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AS PRIMEIRAS PEÇAS DO TABULEIRO

last update Fecha de publicación: 2026-07-06 04:29:20

As Primeiras Peças do Tabuleiro

O relógio antigo da sala principal acabava de marcar sete horas quando a Fazenda Águas Profundas começou a despertar para mais um dia.

A claridade da manhã invadia lentamente as janelas altas da mansão, desenhando faixas douradas sobre o piso de madeira escura e revelando um cenário que misturava beleza e tensão.

Do lado de fora, os campos ainda guardavam marcas da tempestade da noite anterior. Algumas cercas permaneciam quebradas, os pneus dos veículos deixav
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Último capítulo

  • A SOBREVIVENTE VENDIDA PELO SANGUE, ESCOLHIDA PELO DESTINO    NÓS ÉRAMOS TRES

    A Fazenda Águas Profundas surgiu no horizonte quando o fim da tarde já derramava tons dourados e avermelhados sobre os campos, mas Elena não experimentou o alívio que costumava sentir ao reconhecer as cercas, os pastos extensos e a linha brilhante do lago entre as árvores. Durante toda a viagem de volta, a pequena caixa de Mirela permaneceu sobre suas pernas, protegida por seus braços como se carregasse algo vivo, enquanto a fotografia dos três irmãos estava guardada no bolso interno de sua jaqueta. Dante dirigia em silêncio ao seu lado, respeitando a necessidade que ela demonstrara de organizar pensamentos que pareciam grandes demais para caber dentro de si, e Lorenzo seguia no banco traseiro, igualmente calado. Algumas vezes, Elena ergueu os olhos para o retrovisor e encontrou o olhar dele. Não precisavam dizer nada. Cada vez que isso acontecia, uma nova lembrança parecia se mover dentro dela, ainda incompleta, mas mais próxima. Quando os portões da fazenda se abriram, porém, u

  • A SOBREVIVENTE VENDIDA PELO SANGUE, ESCOLHIDA PELO DESTINO    O IRMÃO QUE NÃO NÃO MORREU 2

    O segundo ruído metálico atravessou o compartimento secreto e interrompeu brutalmente o reencontro que Elena esperara durante uma vida inteira sem sequer saber que ainda esperava. O corpo de Lorenzo reagiu antes de qualquer palavra.Em um único movimento, ele a colocou atrás de si, enquanto Dante avançava pelo outro lado e Salvatore erguia a arma em direção às estantes do fundo. Valentina apagou uma das lanternas, reduzindo a quantidade de luz dentro do cômodo, e os dois homens da segurança assumiram posições próximas à porta. Elena permaneceu imóvel durante alguns segundos, o rosto ainda molhado pelas lágrimas, tentando fazer o coração compreender que acabara de recuperar o irmão e poderia estar prestes a entrar em outra armadilha preparada por Gael. Então percebeu Lorenzo diante dela, os ombros tensos, os braços ligeiramente afastados do corpo, formando uma barreira entre ela e o perigo. Uma lembrança surgiu tão violentamente que quase lhe arrancou o ar. O corredor daquela mesm

  • A SOBREVIVENTE VENDIDA PELO SANGUE, ESCOLHIDA PELO DESTINO    O IRMÃO QUE NÃO MORREU

    CAPÍTULO 12 — O IRMÃO QUE NÃO MORREUParte 1O nome de Lorenzo pareceu atravessar Elena por dentro antes mesmo que ela conseguisse compreender tudo o que significava. Durante alguns segundos, o cômodo secreto desapareceu ao redor dela. As caixas de documentos, os cofres, as fotografias, a luz fria das lanternas e até a presença de Dante deixaram de existir. Restou apenas aquele rosto diante do seu. Um rosto que ela acreditara apagado pelo tempo, mas que agora se reorganizava dentro da memória em fragmentos cada vez mais nítidos. Os olhos verdes. A cicatriz na sobrancelha. A maneira de inclinar a cabeça quando queria tranquilizá-la. O jeito de colocar o próprio corpo entre ela e qualquer ameaça. Tudo começou a voltar com uma violência silenciosa, não como uma única lembrança, mas como dezenas de pequenos estilhaços que encontravam o lugar certo depois de anos perdidos. Elena sentiu o ar desaparecer dos pulmões. Os dedos se fecharam ao redor da fotografia até o papel começar a ama

