Compartir

Capítulo 2

Autor: Rafa Cabral
last update Fecha de publicación: 2023-05-22 02:12:40

A noite, não conseguia dormir. Minha mente estava ansiosa com o que estava por vir. Nunca fui boa atriz, muito pelo contrário, era péssima com mentiras. Jamais seria uma boa advogada defendendo bandidos e me assustava com a facilidade que alguns advogados tinham para inventar mentiras num tribunal... Como meu ex namorado. A causa de eu estar no fundo do poço a ponto de aceitar uma ideia maluca da Alison.

Pensar nele, me fez voltar meses atrás, quando eu pensava que tinha pego o caso que consolidaria minha carreira e poderia, finalmente conseguir um cargo superior. O Sr. Colleman foi enfático, eu coordenaria o caso e representaria frente ao tribunal ao lado de seu filho Daniel, o meu ex-namorado. Sr. Colleman não gostava de nos colocar no mesmo caso juntos, mas como era um caso importante Daniel insistiu em participar. Mas tudo começou numa reunião, quando Daniel decidiu passar por cima de mim.

— Alyssa, estive pensando, acho melhor você ficar com a papelada. Eu e Diogo representaremos Rosevelt no tribunal. — disse Daniel, cortando a minha fala quando o eu explicava o caso.

— Seu pai foi bem claro, Dan, eu vou representar. Não acredita em mim? — eu sabia que não, mas queria ouvi-lo dizer.

— Claro que sim, mas esse é um caso para homens, Alyssa. E já que conhece bem o caso, fique com a documentação. — ele sorria calmamente, antigamente aquele sorriso me fazia ceder, mas as coisas haviam mudado há muito tempo. Olhei para Diogo e esse sorria, com uma caneta na boca, se divertindo com a situação.

— Não! Não vou perder essa chance. Além disso, foi uma ordem do seu pai, não sua! — falei firme, mas Daniel manteve a expressão calma, sabendo que sempre conseguia o que queria.

— Você tocou num ponto interessante, meu pai, dono dessa empresa e que contratou você porque é minha namorada. — ele se inclinou para perto de mim. — Não me desafie, Alyssa, posso fazer você desaparecer dessa empresa.

— Tente! O único que está aqui por misericórdia é você, consegui esta vaga por mérito e pode ter certeza que seu pai vai me manter aqui. — alterei o tom de voz e me levantei enquanto falava, Diogo soltou um riso abafado e Daniel se reclinou na cadeira. — Agora se me dão licença, tenho que me preparar para o julgamento amanhã.

Saí da sala de reuniões a passos largos e com os nervos à flor da pele, mas fui parada por Daniel, que segurou meu braço me fazendo parar no meio do escritório. Olhei para ele, com tanto ódio, que era quase palpável. Foram quatro anos sendo chantageada, manipulada e traída. Não podia perder também a carreira que tanto lutei para conquistar. Era hora de dar um basta.

— Com quem pensa que está falando? — perguntou entredentes, tentando evitar chamar atenção.

— Chega Daniel! Chega das suas chantagens e manipulações. Eu cansei de ser seu fantoche! — quase gritei, atraindo a atenção de metade do pessoal do escritório. — Acabou!...

Aquelas palavras saíram como um torpedo e foi um alívio pronunciar elas em voz alta. Havia muito tempo que queria dize-las, mas antes que eu pudesse continuar e terminar de dizer tudo que precisava, ele pegou meu braço e me arrastou para uma parte afastada do escritório. Seu aperto era tão forte que estava me machucando.

— O que eu já te falei sobre fazer escândalos? — a voz alterada e as sobrancelhas arqueadas mostravam que eu consegui deixá-lo bem irritado.

— Não ligo para o que você disse! — antes que eu percebesse, ou pudesse reagir, ele acertou meu rosto com um tapa. A região logo ficou dolorida e começou a arder, coloquei a mão na parte acertada para tentar aliviar a dor.

— Eu vou destruir a sua vida Alyssa! — esbravejou próximo a mim, me encolhi na parede, fechando os olhos com força, temendo outro tapa ou algo pior.

— Se chegar perto de mim outra vez, vou ligar para a polícia — falei sentindo uma lágrima escapar. — e pode ter certeza que quem vai perder vai ser você. Eu cansei de ceder às suas ameaças.

Ele deu uma risada amarga e forçada.

— Duvido que consiga. Quem é você, Alyssa Keen? Nada além de uma pobre coitada! — murmurou se aproximando de mim.

— Já chega! — a voz mais velha e irritada do Sr. Colleman ecoou por meus ouvidos, afastando o zumbido e a presença sufocante de Daniel. — Pensei que eu fosse claro quanto a discussões no escritório!

