LOGINNo dia em que completou dezoito anos, Maelis Vaelor descobriu que Zairon Draven, o poderoso Alfa Supremo de Varneis, era seu companheiro predestinado. Minutos depois, diante das cinco linhagens, ele a rejeitou publicamente, considerada uma Loba Vazia por jamais conseguir despertar sua loba, Maelis perdeu o vínculo, a dignidade e o lugar que acreditava finalmente ter encontrado. Sete anos depois, ela voltou. Não como a jovem humilhada que fugiu para a floresta, mas como uma temida Juíza da Lua, enviada para investigar o assassinato de três Alfas e julgar o principal suspeito, o homem que destruiu seu coração. Enquanto as provas apontam para Zairon, uma conspiração antiga começa a desmoronar. Quanto mais Maelis se aproxima da verdade, mais descobre que a rejeição daquela noite jamais foi tão simples quanto parecia e que alguém manipulou suas vidas desde o início. Agora ela precisará escolher entre cumprir seu dever ou acreditar no homem que jurou nunca mais amar. Porque, se Zairon for inocente, condená-lo poderá destruir o único capaz de impedir uma guerra entre as linhagens. E, se Maelis realmente não for uma Loba Vazia, sua verdadeira natureza poderá mudar para sempre o destino dos lobisomens.
View MoreDorenva Reserve, Washington 4 de outubro de 2017
Maelis Vaelor…
Acordo antes do despertador e encontro minha mãe passando o uniforme de governanta na pequena cozinha da casa onde vivemos, nos fundos da propriedade Draven.
— Você deveria voltar para a cama. — ela diz, sem tirar os olhos do ferro. — A cerimônia só começa à noite.
— E deixar a senhora preparar aquela mansão inteira sozinha?
Minha mãe solta um suspiro carregado por todos os anos em que tenta me convencer de que não preciso pagar pela bondade da família Draven.
Minha Mãe, Elara Vaelor trabalha nesta propriedade desde antes do meu nascimento. Os Vaelor servem aos Draven há gerações, embora, depois da morte do meu pai, restemos apenas nós duas.
— Hoje não é um dia comum, Maelis.
Olho para o relógio digital sobre a geladeira. Às 23:47, completo oficialmente dezoito anos e se minha loba não despertar até o ultimo instante, nenhuma desculpa permanecerá. Serei registrada como uma lupina não manifesta.
— Justamente por isso preciso me ocupar, mãe.
Ela desliga o ferro e segura meu rosto entre as mãos.
— Você não é uma loba vazia minha querida.
Sorrio porque ela precisa que eu acredite, entretanto, depois de tantos anos sem escutar uma segunda consciência dentro de mim, até a esperança começa a parecer uma mentira piedosa.
Saímos juntas pouco depois das sete, o complexo Draven já está fervilhando, caminhões de fornecedores atravessam os portões, funcionários instalam luzes nos jardins e seguranças conferem autorizações em tablets. Ao longe, as torres de Norlávia surgem entre a neblina, enquanto o restante da propriedade desaparece sob os pinheiros da reserva.
Nesta noite, representantes de diferentes territórios ligados a linhagem de Varneis assistirão à ascensão de Zairon Draven. O Pavilhão do Limiar foi preparado para transformar o Alfa de Dorenva no Alfa Supremo mais jovem da linhagem.
Tento não pensar nele, mas falho antes mesmo de alcançar a entrada principal. Zairon aparece no alto da escadaria, falando ao celular. Ele veste uma camisa preta com as mangas dobradas até os antebraços, os cabelos prateados ainda estão úmidos e sua expressão tem a mesma seriedade que faz até guerreiros mais velhos medirem as palavras diante dele.
Zairon cresceu nesta propriedade, enquanto eu vivo nos fundos dela. Atravessamos os mesmos corredores e respiramos o mesmo ar, mas pertencemos a mundos completamente diferentes.
Ele encerra a ligação e desce os degraus, baixo os olhos depressa, fingindo conferir a caixa de cristais que carrego, quando passo por ele, sinto seu cheiro de pinheiros, chuva e madeira queimada, meu coração comete a humilhação de acelerar.
— Maelis.
Paro imediatamente. Zairon sabe meu nome. Me viro devagar, e os olhos azul-acinzentados dele descem até a caixa em meus braços, depois sobem para o meu rosto e permanecem ali por um segundo mais longo do que deveriam.
— Está pesada?
— N-não. Eu consigo carregar.
A sombra de alguma coisa quase suaviza sua expressão.
— Não duvido disso.
Ele estende a mão, como se pretendesse pegar a caixa, por um instante, acredito que seus dedos tocarão os meus.
— Zairon!
