FAZER LOGIN— Alfa, o que vai fazer com ela? — Martin, o Beta, perguntou ao macho próximo a ele, que emitia uma aura fria e indiferente, enquanto olhavam para a figura no chão.
Martin estava fazendo a ronda quando sentiu o cheiro de um invasor e rapidamente foi atrás. Quando viu que era uma fêmea, ele a observou enquanto ela corria em direção à parte mais densa da floresta do bando. Ela era uma invasora e, então, ele a reconheceu pelo cheiro: ela era do Longfang Pack! O lobo dele agiu mais rápido do que ele e correu em direção à forasteira, derrubando-a em direção à cerca elétrica que rodeava o penhasco daquele lado.
Depois disso, ele a levou para o Alfa.
Rhys olhava para a fêmea de cabelos escuros como uma noite sem estrelas. O peito branco como neve dela estava meio exposto, aparecendo e desaparecendo de forma sedutora. Ele tinha uma expressão fria.
— Acordem-na. — A voz dele não carregava nem um pingo de piedade. — Andem!
Dois ômegas se aproximaram com os baldes de água fria e os despejaram em cima de Lucretia. Esta, que estava quase nua — não fosse pela fina manta que tinha sido jogada em cima dela por Martin.
Ela moveu-se imediatamente, o frio parecia entrar pelos ossos dela.
— Ah! — Lucretia choramingou. A água escorria do cabelo para o rosto, que mantinha abaixado. As mãos dela tremiam, bem como o corpo todo. — O quê…?
Lucretia levantou a mão e tentou tirar o excesso de água, piscando repetidas vezes até conseguir olhar melhor em volta. A visão dela estava um pouco embaçada, porém, ela conseguiu distinguir silhuetas. Ela congelou. Machos. Ela estava cercada de machos!
— Onde estou? Quem são vocês? — ela perguntou, enquanto lutava para que a visão dela focasse. Ela não reconhecia nenhuma daquelas pessoas. Havia um espelho não muito distante dali, que ia do chão ao teto, e isso permitiu que Lucretia olhasse para si.
O estado dela era realmente deplorável: além dos cabelos molhados como os de um gato que caiu num rio, o que mais chamou a atenção dela foi o fato de que estava praticamente nua! Se não fosse a água segurando o pano no lugar, colado ao corpo dela, ela estaria completamente nua!
Lucretia instintivamente tentou cobrir-se com os braços, encolhendo-se nela mesma.
— Não sabe onde está? Não foi você mesma quem entrou nesse território de livre e espontânea vontade?
Alguém perguntou e Lucretia levantou a cabeça, vendo ali um macho de cabelos bem curtos, quase raspados, e olhos muito escuros. Ele a observava com o que era claramente desprezo e deboche.
— Eu… eu…
A mente de Lucretia estava um caos, mas ela se lembrou então onde tinha ido: ela escolheu adentrar o território do Shadowblood Pack em vez de se jogar para a morte certa no precipício. Porém, agora, ela realmente duvidava que tivesse feito a escolha mais sábia: aqueles machos estavam olhando para ela com olhares assassinos.
Havia uma figura mais alta, mais corpulenta e que exalava uma aura poderosa. E foi nesse momento que Lucretia conseguiu enxergar perfeitamente. Entre os pingos de água, a imagem do homem apareceu: cabelos escuros, mais compridos em cima e bem mais raspado nas laterais, os olhos eram de um azul-cerúleo intenso, com cílios fartos e escuros, reforçando o formato afiado dos olhos dele. Os lábios estavam comprimidos e ele a olhava com uma fúria pouco contida. Aquele era o Alfa do ShadowBlood Pack, Rhys Jarsdel.
Lucretia sabia que ela estava perdida. Se não pensasse rápido, ela seria morta.
Rhys era filho do antigo Alfa, Joseph Jarsdel, assassinado em uma invasão ao bando anos antes. O motivo pelo qual o ShadowBlood tinha tanto ódio do Longfang Pack, afinal, se eles tivessem prestado socorro quando o pedido foi feito, Joseph ainda estaria vivo.
