INICIAR SESIÓN
*Sophia Hale POV*
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“Foste tu?!”
Ela veio na minha direção, voz fraca, mas dominada pela raiva. Sorri friamente. Ergueu a mão, pronta para bater-me.
“Não. Te. Atrevas.” disse devagar, e o movimento dela congelou a meio. Os olhos, vermelhos de tanto chorar, cerraram-se em mim. Quis rir. Patética. Como ousava erguer a mão contra mim?
As vozes no escritório começaram a murmurar. Já sabia os comentários que viriam. Não me importei. Nunca me importei. Sempre fui melhor a fazer inimigos que amigos.
“Foste tu!” repetiu, a voz trémula. “Fui despedida por tua causa.” — gritou, a voz a tremer entre raiva e lágrimas. Revirei os olhos e inclinei ligeiramente a cabeça, estudando-a.
“O facto de teres tempo livre agora não significa que eu também o tenha...” Vi o choque dela e do resto da sala. Ela abriu e fechou a boca, muda. “…para ti e as tuas crises.” Dei-lhe um sorriso leve.
“Estou ocupada.” continuei, apontando em volta. “Estamos todos. Ao contrário de ti, temos trabalho a fazer.”
Ela aproximou-se outra vez, feroz. Eu não me mexi. Pronta para o confronto, sem me deixar intimidar minimamente. Não recorro à violência. Mas sei-me defender.
“Desgraçada.” cuspiu ela. “Sua vadia cruel.”
Encolhi os ombros.
“Já me chamaram pior.” Um sorriso gelado surgiu novamente nos meus lábios. “Já terminaste? Ou preciso chamar o segurança para te ajudar a arrumar as tuas coisas?”
Francesca olhou-me outra vez. Vi a raiva nela; por um momento pensei mesmo que se ia atirar a mim. Mas recuou. Como a covarde que é. Arrumou as suas coisas e saiu.
Assim que a vi sair pelo canto do olho, um copo alto de café com tampa de plástico surgiu na minha mesa. Era a Jackie.
“Está envenenado?” Perguntei. Era para ser uma piada (ou talvez não) mas não me ri. Ela também pareceu surpreendida com a pergunta.
“Não. Não. Claro que não.” Assenti. Sabia por que é que ela estava a fazer aquilo. Mas não era obrigada a gostar, certo? Afinal eu não pedi nada. E não quero favores. Ninguém faz nada gratuitamente.
Ela deixou o copo e voltou para a mesa dela. Considerei atirá-lo para o lixo. Mas acabei por o aceitar.
Olhei para a sala do diretor. Sei que ele me vai chamar em breve por causa da Francesca. Estou preparada para o enfrentar também. Lá por eu estar aqui há uns meses não significa que vá deixar que me passem por cima. Francesca era a nossa chefe de equipa, e sim, foi despedida. Não considero que tenha sido apenas por minha causa, embora tenha tido uma participação ativa.
Não vou dar desculpas. Não tenho remorsos. Aliás, não podia estar mais satisfeita com o desfecho. Olhei para o relógio: era quase a hora de saída. Talvez o diretor esteja demasiado ocupado para me chamar a atenção pelo que aconteceu.
Se estão à espera de uma princesinha frágil, esqueçam. Não sou eu e não o vou ser.
Esperem pela história de Lily Evans. Eu sou Sophia Hale, sou a vilã desta história e não tenho o menor problema com isso. Sou a rainha má em vez da boazinha que é enganada e passada para trás. Prefiro ser eu a derrubar quem se atravessa no meu caminho. Infelizmente para eles, percebem tarde demais o erro que cometeram.
Como Francesca acabou de aprender. Como Francesca disse, sou uma vadia cruel.
E não esperem encontrar uma infância horrível, nem um acontecimento trágico que venha “justificar” o meu comportamento. Não vão encontrar nada disso. Vão odiar-me do princípio ao fim. Ou então… talvez também sejam as vilãs das vossas histórias (ou queriam ser, mas não têm coragem) — e, nesse caso, vamos divertir-nos bastante juntas.
Estou na Verity Agency há pouco mais de dois meses. Tempo suficiente para perceber como as coisas funcionam por aqui. E acho que acabei de me integrar com mérito. Aposto que um lado de Francesca concorda (ou talvez não).
Verity é uma das agências mais influentes do mundo do entretenimento. Não perdi tempo a fazer amigos, mas o meu trabalho fala por si. Modéstia à parte, sou excelente no que faço. A Verity tem uma reputação impecável: vende autenticidade enquanto constrói mentiras elegantes. E eu encaixo-me perfeitamente nisso.
Ainda não tinha feito inimigos. Até agora. Certamente, Francesca vai amaldiçoar-me durante muito tempo. Sorri enquanto trabalhava na campanha de uma marca de luxo.
Entrei como gestora de contas júnior e integro uma equipa que coordena consultoria de imagem, campanhas de reputação e gestão de crises mediáticas. Os nossos clientes vão desde autores, atores e cantores até hotéis e marcas que não podem arriscar um escândalo.
