Compartir

####CAPÍTULO 02

last update Fecha de publicación: 2026-08-07 17:23:38

O medo se manifesta em todos os sentidos de Lise: um cheiro agudo de óleo e metal que envolve o interior do veículo, um som pulsante que ressoa em seus ouvidos como um aviso incessante, e um gosto metálico que invade sua boca, como se a própria ansiedade tivesse forma e substância.

Os pensamentos sobre a filha, o marido e a incompreensível impossibilidade de viver aquela situação trágica se aglomeram na mente da mulher, como nuvens escuras prestes a explodir em tempestade.

— E, de alguma forma, apesar de tudo, enquanto a escuridão da venda a cerca, Lise ainda está ali, lutando contra a maré de desespero que ameaça consumi-la por inteiro.

Quando o carro finalmente para, uma nova onda de ansiedade invade Lise.

— Ela é puxada para fora do veículo sem qualquer delicadeza, como se cada movimento a levasse mais fundo para dentro de um pesadelo que parece não ter fim.

O chão sob seus pés se transforma em uma superfície fria de concreto, cortante e impessoal, enquanto um odor forte de óleo, misturado com a umidade do subsolo, denuncia a presença de um mundo obscuro que existe logo abaixo da superfície da cidade.

A venda continua firme sobre os olhos de Lise, funcionando como uma prisão imutável que a impede de ver a realidade aterradora ao redor.

— Mesmo assim, os sons ao redor são intensos: passos pesados ecoam na mente da mãe, portas de ferro se abrem com rangidos angustiantes, e o eco distante de vozes masculinas parece sussurrar segredos obscuros e ameaças implícitas.

Pouco depois, em um clima de tensão que parece congelar o próprio tempo, a pequena Rose é devolvida aos braços de Lise.

— A menina continua dormindo, demonstrando uma preciosidade inocente demais para entender que foi brutalmente arrancada de sua vida e do conforto de seu lar.

O peso daquele momento é esmagador; Lise consegue sentir as batidas ritmadas do coração da filha contra o seu próprio peito, quase como uma música suave que contrasta profundamente com o caos e o pavor que as envolvem.

—E assim, abraçada àquele abrigo fugaz, Lise é forçada a subir por escadas escuras, sem saber se aquele caminho levará à libertação ou a mais tormentos.

— O elevador tem câmera… — murmura um dos sequestradores, com a voz entrecortada pelo nervosismo, como se essa informação pudesse diminuir a tensão que paira no ar pesado e denso do ambiente.

— Pelo escuro ninguém vê nada — responde o outro criminoso, com a indiferença de quem já se resignou ao horror daquela situação.

A cada degrau que sobe, Lise sente o chão tremer sob seus pés. A mulher tropeça várias vezes no trajeto, quase caindo a cada passo — não por fraqueza física, mas pela intensidade do seu desespero e pelo temor insuportável de perder a filha novamente.

— Elas sobem um, dois, três, quatro andares, até que uma porta pesada se fecha atrás delas com um som seco e definitivo, parecido com um golpe de machado cortando todas as suas esperanças ao meio.

Quando a venda é arrancada do rosto de Lise, a luz fraca do cômodo a faz piscar várias vezes para ajustar a visão.

— O gesto revela um quarto simples e pequeno, com paredes revestidas por uma substância estranha que exala um cheiro forte de produto químico — um isolamento acústico improvisado que faz o ambiente parecer ainda mais claustrofóbico.

Lise percebe que as paredes estão manchadas, como se aquele lugar tivesse uma história antiga, contada em silêncios forçados e gritos abafados.

O perigo daquela altura se apresenta claramente para Lise como um aviso a ser temido, trazendo a compreensão crescente de que mãe e filha não estão a salvo, mas apenas começam a adentrar a escuridão de um labirinto sem saída.

— Aqui, ninguém ouve você gritar — diz um dos homens, com a voz cortante como vidro, ressoando com uma frieza que gela o sangue de Lise.

As palavras, carregadas de uma ameaçadora veracidade, pairam no ar pesado do quarto, onde cada sílaba funciona como uma lâmina fina cortando a esperança.

À medida que o terror aumenta, Lise aperta Rose contra o peito.

— O gesto, embora instintivo, traz uma pequena chama de conforto em meio ao pavor, sendo um ato de puro amor materno tentando conter o abismo que ameaça engoli-las.

— Agora, vamos falar com o seu marido — diz o outro homem, já segurando o telefone celular como se fosse uma arma, com a tela brilhando em uma luz cruel e fria.

A ligação é colocada no viva-voz, e o som das chamadas ecoa pelo quarto pequeno como um martelo pesado na cabeça de Lise, reverberando a realidade do que está acontecendo.

