Compartir

O Jogo da Espera

Autor: Lyla Vale
last update Fecha de publicación: 2025-10-03 19:21:39

POV Cecília

Esperei. Esperei tanto que até perdi a conta dos minutos.

O almoço já havia se transformado em um jantar tardio, mas eu não arredaria o pé. Não sou mulher de desistir. Muito menos quando sei o que quero.

E eu quero Felipe.

Sou Cecília Florian , filha do Alfa Augustus Florian. Cresci em meio a negociações, acordos e alianças que mantêm famílias inteiras no poder. Sempre entendi que o mundo mudou: a força bruta, as guerras de alcatéia, tudo isso já não define mais quem é o mais forte. Hoje, poder se mede por influência, estratégia e prosperidade.

E nisso, Felipe não tem igual.

Me ajeitei discretamente na poltrona, observando cada detalhe ao redor. Estava impecavelmente vestida: um vestido de seda azul escuro, justo o suficiente para realçar minhas curvas, mas sofisticado para uma ocasião de família. A fenda lateral mostrava a medida certa de ousadia, e o decote discreto deixava claro que eu não tinha medo de ser notada. Loira, de cabelos lisos perfeitamente arrumados sobre os ombros, olhos azuis firmes e atentos, expressão afiada. Eu era o retrato de uma mulher segura de si — e queria que Felipe me visse exatamente assim.

Meu pai, Augustus, parecia satisfeito com minha escolha de permanecer. Ele sempre soube que eu não dava passos em falso. “Estratégia é tudo”, dizia. E eu concordo. Permanecer ali, entre conversas triviais, mantendo a paciência, era parte do meu plano. Ele chegaria. E quando chegasse, valeria cada segundo.

Quando a porta finalmente se abriu e Felipe entrou, senti o coração acelerar mas mantive a postura. Mulheres como eu não se deixam dominar por nervosismo. Nós controlamos o ambiente.

E lá estava ele.

Felipe era ainda mais imponente do que eu lembrava. Alto, ombros largos, porte elegante. A aura de Alfa que simplesmente não podia ser ignorada. Os cabelos castanhos, com aquele brilho dourado sob a luz, pareciam feitos para chamar atenção. Mas eram seus olhos verdes, intensos e sérios, que cortavam o ambiente como lâminas. Vestia um terno escuro que o deixava ainda mais sofisticado, reforçando a imagem do homem de negócios, poderoso e inatingível.

Sim. Valera a pena esperar.

“Ele é meu”, pensei, com convicção. Não por impulso, mas por escolha. E escolhas, eu sempre as sustento até o fim.

Levantei-me para cumprimentá-lo. Meus passos foram medidos, cada gesto calculado. Quando estendi a mão, toquei levemente seu braço, sustentando o contato por mais tempo do que o necessário. Queria que ele sentisse minha presença, que percebesse que eu não era apenas mais uma convidada, mas alguém disposta a estar ao lado dele.

— Felipe… que bom que conseguiu vir. — Sorri com confiança, o tipo de sorriso que mistura charme e intenção.

Ele correspondeu educadamente, mas de forma contida. Não havia brilho em seu olhar ao me encarar. Era como se estivesse em outro lugar, distante, mesmo estando diante de mim. Isso não me desanimou. Pelo contrário: desafios sempre me atraíram.

Enquanto trocávamos frases curtas, percebi a mãe dele, sentada mais adiante, observando discretamente. Uma mulher elegante, postura firme, sorriso cortês. Mas seus olhos… eles não enganavam. A cada interação minha com Felipe, ela parecia analisar não apenas a mim, mas principalmente a ele.

E eu vi. Vi o incômodo sutil, a apreensão contida. Como se ela soubesse que algo não estava certo.

Ela foi simpática comigo, claro, como uma boa anfitriã deveria ser. Conversou, elogiou meu vestido, mostrou-se acolhedora. Mas por trás do sorriso, havia algo que a perturbava. Era como se estivesse preocupada com o filho não comigo, mas com a falta de entusiasmo dele.

E, de fato, ele não parecia animado. Respeitoso, sim. Educado, sempre. Mas não havia faísca em seu olhar. Nenhuma centelha de interesse real.

Eu notei. E ela também.

Mas eu não recuo.

Sentei-me ao lado dele, aproveitando cada brecha para aproximar nossa conversa. Perguntei sobre os negócios, sobre viagens recentes, sobre as novas expansões da rede de tecnologia. Ele respondeu com firmeza, mas sem se aprofundar. Como se não quisesse se abrir. Isso apenas reforçava em mim a necessidade de conquistá-lo.