— Sinto muito por isso, Sr. Colleman, mas Daniel quer eu deixe de representar Rosevelt no tribunal e fique apenas com a papelada. — falei com a voz fraca e a garganta seca, tentando ajustar com as mãos trêmulas o blazer que eu usava. O mais velho se virou para Daniel, com pena no olhar, por um momento pensei que ele fosse me defender e dizer algo sobre as agressões que eu sofri. Sozinha eu não teria voz, com ele seria diferente, mas seu semblante se tornou sério novamente e ele respondeu apenas:

— O caso é de Alyssa e como não sabe se comportar, ficará de fora. Agora voltem aos seus trabalhos! — ele se retirou primeiro, seguido por Daniel, que antes de sair me lançou um olhar feral.

Sozinha no caso Rosevelt, passei a tarde toda trabalhando e terminei em casa, tarde da noite. Cai no sono perto de finalizar a revisão, acordei tendo a sensação de ter ouvido a porta se fechar, mas não havia ninguém. O notebook ainda estava ligado e aproveitei para terminar a revisão antes de finalmente ir dormir.

No dia seguinte, assim que a juíza olhou para o documento, torceu o nariz e olhou para mim. Aquele foi o fim da minha carreira. Tive que ouvir um sermão do Sr. Colleman antes da temida frase "está demitida" sair de seu lábios. Todo o escritório me assistiu pegar minhas coisas e sair. Daniel, me olhava com um sorriso vitorioso e então me lembrei: ele tinha uma cópia da chave do meu apartamento.

As lembranças eram tão dolorosas que meu rosto já estava molhado pelas lágrimas. Não dava para tentar por a culpa em algo, Daniel tinha a chave, mas eu estava tão esgotada que poderia ter deixado aquele erro passar. E o que me restou era cometer um crime para sobreviver, que fase!

Cobri meu rosto com o travesseiro abafando um grito angustiado que se instalava na garganta toda vez que eu me lembrava do que aconteceu. A única coisa que eu podia dizer com certeza que não havia me arrependido, era de ter terminado definitivamente com Daniel. Ele nunca mais me procurou, um alívio, foram quatro anos sendo humilhada, chantageada, manipulada, traída, depreciada... Uma pena que me livrar dele me custou a carreira.

Tudo que eu queria era recomeçar minha vida e a proposta da Alison não era a melhor forma de fazer isso, mas se tornou o único caminho, conhecendo minha irmã, ela jamais me ajudaria sem pedir algo em troca. Até que ela estava sendo justa.

Não sei em que momento aconteceu, mas finalmente dormi. Um sono pesado e turbulento, onde eu parecia estar sendo arrastada por uma correnteza, como se quisesse me avisar que algo estava prestes a mudar.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A Proposta Imperdível    Capítulo 40

    No dia seguinte, eu tinha consulta com a psicóloga Anna, eu comecei a terapia quando comecei a ter pesadelos e estava me ajudando muito, Anna me ajudou a entender que nada foi minha culpa e a cada dia eu tinha menos pesadelos e me sentia mais forte para cuidar de um bebê. Meu maior medo era prejudicar o bebê com os sustos que eu levava a noite e a cada consulta era um alívio ouvir seu coração batendo. Não estava sendo fácil arcar com as despesas, algumas vezes precisei pedir ajuda a minha mãe meu pai As coisas não estavam fáceis, mas estávamos conseguindo. Após alguns minutos de conversa com a psicóloga, ela perguntou:— E como está sua relação com o pai do bebê? Já conversou com ele?— Sim... Quero dizer, mais ou menos, não conversamos sobre nós e o bebê, eu ainda estou evitando isso... Não consigo ignorar o que ele fez. — Não tem que ignorar, Aly, mas já se colocou no lugar dele? — a encarei, sem uma resposta. — Pelo o que você me disse ele passou anos acreditando que não podia t

  • A Proposta Imperdível    Capítulo 39

    Alyssa KeenTrês meses se passaram, estava trabalhando no caso que Louise conseguiu e minha barriga estava cada dia maior, já era notório que eu estava grávida. Ainda não tinha conseguido ver o sexo, estava com as perninhas fechadas, mas estava bem e era isso que importava. Meu médico, o Dr. Ryan Barr, era muito atencioso e sempre tentava me deixar tranquilo sobre tudo, apesar de que eu ainda me sentia insegura e com medo de não ser uma boa mãe. — Alyssa, eu gostaria de te convidar para jantar. — disse o doutor após a consulta me surpreendendo. Obviamente eu não queria me relacionar com ninguém, não depois de tudo e principalmente por ainda não ter esquecido o Viktor.— Doutor eu não acho que seja uma boa ideia envolvermos nossa vida particular. — Não estou te pedindo em casamento, é apenas um jantar. Como amigos… Eu ainda tinha um péssimo defeito, uma completa incapacidade de dizer não, algo que inclusive já me colocou em péssimas situações. Mesmo ciente disso, eu acabei aceitando

