LOGINEle tem o poder. Ela tem as curvas. Ele ditou as regras, mas o amor não estava no contrato. Dante Montenegro é um magnata frio que acaba de receber uma sentença de morte: um tumor cerebral agressivo e inoperável. Sabendo que sua própria família puritana planeja interditá-lo judicialmente para roubar seu império, ele decide contra-atacar com uma blindagem perfeita. Ele precisa de uma esposa que choque o sistema, que seja inabalável diante dos abutres e que aceite gerar um herdeiro legítimo por Fertilização In Vitro. Valentina Torres é fogo, curvas e resistência. Dona de um estúdio de pole dance, ela vê seu mundo virar poeira quando as Indústrias Montenegro demolem seu espaço. Expulsa de casa pelos tios e com zero reais na conta, ela descobre que sua avó doente foi jogada em um asilo público sem nenhuma estrutura. Encurralada, Valentina aceita vender a alma ao diabo para salvar quem ama. O pacto é selado: Dante transforma a avó dela em rainha na clínica mais luxuosa da cidade. Em troca, Valentina assina o casamento de conveniência por um ano. Mas existe uma regra médica crucial: devido à gravidade do tumor, Dante está proibido de qualquer esforço físico ou estresse. O sexo está fora de cogitação. Morando sob o mesmo teto, a proximidade se torna uma tortura silenciosa. Valentina se transforma em uma leoa para proteger o "marido" moribundo da família de cobras dele, desarmando o coração do bilionário. Em uma corrida desesperada contra o relógio, o desejo acumulado e os segredos familiares ameaçam explodir a qualquer segundo. O que acontece quando duas vidas unidas por um contrato frio colidem com um amor avassalador que nenhum dos dois estava preparado para sentir? Só o tempo vai dizer...
View More"Dante"
De pé, diante do imenso painel de vidro blindado no último andar da Torre Montenegro, observei o movimento frenético de Vale das Vertentes lá embaixo. Do topo do meu império, eu mantinha a postura ereta que meu pai sempre exigira, com os dedos passando sutilmente pelas abotoaduras de ouro que herdei dele, mas, pela primeira vez na vida, aquela armadura de controle parecia prestes a rachar. O silêncio que dominava a minha sala parecia o prenúncio de uma tempestade que eu vinha tentando ignorar há semanas.
Eu sabia que o perigo não estava no mercado financeiro, onde os tubarões sentem o cheiro de sangue e os cachorros farejam o medo. O verdadeiro perigo estava logo atrás de mim, respirando de forma pesada. Sem desviar os olhos do meu próprio reflexo distorcido no vidro, esperei pelo veredito do homem que segurava a minha sentença em um envelope branco. As tonturas diárias, as náuseas e a exaustão inexplicável que vinham me consumindo finalmente teriam um nome. Eu estava prestes a descobrir qual era a gravidade da doença que ameaçava me derrubar do topo do mundo.
O Dr. Hércules Medina estava atrás de mim. Ele não parecia o médico chefe do hospital mais caro do país. Ele parecia um homem caminhando em direção à forca. Estava pálido, a gravata ligeiramente torta e as mãos pareciam tremer ao redor de um envelope branco com o timbre do hospital.
- Dante... - Ele começou, se esquecendo do meu sobrenome pela primeira vez. - Eu tenho os resultados definitivos dos seus exames de imagem. - Ele limpou a garganta. - E a resposta para os seus sintomas.
Eu caminhei calmamente até a minha mesa de madeira maciça e me sentei sem demonstrar nenhuma emoção. Mas por dentro eu estava enlouquecendo. Eu não conseguia entender como eu, que sempre fui praticante de atividade física, me sentia exausto por subir um lance de escadas. Eu me sentia doente e estar doente nunca é bom.
- Sente-se, Hércules. E vá direto ao ponto. Você sabe que detesto rodeios.
Ele engoliu em seco, sentando-se na ponta da cadeira de couro à minha frente e retirou os papéis do envelope com uma lentidão torturante.
- Eu lamento, mas o laudo confirmou o pior cenário. Você tem um glioma agressivo. Um tumor cerebral de evolução rápida.
Eu não pisquei. Eu não tremi. Meu cérebro, acostumado a lidar com crises empresariais, apenas começou a calcular o impacto daquela informação nas ações da holding.
- Qual é o prognóstico? - A minha voz soou polida e gelada.
