INICIAR SESIÓNPOV - AIDEN
Deixei a garota sob os cuidados dos humanos. O hospital estava movimentado, como sempre. Luzes artificiais, cheiro de produtos químicos… um ambiente que nunca me agradou. Ainda assim, era o melhor lugar para ela. Eu tinha pessoas infiltradas ali. Membros do meu clã ocupando cargos estratégicos. Nada que acontecesse naquela ala sairia do controle. Observei de longe enquanto a levavam em uma maca. Frágil. Pálida. Quase sem vida. Desviei o olhar. Aquilo não me dizia respeito. Virei as costas e saí. A noite me recebeu novamente. Silenciosa. Familiar. Apaguei todos os vestígios da invasão antes de deixar o território. Sangue, rastros… qualquer coisa que pudesse levantar suspeitas. Por sorte, a matilha estava ocupada com a festa. A lua cheia sempre os deixava mais agitados. Mais… distraídos. Era melhor assim. Não queria pânico. Não queria perguntas. Mas havia algo errado. Muito errado. Caminhei pela floresta, sentindo o vento frio bater contra minha pele. Minha mente não se aquietava. Eu não deveria ter interferido. Humanos não eram problema meu. Nunca foram. Eles se destroem sozinhos. Sempre fizeram isso. Então por que? Cerrei o maxilar. Meu lobo se agitou dentro de mim. Inquieto. Atento. Como se ainda estivesse em alerta. Como se… Algo tivesse ficado para trás. A imagem veio sem aviso. Moletom vermelho. Olhos escuros. Assustados. Fixos nos meus. Soltei um rosnado baixo. Irritado comigo mesmo. — Não faz sentido — murmurei. Era instinto proteger o território. Era instinto eliminar ameaças. Mas aquilo… Aquilo tinha sido diferente. Eu não apenas eliminei o problema. Eu escolhi proteger… Humanos. Passei a mão pelos cabelos, frustrado. — Droga. Continuei andando. Mas então outra lembrança veio. Mais nítida. Mais incômoda. O terceiro homem… aquele que escapou. Seu cheiro sutil e difícil de identificar se espalhava pelo ar, como se fosse impossível saber exatamente de quem se tratava — mas eu sabia que ele ainda representava perigo. Parei. Meu olhar se voltou para a escuridão da floresta. Frio. Calculista. Ele não era humano. Eu senti. Reconheci… Um de nós. E ele trouxe humanos para dentro do meu domínio. Por quê? Aquilo não foi acaso. Foi calculado. Testei o ar ao meu redor, buscando qualquer vestígio restante. Nada. Ele foi cuidadoso. Rápido. E isso me incomodava mais do que deveria. Porque significava uma coisa. Ele sabia o que estava fazendo. E talvez… Ainda estivesse por perto. Meu lobo rosnou. Baixo. Ameaçador. — Vamos encontrar você — falei para o vazio. Mas não era só isso. Havia outra questão. A garota. A humana. Fechei os olhos por um segundo. A sensação voltou. Incômoda. Forte. Errada. — Não… — respirei fundo. Aquilo não podia acontecer. Não com ela. Não com uma humana. Quando abri os olhos, minha decisão já estava tomada. Faria uma reunião com meu beta Marlon e iniciaria uma investigação sobre o ocorrido. Precisávamos descobrir quem era aquele bastardo. E o que ele queria. E quanto à garota… Meu maxilar travou. — Ela não sai do território. A frase saiu antes que eu pudesse impedir. Fiquei em silêncio por um instante. Então soltei um suspiro pesado. — Pelo menos… até termos respostas. Mas, no fundo, eu sabia. Aquilo não era o único motivo. E isso… Era um problema. *** — Cadê ela? Perguntei assim que entrei no escritório. Marlon ergueu o olhar, deixando o copo de vodka de lado. — Dormindo no quarto de hóspedes. Mantive tudo em segredo, por enquanto. Só dois empregados de confiança sabem. Assenti. Era o melhor a se fazer. A presença de uma humana dentro do território não podia se espalhar. Ainda não. Não na noite de comemoração do clã. Caminhei até a janela. A floresta se estendia além das paredes da propriedade. Escura. Silenciosa. Mas não segura. — Precisamos falar sobre o terceiro — disse Marlon. Não precisei perguntar