LOGINHelena Montenegro faria qualquer coisa para salvar a empresa que herdou do pai. Até mesmo aceitar um casamento por contrato com o homem mais poderoso e enigmático do país. Dante Valenti construiu um império guiado pela razão. Para ele, o casamento é apenas uma estratégia, e o amor nunca fez parte dos seus planos. O acordo entre os dois é simples: um ano de casamento, regras claras e nenhuma emoção. Mas, quando a convivência transforma desconfiança em parceria, e parceria em um sentimento impossível de controlar, o contrato deixa de ser a única coisa capaz de uni-los. Enquanto enfrentam disputas empresariais, traições e um inimigo que parece conhecer todos os passos de Dante, Helena descobre que o homem com quem se casou esconde um segredo capaz de destruir não apenas o acordo entre eles, mas todas as verdades em que acreditava. Em um jogo onde poder, confiança e amor caminham lado a lado, apenas uma pergunta permanece: O que acontece quando o coração decide quebrar todas as cláusulas de um contrato?
View MoreA escuridão tomou a estação.Helena não conseguia enxergar sequer a própria mão.O coração batia tão forte que parecia ecoar pelo prédio inteiro.— Dante?— Estou aqui.A mão dele encontrou a dela.Helena apertou seus dedos.— Não solte.— Nunca.Do outro lado da sala, Gabriel permanecia em silêncio.Então um estalo.Uma luz de emergência acendeu no corredor.Vermelha.Fraca.Suficiente para revelar os contornos dos três.E o sorriso desaparecido do rosto de Gabriel.— O que significa “a última parte do contrato”? — Dante perguntou.Gabriel olhou para as paredes.— Significa que alguém decidiu terminar o que começou anos atrás.— Quem?— Ainda não sei.Helena soltou a mão de Dante.— Chega.Gabriel a encarou.— Helena...— Não.Ela avançou.— Você acabou de dizer que é meu pai. A pessoa que estava no telefone também me chamou de filha. Meu pai apareceu em uma gravação. Você diz que existe outro homem. E agora alguém fala sobre o contrato.Sua voz tremia, mas ela não recuou.— Eu quero
Helena não conseguia desviar os olhos das telas.Eram muitas.Espalhadas pelas paredes da antiga estação, mostravam imagens captadas de diferentes lugares e momentos.Ela saindo de casa.Dante entrando no escritório.Os dois conversando com Henrique.Helena abraçando a mãe.A viagem até Vale Negro.Até mesmo momentos em que ela acreditava estar completamente sozinha.O estômago se revirou.— Há quanto tempo? — perguntou.O homem permaneceu parado diante deles.— Tempo suficiente.— Há quanto tempo você nos observa?— Desde antes de você saber que existia um contrato.Dante deu um passo à frente.— Quem é você?O homem olhou para ele.— Você ainda não entendeu?— Responda.Um sorriso discreto apareceu no rosto dele.— Eu sou Gabriel.Helena congelou.Dante virou lentamente para ela.— Gabriel?O homem assentiu.— Gabriel Montenegro.Helena sentiu o ar faltar.— Você...Ela olhou para o homem que acreditava conhecer como seu pai biológico.— Você disse que era meu pai.— Eu sou.— Então
O carro surgiu entre as árvores como um animal solto na escuridão.Helena mal teve tempo de respirar.Dante a puxou para o lado, e os dois correram em direção à mata enquanto os pneus derrapavam sobre a terra úmida.O veículo passou pela estrada em alta velocidade.Não parou.Não diminuiu.Apenas atravessou o ponto onde eles estavam segundos antes e desapareceu entre as árvores.Helena permaneceu imóvel, o coração disparado.— Você está bem?Dante segurou seu rosto entre as mãos.— Estou.— Tem certeza?— Sim.Ele a abraçou com força.Por alguns segundos, nenhum dos dois disse nada.Até que Helena se afastou.— A tatuagem.Dante olhou para ela.— Eu vi.— Era a mesma da fotografia.— Eu sei.— Então aquela pessoa está ligada ao meu pai.Dante não respondeu imediatamente.— Ou alguém quer que acreditemos nisso.Helena franziu a testa.— Você acha que a fotografia foi deixada de propósito?— Tenho certeza.Ele voltou até a estrada e pegou a fotografia.— E o horário também.23h17.Helen
O silêncio dentro da casa em Vale Negro parecia diferente naquela noite.Não era apenas silêncio.Era expectativa.Helena permanecia diante da mesa, olhando para o mapa antigo que Henrique havia aberto sobre a madeira. O ponto marcado em vermelho ficava alguns quilômetros além da estrada principal, onde os trilhos abandonados desapareciam entre árvores e estruturas corroídas pelo tempo.A estação.O lugar onde seu pai deveria ter morrido.Ou desaparecido.Ou, talvez, onde alguém queria que todos acreditassem que ele havia morrido.— Nós não podemos simplesmente ir até lá — Dante disse.Helena levantou os olhos.— E deixar meu pai esperando?— Não estou dizendo isso.Dante se aproximou e apoiou as mãos sobre a mesa.— Estou dizendo que alguém sabe que vamos para lá. Sabe exatamente onde estamos. Sabe o que ouvimos na gravação.Henrique permaneceu encostado perto da janela.— E sabe que um de nós não deveria chegar à estação.Gabriel fechou o maxilar.— Isso significa que existe alguém












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