Lyra Voss atravessa o salão com um sorriso luminoso, ela é um ano mais velha do que eu e filha do antigo Beta de Thane Draven. Lyra cresceu próxima da família, participou de jantares reservados e passou a vida sendo tratada como a futura senhora daquela propriedade.
Lyra toca o braço de Zairon com intimidade.
— Seu pai está procurando você.
Ele afasta a mão da caixa.
— Estarei no escritório.
Antes de sair, Zairon volta a olhar para mim é rápido, quase insignificante, mesmo assim, meu coração guarda aquele olhar como se ele tivesse me oferecido alguma coisa.
Lyra espera até que os passos dele desapareçam e então se aproxima tocando meu braço.
— Você gosta dele?
Meu rosto esquenta.
— Não sei do que está falando.
— Não precisa ter vergonha.
O tom dela é doce, mas seus dedos apertam minha pele.
— Lyra, está machucando.
O sorriso permanece.
— Você só precisa lembrar qual é o seu lugar.
Puxo o braço, mas ela aperta ainda mais.
— Solte-me.
— Não deveria olhar para ele daquele jeito.
— Eu não fiz nada.
Passos ecoam no corredor e Lyra olha por cima do meu ombro, seus olhos vacilam e percebo que Zairon está voltando, a mudança nela acontece depressa demais.
Os dedos se soltam, o sorriso desaparece e seus olhos ficam úmidos. Antes que eu compreenda o que pretende fazer, Lyra segura meu pulso e j**a o próprio corpo para trás.
— Maelis!
Ela despenca da escada e me puxa junto, tudo acontece num piscar de olhos, a caixa escapa das minhas mãos. Cristais se espalham pelos degraus, meu corpo perde o equilíbrio e, por um instante, vejo Zairon avançar em nossa direção.
Sua mão se estende para mim, Lyra grita e ele muda de direção a segurando antes que ela atinja o chão, enquanto eu caio sozinha, meu ombro b**e contra a lateral da escada e uma dor aguda atravessa meu braço. Meu joelho raspa nos degraus antes de atingir o piso de pedra, e fico sem ar.
— Lyra! — Zairon a segura contra o peito. — Você está ferida?
— Estou bem — ela murmura, agarrada à camisa dele. — Foi apenas um acidente.
Tento me levantar, mas uma fisgada percorre meu pulso.
— Ela me puxou. — sussuro quase sem ar.
Zairon olha para mim, primeiro para meu rosto, depois para meu braço ferido, a preocupação surge em seus olhos, rápida e involuntária. Lyra tenta apoiar o pé no chão e solta um gemido, fazendo a atenção dele voltar imediatamente para ela.
— Eu só queria ajudá-la a carregar a caixa. — Lyra diz, com a voz trêmula. — Talvez eu tenha insistido demais.
— Isso não aconteceu assim. — tento argumentar.
Ela abaixa os olhos.
— Não fique zangado com ela. Maelis apenas se assustou quando tentei segurá-la.
Zairon endurece o maxilar, ele olha para os cristais espalhados, para Lyra em seus braços e depois para mim, ainda caída ao lado da escada.
— Por que fez isso com ela, Maelis?
A pergunta dói mais do que a queda, ele não pergunta se estou bem, não pergunta por que meu braço sangra, ele já decidiu em quem acredita.
— Eu não a empurrei.
Lyra tenta se afastar dele.
— Tudo bem, eu consigo andar.
Ao colocar o pé no chão, ela dobra o tornozelo e quase cai, fazendo Zairon a segurar.
— Não consegue. — ele diz olhando para ela.
Antes que eu diga qualquer coisa, ele passa um braço por trás dos joelhos dela e a pega no colo. Lyra envolve o pescoço dele e encosta a cabeça em seu ombro, quando passam por mim, ela abre os olhos.
A satisfação desaparece depressa demais para que Zairon perceba, ele dá alguns passos, mas para olhando para trás.
Seus olhos encontram meu braço ferido e descem até meu joelho machucado, durante um instante, parece que vai voltar, mas Lyra aperta os braços ao redor de seu pescoço.
— Zairon…
Ele desvia o olhar e continua andando, enquanto eu fico sozinha entre os cristais quebrados.
hoje a noite, a Lua revelará a companheira destinada de Zairon Draven. E, por mais que eu tente arrancar essa esperança ridícula do coração, uma parte de mim ainda deseja que ele finalmente enxergue a garota que sempre deixa para trás.