Agora estamos sem chefe de equipa, graças a mim. Sorri. Espero que o próximo dure mais tempo. Olhei em volta para os outros membros da equipa que já cá estão há mais tempo do que eu: Jackie, Bryan e Magda. Qual deles será nomeado chefe de equipa? Bom, ao menos serão melhores do que a Francesca. Acho que já perceberam o que acontece a quem se atravessa no meu caminho como ela se atreveu a fazer.
Podia ser eu a assumir o lugar dela. Olha que ideia perfeita. Mas percebo que priorizem quem cá está há mais tempo nesta equipa, ou que tragam alguém mais qualificado de outra.
Ótimo. Hoje não vou ter mais chatices, já é quase hora de saída e ainda não fui chamada pela direção. E não, não trabalho fora do horário. As crises dos famosos que esperem pelas horas de expediente, ou que o diretor as resolva. A não ser que paguem extra. Aí sim, podemos negociar.
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"Chegaste cedo." Sorri. Encontrei-a na cozinha, o cabelo loiro apanhado num rabo-de-cavalo, uma camisola castanha confortável e um sorriso que parecia iluminar o corredor, mesmo quando eu não queria ser iluminada. Ela virou-se quando me ouviu, os olhos azul-claros sempre alegres. Irritantes. Lily Evans, a princesa perfeita da história. Claro que tinha de viver com a rainha má.
Se apenas eu vivesse ali, o apartamento provavelmente seria imaculado, quase estéril e frio. Em vez disso, era quente, cheio de vida e com livros espalhados por todo o lado. Não se preocupem, não sou uma vadia cruel com ela, não a mantenho presa aqui. Veio por livre vontade. Aliás, não me consigo ver livre dela desde a faculdade.
"Francesca foi despedida." Atirei, aproximando-me para ver o que ela cozinhava. Lily parou a meio de lavar a alface para a salada que estava a preparar.
"Imagino que tiveste dedo nisso", disse-me.
"Conheces-me tão bem." Sorri, e ela revirou-me os olhos. Comecei a ajudá-la colocando a toalha e os pratos na mesa para jantarmos.
"O que fizeste?" perguntou.
"Nada de especial.” Sorri. Estava satisfeita com ter sido tão bem-sucedida, para dizer a verdade duvidei que fosse sair tão bem. “Deixei-a apenas roubar-me mais uma apresentação."
"Contaste ao diretor? E acreditaram em ti?" Perguntou, limpando as mãos num pano e começando a colocar a comida na mesa.
"Tão inocente, Lily.” Respondi-lhe e vi a vontade infantil dela de me deitar a língua para fora. “A apresentação não era minha. Apenas a fiz acreditar que sim."
"Então..."
"Era uma apresentação antiga do próprio diretor que ela quis fazer passar como dela."
"Oh, céus, Sophia."
"Deu-me um bocadinho de trabalho, mas..."
"Sophia... podias ter sido tu a acabar despedida?" perguntou ela, preocupada.
Encolhi os ombros. Não me podiam despedir assim tão facilmente. E, se fosse despedida, não ia sem fazer barulho.
"Posso sempre ir trabalhar para a tua escola como empregada de limpeza", atirei-lhe, com um meio sorriso provocador. Não ia ser despedida, mas, se fosse, era um bom investimento do meu tempo. Seria... satisfatório.
Vi o ar desconfortável dela e percebi que ainda não tinha feito nada. Tão previsível, a nossa princesa boazinha. Tão idiota.
Bom, não precisava de mudar de trabalho para fazer umas limpezas part-time na escola onde ela dava aulas.
Oh, um plano já se começava a formar na minha cabeça.
Algo muito vil.
E, se tudo corresse bem, alguém naquela escola ia aprender o que acontece quando se mexe com a princesa boazinha que a vilã decidiu proteger.