  • A SOBREVIVENTE VENDIDA PELO SANGUE, ESCOLHIDA PELO DESTINO    ATRÁS DA PORTA

    A porta de ferro permanecia diante deles como uma ferida que o casarão dos Vilaró passara anos tentando esconder. O antigo escritório de Gael parecia menor desde que Salvatore deslocara a enorme estante de madeira e revelara a passagem secreta, e a poeira levantada pelo movimento ainda flutuava sob os fachos de luz que atravessavam as persianas quebradas, misturando-se ao cheiro de mofo, ferrugem e madeira apodrecida. Do lado de fora, o vento atravessava as árvores abandonadas da propriedade e fazia uma veneziana bater em intervalos irregulares, produzindo um som que Elena reconheceu antes mesmo de compreender por quê. Quando criança, ouvira aquele mesmo ruído durante noites inteiras, deitada sem dormir, contando mentalmente os minutos até Gael chegar e tentando adivinhar, pela força com que ele fechava a porta principal, se vinha bêbado, irritado ou apenas procurando alguém sobre quem descarregar a própria brutalidade. Seus dedos se fecharam lentamente ao redor da mão de Dante. N

  • A SOBREVIVENTE VENDIDA PELO SANGUE, ESCOLHIDA PELO DESTINO    O RETORNO AO INFERNO 2

    O Retorno ao InfernoParte 2Durante alguns segundos, ninguém saiu dos veículos.O motor da caminhonete de Dante acabara de ser desligado, mas o calor ainda subia lentamente do capô, formando pequenas ondulações no ar frio da manhã. O silêncio era tão profundo que Elena conseguia ouvir o vento atravessando as árvores secas ao redor da propriedade. Não existiam vozes. Não havia cães latindo. Nem o canto de pássaros.Era como se até a natureza evitasse aquele lugar.O casarão dos Vilaró permanecia imóvel diante deles.A pintura branca desaparecera quase completamente sob o tempo. As janelas, antes protegidas por cortinas bordadas por Mirela, agora exibiam apenas vidros quebrados e tábuas apodrecidas. Parte da varanda principal havia cedido, e trepadeiras cobriam metade da fachada como se tentassem esconder as cicatrizes daquela construção.Elena respirou profundamente.O cheiro atingiu seu peito antes mesmo de dar o segundo passo.Madeira antiga. Terra molhada. Ferrugem.E um perfum

  • A SOBREVIVENTE VENDIDA PELO SANGUE, ESCOLHIDA PELO DESTINO    O RETORNO AO INFERNO

    O amanhecer chegou silencioso sobre a Fazenda Águas Profundas.Uma fina camada de neblina cobria os campos, escondendo parcialmente as cercas de madeira e transformando o lago em um espelho branco, imóvel e misterioso. O cheiro de terra molhada permanecia no ar desde a chuva da noite anterior, enquanto os primeiros raios de sol começavam a atravessar lentamente as copas das árvores centenárias que protegiam a entrada principal da propriedade.Na garagem da mansão, três veículos já estavam preparados.Nenhum ostentava o luxo normalmente associado a Dante Soranzo.Eram caminhonetes comuns, cobertas por uma fina camada de barro, exatamente como dezenas de outras que circulavam diariamente pelas estradas rurais da região. A discrição fazia parte da estratégia.Salvatore conferia pela terceira vez os equipamentos de comunicação. Valentina organizava os mapas impressos e os pequenos drones de reconhecimento dentro de uma mochila impermeável. Lorenzo caminhava ao redor dos veículos, veri

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