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last update Fecha de publicación: 2024-10-01 20:38:29

Tristan

Algumas horas depois...

— Tristan? — Atlas, um dos ômegas mais próximos a mim fala assim que adentra a sala, onde uma mesa farta de café da manhã está exposta. — A quanto tempo, meu amigo? — Ele cantarola com ínfimo prazer, porém, apenas aponto uma cadeira para ele do outro lado da mesa.

— O que o traz aqui tão cedo, Atlas? — inquiro, servindo-me uma xícara de café e ele faz o mesmo em seguida.

— Eu preciso de um favor, Alfa. — Arqueio as sobrancelhas e aguardo que ele continue. — É sobre o ataque em Maldócia… — fala, referindo-se ao massacre na vila dos feiticeiros.

— O que tem Maldócia?

— É que, temos uma sobrevivente. — Confesso que essa informação me pegou de surpresa.

— E?

— Se você pudesse levá-la para a cidade consigo…

— Fora de cogitação. — O corto determinado.

— Alfa, se o Senhor pudesse protegê-la. — Ele insiste.

— E por que eu faria isso? — ralho com desdém.

— Hazel não tem mais ninguém, Alfa. Todos que ela amava e confiava morreram. E se ela ficar aqui, com certeza não sobreviverá. — Franzo a testa.

— Você disse… ela?

— É uma jovem que precisa da sua proteção, Alfa. Algo que só um Alfa supremo poderá lhe dar.

Droga, eu devia dizer-lhe que não. Mas me pego perguntando:

— E onde ela está agora?

— Está lá fora. Se o Senhor me permitir, pedirei para ela entrar.

Trinco o maxilar enquanto penso se isso é o certo a se fazer. Uma garota da Maldócia jamais seria aceita por essa alcateia, ou qualquer outra alcateia. Ainda mais depois do que os seus líderes fizeram a uma criança inocente e indefesa. Sim, ela com certeza morreria pelas mãos dos lobos nesse lugar. Portanto, me pego acenando um sim para Atlas, dando-lhe um fio de esperança. Então ele imediatamente se levanta da sua cadeira e sai da sala com passos largos, voltando minutos depois com uma garota suja e assanhada.

Um par de olhos azuis indomáveis me fitam, porém, a sua cabeça está levemente abaixada. Sim, ela sabe quem eu sou e provavelmente Atlas deve ter lhe dado instruções de como se comportar diante de mim. No entanto, me levanto e dou alguns passos na sua direção, avaliando-a por alguns míseros segundos.

— Qual é o seu nome? — pergunto firme, porém, ela não me responde. Apenas continua olhando para baixo, à medida que me aproximo desse ser de estatura mediana e corpo franzino.

— Ela se chama Hazel, Alfa.

Sem dizer qualquer palavra, levo dois dedos para debaixo do seu queixo e a faço erguer os seus olhos para mim. Uma pressão se aloja no meu peito, quando vejo a dor estampada em suas retinas.

— Está com fome? — Em resposta, os seus olhos correm imediatamente para a mesa farta e depois retornam para mim. Portanto, faço um gesto sutil para um dos meus homens em pé dentro do cômodo e ele imediatamente se aproxima. — Sirva mais um prato e a faça sentar-se à mesa — ordeno e encaro o Atlas em seguida, que parece satisfeito com a minha atitude. Contudo, ele engole o projeto de um sorriso que insinuou se abrir em sua boca. — E você, venha comigo!

— Obrigado por isso, Alfa! — Atlas sibila assim que entramos no meu pequeno escritório, segurando uma euforia com um suspiro alto e aliviado.

— Eu disse que ficaria com ela…

— Mas, Alfa… — Faço um gesto de mãos para ele se calar.

— Ela é uma feiticeira, Atlas.

— Ela é apenas uma garota inocente e assustada.

— Entendo você, mas…

— Se alguém aqui que pode protegê-la. Esse alguém é o Senhor, Alfa! — Ele insiste, porém, faz uma reverência, deixando bem claro que a decisão é minha.

