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Capítulo 5°—O Segredo

Autor: Ieda Lemos
last update Fecha de publicación: 2026-07-15 16:49:59

Entrei e me sentei à beira da cama.

— Vem, senta aqui, garoto— falei com autoridade.

Eu precisava mesmo saber mais a respeito do meu futuro marido.

— Como é o seu nome, garoto? Eu me chamo Cristiane, mas pode me chamar de Cris.

O menino me olhou desconfiado e obedeceu.

— Meu nome é Felipe. Você ainda vai se casar com o meu pai?

Eu achei graça.

— Só porque você me deu um susto? Eu preciso me casar com o seu seu pai, e ele também precisa que seja assim. É muito difícil me aceitar por aqui? Posso ser sua babá, você precisa de uma!

Ele levantou-se emburrado.

— Já completei sete anos!

Eu estava apaixonada por ele e sentia meu coração quentinho naquele momento.

— Acho que dessa vez vai ter um pouquinho mais de trabalho, porque, como você mesmo disse, eu não tenho onde morar e simplesmente preciso seguir com isso!

Felipe pensou um pouco.

— Mas ele vai mandá-la embora, como fez com a minha mãe!

Suspirei resignada. Eu sabia que quando eleito, meu trato acabava com o senhor Spinelli, mas não quis expor aquele assunto naquele momento. Bobagem, Felipe já sabia.

— Ele vai mandá-la embora quando se eleger.

Assenti pesarosa, nem mesmo sabia o porquê.

— Será melhor assim para todos.

— Mas ainda falta quase um ano para as eleições!— Felipe insistiu.

Também fiquei de pé e acariciei os cabelos finos e negros do meu mais novo amigo.

— Só peço que me deixe cuidar de você, por favor, acredito que estou aqui mais por causa disso!

Felipe ficou cabisbaixo.

— Não preciso de uma mãe, nem de uma babá— a voz dele não era áspera.

Instintivamente, eu o abracei e me senti mais em casa, eu tinha alguém para conversar.

Felipe ficou estático, tímido até. Olhei para ele, num misto de alegria e desespero.

— Felipe, me ajuda! Se eu tiver que ficar aqui, seja por quanto tempo for, vou precisar muito de você! Meu querido, eu preciso saber onde estou pisando!

Felipe mordeu os lábios, confuso e suspirou.

— Acho que você deveria pedir demissão. O meu pai é insuportável!

Quase desatei a rir. Felipe entendeu e bufou.

— Eu não sou tão insuportável como ele!

Ajeitei os ombrinhos pequeninos do meu amiguinho, ou patrãozinho, e me portei com seriedade.

— Vamos combinar uma coisa, você me conta tudo o que souber e eu serei uma boa babá, e madrasta também!

Felipe se afastou e foi abrir a porta do quarto para eu sair.

— Eu vou pensar.

— Muito obrigada.

— Mas você já sabe que ele mandou minha mãe embora. Ela morreu de tristeza, eu acho!

Eu paralisei surpresa. Engoli em seco. Então Alejandro era viúvo, como não me contaram isso? Eu viveria à sombra de uma falecida! O que aquele garoto quis dizer com ela morreu de tristeza?

Segui até a porta e parei olhando aqueles olhos pequeninos tão confusos.

— Eu sinto muito, Felipe— foi o que eu disse, sentindo profunda tristeza.

Sai dali perdida em pensamentos. Haviam muitas lacunas abertas, nada fazia sentido para mim que acabara de chegar.

Em passos indecisos, segui na intenção de voltar à falar com Oscar e Alejandro. Eu não tinha como estar em dois lugares ao mesmo tempo, então eles falaram pelas minhas costas, enquanto eu estava com Felipe, sobre coisas que eu não saberia naquele momento.

Assim que eu saí, Alejandro ficou preocupado.

— Tenho receio de que o Felipe estrague tudo, Oscar.

O assessor deu de ombro, tranquilamente.

— Ela será sua esposa, não uma simples babá que pode pedir demissão a qualquer momento. Seu filho é inteligente, ele sabe que seus joguinhos não vão funcionar com essa moça.

— Como será que vai reagir quando souber que sou viúvo?

— Isso é uma coisa que não poderia esconder, senhor. Aliás, o padrasto dela devia tê-la prevenido. Um absurdo ela descobrir que estava prometida no velório!

Alejandro estava mais preocupado com coisas que eu ainda não sabia.

— Óscar, e se por um acaso ela descobrir a causa da morte da Eva?

Oscar olhou para a porta e cochichou preocupado:

— Senhor, ela morreu de pneumonia, lembra?

Alejandro ficou nervoso, inquieto.

— Sabemos que não foi bem assim! Cris não pode saber a verdade! Ela nunca aceitaria nosso acordo!

— E como poderá descobrir, senhor, se ninguém nessa casa sabe? A dona Eva não está aqui para contar o que aconteceu?

Houve um silêncio e Alejandro se fechou amargo, revoltado.

— Ela me traiu, por isso a mandei embora! Ela não precisava ter feito o que fez! Ela queria que eu vivesse com essa culpa!

Oscar foi até a porta e a abriu, examinou o ambiente, e voltou tranquilo, sabendo que ninguém o ouvia atrás da porta.

— Senhor, não vamos mais tocar nesse assunto. Para o menino já é bem doloroso saber que a mãe não vive mais! Melhor que nunca saiba a verdade!

Eu cheguei um tempo depois e os dois se surpreenderam. Falavam muito baixo, não dava para ouvir nada.

— Então você é viúvo! Por que não me contou? O que mais eu preciso saber, sem ter que ouvir atrás das portas?

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