— Alô? — A voz de Carter soa confusa do outro lado da linha, vindo como um eco distante da normalidade que Lise costumava conhecer, totalmente alheio ao pesadelo que se desenrola entre as paredes daquele cárcere improvisado.

— Temos sua esposa e sua filha — declara o sequestrador de forma direta.

O silêncio do outro lado da linha se torna absoluto, um peso mortal que faz Lise prender a própria respiração, enquanto cada segundo se arrasta, pesando ainda mais sobre o seu coração.

— O quê…?! — a voz de Carter falha, enquanto a realidade lentamente se infiltra em sua mente e o pânico começa a se transformar em um frio glacial e desesperador.

— Você vai providenciar vinte milhões de dólares. Se quiser vê-las vivas de novamente, exige o criminoso.

— Eu não consigo esse valor assim, do dia para a noite — responde Carter, com a voz trêmula denunciando a incredulidade e o choque que tomam conta dele.

— Preciso de prazo para falar com o banco…

— Você tem setenta e duas horas, e a contagem já começou. Fique avisado — decreta o homem.

As palavras do criminoso soam como uma condenação definitiva, um limite imposto que espreme o peito de Lise.

— O coração da mulher afunda ao ouvir a ameaça, e as lágrimas voltam a se formar em seus olhos, embora a vontade de permanecer forte pela filha ainda lute bravamente contra o desespero.

— Olhe bem — diz o homem.

O sequestrador se aproxima de Lise com o celular em mãos, filmando cada detalhe e capturando a fragilidade daquele momento.

— A câmera do aparelho desce até a pequena Rose adormecida nos braços da mãe, inocente e alheia à tempestade que se forma ao redor de ambas.

— Por enquanto, estão vivas — afirma a voz do homem em um tom tranquilo, totalmente desprovido de empatia, como se mãe e filha fossem meras peças em um jogo cruel.

— O resto depende de você, e o que você fará em setenta e duas horas pode determinar se este será o último momento em que você verá as duas.

Um sorriso sombrio se estampa no rosto do criminoso ao completar a frase. Lise sente o chão desmoronar sob seus pés, lutando com todas as suas forças contra a onda de pavor que ameaça consumir sua razão.

A ligação é encerrada abruptamente, e o tempo dentro do quarto parece entrar em um ritmo torturado e distorcido.

— As paredes do cativeiro, antes desconhecidas, tornam-se opressivas, como se quisessem engolir cada vestígio restante de esperança.

Sem um relógio por perto e sem qualquer certeza sobre o amanhã, resta apenas o medo impregnado no ar, tornando a atmosfera pesada, densa e aterrorizante.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A SEGUNDA CHANCE PARA O VIÚVO    ####EPÍLOGO FINAL

    Não acredito que a minha filha seja uma substituição de forma alguma; a minha pequena Lise tem a sua própria identidade, o seu caminho e a sua história única. —No entanto, o seu nome carrega amor puro e memória honrada, não dor ou trauma, e isso significa o mundo para mim.Beijo os seus cabelos loiros com devoção.— O papai ama muito você, sabia? — murmuro no seu ouvido.Ela nem sequer levanta a cabeça do meu ombro para responder:— Eu já sei, papai — diz ela, com ar espertinho.Dou uma risada gostosa, apertando-a contra mim.— Ficou convencida agora? — brinco.— Não, é porque você fala isso para mim todo santo dia — responde a garotinha.— E vou continuar falando todos os dias da minha vida — garanto com ternura. Talvez eu repita isso tanto para os meus filhos justamente porque aprendi da forma mais dolorosa e cruel que nunca devemos guardar para o amanhã o amor que podemos demonstrar hoje.Observo novamente a cena completa do meu jardim: a Anne celebrando seus quinze anos acolhida

  • A SEGUNDA CHANCE PARA O VIÚVO    ####EPÍLOGO

    O VERDADEIRO FELIZES PARA SEMPRE CARTER Depois de toda a tragédia avassaladora que destruiu a minha vida no passado, se alguém tivesse me dito, dez anos atrás, que eu conseguiria me reerguer e encontrar a paz, provavelmente eu jamais acreditaria. — Naquele tempo sombrio e sufocante, eu não conseguia enxergar um único raio de luz além de tudo aquilo que havia perdido de forma brutal. — Minha primeira esposa estava morta, minha primogênita carregava marcas psicológicas profundas do trauma e eu permanecia acorrentado entre a culpa, o luto e uma quantidade infinita de perguntas sem resposta. Eu não vivia de verdade naquele período doentio; eu simplesmente sobrevivia e vegetava dia após dia. — Acordava pela manhã apenas porque o dever me obrigava a ficar de pé, trabalhava porque havia obrigações e responsabilidades gigantescas esperando por mim na holding, e respirava de forma mecânica porque o meu corpo continuava funcionando, mesmo quando a maior parte da minha alma já havi

