LOGINOs mates deveriam proteger uns aos outros, mas por que os meus continuam a dilacerar a minha alma. ********* Como mate do Alpha Ronald, pensei que tinha acertado na loteria, mas o tempo provou que aquilo foi a pior coisa que já me aconteceu. Agora eu ficava me perguntando se a própria deusa me havia abandonado. Justo quando eu já tinha desistido de tudo, algo que eu pensava ser impossível aconteceu com uma Omega como eu. Encontrei outro mate, outro Alpha. Será ele a minha salvação ou a minha ruína? Será que este me trataria bem ou seria igual ao meu outro mate? Com o coração ainda frágil de todos os abusos que eu tinha sofrido, eu não tinha certeza se podia me dar ao luxo de confiar novamente. Ainda assim, algo naquele estranho parecia me atrair, fazendo-me perguntar se finalmente receberia o amor que mereço, ou se ele era apenas um monstro maior de terno.
View MoreVALERIE
— Mais forte, Alfa. — Minha irmã mais velha, Tania, segurava-se com força na cama, enquanto o Alfa, que por acaso era meu companheiro destinado, a possuía por trás. Eu estava sentada em uma cadeira de madeira, de frente para os dois, obrigada a observá-los. Meus braços, amarrados à cadeira, estavam cobertos por marcas de infidelidade, o tipo de marca que só aparece quando o seu companheiro destinado está traindo você. Mas, embora as marcas doessem, eu não gritava, nem sequer fazia uma careta ou reagia à dor de qualquer forma, nem mesmo à que havia no meu peito. Eu já estava acostumada. Durante três anos, desde que descobri que Alpha Ronald Ewan era meu companheiro destinado, fui obrigada a suportar isso. Ele não me deixava ir embora nem me rejeitava, porque estar com a própria companheira destinada "era bom". Também não me faria sua Luna, porque eu não era digna da posição. Ele queria ter o melhor dos dois mundos. — O que você acha, pequena companheira? Acha que ela está recebendo bem o meu pau? — perguntou, com um sorriso debochado. Revirei os olhos, ignorando a pergunta. Mas, como sempre, o Alfa não aceitou isso. Ele saiu de dentro da minha irmã e caminhou até parar diante de mim. Segurou meu queixo com força e me obrigou a olhar para cima. Ele estava diante de mim, completamente nu e excitado, mas eu não sentia nada além de um profundo nojo. Nenhuma faísca do vínculo, nenhuma atração, nenhum cheiro, nada, diferente de quando senti o vínculo pela primeira vez, três anos antes, antes de descobrir que ele era o diabo. O ódio que eu sentia por aquele homem era mais forte do que o próprio vínculo de companheiros destinados. O ódio havia se enraizado tão profundamente no meu coração que superava a força do vínculo. — Responda, antes que eu enfie isso na sua boca. Meu estômago se revirou. Não apenas por causa do que ele disse, mas porque eu sabia que ele faria isso. Ele já tinha feito isso comigo inúmeras vezes. Meu maior desejo era me livrar dele. Mas eu não podia rejeitá-lo. Ele era um Alfa, e eu era apenas uma Ômega. Rejeitá-lo me mataria. Mesmo que, por alguma chance remota, eu sobrevivesse, minha loba certamente morreria. — Sim. — sibilei. — Ela está recebendo muito bem o seu maldito pau. Então olhei para a garota à minha frente, minha irmã. O próprio rosto da traição. O mal em carne e osso. Havia um sorriso de satisfação em seu rosto enquanto me observava. Ela estava gostando demais daquilo — da minha humilhação. Antes de completar dezoito anos e descobrir que Alpha Ronald e eu éramos companheiros destinados, eu tinha uma queda por ele. Mas então descobri que minha irmã também gostava dele, então desisti para que ela pudesse ficar com ele. Até aquele fatídico dia, quando nossa alcateia sediou o baile de acasalamento, e aconteceu de eu ser destinada ao Alfa. Tania ficou histérica. Ela me acusou de ser uma bruxa e de tirar tudo o que ela sempre quis. Depois prometeu que se vingaria de mim, uma vingança que me destruiria de forma tão profunda que eu jamais conseguiria me recuperar. E ela conseguiu, porque eu estava destruída. — Posso me levantar agora? — perguntei ao Alpha, querendo ficar longe dos dois. Eu apenas esperava, do fundo do coração, que ele me poupasse hoje, que não me pedisse para me juntar a ele na cama. Ele sorriu de lado, e senti minha esperança ser esmagada. — Você sabe como eu adoro terminar com você, pequena Ômega. Não importa quantas eu prove, você continua sendo a melhor. Vi o olhar ardente da minha irmã sobre mim, com a mandíbula cerrada. Ela odiava a atenção que aquele Alfa idiota me dava. Ela fazia de tudo por ele, mas ele apenas transava com ela. Eu também odiava aquela atenção, mas a suportava só para ver aquela expressão no rosto dela. — Bastardo nojento. — murmurei, mas eu sabia que ele tinha me ouvido. Tania também ouviu, e odiou isso. Ela odiava o fato de que eu podia insultá-lo e sair impune, enquanto, se ela ousasse fazer o mesmo, seria a morte dela. O Alfa sorriu para mim, passando a mão sensualmente pela minha bochecha. — Sua boca imunda... — De repente, ele interrompeu a frase, como se algo tivesse chamado sua atenção. Imaginei que alguém tivesse lhe enviado um mindlink. Afinal, hoje era o baile de acasalamento, e nossa alcateia era a anfitriã deste ano. A atenção dele seria necessária. O sorriso idiota em seu rosto logo desapareceu, sendo substituído por uma expressão fechada. — Algum desgraçado quer tirar minha atenção de você, Ômega. Mas eu vou voltar e encher sua boca com o meu sêmen. Eu