FAZER LOGINEle pegou a máscara e a colocou no rosto. Mesmo que lobisomens fossem acostumados a cicatrizes, o rosto dele tinha quase sido partido em três pedaços. Não era uma boa visão. E pior do que olharem para a máscara, era olharem para ele diretamente. Sem falar nas crianças. Elas se assustavam. Zane não as culpava, mas também não era obrigado a passar por aquele tipo de situação.
Scarlett estava andando de um lado para o outro, esfregando as mãos. Por que estavam demorando tanto? Ninguém dizia nada!
A mala dela estava no canto, intocada. Para o caso de ela ser chutada dali — ou mandada de volta para o IronClaw.
Zane bateu na porta, mas Scarlett não escutou. Ele bateu com um pouco mais de força e ouviu os passos dela. Mesmo com a madeira entre eles, Zane sentiu um cheiro diferente de tudo o que ele já tinha sentido, e inspirou fundo, bem na hora em que Scarlett abriu a porta.
Ela não esperava ver uma máscara de ferro encarando-a, e olhos castanhos profundo que pareciam fuzilar-lhe a alma. Scarlett levou a mão à boca e deu um passo para trás, instintivamente. Isso fez Zane apertar os punhos.
Ela estava com medo? Agora estava com medo? Onde estava aquele medo quando resolveu ir até o bando dele e fazê-lo de idiota?
Zane deu um passo para frente, e mais um. Estava dentro do quarto. Scarlett afastava-se mais dele, até que bateu contra a parede. As palavras de Rosemary voltaram à mente dela. Aquele era o Alfa, o que venceu a Batalha Infernal, e aquele que era considerado louco, agressivo. E para quem Alan a mandou para casar-se com.
Ele a observou por uns momentos. Cabelos castanhos escuros, contrastando com os olhos cinzas. Sardas tomavam o rosto dela, dando-lhe um ar adorável, mas os lábios carnudos, fizeram Zane lamber os dele próprio por baixo da máscara. Ela era linda, ele não iria negar isso. Hel rosnou dentro dele.
[“Vai dizer que ela não é apetitosa?”]
[“Calado!”]
“O que exatamente veio fazer no meu bando?” ele perguntou, sem rodeios. A diferença de tamanho e porte dos dois era tremenda, o que fazia Scarlett parecer um ratinho acuado.
Ela abriu a boca, mas nada saiu. Quando ficava muito nervosa, não conseguia falar. Scarlett levantou as mãos e usou libras.
“Não consigo entender o que você fala,” ela disse. “O som está muito abafado e baixo.”
A expressão de Zane ficou diferente, apesar de Scarlett não poder enxergar. Ela era muda?
[“Você reclamou que aquelas fêmeas não calavam a boca. Bom, continua sendo um bom negócio, não acha?”]
Zane ignorou o comentário idiota de Hel. Ele olhou com mais atenção e viu algo na orelha dela. Ela era surda. Ou quase.
O Alfa fechou os olhos. Ainda bem que ele tinha aprendido libras, como parte da educação dele, ou seria impossível uma comunicação. Desgostoso, ele repetiu a pergunta com as mãos.
Scarlett ficou surpresa, de um jeito bom, com o fato de que ele podia entendê-la e se comunicar de volta! Muitos lobos não podiam. Ela podia ler lábios, mas como ela o faria com aquele Alfa, se ele usava uma máscara?
“Meu pai me enviou para casar. Eu não sabia com quem. E talvez ele também não.”
Mas algo dentro de Scarlett dizia que ele sabia, sim. Zane Kingsley era considerado instável. Nunca que Alan, ou mesmo Vanessa, permitiriam que a filha adorada deles fosse enviada para sofrer.
Zane estreitou os olhos. Ou ela era muito tonta, ou muito boa atriz. Ele ainda não saberia dizer qual das duas opções.
“Você vai dormir aqui. Pode descansar. Mas amanhã de manhã, vai voltar para o bando de onde veio.”
O Alfa virou-se para sair, porém, Scarlett segurou-lhe o braço. Ele parou e olhou primeiro para o braço, depois para ela. Ela o soltou na mesma hora, pressentindo que talvez tivesse acabado de estragar tudo.
“Alfa, eu gostaria de pedir para ficar. Eu… eu não gostaria de voltar ao IronClaw.”
Ele levantou uma sobrancelha e a olhou com descrença.
“Está me pedindo para ser a Luna?”
Scarlett sacudiu a cabeça.
“Não! Estou pedindo para ficar. Como uma humana. Eu vou trabalhar. Eu só quero poder…”
Ele compreendeu antes que ela pudesse completar o ‘ser livre’.
Nos eventos da Organização Beneficente, os Cantrell eram aplaudidos por serem tão bondosos. Por não só ajudarem orfanatos, como eles mesmos terem adotado uma criança, e uma com deficiência, tratando-a como filha.
‘Parece que não é exatamente isso,’ ele disse a si mesmo.