No outro canto da sala, meu pai e o dele conversavam animadamente. Augustus falava de novos acordos comerciais, comentava sobre a força de nossa matilha e a importância de manter alianças sólidas. O pai de Felipe, sério, mas receptivo, respondia com cautela.

— É impressionante como o mercado tem mudado… — ouvi meu pai dizer. — Hoje, quem controla tecnologia, controla tudo.

Felipe, mesmo distraído, assentiu brevemente. Eu aproveitei para retomar o tema.

— E ninguém entende de tecnologia como você, Felipe. Sua visão está anos à frente. — Toquei novamente o braço dele, desta vez mais breve, mas proposital.

Ele apenas inclinou a cabeça em agradecimento, sem o menor traço de vaidade ou satisfação. Eu esperava pelo menos um sorriso, mas não recebi nada além de formalidade. Ainda assim, não me deixei abalar.

A mãe dele, por outro lado, observava tudo em silêncio. Eu podia sentir seu olhar sobre nós, pesado, como se esperasse que algo acontecesse ou como se soubesse que nada aconteceria. Aquela falta de reciprocidade de Felipe parecia deixá-la inquieta, e, de certa forma, quase me incomodava também.

Continuei tentando. Fiz perguntas, compartilhei histórias engraçadas de negócios, deixei escapar pequenos detalhes sobre meus próprios projetos para mostrar que não era apenas “a filha do Alfa Augustus”, mas uma mulher de valor por conta própria. Eu queria que Felipe visse isso.

Mas ele permanecia distante, cordial, sem emoção.

“Tudo bem”, pensei. “Não é no primeiro encontro que se conquista um Alfa como ele. Mas eu sei jogar esse jogo. E no fim, vou vencer.”

A noite avançava, a conversa entre nossos pais seguia com naturalidade. Havia risadas, trocas de experiências, planos de futuros encontros. Tudo perfeito no papel. Mas no olhar de Felipe, eu só via um muro. E no olhar da mãe dele, via a confirmação: ela sabia que havia algo errado. Que o filho estava em outro lugar, pensando em algo ou alguém.

E, mesmo assim, eu me mantinha firme. Porque se tem algo que aprendi com meu pai é que paciência é tão importante quanto ousadia.

Felipe pode não ter sorrido para mim hoje. Pode ter se mostrado distante. Mas eu sou Cecília, filha de Augustus. Inteligente, estrategista, segura de mim. Eu quero esse Alfa.

E, cedo ou tarde, ele será meu.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A Primeira Humana do Alfa Supremo   ROSAS E PINHO

    POV - ANDRÉ André não viu o início da cerimônia. Não viu os votos completos, nem o caminho até o “sim”. Não viu os detalhes que todo mundo contaria depois, o jeito como Felipe segurou a mão de Alice um segundo a mais, ou como a todos ficaram em silêncio quando o amor deles foi citada. Ele estava do lado de fora do coração da festa, fazendo o que sempre fez melhor: garantindo que nada desse errado. Checou entradas. Conferiu rotas. Revisou posicionamento de segurança. Repetiu, mentalmente, cada cenário possível, e como neutralizaria cada um. Trabalho limpo. Invisível. Necessário. Só que, quando tudo enfim pareceu sob controle, o rádio na mão dele chiou com uma confirmação curta. “Área principal segura.” André soltou o ar. Ajustou o paletó. E entrou. O corredor que levava ao salão principal estava quente, cheio de vozes e perfume de flores. Ele caminhava com passos firmes, pensando em checklist, em logística, em tempo. Até que o cheiro o atingiu. Não era o perfume do ambient

  • A Primeira Humana do Alfa Supremo   ANTES DO SIM

    POV - ALICE O quarto estava cheio de movimento. Não de barulho, mas de intenção. Alice observava tudo sentada diante do espelho, enquanto o mundo acontecia ao redor dela. Vestido pendurado, tecido protegido por uma capa translúcida. Caixas abertas no chão. Profissionais entrando e saindo com cuidado quase cerimonial. Uma engrenagem inteira funcionando para que aquele dia fosse exatamente como planejado. Ela respirou fundo. A gravidez já não era segredo. Não havia tensão nisso, apenas consciência. Cada passo, cada ajuste, cada detalhe parecia carregado de significado extra. Ainda discreta, a barriga era visível o suficiente para que todos soubessem, mas íntima o bastante para continuar sendo só dela. Alice passou a mão ali, num gesto calmo. Não era nervosismo. Era presença. Liandra estava próxima à porta, atenta como sempre. Não comandava nada, não interferia, mas sua simples existência ali criava uma espécie de eixo. Segurança silenciosa. Alicerce. Lívia, irmã de Felipe, rodav