queria poder participar, mas, como sempre, não me era permitido comparecer a nenhuma cerimônia. Eu apenas ficava trancada em um quarto, recebendo roupas e comida, para depois ser usada para satisfazer o Alfa. Ainda segurando meu queixo, ele tentou me beijar, mas virei o rosto. Devia ser mesmo uma emergência, porque ele não tentou me forçar como normalmente fazia. Então ele saiu do quarto às pressas, deixando-me com minha irmã, enquanto ela pegava suas roupas e começava a se vestir. Também tentei me levantar para ir ao meu quarto, mas as amarras em minhas mãos me mantiveram presa. Felizmente, não estavam muito apertadas, já que o Alfa bastardo pretendia me soltar em breve para transar comigo. Tania começou a dizer alguma coisa para mim, provavelmente para zombar de mim, mas eu não ouvi absolutamente nada, porque um cheiro me atingiu. Um cheiro tão forte e tão irresistível que quase me fez desmaiar. Não! Eu já tinha sentido um cheiro assim antes, o cheiro de um companheiro destinado! Minha loba, que estava adormecida havia algum tempo, despertou e ronronou na minha mente. O que aquilo poderia significar? Eu já tinha um companheiro destinado, e aquele não era o cheiro dele. Por que eu estava sentindo o cheiro do meu companheiro destinado novamente, e por que a atração era tão forte? Ignorando minha irmã, saí do quarto em busca da origem daquele cheiro.POV de MarcelVirei-me para Solana enquanto ela guardava o último de seus pertences em uma mala. Agora ela tinha muito mais roupas, porque eu havia tomado para mim a responsabilidade de sempre comprar algumas para ela quando saía. Até mesmo comprei roupas íntimas para ela, o que me rendeu alguns olhares fulminantes, mas eu sabia que ela apreciava o gesto.— Está pronta? Minhas coisas já estão no carro.— Eu mesma posso carregar minhas malas.Soltei uma risada. — Eu sei que pode. Mas não precisa. Se não confia nas Ômegas para carregarem suas malas, posso fazer isso por você.— Ah, eu não disse que não confiava nelas. Você é quem está tirando essa conclusão.Não respondi. Em vez disso, puxei a mala dela para fora do quarto, carregando também suas bolsas menores.Quando chegamos ao carro, Klaus e Valerie já estavam lá, esperando por nós. Minha cunhada abriu um sorriso radiante ao nos ver.— Vou sentir sua falta por aqui. — disse ela a Solana, que pareceu confusa com aquilo. Provavelmente
SOLANA Nosso encontro para assistir ao filme terminou com Marcel e eu conversando descontraidamente sobre os personagens. Enquanto eu achava tudo aquilo encantador, Marcel considerava que eles estavam sendo dramáticos demais. Só quando começamos a discutir e rir percebi o quanto havia baixado a guarda naquela noite. Eu sentada entre as pernas dele, enquanto ele falava por cima do meu ombro, também não ajudava em nada.Eu estava tentada a fazer mais do que apenas conversar, mas me esforcei ao máximo para não ceder. Não queria complicar o que quer que existisse entre nós antes de entender completamente o que eu queria. Felizmente, Marcel parecia estar na mesma sintonia, pois não estava exatamente flertando nem tentando me seduzir. Ele estava apenas sendo... gentil. E eu não sabia como lidar com isso.O dia seguinte passou num piscar de olhos e, logo, me vi novamente na sede da matilha, sob a orientação do Alfa Niklaus.Marcel sugeriu que nós dois nos mudássemos para a sede da matilha
SOLANA Estávamos saindo da sede da matilha quando uma garota surgiu do nada e abraçou Marcel. Imaginei que fosse sua irmã.— Eu ia até aquela propriedade para procurar você — reclamou ela, em tom choroso.Marcel soltou uma risada enquanto bagunçava o cabelo dela, e senti uma pontada de ciúme. Não porque ela estivesse agindo como se eu fosse invisível, mas porque conseguia sentir o vínculo entre irmãos que existia entre eles — algo que nunca tive a oportunidade de experimentar com Ronald.— Do que você precisa desta vez, pirralha?Ela revirou os olhos.— É o Klaus. Estou cansada dele.Marcel caiu na gargalhada.— Está vindo reclamar do Alfa para mim? O que posso fazer contra ele?Ela gemeu de frustração.— Converse com ele. Ele acha que sou uma criança.— E você é.Ela lançou-lhe um olhar furioso.— Marcel, por favor. Estamos no meio do semestre, e tenho perdido aulas. Klaus quer que eu me transfira para outra universidade aqui perto, mas não quero. Gosto de estudar lá.A expressão de
MARCEL Solana segurava minhas mãos com força enquanto eu a conduzia para dentro da sede da matilha. Para alguém que afirmava não querer nada comigo, ela estava grudada em mim. Os Ômegas que circulavam por ali, fazendo o possível para fingir que não nos viam, não ajudavam muito.— Por que estamos aqui, Marcel? Quem viemos ver? — perguntou ela, ainda assustada e desconfiada de mim.Enviei uma mensagem mental para Klaus.Onde você está?No meu escritório. Por que voltou tão cedo? Ela mandou você embora? — provocou ele, já sentindo minha presença.Sorri. Klaus e eu não tivemos o melhor relacionamento enquanto crescíamos, mas acredito que ainda não era tarde demais para consertá-lo.Ela tentou.— Marcel — Solana chamou meu nome novamente.Eu sabia que ela estava impaciente demais, então, em vez de usarmos as escadas, peguei o elevador até o último andar.Olhei para ela quando saímos, já diante do escritório do meu irmão. Ela tentava demonstrar coragem, mas o som de seu coração acelerado a












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