a quem ele se referia. A imagem já havia passado pela minha mente antes mesmo de chegar ali — um reflexo da ligação que ainda compartilhamos, mesmo à distância. Meu maxilar travou. — Ele não era humano. O silêncio que se seguiu foi pesado. — Fugiu rápido demais — continuei. — Sabia o que estava fazendo. Marlon se recostou na cadeira. — Acha que foi aleatório? Soltei um riso baixo, sem humor. — Nada disso foi aleatório. Um deles morto antes mesmo de entender o que estava acontecendo. Outro não teve tempo de reagir. Mas o terceiro… Ele sentiu. Ele correu. E escolheu fugir. — Deve ser um renegado — sugeriu Marlon. — Quero que investigue — falei firme. — Se era um renegado, precisamos descobrir quais eram suas intenções com essa ação. — Já comecei — respondeu Marlon. — Mas… e a humana? Fechei os olhos por um breve instante. A imagem veio sem esforço. Cabelos escuros. Olhos profundos. Assustados… mas firmes. Diferente. Muito diferente. — Ela não deveria estar aqui — murmurei. E, ainda assim… estava. Marlon apoiou os braços na mesa. — Vou chamar Lyria. Ela vai saber como lidar com a situação. Assenti de leve. Fazia sentido. Se alguém poderia manter a humana estável… era ela. Mas não disse nada. Afastei-me da janela. — Aquilo foi planejado — murmurei. — O ataque? — Marlon perguntou, franzindo a testa. — Não foi um ataque — respondi, firme. Levantei o olhar, deixando meu tom pesado pairar sobre a sala. — Foi algo… mais complexo do que isso. Ele franziu o cenho. — E qual seria o papel dos humanos nisso? — ele questionou, cauteloso. Olhei novamente para a floresta. Escura. Silenciosa. Mas cheia de intenções ocultas. — Ainda não sei. E era isso que mais me incomodava. A incerteza.Na calada da noite… Jasper derrapou com o carro em alta velocidade pela pista escura, os pneus cantando alto no asfalto, deixando marcas profundas que logo seriam apagadas, assim como tudo o que ele tentava deixar para trás. Ele queria descarregar ali, na velocidade, todo o excesso de energia, toda a dor que queimava em seu peito, toda a confusão que ainda corria quente nas suas veias, destruindo tudo por dentro. Ele precisava da velocidade. Precisava do vento gelado batendo forte no rosto, cortando a pele. Precisava sentir o perigo, sentir que estava arriscando a vida… para poder sentir que ainda estava vivo. Porque, por dentro, ele se sentia completamente vazio. Um casca, uma sombra, um homem que tinha tudo, mas que sempre perdia o que realmente importava. “Novamente sozinho.” — Pensou, com a amargura entalada na garganta. Um sorriso melancólico, torto e triste, surgiu nos seus lábios. Um sorriso que não chegava aos seus olhos bicolores, que agora estavam opacos, ca
POV - DESCONHECIDO Jasper retornou à floresta. Olhou para o corpo imóvel de Samantha, mas desviou o olhar. Ele não tinha voltado por causa dela. Tinha voltado para apagar as evidências, para limpar a floresta e retirar qualquer rastro, qualquer cheiro, qualquer marca que ligasse Celine àquele lugar. Suspirou, pesado. Jasper limpou tudo, em silêncio. Sua mente, porém, ainda voltava ao passado: a Caroline, e agora a Celine. Apertou o maxilar, sentindo ainda o gosto amargo de ter aceitado a decisão dela. Ela tinha escolhido, e ele teria que encontrar uma forma de lidar com o resto disso tudo. Carregou o corpo de Samantha até os portões da fortaleza de Teodoro. Os soldados o olharam em choque, depois para o corpo inerte nos seus braços. Ninguém se moveu para desafiá-lo ou confrontá-lo. Ninguém ousou. — Levem ela. E dêem um enterro digno. — Jasper disse, entregando o corpo já sem vida para um dos soldados. Ele saiu em seguida, os passos ecoando pelo corredor vazio. O clã