* Jace POV *Ela acabou de ordenar um dos meus homens para ir buscar os sapatos dela? Mantive-me impassível e não comentei nada. Apenas sinalizei discretamente ao Alex para lhe obedecer. Quando ele lhe entregou os sapatos, por momentos pensei que também fosse ordenar-lhe que a ajudasse a calçá-los — ou a mim. Mas não. Apoiou-se em mim ligeiramente, deixando que a minha mão nas costas dela a equilibrasse enquanto calçava com a mão boa. Senti uma ligeira pausa no movimento dela, provavelmente a recompor-se de alguma pontada no ombro. Mas não pediu ajuda.Bianchi acompanhou-nos com o olhar. Quando saímos do restaurante, ele ficou parado na entrada — não nos seguiu, não disse nada. Apenas observava. Atravessámos o átrio com o peso do olhar dele nas nossas costas, calculado e frio, como quem não precisa de se mover para fazer sentir a sua presença. O olhar dele sobre nós apenas terminou com as portas do elevador a separarem-nos. Frio. Calculista. Preso nela muito mais tempo do que eu estav
Jace POV“Rowan. A boca dessa mulher vai fazer de ti um homem morto.” O meu olhar seguiu instintivamente para a boca dela. E imaginei várias maneiras daquela boca me matar, mas provavelmente nenhuma da forma que Bianchi se referia. Não consegui evitar o meu membro endurecer, não consegui evitar imaginar a boca dela nele.E o olhar dela não ajudou era como se estivesse a ler os meus pensamentos. E quando a vi passar a língua pelos lábios dei por mim a encerrar os dentes e os punhos. Era hora de pôr fim a isto de a tirar daqui da frente de Bianchi. Ele não tirava os olhos dela de uma forma predadora que eu não estava a gostar.Apeteceu-me puxá-la para mim. Tapa-la completamente dos olhos deles. Enfrentei o olhar dele. Fiz-lhe ver sem palavras que eu era quem mandava aqui.Uma parte de mim ainda estava irritado com ela, muito irritado. Ela colocou-se em perigo, colocou-me a mim e todos os meus homens em perigo. Sobre a mira de um homem perigoso.Lucas ao meu lado e todos os meus homens n
Sophia POVE os homens que me tapavam a visão pareciam ter sido movidos por alguma força invisível e agora tinha sobre mim aqueles olhos frios, tão desconhecidos como familiares. Dei um passo atrás, como se tivesse sido empurrada por um fantasma do passado.Hesitei apenas por um segundo antes de erguer o queixo e enfrentar o olhar dele.Aquele olhar cinzento e frio.A parte racional de mim sabia que não era ele. Mesmo a voz era parecida, mas não era a dele. No entanto, a semelhança entre pai e filho era incrível. As feições. O olhar.No entanto, este homem à minha frente era mais alto, mais corpulento do que o pai dele era há vinte anos. Ainda me lembro da dor que aquele homem me causou. Da dor que poderia ter-me causado.Sim, o meu superpoder de não sentir medo, de ser corajosa para além da lógica, não me tira a dor física. O meu cérebro captura a dor, mas não o medo que devia vir acompanhado da dor. Nada se ativa em mim para me fazer recuar. Antes pelo contrário, é como se fosse imp
Sophia POVCostuma-se dizer que a curiosidade matou o gato.Devia ter ido direita ao elevador. Devia ter subido, jantado no quarto e dormido. Era isso que a parte racional de mim dizia. O problema é que essa parte parecia ter saído de férias — porque a outra, a irracional, a que claramente estava a comandar as tropas naquele momento, queria saber.Queria perceber o que era tão urgente, tão importante, que o fez deixar-me no hospital sem uma palavra. Depois de um dos seus homens me ter magoado, ele simplesmente foi embora depois de me ver acordada. E mandou esse mesmo homem — o Alex — ficar comigo. Desta vez com ordens para não me tocar. Eu não compreendia isso. Não o compreendia a ele. E definitivamente não compreendia o que estava a sentir em relação a tudo isto.Assim que entrei naquele hotel novamente, apercebi-me de que não era por causa do tio de Jace que Alex não queria que eu viesse para ali. Claramente não morriam de amores um pelo outro, pelo que vi horas atrás. Mas não. Era e
Jace POVIa responder quando um barulho do lado da entrada do restaurante me fez virar a cabeça de imediato, a mão a ir instintivamente para a arma. Vi Bianchi e os homens ao nosso redor, meus e dele, a reagirem da mesma forma — um segundo de tensão absoluta onde ninguém respirou.E segundos depois senti o meu coração apertar antes mesmo de o cérebro ter tempo de processar o que os olhos estavam a ver.Não. F@da-se.Era ela. Sophia Hale. O que ela está a fazer aqui?Mal a conseguia ver por entre um dos meus homens e outro de Bianchi que ficaram à entrada — não confiávamos um no outro nem neste ponto — ambos a impediam de entrar.Via apenas partes dela e ouvia a voz, mas não conseguia perceber bem o que dizia — embora a reconhecesse mesmo assim. Vi o vislumbre do ombro dela ligado, o que me deu a certeza de que era ela, não que eu precisasse de certezas — eu sabia.Não precisei de fazer sinal ao Lucas para ele avançar para resolver a situação. À nossa volta os homens continuavam cautel
Sophia POV"Algum idiota que atravessou a estrada fora da passadeira." O meu olhar voltou para a origem do barulho. Havia outra coisa que me chamara a atenção da primeira vez que olhara para trás. Foi então que reparei num homem, a poucos metros de mim. Reconheci-o de imediato. "Tenho de desligar, preciso de chamar um uber para ir jantar."Despedimo-nos e eu desliguei o telemóvel sem desviar os olhos do homem que claramente estava a seguir-me. Grande. Fato escuro. Sério. Um dos homens do Jace. O gorila que me tinha atirado para o chão e me deixado naquela situação com o ombro tinha ficado para trás. Apeteceu-me rir.Qualquer pessoa sensata teria virado costas e seguido na direção oposta. Afinal, ele era pelo menos vinte centímetros mais alto do que eu, com ombros largos o suficiente para bloquear a luz de um candeeiro e aquela expressão fechada de quem passara anos a fazer pessoas desaparecerem sem deixar rasto. Intimidante por def