  • A SEGUNDA CHANCE PARA O VIÚVO    ####CAPÍTULO 128

    RECOMEÇARCARTERDepois da prisão definitiva de Sabine e enquanto aguardamos o desenrolar dos trâmites judiciais, finalmente conseguimos resolver a situação legal da pequena Anne. —:O processo de adoção não aconteceu de uma hora para outra, pois exigiu avaliações criteriosas e etapas burocráticas, mas aquilo que durante tanto tempo representava apenas uma esperança distante transformou-se em uma linda realidade. —'A Anne já está conosco sob o mesmo teto, definitivamente integrada à nossa rotina familiar, e observar a maneira como ela e a Rose se aproximam e se apoiam a cada dia me faz compreender que o Harold tinha toda a razão quando disse que aquelas duas meninas precisavam desesperadamente uma da outra para curar as suas feridas.A atmosfera que respira na nossa casa também mudou completamente, refletindo a renovação que abençoou a nossa história. —A Isabela está grávida e a notícia trouxe uma onda de profunda felicidade que preencheu cada cômodo da mansão. —Não estamos esperan

  • A SEGUNDA CHANCE PARA O VIÚVO    ####CAPÍTULO 127

    Virei o rosto para o lado, incapaz de sustentar o olhar do homem que cobrava uma fortuna para me dar péssimas notícias.— O que você realmente pode fazer por mim a partir de hoje? — perguntei em um tom quase inaudível.— Posso construir uma defesa técnica agressiva para tentar anular a validade de cada prova que for apresentada — respondeu o jurista.— Isso é muito pouco diante da ameaça que estou enfrentando! — contestei.— É a única ferramenta que a lei coloca à nossa disposição neste momento — afirmou ele.— Eu estou pagando uma fortuna astronômica para esta banca de advocacia! — esbravejei, tentando usar o dinheiro como escudo.— O seu dinheiro paga a atuação de uma equipe altamente especializada, mas não compra a absolvição em um tribunal federal e nem apaga rastros bancários — sentenciou Miller com severidade.A minha respiração tornou-se acelerada e desordenada, denunciando o pavor que dominava o meu interior.— Você me prometeu que trabalharia para reduzir a minha pena ao míni

  • A SEGUNDA CHANCE PARA O VIÚVO    ####CAPÍTULO 126

    A ILUSÃO QUE SE DESFAZSABINERichard Miller cruzou a porta da minha cobertura sem demonstrar o mesmo controle absoluto de sempre.— Não que ele estivesse alterado ou gesticulando, até porque um criminalista da sua estatura dificilmente perderia a postura profissional, mas havia uma tensão diferente e perigosa na maneira como fechou a porta e colocou a pasta de couro sobre a mesa. E—le não se sentou de imediato; primeiro encarou o meu rosto em um silêncio pesado e analítico, e esse simples gesto foi o suficiente para fazer um arrepio incômodo percorrer a minha espinha.Sustentei o olhar dele com o resto de altivez que me sobrava, sentindo o estômago se contorcer em nós violentos.— O que aconteceu na penitenciária para você aparecer sem avisar, Miller? — perguntei, a minha voz saindo mais ríspida do que eu pretendia enquanto tentava disfarçar a tremedeira nas mãos.O advogado puxou a cadeira de couro devagar, acomodando-se com uma solenidade gélida antes de desferir o primeiro golpe

  • A SEGUNDA CHANCE PARA O VIÚVO    ####CAPÍTULO 125

    SABINEA aproximação das luzes estroboscópicas na avenida lá embaixo fez o meu estômago se contorcer em um espasmo violento.— O som distante das sirenes, que antes parecia um detalhe distante da rotina de Nova York, agora ecoava dentro do meu cérebro como a marcha fúnebre do meu próprio destino. — Eu continuava de joelhos sobre o mármore frio, encarando as rajadas de luz azul e vermelha refletidas na parede de vidro da cobertura.O ar sumiu dos meus pulmões. Levei as mãos ao pescoço, sentindo a garganta se fechar em uma crise de pânico sufocante. — A respiração saía em chiados curtos, rasgando o meu peito enquanto eu tentava racionalizar o irrealizável. O dinheiro acumulado, as estruturas corporativas nas Ilhas Cayman, a inteligência que sempre me colocara dez passos à frente de todos... nada disso existia mais. —Tudo fora reduzido a pó no segundo em que aquele contador miserável decidiu salvar a própria pele.— Não! Isso não pode estar acontecendo comigo, murmurei, a minha voz

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status