FAZER LOGINEle
Antes...
— Caralho! — praguejo o mais baixo possível.
Acabo de tropeçar em uma boneca que chora como uma criança de verdade. Se as meninas acordarem nem sei o que faço.
Como um zumbi, me arrasto até a cama e apago do jeito que estou: Molhado de tentar dar banho nelas e exausto.
Preciso de uma babá urgente. Me acostumei com a presença da minha irmã. Com ela aqui tudo parecia tão em ordem. Deus, como ela conseguia?
Estou feliz que ela tenha encontrado alguém que ame ao ponto de ir morar com o cara, mas confesso que sinto falta da sua ajuda.
Lembrete: Comprar o melhor presente de casamento. Aquela baixinha fazia um serviço que para mim precisa de pelo menos três pessoas para dar conta.
Mal fecho os olhos e o despertador acabam com meu descanso.
Saio da cama sem nenhuma vontade e vou tomar um banho. Pelo menos a empregada faz o café da manhã das meninas antes delas irem para a creche, só tenho que lutar para arrumá-las e convencer que não é o fim do mundo ir a escolinha.
— O senhor está péssimo. — Christine comenta. Ela comanda os empregados da casa, é parte da família. Está conosco desde o momento em que fui morar com a mãe das meninas.
— Me sinto duas vezes pior que péssimo.
— Sabia que só tem quatro dias que sua irmã se foi? — ela ri.
— Pois para mim parece que estou há anos lutando contra duas meninas superpoderosas.
— Que exagero.
— Paiiiii! — o grito já me faz olhar para as escadas, quase tenho um treco imaginando aquelas duas caindo.
Levanto de uma vez e corro escada acima.
— EXAGERO NADA! — grito.
*
— Eu estou morto, Christine! — desabo no balcão da cozinha uma hora depois. O motorista já levou as gêmeas para a escolinha.
— Não vai no hospital hoje? — ela questiona me servindo água.
Viro todo o liquido antes de responder.
— Nem me lembre. Só vou trocar de roupa. Tenho uma reunião importante com um fornecedor e com meu primo que ajuda na administração.
Com um vou tratar sobre as próximas remessas e com o outro sobre uma proposta para que tome conta do hospital da família no meu lugar por tempo indeterminado.
A nossa família é de médicos há gerações, chegando ao ponto de termos nosso próprio hospital, criado pelos meus pais, que eu administro. Preciso de mais tempo com as meninas. A opção é escolher um substituto. Vou me dar ao luxo de ser apenas dono e aparecer apenas nos eventos mais importantes.
Me levanto. Sem pausa para descanso agora.
— Não esquece de se alimentar e de buscar as meninas. — Ainda escuto ela dizer.
Troco de roupa e corro para o hospital, onde as reuniões saem como esperado. Gerir uma empresa não é nada perto de criar duas loirinhas sapecas.
No horário de almoço, meu amigo e advogado, Daniel Parsons, me leva para um restaurante perto do hospital.
— Amigo, acho que você vai gostar da novidade que tenho.
Olho para ele com dúvida. As novidades de Daniel são sempre malucas. Da última vez tive trabalho em convencê-lo a não comprar um barco para rodar o mundo com uma mulher que ele conheceu em uma rave.
— Diga — respondo.
— Sabe que passei alguns dias naquela cidade onde você e a sua mulher passaram a lua de mel mais louca da vida, né? — Ele faz uma pausa de suspense. — Brother, aquela casa está à venda.
— A casa rosa?
— Exatamente.
Não acredito.
— Fecha. Não importa quanto peçam — digo sem nem parar para pensar.
Eu sei. Um homem de trinta e oito anos, um médico renomado, não devia abandonar tudo e se tornar a pilha de emoções que me tornei. Mas como evitar quando a única coisa que me mantem vivo são minhas filhas? Como operar depois que não consegui salvar minha própria mulher? Como administrar um hospital se mal estou conseguindo administrar minha vida?
— Imaginei que diria isso. — A voz de Daniel me traz de volta. Assim como o gosto salgado. Não ligo mais. Um homem de um metro e noventa pode sim chorar quando não consegue mais lidar com a dor. Pode sim se dar ao luxo de deixar o melhor amigo ver sua dor.
Limpo o rosto com as pontas dos dedos.
— Claro. As minhas filhas adoraram aquela casa. Não param de falar nela. Sem contar que a localização é bem mais segura que o centro de Washington. As minhas filhas vão poder sair de casa sem a sombra se um bêbado pronto para atropelá-las a qualquer momento.
Ele só balança a cabeça em negação.
Se estou sendo exagerado? Foda-se. Tudo pela segurança das minhas princesas.
Se faz um silêncio na mesa. Logo depois, voltamos a falar sobre a compra da casa.
CONTINUA...