Maelis Vaelor…O documento preparado três dias antes parece pesar dentro da pasta. Ysara chama de coincidência tudo o que organiza com antecedência, e nunca sei onde termina a prudência e começa a manipulação.— Quando a senhora decidiu que eu voltaria? — pergunto a ela.— No dia em que compreendi que permanecer longe já não ensinava nada a você. — ela diz me encarando com uma superioridade assutadora.— Isso não é uma resposta.— É a única que receberá nesta sala. — ela baixa os olhos para os papeis em cima da mesa.Orven desliza um termo para o centro da mesa.— A missão precisa de uma determinação formal, Maelis irá a Dorenva, preservará o local, recolherá os depoimentos e assumirá a investigação em nome da Ordem. Zairon Draven será tratado como autoridade territorial até que existam provas para alterar essa condição.— E se ele impedir o meu trabalho? — pergunto com a voz mais baixa do que eu pretendia.— Você pode suspender temporariamente os poderes administrativos dele. — diz Y
Maelis Vaelor…A primeira ordem que recebo como Juíza da Lua é voltar ao lugar de onde fugi, o que me deixa extremamente aflita, como posso colocar meus pés em um lugar que nunca foi meu?Ysara termina de ler a comunicação sem alterar a expressão, como se fosse uma simples coisa, o corredor continua cheio de candidatos, familiares e funcionários que ainda se aproximam para me cumprimentar, sem saber que o envelope preto sobre a pasta azul acaba de transformar minha nomeação numa investigação de morte.— Fechem as veredas de Dorenva. — ela ordena ao guarda. — Ninguém atravessa os limites da reserva sem ser identificado, o corpo permanece onde foi encontrado até a chegada da Ordem.— Até a chegada de quem? — pergunto.Os olhos dela encontram os meus antes que Orven saia do salão.— Reúna a Câmara de Urgência. — Ysara diz a ele. — Agora.Minha mãe volta a apertar minha mão, o lenço ao redor do meu dedo ganha um ponto vermelho, mas nenhuma de nós olha para o corte.— Maelis acabou de pres
Maelis Vaelor…Seis anos depois da rejeição.Minha mãe tenta prender o broche da Ordem pela terceira vez em meu peito O que não dá muito certo.— Está torto — ela reclama.— Mãe, ele está exatamente no mesmo lugar de antes.— Então antes também estava torto.Seguro os dedos dela antes que retire a peça outra vez, a prata repousa sobre meu ombro esquerdo, sem a cor de nenhuma linhagem, apenas com a lua gravada no centro, os seis ramos de cedro reunidos sobre a janela já não cabem no copo do nosso primeiro apartamento. Minha mãe os amarrou com uma fita verde e os colocou num vaso maior, perto da lavanda, o primeiro está seco e o último ainda cheira à floresta.— A senhora pode respirar, mãe. — digo sorrindo.Um sorriso discreto se desenha nos lábios dela, enquanto seus olhos brilham daquele jeito que sempre me faz sentir maior do que realmente sou. — Estou respirando filha.— Há quase um minuto só pela boca.Ela solta uma risada curta, mas seus olhos descem até o medalhão debaixo da mi
Lyra Aster…Quatro anos depois da rejeição.Há três anos e seis meses moro na residência dos Draven, e Zairon ainda chama meu quarto de aposento de hóspedes, o que eu odeio, os criados me tratam como senhora da casa quando ele não está por perto, mas sempre que ele está sou colocada de lado e isso esta me deixando muito irritada. As mulheres de Dorenva abaixam a cabeça quando passo, os boletins me colocam ao lado do Alfa Supremo em todas as cerimônias, tudo com a ajuda dos meus pais que são redatores, mas nenhuma dessas coisas vale tanto quanto uma palavra dita por ele, uma palavra que Zairon continua se recusando a dizer.— A posição de Luna não faz parte da cerimônia das Primeiras Neves. — ele diz, empurrando o convite de volta pela mesa.Passo a unha sobre a linha que mandei acrescentar abaixo do nome dele. Zairon Draven, Alfa Supremo de Varneis, acompanhado por Lyra Aster, futura Luna de Dorenva.— É assim que as pessoas já me chamam. — Junto as duas mãos a frente do corpo.— As p






Bem-vindo ao Goodnovel mundo de ficção. Se você gosta desta novela, ou você é um idealista que espera explorar um mundo perfeito, e também quer se tornar um autor de novela original online para aumentar a renda, você pode se juntar à nossa família para ler ou criar vários tipos de livros, como romance, leitura épica, novela de lobisomem, novela de fantasia, história e assim por diante. Se você é um leitor, novelas de alta qualidade podem ser selecionados aqui. Se você é um autor, pode obter mais inspiração de outras pessoas para criar obras mais brilhantes, além disso, suas obras em nossa plataforma chamarão mais atenção e conquistarão mais admiração dos leitores.