o rosto de Scarlett. Ela foi uma moça que morou aqui. Éramos amigos de infância. Ela casou e foi para outro bando. Quando a guerra estourou, ela foi uma das vítimas.”Scarlett não respondeu, apenas olhou para Zane, sentindo-se envergonhada. “Scarlett, não importaria se ela estivesse viva, se tivesse sido uma namorada minha. Você é a minha esposa.”Ela umedeceu os lábios. “Desculpe. Eu… eu fiquei… insegura.” Zane odiava que duvidasse dele, menos ainda da lealdade ou da honra. No entanto, o fato de Scarlett ter sentido algo que ele classificaria como ciúmes, o fez sorrir por dentro. Sim. Se ela tinha ciúmes, era porque gostava dele. “Eu sou só seu,” ele falou. “Não precisa ficar insegura. Acho que quem deve ficar inseguro aqui sou eu, não acha?”Scarlett o olhou com confusão. “Eu sou uma humana e ainda com problemas de audição. Você… você é um lobisomem, forte, bonito. Um Alfa!”“Bonito?” Zane se colocou a rir. “Eu não estava
‘Acho que ele não vai se incomodar se eu pegar esse livro…’ ela pensou, já tirando o livro da prateleira com cuidado, para não bagunçar nada. Assim que o livro saiu, um papel caiu. Ela se abaixou para pegar e colocar no lugar, porém, viu que era uma fotografia. Ao olhar para a imagem, reconheceu Zane imediatamente. Ele estava sorrindo, e era evidente que era bem mais novo. Ali, não havia qualquer marca no rosto dele, a pele era lisa e o sorriso, mais do que encantador. Scarlett sorriu involuntariamente, até perceber que ele tinha o braço passado pelos ombros de uma garota. A jovem possuía cabelos cor de mel, olhos esverdeados brilhantes, e sorria tão feliz quanto ele, olhando para a câmera. Scarlett mordeu os lábios, pensativa, e virou a fotografia. Não tinha nome, nem data. Nada. Ela olhou novamente para aqueles dois e soltou um suspiro. Que ela soubesse, Zane não teve irmãos, então, aquela jovem era uma amiga? Ou namorada? A sensação dentro do peito dela que estava se formando
Eles não passaram de beijos e mãos bobas. Zane a chupou novamente, e dessa vez, deu algumas mordidinhas pelo corpo de Scarlett. O cheiro dele estava nela inteira. Os dois cochilaram, mas ele despertou antes e precisou voltar ao serviço. Quando saiu do quarto, deixando um bilhete para a esposa, encontrou com Holden no caminho, que já estava com tudo pronto para viajar. Ele olhou para o Alfa e sorriu. “Pelo visto, sua relação com a Luna está mesmo indo de vento em popa, né?” Zane estreitou os olhos, mas sorriu. Ele tinha mais de uma máscara, e antes de sair do quarto, colocou uma. “Sim, está tudo indo muito bem.” “Ah, isso eu acredito. O cheiro de vocês está no ar,” ele cobriu a boca com a mão. “Sério, não tem como alguém não saber que vocês andaram…” “Cuide da sua vida, Beta,” Zane falou com autoridade, no entanto, havia um divertimento por trás das palavras. “Estou cuidando. E vocês dois estarem bem é o melhor para o bando. Acredite, pelo menos a maioria de nós está muito feli
“Quero,” ela falou baixo, em meio a um gemido. Zane a beijou, vorazmente, devorando a língua dela e explorando cada canto daquela boca suculenta. A mão direita de Zane a mantinha no lugar, enquanto a esquerda desceu, apertando o seio dela e puxando o mamilo de leve. Um beliscão que enviou uma onda de eletricidade por cada nervo de Scarlett. Enquanto descia mais, ele lambia o pescoço dela, no exato ponto onde em breve ela ostentaria a marca dele. Ao chegar na intimidade de Scarlett, os dedos dele roçaram na entrada e ela se remexeu, como se buscasse alguma coisa. Ele sabia o que ela queria, e era um esforço hercúleo não colocar o membro rígido para fora e deixá-lo ser envolvido pelas paredes quentes do interior da esposa. Scarlett não demorou a alcançar o clímax, porém dessa vez, um dos dedos de Zane, melados com os líquidos dela, tocou a outra entrada. Ela arregalou os olhos, pois não esperava isso, mas logo os fechou, tomada por outro orgasmo. Zane sorriu nos cabelos dela, satisf