- Inoperável devido à localização e ramificação. Ele está pressionando uma área crítica que envolve um risco cardiovascular extremo. Qualquer alteração drástica na sua pressão pode ser fatal. Ele vai te enfraquecer, você perderá aos poucos todas as funções cerebrais. - O médico limpou o suor da testa. - Dante, a partir de hoje, sua vida mudou. Você nao pode sofrer estresse, fazer esforços físicos ou atividades de alta intensidade.
- Defina atividades de alta intensidade, Hércules.
- Nada de academia, no máximo um pilates leve. Nada de discussões acaloradas na diretoria. E... o sexo está terminantemente proibido. Um ápice de adrenalina ou um orgasmo pode fazer o tumor romper. Seria uma síncope imediata.
Uma risada amarga quase escapou da minha garganta. Um tumor que me mataria se eu fizesse sexo com uma mulher. Uma sentença de castidade e morte. Era uma piada cruel.
- Entendido. - Eu respondi, mantendo a máscara de gelo. - Mais alguma recomendação? Ou tratamento possível?
O Hércules parecia ansioso demais, os olhos dele vagavam pela minha sala como se ele quisesse fugir dali o mais rápido possível. Ele se levantou abruptamente, recolhendo os papéis. Eu estava morrendo e ele que estava nervoso. Em tese, ele dava notícias como esta todos os dias, não deveria ficar tão desconfortável.
- Vou deixar as receitas dos supressores de dor com o seu secretário. É tudo o que podemos fazer, te deixar confortável. Eu realmente sinto muito, Dante.
- Quanto tempo, Hércules?
- Difícil prever, mas eu nunca vi um caso no estágio em que o seu está e o paciente sobreviver a mais de um ano. Eu diria que estatísticamente estamos falando de algo entre oito e onze meses. Mas vai depender da evolução.
- Certo. Eu te mantenho informado da evolução. - Eu avisei e ele se despediu com um aceno nervoso de cabeça.
Ao se virar de forma desajeitada, a aba do seu paletó esbarrou em uma pesada escultura de bronze que decorava a lateral da minha mesa. A peça caiu, rolando para baixo do móvel.
- Céus, me desculpe! Eu pego... - O Hércules se abaixou rapidamente.
Por puro reflexo de educação eu também me inclinei para o lado da mesa para ajudá-lo. Foi quando ele tentou se levantar e bateu a cabeça na parte inferior do tampo de madeira da mesa, que meus olhos focaram no pequeno retângulo preto ali. Preso com fita de alta aderência. No centro dele, uma luz milimétrica piscava em vermelho a cada três segundos.
Uma escuta profissional de transmissão em tempo real.
Meu coração deu um solavanco, e o aviso do médico ecoou na minha mente. A raiva subiu pelo meu peito, mas foi controlada pelo meu instinto de sobrevivência. Olhei para a escuta e juntei as peças em menos de dois segundos. Família de abutres!
Minha madrasta e meu primo estavam me monitorando, era assim que eles se adiantavam a tudo o que eu fazia, e agora sabiam da minha condição. Eles não esperariam a minha incapacidade para irem ao conselho administrativo com um pedido de interdição judicial. Queriam o meu império antes mesmo do meu corpo esfriar e eu sabia disso.
- Cuidado, Hércules, ou eu ainda vou ao seu enterro. - Eu ofereci um sorriso frio e ele estremeceu, mas sorriu por cortesia, se levantou, me entregou a escultura com as mãos trêmulas, e um sorriso amarelo.
Assim que a porta se fechou e o silêncio reinou no escritório, eu me inclinei para baixo da mesa e arranquei o dispositivo com força, o coloquei no chão e pisei até reduzir o plástico e os circuitos a pó.
Eles achavam que eu ia deitar e esperar a morte? Eles não conheciam o homem que governava aquela porra de mercado há anos. Se eles queriam um escândalo, eu daria um a eles. Se eles queriam usar a minha suposta fraqueza para me roubar, eu blindaria cada centavo jogando a dignidade daquela família puritana no lixo.
Peguei o meu celular pessoal, uma linha criptografada e segura, e disquei para o Murilo, meu advogado chefe e único amigo de verdade. Ele atendeu no segundo toque.
- Murilo, cancele a coletiva de imprensa de amanhã.
- O que aconteceu? O que o Hércules disse?
- Ele disse que eu estou condenado. E a minha querida família instalou uma escuta na minha mesa, certamente estão comemorando a notícia agora. Eu tenho certeza que eles vão tentar me interditar na próxima semana. - Eu avisei, meus olhos passando displicentemente no relatório de despejo de um estúdio de dança em um antigo prédio no centro do vale. - Prepare um contrato de casamento de conveniência e um termo de fertilização in vitro. Eu preciso de uma esposa que seja o completo oposto do que eles aceitam. Eu vou garantir o meu herdeiro e vou explodir a cabeça da minha madrasta no processo.
