INICIAR SESIÓNMinutos depois...
Acordei. Tinha acabado dormindo devido ao cansaço extremo. Meu corpo ainda doía, minha mente pesada, como se estivesse tentando emergir de um pesadelo que insistia em não acabar. Por um instante, não soube onde estava. Então tudo voltou. A floresta. Os homens. Annabell. E… ele. Engoli em seco, sentindo o peito apertar. Quanto tempo havia passado? Tentei mexer os braços, mas em vão. O moletom vermelho ainda me cobria, mas minhas pernas estavam expostas pelo vestido azul. Estranhamente, o frio da noite parecia menos intenso do que deveria, como se a escuridão tivesse engolido parte do vento. Cada som — um galho estalando, um sussurro distante, o farfalhar das folhas — fazia meu coração acelerar, lembrando-me de que não estava sozinha e que qualquer movimento errado poderia me entregar. Suspirei, fechando os olhos por um segundo. Queria voltar no tempo. Queria nunca ter saído de casa. Escutei o som de passos se aproximando Meu corpo enrijeceu. Virei o rosto lentamente na direção do som. Um homem surgiu de trás das árvores. Olhos cor de mel. Cabelos castanhos cacheados. Bonito. Mas… diferente. Não tinha a presença esmagadora do outro. Ainda assim, havia algo nele que me deixava alerta. — Creio que Aiden tenha falado de mim — disse ele, com naturalidade. — Sou Marlon. Ele disse, pacificamente. Franzi levemente a testa. Aiden... O nome ecoou na minha mente. — Ele pediu que eu viesse buscá-la. Observei enquanto ele se aproximava. Seus movimentos eram firmes. Seguros. Quase… silenciosos demais. Ele parou atrás de mim. Senti a tensão no corpo aumentar. E então — A corda cedeu. Solta. Rápido demais. Olhei para minha mãos, surpresa. Depois para ele. Não havia faca. Como ele tinha cortado a corda? Meu estômago revirou. — Levante-se. Sua voz era firme. Autoritária. Obedeci sem questionar. Minhas pernas tremeram quando tentei ficar de pé. — Vou ter que venda-lá — continuou ele. — Não podemos arriscar. Assenti, mesmo contrária a idéia. Mas que escolha tinha contra ele? Resumindo, não tinha escolha. Quando o pano cobriu meus olhos, a escuridão voltou. Mas dessa vez… era pior. Porque eu estava consciente. Vulnerável. — Vamos — disse ele. Senti suas mãos me guiarem. E então — Fui erguida, pressionada contra suas costas largas. — Envolva suas pernas em mim — disse ele. Fiz o que mandou, enroscando minhas pernas ao redor dele. Permanecer pendurada ali era desconfortável, mas o medo de desobedecer me fazia manter a posição. — Segure firme. Ele disse. Antes que pudesse dizer qualquer coisa — O mundo se moveu. O vento cortou meu rosto com força. Um sobressalto escapou de mim. Ele estava correndo. Rápido demais. Rápido de um jeito que não fazia sentido. Enterrei o rosto em suas costas, tentando me proteger. Meu coração disparou. Aquilo não era normal. Nada daquilo era... Sua pele estava quente, tanto que eu podia sentir através das roupas. Quente demais. O corpo dele era firme, seguro, e cada passo fazia meu coração disparar. Eu me segurava com força, consciente de que qualquer descuido poderia ser fatal. A escuridão nos envolvia, cada som ao redor aumentava meu medo — galhos quebrando, folhas farfalhando, o vento carregando sussurros distantes. — Segure firme — ele murmurou novamente, e eu apertei minhas pernas ainda mais, sentindo o ritmo de seus passos como se fossem uma batida de tambor na minha própria adrenalina. — Vai ficar tudo bem — disse ele, sem perder o ritmo. O tom dele… era exatamente tranquilizador. O vento zumbia nos meus ouvidos. O tempo parecia distorcido. Se eu não estivesse ali, pensaria que estava em um carro em alta velocidade. Ou algo ainda mais rápido. Minha mente tentou acompanhar. Falhou. As lágrimas vieram sem aviso. Silenciosas. Annabell.. Será que ela estava viva? Será que aquele homem… Aiden… realmente a tinha levado para ser socorrida? Ou aquilo também fazia parte de algo pior? Meu peito apertou. Eu não sabia onde estava indo. Não sabia quem eles eram. Não sabia se sairia viva daquilo. Mas o que eu podia fazer? Nada. Eu estava nas mãos deles. Completamente. O cansaço começou a me alcançar. Pesado. Implacável… Minha mente já não conseguia mais sustentar o medo. Minhas pálpebras ficaram pesadas. Mesmo sendo a segunda vez que a inconsciência ameaçava vir sobre mim, parecia que minha mente estava sobrecarregada. Apenas senti. O som do vento… distante. O movimento… constante. E então — Eu cedi. Deixei a escuridão me levar novamente. Com uma única esperança ecoando dentro de mim: Que, quando eu acordasse… Ainda houvesse uma chance de tudo aquilo acabar.Na calada da noite… Jasper derrapou com o carro em alta velocidade pela pista escura, os pneus cantando alto no asfalto, deixando marcas profundas que logo seriam apagadas, assim como tudo o que ele tentava deixar para trás. Ele queria descarregar ali, na velocidade, todo o excesso de energia, toda a dor que queimava em seu peito, toda a confusão que ainda corria quente nas suas veias, destruindo tudo por dentro. Ele precisava da velocidade. Precisava do vento gelado batendo forte no rosto, cortando a pele. Precisava sentir o perigo, sentir que estava arriscando a vida… para poder sentir que ainda estava vivo. Porque, por dentro, ele se sentia completamente vazio. Um casca, uma sombra, um homem que tinha tudo, mas que sempre perdia o que realmente importava. “Novamente sozinho.” — Pensou, com a amargura entalada na garganta. Um sorriso melancólico, torto e triste, surgiu nos seus lábios. Um sorriso que não chegava aos seus olhos bicolores, que agora estavam opacos, ca