Ele começou a andar na direção de Lucretia, que sentiu todos os pelos do corpo se eriçando. Ela começou a se afastar dele, engatinhando de costas.
— Eu sei quem você é. Não tenho ideia do que veio buscar aqui, Lucretia Bellanti, mas a única coisa que vai receber é a morte. — O olhar dele era frio, sua voz, cortante. — Últimas palavras antes de morrer?
Lucretia engoliu em seco.
— Por favor, não me mate. — Ela pediu. Seu pai, Corrado, havia dito que uma filha de Alfa, a futura líder, não deveria implorar. Mas Lucretia precisava continuar viva! — Eu… eu posso te ajudar a se tornar o próximo Supremo!
Mentira? Não necessariamente. Porém, antes que qualquer outro pensamento flutuasse pela mente de Lucretia, ela sentiu os dedos quentes de Rhys em volta de sua garganta fina, apertando a garganta dela e lhe restringindo o ar.
— Ah!
— Agora, eu devo negociar com a sua laia?
Pontos negros começaram a se acumular na visão de Lucretia.
— P-por fav-vor…
A aura de Rhys era sufocante.
Mesmo na pouca iluminação, era possível ver as manchas que brilhavam contra a luz que entrava pela porta. As manchas estavam em todos os lugares, até mesmo no teto. — Como isso aconteceu? — Rhys perguntou. O corpo de Jamil estava a um canto, ou o que parecia ser os restos dele. Alguns membros da parte legista estavam ali. — Alfa, não temos ideia. Ninguém entrou ou saiu daqui, exceto para entregar a comida. E nem mesmo entra na cela para isso — Martin respondeu, seriamente. — Invadiram como fizeram quando ajudaram Jeane Bellanti a fugir. Não há sinais de arrombamento, nada. Rhys mostrou os dentes, sem emitir qualquer som. Ele não conseguia acreditar que ainda estavam usando magia contra eles. Só podia ser magia. Como alguém entraria ali sem isso? Ninguém é invisível. E se a porta fosse aberta, um dos guardas teria visto. — E o que os guardas disseram? Não sentiram o cheiro de sangue? — ele perguntou, então, apontou para o entorno. — Isso aqui não aconteceu em um segundo. Martin so
— Você quer mesmo ajudar? — ela perguntou e viu que ele ficou surpreso, mas logo, algo se acendeu nos olhos de Ben. — Sim! Eu quero! Só precisa me dizer o que quer que eu faça!Lucretia assentiu. — Muito bem. Vamos nos sentar em algum lugar para conversar. Mais tarde, quando Rhys voltou para o quarto, cansado, ele viu Lucretia muito tranquila. Ao mesmo tempo que ele achava isso ótimo, havia alguma coisa nela que estava diferente. Ele aproximou-se e a abraçou, beijando-lhe a testa. Lucretia fechou os olhos e inspirou fundo, sorrindo, pois o cheiro de Rhys a deixava tão confortável! — O que a minha adorável esposa andou fazendo? Lucretia levantou as duas sobrancelhas e se afastou um pouco, encarando o marido que estava de pé. — Fala como se eu estivesse aprontando algo. Rhys colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha dela. — Ah, mas eu sei que está. Você está com um olhar… — ele sorriu. — Se não quer me contar, tudo bem. Mas admita. Lucretia revirou os olhos. — Talvez eu est
Lucretia estava no quarto, lendo um pouco para espairecer. Ela não tinha muita vontade naquele momento de fazer nada, sentia-se exausta. Rhys a proibiu de ir atrás de Jeane, ou de Deidra, o que a deixou ainda mais para baixo. Segundo ele, ela precisava descansar. Mas Lucretia sabia que agora que eles haviam confirmado que ela era a predestinada dele, Rhys ficaria ainda mais protetor. Ela sorriu de leve e tocou a marca no pescoço. Dessa vez, não havia sumido e ela sabia que não sumiria nunca mais. Lucretia fechou os olhos e deixou-se relembrar aquele momento em que ouviram os lobos se reconhecendo, porém, alguém bateu na porta e a trouxe de volta à realidade. — Luna, tem uma visita para a senhora. — A voz de uma ômega soou do outro lado da porta. — E quem é? — O senhor Ben Duran. Lucretia franziu a testa. O que Ben ainda queria? Ele tinha sido libertado, e mandado de volta para o LongFang. Corrado não o expulsou do território, deixando-o continuar ali, mais afastado, como um ômeg