“Eu vou pensar sobre isso.”
“Obrigada!”, ela fez uma reverência, genuinamente agradecida.
Zane andou até a porta e parou, virando-se.
“Nunca mais toque em mim sem a minha permissão, entendeu?”
Scarlett arregalou os olhos, mas concordou, balançando a cabeça, e a abaixando, enquanto Zane saía dali.
Uma vez sozinha, ela levou a mão ao peito e soltou o ar. Deixou-se então cair na cama macia e fechou os olhos.
Ela tinha sobrevivido. O Alfa não a tinha matado, nem mandado que a prendessem. E não a enviou imediatamente para os Cantrell.
“Talvez ele não seja essa Besta que todos falam,” ela pensou, e não percebeu que sorria.
Apesar do medo, ela sentiu algo diferente. Mesmo com a máscara, o Alfa Zane Kingsley tinha alguma coisa que a atraiu. E quando tocou no braço dele, ela pôde sentir o quão quente ele era. Ela beliscou a si mesma.
“Deixa de besteira!”
Zane não foi para o escritório, mas sim para o próprio quarto. O corpo dele ainda estava queimando. O toque daquela humana o fez sentir-se… excitado.
Ele já estava atraído, mas quando ela colocou a mão nele, foi por um triz que ele não se descontrolou e não a colocou sobre a cama.
Lobisomens eram serem sexuais, mas Zane sempre se controlou muito bem. Até aquele momento. E, acima de tudo, com uma humana.
Ele arrancou a máscara assim que fechou a porta e soltou o ar, jogando o acessório de lado e passando a mão nos cabelos escuros. O que estava acontecendo com ele?
Zane tirou a blusa e decidiu que precisava de um banho gelado. Mas nem isso o ajudou.
O resto do dia passou, e Scarlett não saiu do quarto. Zane deu ordens de que ela deveria permanecer onde estava.
A noite chegou e todos se recolheram. Zane estava rolando na cama, sem conseguir dormir, inquieto. Já passava de duas da manhã quando ele finalmente dormiu, porém, o sonho dele não foi nada tranquilo. Lá, ele se via sentindo prazer, deitado sobre uma fêmea e o cheiro dela… algo ativou na mente dele e Zane levantou a cabeça. A mulher que olhava para ele não era outra se não Scarlett Cantrell.
Os braços dela passavam pelo pescoço dele, os olhos estavam lânguidos, cheios de prazer, enquanto ela se movia em sincronia com ele.
“Meu Alfa,” ela dizia, ronronando de prazer.
A mão dela tocou no rosto dele e isso fez com que Zane acordasse, devido ao susto. Porém, quando os olhos dele focaram um pouco, ele notou que não estava no próprio quarto. O cheiro dela o atingiu e ele sentiu a garganta seca. Virou com cuidado a cabeça. Lá estava a humana, dormindo tranquilamente, com o lençol cobrindo-lhe apenas o suficiente para que ele não visse sua intimidade.
Zane sacudiu a cabeça. Que tipo de loucura era aquela?
E a tatuagem nas costas dele começou a arder, e ele soltou um urro baixo de dor, movendo-se bruscamente na cama. E foi isso que acordou Scarlett. Quando ele olhou para o lado, ela o encarava de volta.
O médico suspirou e colocou as duas mãos em cima da mesa e soltou um suspiro. “Ela precisa de uma cirurgia, para começar,” ele começou a falar e Zane mostrou os dentes. Não para o médico, mas porque o desgraçado do Bates tinha causado aquilo. “Pelo que pude perceber, essa necessidade não é de agora.” “O senhor está me dizendo que a minha esposa foi negligenciada pela família dela?” As palavras saíram entre dentes e o médico podia sentir a aura assassina daquele Alfa. “Eu não posso afirmar isso, mas posso lhe garantir apenas que a senhorit… digo, a senhora Kingsley já deveria ter performado essa cirurgia há algum tempo. Devido ao histórico dela.”Ele não se atreveria a falar mal dos Cantrell. Ainda que fossem de outro bando, e seu poder não se comparasse ao de Zane, ele não era imbecil. Aquele macho diante dele não lhe era favorável — e ele não o culparia —, e se ele e os Cantrell decidissem que ele era um alvo, não era só a carreira que estaria em perigo. O médico limpou a gargan
Naquela noite, Scarlett dormiu nos braços de Zane, após eles terem uma sessão quente. Pela manhã, foram para o médico. Ao ver que era o mesmo médico de antes, a expressão de Zane fechou e a aura dele ficou opressora. “Você tá bem?” Scarlett perguntou, segurando a mão dele. Ele, que estava de máscara, apenas assentiu. Os dois sentaram-se na sala de espera e Scarlett notou como outras pessoas se afastaram instintivamente. Eles pareciam ter medo só de olhar para Zane, desviando os olhares e os rostos. Ainda que Scarlett não fosse o alvo daquela atenção, ela sentiu-se mal. Como podiam tratá-lo assim? Não era uma questão de hierarquia, ele ser o Alfa nem nada do tipo, e sim porque ele era uma pessoa. Mas ela, melhor do que ninguém, compreendia como as pessoas podiam ser. Ela tinha um problema auditivo, não mudava em nada a aparência dela e, exceto quando alguém sabia que ela precisava de um aparelho para ouvir — que sempre ficava escondido atrás dos cabelos —, ela passava por esse me