POV - DESCONHECIDO Jasper retornou à floresta. Olhou para o corpo imóvel de Samantha, mas desviou o olhar. Ele não tinha voltado por causa dela. Tinha voltado para apagar as evidências, para limpar a floresta e retirar qualquer rastro, qualquer cheiro, qualquer marca que ligasse Celine àquele lugar. Suspirou, pesado. Jasper limpou tudo, em silêncio. Sua mente, porém, ainda voltava ao passado: a Caroline, e agora a Celine. Apertou o maxilar, sentindo ainda o gosto amargo de ter aceitado a decisão dela. Ela tinha escolhido, e ele teria que encontrar uma forma de lidar com o resto disso tudo. Carregou o corpo de Samantha até os portões da fortaleza de Teodoro. Os soldados o olharam em choque, depois para o corpo inerte nos seus braços. Ninguém se moveu para desafiá-lo ou confrontá-lo. Ninguém ousou. — Levem ela. E dêem um enterro digno. — Jasper disse, entregando o corpo já sem vida para um dos soldados. Ele saiu em seguida, os passos ecoando pelo corredor vazio. O clã
Jasper me carregou em seus braços fortes, caminhando devagar pela floresta já silenciosa.Ele não disse nenhuma palavra durante o caminho, mas o seu jeito de me segurar — com cuidado e firmeza — dizia tudo. Mesmo que sua roupa e a sua pele estivessem completamente sujas e manchadas com o meu sangue, ele não se importou nem um pouco.Quebrei o silêncio, e minha voz saiu baixa, rouca e fraca, mas cheia de peso e verdade:— Ela matou Annabell... matou Dora... e matou a companheira de Aiden, a Stella... todas as vezes, foi ela.Ele abaixou o rosto para mim, e pela primeira vez desde que me pegou nos braços, ele me olhou de forma intensa. Desviou o olhar e continuou andando, mas finalmente falou:— Samantha correu atrás da própria morte... — Jasper começou, em tom calmo. — Mas me escute com atenção, Celine: o que aconteceu nesta floresta é um segredo nosso. Não deve contar a ninguém que foi você quem a matou.Olhei para ele, confusa. Não assumir a culpa?— Não entendo... — sussurrei.Ele s
Ela caminhou de um lado para o outro entre as árvores, farejando o ar, perdida entre os rastros falsos que eu tinha espalhado. Mas aos poucos, seus passos foram se aproximando.Ela estava chegando perto. Muito perto.Meu coração falhou uma batida, martelando tão forte no peito que eu tinha certeza que ela iria ouvir.Minha respiração travou completamente nos meus pulmões.Era o momento. Se eu não fizesse algo agora, seria o fim.Mas então, de repente, uma voz ecoou ao longe, cortando o silêncio da neblina:— CELINE!Travei no lugar.Eu conhecia essa voz. Não era a voz de Aiden, grave e calma. Era mais áspera, mais forte, carregada de uma urgência que eu reconheceria em qualquer lugar.Jasper.— Merda! — Samantha rosnou, furiosa, virando o rosto na direção de onde o som tinha vindo. — Melhor aparecer agora, sua humana estúpida! Depois eu acabo com esse outro que veio atrás de você.Ela deu um passo na direção da voz, distraída por um segundo, confiante de que poderia resolver tudo depo
POV - CELINE Estava encolhida próxima ao tronco grosso de uma árvore antiga. A neblina densa era algo que me ajudava e me atrapalhava ao mesmo tempo. Escondia minha silhueta, mas também escondia o que vinha ao meu encontro. Controlei cada segundo da minha respiração, soltando o ar devagar, quase sem fazer barulho. Escolhi ficar entre as árvores mais fechadas, onde o chão estava coberto por uma camada grossa de folhas secas e escorregadias. Minha audição não era tão aguçada quanto a de um lobo — e isso era uma desvantagem cruel — mas eu tinha algo que ela parecia ter esquecido: raciocínio. Meu corpo tremia terrivelmente. O frio cortante da manhã penetrava cada parte de mim. Tinha tirado minha blusa de manga longa, ficando apenas com a regata fina que usava por baixo, que já estava úmida de sereno e orvalho. Rasguei a blusa em vários pedaços, manchei cada parte com o meu próprio sangue, escorrendo de um corte que eu mesma tinha feito na palma da mão com a adaga, e espalhei e
POV - JASPEREstava parado em frente aos portões maciços da fortaleza de Aiden.Eu não deveria estar ali.Depois de tudo, depois da escolha que ela fez, o certo seria que eu tivesse partido, sumido para bem longe, levando comigo a derrota e a dor queimar no peito.Mas havia algo mais forte que o meu orgulho ferido: um desejo.Eu precisava ver ela.Não me permiti ir embora de vez, como se algo me segurasse, como se eu soubesse que ainda não tinha terminado.Eu estava ferido, profundamente. O laço que eu criei, a ligação que eu pensei que seria minha, se despedaçou completamente no exato momento em que ela olhou nos olhos de Aiden e o reconheceu como seu verdadeiro amor. Naquele segundo, eu deixei de ser uma opção para me tornar apenas... o resto.A porta se abriu e a companheira do Beta de Aiden apareceu. Ao me ver parado ali, hesitou por um instante, mas logo se aproximou e se inclinou numa reverência respeitosa.— Alfa Jasper... Que honra tê-lo aqui.Assenti com a cabeça, seco, sem v