Merda!

Proteger uma feiticeira é ir contra a regra das alcateias. Hazel nuca será aceita por ele e isso não tem nada a ver com o assassinato e sim, com a sua origem.

Respiro fundo.

— Não peço que faça muito, Alfa. Apenas a leve para a cidade. Dê-lhe algo para fazer e deixe o resto com ela.

Pressiono os lábios.

A pior parte é que ele tem razão. Se ficar Hazel será morta como todos de sua vila. Mas se a levar comigo…

— Tudo bem! Peça que se prepare para seguir viagem comigo. Mas não vou aturar uma garota bisbilhoteira e intrometida. Hazel poderá ficar em minha casa até que se estabeleça e depois, ela segue o seu caminho sozinha.

— Obrigado, Alfa!

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Último capítulo

  • A REDENÇÃO DO ALFA - O LEGADO DO REI   Epílogo

    TristanAlguns anos depois…— Pense rápido, rapaz! — Atlas fala de repente, jogando uma bola de futebol americano na direção de kael, que inesperadamente dá um salto tão alto, pregando-a no ar, me fazendo sorrir de orgulho. — Trouxe a planilha para verificação do crescimento da sua empresa no mundo dos humanos. — Meu Beta me estende uma pasta com a logo da Tybalt Empreendimentos e eu lanço um rabo de olho para a minha linda esposa, que conversa animada com Asterin e Aleron.— Agora não, Atlas.— Pensei que tivesse urgência, Alfa.— E tenho, mas não na hora do churrasco em família. Hazel pode até ser uma Santa, mas ela vira uma fera quando misturo negócios e família — ralho divertido e ele ri.— Um lobo de sorte. Isso daria um título para um bom livro. — Ele resmunga no mesmo tom. — Vou deixar no seu escritório.— Faça isso e venha participar do nosso almoço.— Certo, Alfa.Enquanto Atlas se afasta para entrar na mansão, eu vou ao encontro da minha garota. E embora o cheiro maravilhoso

  • A REDENÇÃO DO ALFA - O LEGADO DO REI   79

    TristanMeses depois…A maior honra de Alfa é cumprir com a sua palavra. Eu jurei manter o meu povo em segurança e estou cumprindo a minha promessa. A alcateia está feliz e mais unida do que nunca, mesmo com a mistura das raças. Lobos amarelos e cinzentos unidos como um só povo. Em meses não temos uma batalha, ou qualquer desavença. Por onde passamos trilhamos um caminho de paz e de novas amizades, e fazer festas tornou-se um hábito de comemoração.— Senhor Tybalt, o Senhor ainda não está pronto? — Anabela ralha, adentrando o meu quarto e eu a encaro em frente ao espelho. — Vamos, deixe-me ajudá-lo. — Ela pede e eu me viro para ficar de frente para ela. Minha assistente humana imediatamente se aproxima e começa a arrumar a minha gravata borboleta no meu pescoço.— Como ela está? — Procuro saber por que não a vejo a horas.— Eles estão muito bem, Senhor Tybalt, mas o Senhor não me parece nada bem.Bufo em resposta.— Agora só mais um pequeno detalhe. — A mulher resmunga sorridente. — P

  • A REDENÇÃO DO ALFA - O LEGADO DO REI   78

    HazelUma vampira. A Luna é a vampira que matou o Tino. Como lido com isso agora? E por que ela estava tão próxima do Tristan daquela maneira? Essas interrogações preenchem a minha cabeça a medida que corro como uma condenada para longe do casarão.Mas, para onde ir? Onde me esconder?Os meus bebês! Penso, agora apavorada e quando estou a um passo de adentrar a mata, paro bruscamente encarando um par de olhos vermelhos._ Será que não vê? _ Luna fala dando um passo ameaçador na minha direção.Engulo em seco, afastando-me dela cautelosamente. Contudo, estou me perguntando..._ Por quê?Luna abre um sorriso Malévolo e seus olhos se erguem para o céu escuro. Ela contempla a lua bem no centro da escuridão. Depois, ela me olha outra vez e com um olhar está bichão me responde:_ Nós vampiros somos um povo de elite, Hazel. Somos supremos e poderosos. E sempre estivemos no topo de tudo. Para nós vampiros nunca foi difícil manter Lobos em seus territórios. Eles não passam de férias. Bestas ir