— Quem tá aí? — ela perguntou, com a voz rouca, fraca, e arranhando. A sensação era de um resfriado que se prolongava e deixava aquela secura inconveniente. Deidra queria levar a mão à garganta, mas não conseguiu. Estavam presas. — Quem tá aí?! Eu quero ir embora! Deidra estava apavorada. Onde ela estava e quem a tinha levado até ali? — Eu só quero ir embora, okay? Seja lá o que você quiser, podemos negociar. Meu marido é um Alfa! Ter casado com Kolby tinha que servir para alguma coisa. No entanto, uma risada estridente a fez sentir suas esperanças estilhaçando-se. — Parece que a minha querida filha não consegue nem mesmo sentir o meu cheiro! A própria mãe!Os olhos de Deidra se arregalaram e ela olhou com mais afinco para onde tinha ouvido o som, como se isso a fosse fazer enxergar melhor. — M-Mãe? — ela perguntou e então, sacudiu-se, querendo soltar-se. — Por que estou presa? Me tira daqui! Jeanie apareceu das sombras, no entanto, ela não parecia exatamente com ela mesma. Seus
Rhys estava furioso. Primeiro, Jeane, e agora, Deidra. Para ele, era evidente que as duas estavam juntas. Segundo o Alfa Sheffer, a jovem estava adormecida quando a mãe foi levada, o que significava que havia ou voltado para pegar a filha, ou alguém a moveu.— Não há qualquer sinal delas dentro do nosso território, até agora — Martin falou e soltou um suspiro. — Ninguém vira poeira desse jeito! — E Jamil ainda permanece onde estava, do mesmo jeito. Os guardas disseram que ele não se move, não fala. — Lucretia cruzou os braços e apoiou-se na mesa com o quadril. — Não acredito que ele não saiba de nada. Todos os que foram à julgamento na Reunião, incluindo Ben, tiveram uma conversa com Rhys. Porém, sem qualquer bom resultado. O pai de Lucretia já havia partido para o LongFang e tinha dado as ordens para que Jeane e Deidra fossem procuradas por lá, também. Corrado Bellanti sentia uma vergonha absurda, pois não só tinha sido feito de idiota, mas por uma bruxa, o que piorava tudo. Se o
— Ei! — Garret reclamou, mas Martin lhes deu um olhar de quem sabia o que estava falando. — Nunca se sabe quem está ouvindo. Por isso, é melhor vocês manterem a boquinha fechada. Agora, levantem esses rabos preguiçosos e vamos colocar esses corpos para funcionar! Os três soltaram um muxoxo, mas seguiram Martin até onde Larry e Barry estavam. Kolby andava de um lado para o outro. Deidra estava dormindo, em um sono que não parecia normal. Desde que ele chegou no dia anterior, ela não acordou. Imaginou que ela estivesse tendo um dia difícil, afinal, a mãe dela tinha sido presa. E isso porque ainda nem sabia que a mulher seria sentenciada à morte — ele não tinha ideia de que Jeane tinha fugido. Agora, Deidra continuava a dormir. Já era quase hora do almoço e não havia qualquer sinal de movimento. Ela permanecia no mesmo lugar, na mesma posição. Ele verificou o corpo dela, e não parecia ter nada de errado. Ela respirava, de maneira calma, realmente como se estivesse apenas cochilando