Jasper me carregou em seus braços fortes, caminhando devagar pela floresta já silenciosa.Ele não disse nenhuma palavra durante o caminho, mas o seu jeito de me segurar — com cuidado e firmeza — dizia tudo. Mesmo que sua roupa e a sua pele estivessem completamente sujas e manchadas com o meu sangue, ele não se importou nem um pouco.Quebrei o silêncio, e minha voz saiu baixa, rouca e fraca, mas cheia de peso e verdade:— Ela matou Annabell... matou Dora... e matou a companheira de Aiden, a Stella... todas as vezes, foi ela.Ele abaixou o rosto para mim, e pela primeira vez desde que me pegou nos braços, ele me olhou de forma intensa. Desviou o olhar e continuou andando, mas finalmente falou:— Samantha correu atrás da própria morte... — Jasper começou, em tom calmo. — Mas me escute com atenção, Celine: o que aconteceu nesta floresta é um segredo nosso. Não deve contar a ninguém que foi você quem a matou.Olhei para ele, confusa. Não assumir a culpa?— Não entendo... — sussurrei.Ele s
Ela caminhou de um lado para o outro entre as árvores, farejando o ar, perdida entre os rastros falsos que eu tinha espalhado. Mas aos poucos, seus passos foram se aproximando.Ela estava chegando perto. Muito perto.Meu coração falhou uma batida, martelando tão forte no peito que eu tinha certeza que ela iria ouvir.Minha respiração travou completamente nos meus pulmões.Era o momento. Se eu não fizesse algo agora, seria o fim.Mas então, de repente, uma voz ecoou ao longe, cortando o silêncio da neblina:— CELINE!Travei no lugar.Eu conhecia essa voz. Não era a voz de Aiden, grave e calma. Era mais áspera, mais forte, carregada de uma urgência que eu reconheceria em qualquer lugar.Jasper.— Merda! — Samantha rosnou, furiosa, virando o rosto na direção de onde o som tinha vindo. — Melhor aparecer agora, sua humana estúpida! Depois eu acabo com esse outro que veio atrás de você.Ela deu um passo na direção da voz, distraída por um segundo, confiante de que poderia resolver tudo depo
POV - CELINE Estava encolhida próxima ao tronco grosso de uma árvore antiga. A neblina densa era algo que me ajudava e me atrapalhava ao mesmo tempo. Escondia minha silhueta, mas também escondia o que vinha ao meu encontro. Controlei cada segundo da minha respiração, soltando o ar devagar, quase sem fazer barulho. Escolhi ficar entre as árvores mais fechadas, onde o chão estava coberto por uma camada grossa de folhas secas e escorregadias. Minha audição não era tão aguçada quanto a de um lobo — e isso era uma desvantagem cruel — mas eu tinha algo que ela parecia ter esquecido: raciocínio. Meu corpo tremia terrivelmente. O frio cortante da manhã penetrava cada parte de mim. Tinha tirado minha blusa de manga longa, ficando apenas com a regata fina que usava por baixo, que já estava úmida de sereno e orvalho. Rasguei a blusa em vários pedaços, manchei cada parte com o meu próprio sangue, escorrendo de um corte que eu mesma tinha feito na palma da mão com a adaga, e espalhei e
POV - JASPEREstava parado em frente aos portões maciços da fortaleza de Aiden.Eu não deveria estar ali.Depois de tudo, depois da escolha que ela fez, o certo seria que eu tivesse partido, sumido para bem longe, levando comigo a derrota e a dor queimar no peito.Mas havia algo mais forte que o meu orgulho ferido: um desejo.Eu precisava ver ela.Não me permiti ir embora de vez, como se algo me segurasse, como se eu soubesse que ainda não tinha terminado.Eu estava ferido, profundamente. O laço que eu criei, a ligação que eu pensei que seria minha, se despedaçou completamente no exato momento em que ela olhou nos olhos de Aiden e o reconheceu como seu verdadeiro amor. Naquele segundo, eu deixei de ser uma opção para me tornar apenas... o resto.A porta se abriu e a companheira do Beta de Aiden apareceu. Ao me ver parado ali, hesitou por um instante, mas logo se aproximou e se inclinou numa reverência respeitosa.— Alfa Jasper... Que honra tê-lo aqui.Assenti com a cabeça, seco, sem v