“Eu sei que você viu,” ele falou, calmamente e acariciou o rosto de Scarlett. Ela foi uma moça que morou aqui. Éramos amigos de infância. Ela casou e foi para outro bando. Quando a guerra estourou, ela foi uma das vítimas.”Scarlett não respondeu, apenas olhou para Zane, sentindo-se envergonhada. “Scarlett, não importaria se ela estivesse viva, se tivesse sido uma namorada minha. Você é a minha esposa.”Ela umedeceu os lábios. “Desculpe. Eu… eu fiquei… insegura.” Zane odiava que duvidasse dele, menos ainda da lealdade ou da honra. No entanto, o fato de Scarlett ter sentido algo que ele classificaria como ciúmes, o fez sorrir por dentro. Sim. Se ela tinha ciúmes, era porque gostava dele. “Eu sou só seu,” ele falou. “Não precisa ficar insegura. Acho que quem deve ficar inseguro aqui sou eu, não acha?”Scarlett o olhou com confusão. “Eu sou uma humana e ainda com problemas de audição. Você… você é um lobisomem, forte, bonito. Um Alfa!”“Bonito?” Zane se colocou a rir. “Eu não estava
‘Acho que ele não vai se incomodar se eu pegar esse livro…’ ela pensou, já tirando o livro da prateleira com cuidado, para não bagunçar nada. Assim que o livro saiu, um papel caiu. Ela se abaixou para pegar e colocar no lugar, porém, viu que era uma fotografia. Ao olhar para a imagem, reconheceu Zane imediatamente. Ele estava sorrindo, e era evidente que era bem mais novo. Ali, não havia qualquer marca no rosto dele, a pele era lisa e o sorriso, mais do que encantador. Scarlett sorriu involuntariamente, até perceber que ele tinha o braço passado pelos ombros de uma garota. A jovem possuía cabelos cor de mel, olhos esverdeados brilhantes, e sorria tão feliz quanto ele, olhando para a câmera. Scarlett mordeu os lábios, pensativa, e virou a fotografia. Não tinha nome, nem data. Nada. Ela olhou novamente para aqueles dois e soltou um suspiro. Que ela soubesse, Zane não teve irmãos, então, aquela jovem era uma amiga? Ou namorada? A sensação dentro do peito dela que estava se formando
Eles não passaram de beijos e mãos bobas. Zane a chupou novamente, e dessa vez, deu algumas mordidinhas pelo corpo de Scarlett. O cheiro dele estava nela inteira. Os dois cochilaram, mas ele despertou antes e precisou voltar ao serviço. Quando saiu do quarto, deixando um bilhete para a esposa, encontrou com Holden no caminho, que já estava com tudo pronto para viajar. Ele olhou para o Alfa e sorriu. “Pelo visto, sua relação com a Luna está mesmo indo de vento em popa, né?” Zane estreitou os olhos, mas sorriu. Ele tinha mais de uma máscara, e antes de sair do quarto, colocou uma. “Sim, está tudo indo muito bem.” “Ah, isso eu acredito. O cheiro de vocês está no ar,” ele cobriu a boca com a mão. “Sério, não tem como alguém não saber que vocês andaram…” “Cuide da sua vida, Beta,” Zane falou com autoridade, no entanto, havia um divertimento por trás das palavras. “Estou cuidando. E vocês dois estarem bem é o melhor para o bando. Acredite, pelo menos a maioria de nós está muito feli
“Quero,” ela falou baixo, em meio a um gemido. Zane a beijou, vorazmente, devorando a língua dela e explorando cada canto daquela boca suculenta. A mão direita de Zane a mantinha no lugar, enquanto a esquerda desceu, apertando o seio dela e puxando o mamilo de leve. Um beliscão que enviou uma onda de eletricidade por cada nervo de Scarlett. Enquanto descia mais, ele lambia o pescoço dela, no exato ponto onde em breve ela ostentaria a marca dele. Ao chegar na intimidade de Scarlett, os dedos dele roçaram na entrada e ela se remexeu, como se buscasse alguma coisa. Ele sabia o que ela queria, e era um esforço hercúleo não colocar o membro rígido para fora e deixá-lo ser envolvido pelas paredes quentes do interior da esposa. Scarlett não demorou a alcançar o clímax, porém dessa vez, um dos dedos de Zane, melados com os líquidos dela, tocou a outra entrada. Ela arregalou os olhos, pois não esperava isso, mas logo os fechou, tomada por outro orgasmo. Zane sorriu nos cabelos dela, satisf