EstevanEsse foi o golpe mais difícil que já dei. Tive que seduzir uma idiota no cartório e tive que aceitar cumplices. O que nunca precisei, sempre dei meus golpes sozinho. É assim que gosto. Sem contar que quase desisti de tudo e me casei com a Samantha. Mulher boa de cama, divertida e sem amarras. Nos daríamos bem... Se não fosse o meu passado. Ela descobriria em algum momento e eu poderia acabar sem nada e atrás das grades, principalmente com a amiga advogada enxerida e que me odeia.Valeu a pena abrir mão da gostosa, vender aquela casa me deixou com dinheiro para a vida toda. O que significa no máximo alguns anos, considerando o luxo em que me acostumei viver. Mas não tem problema, neste momento estou enganando uma brasileira. A velha tem bilhões e muito fogo no rabo. Fazer o que? Às vezes temos que fazer sacrifícios para manter o estilo de vida.Suspiro olhando as ondas do mar.Faz alguns anos desde que cheguei ao Brasil. Meu segundo golpe na vida foi nesse país, mas no interior
— Vamos, meninas! Não podemos atrasar. — David grita.— Calma, papai. — Cristal grita de volta. — A Jade esqueceu a maleta de maquiagem.— Deus, dez anos. Essas meninas têm dez anos e usam maquiagem. Eu vou infartar cedo.— É a fase em que eu gostava de usar as maquiagens da minha mãe, suas roupas e seus sapatos. Só que as roupas e sapatos não serviam. — Lembro enquanto coloco Jasper na cadeirinha. O que é um trabalho difícil. Esse garotinho de três anos dá mais trabalho que as gêmeas juntas.— Pronto, papai. — Cristal avisa, segurando as coleiras das cachorras.— Férias! — Jade grita.Julia aparece na porta e logo Daniel aparece agarrando sua cintura por trás.— Podem ir tranquilos que quando voltarem a casa ainda será de vocês. — Ela diz.— Assim espero. — Entro na brincadeira.A polícia não achou Estevan. Só espero que ele não esteja dando golpes.— Você ainda tem tempo de desistir. Está resfriada. Não pode viajar assim. — Dessa vez é David que fala. E uma enxurrada de protestos ve
Juro que vou infartar nesse altar improvisado. Daniel ao meu lado não ajuda em nada com suas piadinhas sobre Samantha me abandonar no altar. Sei que ela me ama, que não faria isso com nossa família, mas isso não impede meu coração de falhar batidas a cada minuto de atraso. Foi Samantha que escolheu essa data. Adiantamos tudo do casamento para quinze dias após ela encontrar o carro. Ela não queria estar barriguda no dia. O que para mim não importa. Estou ansioso para vê-la barriguda e sentir nosso filho chutando. Fizemos o exame, é mesmo um menino. Estamos planejando um quarto tão legal quanto o das meninas para ele. Isso. Pensar na gravidez alivia um pouco a ansiedade. Quando finalmente vejo minhas filhas vindo como damas de honra, me acalmo um pouco mais. É um sinal que ela não fugiu. Jade e Cristal estão radiantes com seus vestidos cor de rosa. Tem muito rosa no meu casamento, mas nem ligo. Desde que uma morena gostosa me diga sim na frente do cerimonialista. Sam aparece, com
Semanas depois...Passado o susto, Samantha melhorando dos ferimentos, agora o assunto na casa é o casamento e o bebê. Tive medo que as gêmeas não aceitassem o irmão, mas fui positivamente surpreendido pela reação delas. Agora só preciso aguentar diariamente as perguntas. Falta muito pro meu irmãozinho nascer? Posso cuidar dele? Ele vai ter um cachorrinho também?Pois é, elas já decidiram que vai ser menino. Ainda nem verificamos o sexo. Mas confesso que também torço para que seja menino. Se vier menina vou amar do mesmo jeito, mas seria ótimo ter um garotinho.Estamos todos na sala, eu sentado com a cabeça de Sam no meu colo e as meninas no tapete nos desenhando, quando buzinas altas e escandalosas nos fazem correr para fora.Qual não é minha surpresa quando encontro o meu amigo maluco sentado em um carro rosa, apertando a buzina.— Meu Deus! Você consegui recuperar. — Samantha leva a mão a boca.— Foi até fácil. — Ele se gaba.Das meninas só escuto coisas como “que lindo”, “rosa”, “
Abro os olhos com dificuldade e uma confusão me toma ao ver tudo branco. Estou em um hospital. O que aconteceu? Por que estou aqui?Quando penso em me levantar, a porta se abre e vejo uma mulher uniformizada.— Enfermeira? — pergunto.— Acertou. Como se sente? Você nos deu um susto.— Me sinto estranha. Meio dopada e dói algumas partes do meu corpo. O que houve?— É normal tudo que relatou. Você acaba de sair de um coma.— Coma? Meu Deus! Eu não me lembro de nada.— Ei, se acalme. Eu vou trazer a médica. Ela vai te examinar e explicar tudo que aconteceu.Sem opção, apenas concordo.Quando uma senhora com algo em torno dos cinquenta anos aparece, descubro que fui atropelada. O que é estranho porque não me lembro de sair de casa. Me lembro de estar no jardim esperando a cobra ir embora, depois tudo é escuridão.Quero perguntar para ela se David veio me ver, mas me calo. Ele tem as filhas para cuidar. Deve ter vindo porque é uma pessoa gentil e porque sou sua noiva... Eu me lembro disso.
Os empregados ajudam Cissa a colocar as quatro malas no carro alugado. Sei que ela não está indo embora depois de uma visita feliz, está com raiva e magoada, mas eu não posso simplesmente me relacionar com ela por isso. Não é assim que a vida funciona.Ela se despede das meninas e de mim, dizendo que em breve voltará para visitar, o que eu duvido.Samantha não está, disse que nos deixaria ter privacidade para nos despedir. Depois do pedido de casamento, nos aproximamos mais e não escondemos mais o que temos. Daniel e Julia surtaram. Estão tão empolgados quanto nós, mas negaram o casamento duplo. Segundo eles, o que têm é casual. Tolos. Eu também pensava assim quanto a Sam. E olha onde estamos.Cissa entra no carro alugado. Fez questão, não quis aceitar taxi ou carona.De longe vejo Sam perto das rosas. O fone de ouvido cor de rosa destaca em seu cabelo escuro. Ela está linda de jardineira jeans, camisa branca, rabo de cavalo e esses fones rosa.Estou sorrindo para a imagem quando meu







