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last update Data de publicação: 2023-01-21 01:30:16

Daniel 

Olho para o maldito jornal outra vez e não acredito no comentário que o cretino fez durante a entrevista. Puto da vida, jogo o papel em cima da minha mesa e a porta do meu escritório se abre no mesmo instante.  Jonas Brito, meu assessor adentra a minha sala e seus olhos cautelosos me encaram por trás da armação dos óculos de grau, acompanhando cada gesto meu, ainda sentado em minha cadeira de couro negro. Enquanto giro-a lentamente de um lado para o outro e o meu dedo indicador roça a barba por fazer, demonstrando a minha paciência que já está no limite.

— Mandou me chamar, senhor Ávila? — O tom de voz cauteloso, me faz fechar as mãos em punho.

— Sente-se! — ordeno com um tom seco e duro. O rapaz engole em seco e se senta na cadeira de frente da minha mesa, sem desgrudar os seus olhos de cima de mim. Ele sabe que não tolero erros e principalmente, sabe o quanto sou exigente com os meus empregados.

— Aconteceu alguma coisa, senhor? — inquire com voz levemente trêmula. Em resposta, jogo o jornal em sua direção. Ele o segura, mas ainda não compreende o que pode ter me levado ao limite.

— Leia! — Dou outra ordem fria. Ele limpa a garganta, se ajeita em cima da cadeira e abre o jornal na primeira página, fixando os seus olhos nele.

— Eu não entendo, senhor Ávila — sibila. 

— O que você não entendeu, Jonas?

— É que... não foi isso que combinei com Adrian Moris. Ele saiu daqui com as palavras decoradas, sabia exatamente o que falar e o que não falar. Não entendo por que ele disse isso. — Inclino-me sobre o tampo da mesa, apoiando as minhas mãos sobre a mesma e chego mais perto do meu assessor.

— Quero uma reunião com esse imbecil ainda hoje. Quero saber por que falou sobre o projeto antes do lançamento de marketing e pior, antes de chegar ao mercado. O que é isso, Jonas? — questiono furioso, puxando o jornal das suas mãos e o amasso bem na sua frente. — Espionagem, porra? Querem derrubar o meu nome, o meu império? — rujo em fúria.

— Nã-não, s-senhor Ávila! Nunca! Isso jamais! — Fico de pé, agigantando-me diante do homem e este parece se encolher em cima da cadeira.

— Ligue para Adrian agora, quero aquele idiota aqui em dez minutos! — berro alto. Jonas levanta da cadeira em um rompante e sai da sala como um raio. Volto a sentar-me na minha cadeira e giro a mesma na direção das paredes de vidro. Daqui posso ver todo o Rio de Janeiro quase que inteiro. A imensa e poluída cidade, o seu trânsito caótico. Tudo parece tão pequenino e tão distante de mim. Respiro fundo e me deixo levar para dias felizes que já não tenho mais.

 (Memórias...)

— Querida, já cheguei! — falo assim que entro na sala do apartamento que acabamos de comprar. Faz cinco meses que estamos casados e posso afirmar que somos o casal mais feliz desse mundo. Eu a amo tanto que chega a doer dentro do meu peito. Largo a pequena valise em cima do sofá da sala e afrouxo a gravata de seda em meu pescoço. Suzy surge na sala com seu lindo sorriso de menina nos lábios. Ela está usando um vestido justo em sua cintura e rodado na parte de baixo. Enquanto caminho em sua direção, abro os dois primeiros botões da minha camisa e me aproximo-me da minha linda esposa, levando as mãos a sua cintura.

— Estava contando os minutos para você chegar — confessa, acariciando os meus cabelos. Eu a beijo de leve e inalo o seu cheiro suave de flores do campo, sentindo-me em casa outra vez.

— Passei o dia inteiro pensando em você, meu amor. Foram horas terríveis até chegar aqui. — Seu sorriso cresce e ela morde o lábio inferior.

— Ount, sentiu saudades? — Ela praticamente geme a indagação, fazendo o meu coração bater feito um louco.

— Muita. — Tomo sua boca na minha em um beijo sôfrego e cheio de saudades.

— Tenho uma surpresa para você… 

 Sou despertado pelo barulho do telefone em cima da minha mesa e bufo audivelmente, atendendo logo em seguida.

— Fala, Estela. 

— Doutor Ávila, o senhor Brito pediu para avisá-lo que o senhor Moris já está vindo para a empresa. — Minha secretária avisa.

— Prepare a sala de reuniões. E, não quero ser interrompido por ninguém enquanto estiver com ele — peço.

—Sim, senhor Ávila! Só para lembrar, o senhor tem uma reunião na escola do pequeno Christopher. — Fecho os olhos e esfrego o meu rosto.