  • A REDENÇÃO DO ALFA - O LEGADO DO REI   77

    Tristan— O que você está me dizendo? — indago tenso para uma Hazel ofegante e eufórica, olhando-me com extremo espanto.— Que o Tino acordou.— Impossível! — Atlas fala, atraindo o olhar assustado de Hazel para ele. — O humano estava morto.Não digo nada. Apenas saio apressado do escritório para ver com os meus próprios olhos. Atlas tem razão. A raça humana é deveras frágil demais. Uma vez morta, ela não se regenera, não volta a vida. E temo que só exista uma explicação para isso.Vampiros. Há décadas não vejo um aqui na Inglaterra.Pelos deuses, espero estar engando.Mas não estou. Penso adentrando o salão quase vazio se não fosse pelo garoto franzino em pé perto de uma janela admirando a lua nova, escondendo-se parcialmente entre as poucas nuvens densas em um céu escuro. Cauteloso, adentro o cômodo e o observo respirar fundo.— É incrível. — Tino sibila sem ao menos se virar para me olhar. — Eu consigo sentir o seu cheiro canino. — Então ele se vira e me olha nos olhos. — Qual a po

  • A REDENÇÃO DO ALFA - O LEGADO DO REI   76

    Hazel— Eu sei — lamento. — O médico disse que estou por um fio de abortar os bebês.— O que? Por quê? — Asterin parece atordoada.— Os chás que a Luna fazia eram abortivos. — Minha amiga solta um grunhido de desagrado.— Que os deuses a façam queimar nas brasas ardentes do inferno! — Ela rosna irritada. — Não é para menos que o Alfa está furioso.Suspiro baixo.— Não é para menos — repito.— Ok, se deite e descanse, Hazel. Eu ficarei por perto para que ela não se aproxime de você.— Obrigada, Asterin!A observo sair do cômodo e fechar a porta atrás de si. Contudo, percebo a sua sombra por debaixo da porta e eu sei que Asterin não arredará os seus pés de perto desse quarto. Os minutos se avançam entre um carinho e outro, até que a sonolência me absorve.***Algumas horas depois...Abrir os meus olhos e encontrar o pôr do sol atrás das montanhas me deixa um tanto surpresa. Droga, eu dormi praticamente o dia inteiro! Resmungo mentalmente e ao me sentar no meio da cama, encontro uma band

  • A REDENÇÃO DO ALFA - O LEGADO DO REI   75

    HazelDois bebês. A profecia finalmente se cumpriu. Novas raças surgirão. Fortes e imponentes. Respeitada e adorada por todas as nações. Um Alfa de coração puro e uma santa propagarão a terra, trarão a paz e protegerão para os mais fracos. Contudo, o meu coração está em festa, mas não pelo cumprimento dessa profecia em si. E sim, porque esses bebês são o fruto de um amor forte o suficiente para enfrentar o mundo. Feliz, olho para Tristan que está do meu lado. Entretanto, ele não parece estar aqui realmente. Seus olhos e pensamentos parecem distantes. E sua fisionomia rígida demais me diz exatamente no que ele está pensando. Portanto, seguro na sua mão, o absorvendo desses pensamentos. Seu olhar encontra o meu. E ele se suaviza imediatamente.— No que está penando? — pergunto, mesmo sabendo da sua resposta.— Ela tentou matá-los. E tentou matá-la também. Não sei o que seria de mim se...— Shiii! — Não permito que ele termine essa frase. Portanto, levo dois dedos meus para os seus lábio

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