  • A Primeira Humana do Alfa Supremo   O PESO DO SILÊNCIO

    POV THIAGO Thiago não disse nada enquanto fechava a porta do carro. Caroline entrou primeiro, os movimentos rígidos, o corpo ainda carregando o resto do choque. Não chorava. Não gritava. O silêncio dela era mais preocupante do que qualquer crise. Ele observou pelo retrovisor enquanto ligava o motor. Ela estava pálida. O olhar perdido em algum ponto além do para-brisa, como se ainda estivesse presa na sala reservada do restaurante. Como se aquela cena continuasse acontecendo dentro dela. — Vamos pra casa — ele disse, finalmente. Não era um convite. Era um caminho. Caroline não respondeu. O trajeto foi curto demais para organizar pensamentos e longo demais para ignorá-los. Thiago dirigia com atenção automática, enquanto a mente revisitava tudo o que havia acabado de acontecer, as palavras de Rafael, os exames, o silêncio pesado que se instalara quando a lógica venceu o desejo. Quando chegaram, Thiago estacionou e saiu primeiro. Abriu a porta para ela sem tocar, esper

  • A Primeira Humana do Alfa Supremo   PONTO DE RUPTURA

    A porta se fechou atrás de Rafael com um som seco, definitivo. Não houve dramatização. Não houve ameaça. Não houve última palavra. Só o fim. Thiago permaneceu sentado por alguns segundos depois que Rafael saiu. Não por indecisão, por cálculo emocional. Ele precisava estar inteiro antes de lidar com o que vinha a seguir. E o que vinha… era Caroline. Ela ainda estava de pé, próxima à mesa, respirando rápido demais, os olhos indo da porta por onde Rafael saíra para Thiago, como se procurasse uma fenda, qualquer coisa que pudesse reverter o curso daquela conversa. — Ele não pode simplesmente ir embora — ela disse, a voz subindo um tom. — Isso não acaba assim. Thiago levantou-se devagar. Não havia pressa em seus movimentos. Pressa gera confronto. E confronto, com Caroline naquele estado, só geraria mais negação. — Acabou, Caroline — ele disse, com firmeza baixa. — Para ele, acabou. Ela riu. Um riso curto, quebrado. — Você acha que isso é tão simples assim? — apontou para o p

  • A Primeira Humana do Alfa Supremo   THIAGO 1

    Thiago tinha vinte e cinco anos quando deixou Matachutes pela primeira vez. Não por fuga. Por ambição. A Matilha o criara para duas coisas: serviço público e obediência. Ele só aceitou a primeira. Desde cedo, aprendera a observar antes de falar, músculos que tensionam, intenções escondidas atrás de gestos, o tempo entre pergunta e respiração. Não era dom de lobo. Era treinamento. Ele queria o Conselho, queria política, queria estratégia. E o Conselho quis ele. Aos vinte e seis, estava sentado em mesas que homens bem mais velhos ainda chamavam de inalcançáveis. Aos vinte e oito, já assessorava dois membros seniores. Aos trinta, virou indispensável, não por amizade, mas por utilidade. Foi nessa fase que Caroline sumiu. Não sumiu literalmente, mas evaporou do radar dele. Quando Thiago partiu, ela ainda falava nele com leveza, chamando-o de “porto seguro irritante”. Eles cresceram lado a lado. Brincaram, discutiram, treinaram juntos, sobreviveram aos mesmos instrutores. Não havia

  • A Primeira Humana do Alfa Supremo   AR RESPIRÁVEL

    Rafael empurrou a porta da sala reservada e não olhou para trás. Não levou rancor. Não levou culpa. Levou só uma constatação simples: aquilo estava encerrado. No corredor silencioso do restaurante, ajeitou as mangas da camisa e caminhou com o foco de quem sabe exatamente o próximo passo. O relógio marcava 16h12. Ele teria tempo suficiente para o voo de volta. E lembrou da ausência de um único instinto dentro de si: não havia laço, não havia puxão no vínculo, nem o lobo reconhecia aquele filhote como seu. Fazia sentido agora. O celular vibrou. Leonel. Rafael atendeu sem rodeios: — Diga. — E então? — Leonel foi direto. — Como foi? — Dentro do esperado. O barulho constante do motor do táxi preencheu a pausa. — Precisa que eu siga acompanhando Caroline? — Leonel insistiu. Rafael observou o próprio reflexo no vidro: olhos claros, centrados, nada quebrado ali. Só decisão. — Não. Thiago assume daqui para frente. Ela não é uma ameaça. Não pra mim. Não pra Liand

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status