— Não vou poder ir, Estela. Ligue para minha mãe e peça para ela resolver essa pendência, por favor!

— Mas, senhor Á… — Desligo o telefone, porque não quero ouvir as suas insistências. Desde que Suzy morreu naquela m*****a sala de parto, entreguei os cuidados de Christopher aos meus pais, e, embora eles insistam que eu me aproxime do meu filho, eu não consigo, não tenho forças para olhá-lo nos olhos, nem mesmo para ouvir o som da sua voz. Sempre estou empenhado no meu trabalho. Quando saio de casa ele ainda está dormindo e quando volto o encontro dormindo também, assim, mantenho a distância que preciso dele. Me levanto da cadeira e pego o outro jornal que está dobrado sobre a mesinha de centro, e saio da sala sem olhar para minha secretária em sua mesa. Sigo direto para sala de reuniões, abro a porta e vejo a causa da minha dor de cabeça sentado em uma das cadeiras da imponente mesa de reuniões mexendo em seu celular distraidamente. Fito Jonas, que ao perceber minha presença logo se põe de pé.

— Senhor Ávila! — Ele diz com voz estremecida, chamando a atenção de Moris, que apressadamente guarda o celular no bolso da calça e levanta-se da sua cadeira. Ele abre um sorriso falso me estendendo uma mão.

— Senhor Daniel Ávila, que imenso prazer! Gostou da nossa entrevista? — inquire. O imbecil não esconde a sua felicidade ao tocar no assunto.

— Fala dessa merda aqui? — rosno, jogando o jornal em sua cara. Ele segura as folhas que caem desordenadas e assisto o seu sorriso desaparecer do rosto quadrado e empalidece em seguida. — Que porra você pensou que estava fazendo divulgando um produto que nem se quer lhe dei autorização para ser citado?! — Ele balbucia algumas vezes.

— Senhor Ávila, é tudo uma questão de marketing…

— Marketing? — rosno. —Marketing, senhor Moris? — Chego tão perto do seu rosto, que posso sentir a sua respiração ofegante bater em minha pele e mantenho os meus olhos formes nos seus. — Não sei se percebeu, mas aqui nessa porra toda quem manda e desmanda sou eu! E se eu mandar você respirar, você respira, senhor Moris! Se eu ordenar que pule de um prédio de vinte quatro andares, você pula! Então não me venha falar de marketing, porque eu não me lembro de ter lhe dado qualquer autorização para isso. — Seus olhos vacilam e ele se afasta um pouco de mim, ajeitando o seu terno em seu corpo e respira fundo.

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Último capítulo

  • A Redenção do CEO   223

    Christopher Ávila— E aí cara? — Ele diz e bebe direto no gargalo, enquanto observa o movimento do salão. — Me ignorou o dia inteiro, está pensando em fugir do país? — Ele brinca e me olha, mas, continuo sério.— Podemos tomar uma, só nós dois?— Hi, olha só! Cara, se está pensando em se declarar para mim, já vou avisando que estou noivo — fala, mostrando-me a aliança de ouro branco em seu anelar. Engulo em seco e outra vez perco a ação. — Estou brincando, cara! — ralha, dando altas gargalhadas. — Menos a parte de estar noivo. — Ele mexe a mão e o anel ofusca e diante da luz acesa. — Encontrei coragem e pedi a Bianca em casamento — confessa abrindo um sorriso largo demais. Forço um sorriso, seguido de uma animação e peço uma cerveja ao barman.— Nesse, meus parabéns, meu amigo! — Entrego-lhe uma garrafa e ergo a minha para um brinde. — Desejo toda a felicidade ao casal, vocês se merecem. — As garrafas batem de leve e tomo o líquido todo em dois goles, depois, me levanto do banco alto

  • A Redenção do CEO   222

    Christopher Ávila— Porque era para ser você… o tempo todo. — Ela sussurra inebriada. Confuso, eu uno as sobrancelhas.— Como assim? O que quer dizer com…— Nada, esquece. — Me interrompe e ousadamente se agacha na minha frente. PUTA QUE PARIU! Arfo. Ela não vai fazer o que eu estou pensando vai? Caralho, sim, ela vai.Logo sou envolvido por sua boca quente como o inferno, fazendo sucções lentas e sua língua habilidosa desliza lentamente pela pele fina e delicada com destreza. Merda! Merda! Merda! Estou perdido! O meu mundo está girando e girando sem parar. Bianca se concentra nas sucções e nos movimentos de sua mão e me pego assistindo o seu espetáculo sexy. Inevitavelmente seguro os cabelos negros e começo a mexer o meu quadril de encontro a sua boca atrevida. Ela geme, chupa, ordenha e eu sinto que estou arrastado para as águas agitadas do abismo. Sem qualquer aviso saio da sua boca, livro-me da parte de cima do seu biquíni, depois da minissaia de tecido e da calcinha. E, Deus, eu