  • A Proposta Imperdível    Capítulo 38

    AlyssaOs dias foram se passando, continuei morando no apartamento da Louise, segundo ela era bom ter companhia, mas eu precisava dar um jeito na minha vida. Eu me sentia confusa, era como se eu estivesse numa roda gigante, estava em baixo, depois subi e estava novamente em baixo e ali era o ponto final, mas dessa vez eu não podia me permitir ser vencida, não por mim, mas pelo meu filho. Anos atrás eu não imaginava viver nada disso, me apaixonar e ter um filho. Antes de conhecer o Daniel pensava que conheceria o homem ideal num bar qualquer, seríamos bons amigos e nos casaríamos após conseguir um emprego estável, teríamos dois filhos e morariamos nos bairros residências. Daniel destruiu os planos, mas nunca pensei que engravidaria de um bilionário e cuidaria da criança sozinha. Conseguir um emprego estava fora de cogitação, ninguém contrataria uma grávida que estava envolvida em escândalos, mas eu pretendia usar a visibilidade que ganhei no falso caso da Alison para conseguir alguns

  • A Proposta Imperdível    Capítulo 37

    Alyssa Quando abri os olhos, logo percebi que não estava mais no aeroporto, minha vista ainda estava um pouco turva e uma dor de cabeça me atingiu. Olhei ao redor, percebendo que eu estava num quarto escuro, deitada num colchão no chão, o cheiro de mofo atingiu meu olfato conforme eu recuperava os sentidos. - Olá irmãzinha, finalmente acordou. - ouvi a voz de Alison, mas demorei perceber onde ela estava devido a pouca luz. - Onde eu estou? - perguntei com a voz falha. - Não importa, aliás, nada mais importa, em breve você vai morrer. - sua voz soou indiferente e ela acendeu uma vela, iluminando o lugar. Estava sentada numa cadeira de frente para mim e tinha um sorriso vitorioso. - Eu realmente não sei o que te fiz para que me odeie tanto. - falei, a percepção do que estava acontecendo fez com que as lágrimas molhasse meus olhos e a garganta se fechasse. Pela dor, pelo medo, pela decepção. - Você sempre foi a melhor. - Eu ainda sou a melhor e não odeio você, irmãzinha, eu só não g

  • A Proposta Imperdível    Capítulo 36

    Durante a noite, sem conseguir dormir, acessei o sistema da empresa, eu precisava ter notícias e por isso usei um código de rastreio completamente restrito, apenas eu e o governo tinha permissão legal para usá-lo e eu ainda poderia ser preso se o usasse sem justificativa. A justificativa é que eu estava desesperado. Digitei o nome da Alison e nada, da Jessyca também, mas tive sucesso com o nome de Daniel Colleman, um único objeto rastreável da Séculus parecia estar em seu carro e o carro estava estacionado num endereço em Manhattan, mas não havia nada ali, apenas um parque e um terreno vazio. Anotei o endereço e mandei para a Louise, ela era a pessoa mais próxima dos dois e a única que podia ter alguma informação. Mas ela não sabia dizer, então só me restava esperar o dia seguinte para ir até lá. Porém, na manhã seguinte as ruas estavam totalmente cobertas pela neve e mais uma vez parecia impossível sair do hotel. Eu queria resolver tudo o quanto antes, mas nada parecia contribuir pa

  • A Proposta Imperdível    Capítulo 35

    Viktor Bresson - Vamos para o meu escritório e você explica essa história direito. - falei sem saber se acreditava naquilo ou se era apenas uma brincadeira sem noção das duas. Subimos para o meu escritório, decidi ouvir o que Louise tinha a dizer antes de qualquer julgamento, ela estava muito nervosa e desesperada para ser mentira. Além disso, talvez ela pudesse me explicar porque a amiga estava brincando comigo, nem que revele apenas para que eu ajude. - Já pode começar a explicar. - Mathieu disse após fechar a porta do meu escritório. Louise olhou para ele e depois para mim, franzindo a sobrancelha. - Ele tem que participar disso? - perguntou apontando para Mat. - Tem. - respondi e ela suspirou, se sentando numa cadeira. - Alyssa me ligou avisando que estava voltando e que precisava de alguns documentos que ficaram no meu apartamento, pediu que eu a buscasse no aeroporto levando eles, pois ela precisava ir até a delegacia. - franzi o cenho quando mencionou a delegacia,

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status