  • A Redenção do CEO   221

    Christopher Ávila— Vai tomar seu café da manhã agora menino?— Gostaria de tomar na piscina, Jô. Será que você pode— Pode deixar, menino, eu preparo uma bandeja e já deixo lá para você.— Obrigado! — Passo o resto da manhã na piscina, tomo o meu desjejum por lá mesmo. As três da tarde os rapazes do time começam a chegar e de cara escuto um assobio apreciativo atrás de mim.— Caraca, essa casa é um show de linda! — Edu resmunga, olhando para todos os lados ao mesmo tempo. Ignoro os seus comentários.— É, e eu quero que ela continue fazendo o seu show depois dessa festa — retruco com tom seco. Ele dá de ombros e pula na piscina com roupa e tudo.— Piscina liberada, galeraaaa! — Edu grita, agitando a rapaziada, que pula na água em seguida.Perto das cinco da tarde, a casa está cheia e acredite, metade dos convidados eu nem conheço, e boa parte deles, está bem animada, falante, rindo e bebendo atoa. Convidei pouco mais de vinte pessoas, contudo, controlar quase cem é o cúmulo da loucura

  • A Redenção do CEO   220

    Christopher ÁvilaÀ noite, estou em casa e como sempre seguimos com a nossa rotina familiar e uma das normas da mamãe é jantar todos reunidos a mesa. O mesmo acontece no café da manhã e no almoço. Nada de negócios, trabalho ou assuntos de escola. É o nosso momento sagrado em família. E acredite, mesmo após tantos anos, ainda olho a mesa farta e a família linda com extrema satisfação. Como sempre, Daniel Ávila se senta em uma das pontas da mesa, e meu avô Dam na outra ponta. Em sequência vem a minha mãe do lado direito do meu pai e minha avó Sara do lado esquerdo do meu avô. Eu me sento de frente para a minha eterna Sorvetinho. A minha irmã Victória com seus dez anos de idade se senta do meu lado esquerdo e ao lado dela está Alice de cinco anos. Pois é, os homens dessa casa estão rodeados de lindas mulheres. Vick, como a chamamos carinhosamente está se tornando uma linda garota. Ela tem os traços fortes do meu pai. É morena, tem os cabelos negros e lisos, mas são curtos, com um corte m

  • A Redenção do CEO   219

    Christopher ÁvilaOnze anos antes...De vez em quando eu paro no tempo e começo a pensar na minha vida. Eu sei. Jovem demais para olhar para trás, mas as vezes é preciso. É algo inevitável, preciso rever o que eu fiz de bom e de ruim. E eu me perco as vezes nos bons atos. Os ruins procuro deletar ou consertar para seguir em frente. Caminho pela calçada a procura de um banco para me concentrar nas provas de final de ano.Desculpa, estou sendo evasivo com vocês, não é?Olho ao meu redor, observando a estrutura moderna do prédio de cinco andares. As paredes de tijolos amarronzados e as grandes janelas de vidros transparentes. Estou rodeado por um belo gramado e poucas árvores frondosas, e alguns alunos espalhados pelo perímetro. Estou no colégio e está quase na hora de iniciar o segundo horário. Me sento em um dos bancos de madeira branca e tiro o caderno de dentro da mochila. Amanhã faço dezoito e como presente dos meus pais, farei uma viagem sozinho. Isso é instigante, estou empolgado,

  • A Redenção do CEO   218

    IsabellyLogo estamos entrando no belíssimo restaurante e inevitavelmente observo as suas paredes cor de tabaco, iluminado por suas luzes amareladas dando ao lugar um ar rústico e romântico ao mesmo tempo. Os arranjos florais então por quase toda parte, ornamentados por minúsculas luzes brancas. No centro das mesas tem alguns castiçais com velas acesas e um arranjo de rosas vermelhas complementa o quadro romântico que mencionei. Contudo, um coração trançado por fios dourados com o nome LOVE dentro dele me chama a atenção e me pergunto se é um baile temático. Sabe, tipo Dia dos Namorados ou coisa assim. — Boa noite, senhora! — O maitre diz assim que damos dois passos para dentro do prédio. — Por aqui por favor. — Ok, isso não parece um tanto estranho? Quer dizer, ele não deveria perguntar pelas nossas reservas? Não contesto, apenas seguimos o homem a nossa frente e somos acomodados em uma das mesas bem perto de um palco que só percebi agora. Caramba, onde a Emily me trouxe a final? C

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