"Tatiana"O percurso até a casa do Murilo foi em total silêncio. Eu olhava para ele pelo canto dos olhos e percebia a sua tensão pelo maxilar trincado, as expirações longas, os dedos tamborilando no volante. Ele parecia desconfortável em sua própria pele e eu nunca o tinha visto assim antes. O silêncio entre nós também era novidade e era pesado, sufocante, mas não seria eu a primeira a falar. Eu nem sabia exatamente o que dizer, afinal eu ainda sentia o constrangimento, ainda sentia o peso da humilhação e sentia, sobretudo, uma tristeza enchendo o meu coração.Nós entramos no apartamento, aquele lugar que já era tão familiar, e ele continuou sem dizer nada. Ele passou por mim deixando o rastro do seu perfume e tirou o paletó e a gravata, jogando sobre o encosto da poltrona, abriu três botões da camisa, revelando não só um pouco mais de pele, mas o fino cordão de ouro com o crucifixo minimalista que ele nunca tirava. Depois, desapareceu em direção à cozinha dobrando as mangas da camisa
"Valentina"A Aurélia bufou e se sentou. O Dante me olhava segurando o riso. Ele sempre parecia observar as minhas interações com a Aurélia como se torcesse para que eu irritasse um pouco mais a madrasta. - Primo, nós estamos passando por uma turbulência em família, mas será que a sua esposa precisa mesmo tornar tudo ainda mais desconfortável? A Tia Aurélia merece respeito. - O Otto saiu em defesa da perua como sempre.- Otto, preste atenção em uma coisa: a minha esposa pode fazer o que bem entender. Eu não me importo nem um pouco com o desconforto de vocês. - O Dante encarou o primo. - Entendeu, encostado? - Eu lancei um olhar desafiador para o Otto. - Agora fica caladinho e aguarde a sua vez. Como eu ia dizendo, perua, eu tive o grande prazer de conhecer a Constança Dornelles hoje. Lembra dela?A Aurélia que estava olhando para o prato e remexendo nele de má vontade com o garfo, levantou os olhos imediatamente para mim. Eu podia jurar que havia um certo pânico naquele olhar. - Mu
"Valentina"Eu pisquei duas vezes, assimilando as novas informações que o Dante me dava. Para mim parecia impossível que aquela senhora fina e elegante partisse para um barraco daquela proporção, ainda que fosse por uma causa muito nobre.- A Constança deu uma sur'ra na Aurélia? - Eu perguntei e o Dante fez que sim. - Aquela mulher "chiquerésima" que saiu daqui se engalfinhou com a perua fútil num estacionamento e ainda levou a melhor? - O Dante confirmou bem humorado. - Não, meu lindo, isso não me parece possível. Isso é sério mesmo?- Seu lindo? - O Dante perguntou com um sorriso todo convencido, me apertando ainda mais em seus braços, suas mãos deslizando por todos os lados no meu corpo. - Gostei. Acho que vou querer ouvir isso mais vezes.- Talvez, se você tirasse a calça, chicletinho, eu pudesse te chamar de muitas coisas que você vai gostar ainda mais. - Eu falei manhosa e ele deu aquela gargalhada que ia direto no meu coração. - Você é tão pouco sutil quanto a Constança, meu a
"Valentina"A pergunta do Murilo pegou a Tati de surpresa e a desarmou completamente. As palavras pareciam ter ficado presas na garganta dela e os dois se encararam pelo que pareceu tempo demais. Ao redor deles, nós assistíamos quase sem respirar, esperando o desenrolar daquela cena como quem espera o capítulo da novela.- Eu estou bastante curiosa com o que ela vai dizer, porque até agora ela também deixou todo mundo falar que eles são namorados. Ela até chamou a Constancinha de sogra. - Eu comentei baixinho para o Dante que estava ao meu lado.- Encrenca, não incentiva a Constança. - O Dante avisou com um meio sorriso. - Você costumava ser meu amigo, Murilo. - A Tati falou engasgada, as lágrimas chegando aos olhos outra vez. - Mas aí se tornou o meu chefe e passou a ter zero cuidado com os meus sentimentos. E quer saber o que nós somos agora? Dois estranhos. - Estranhos porra nenhuma! - O Murilo resmungou. - Quer saber, mãe, pode ficar aqui com a Valentina. Eu vou resolver meus pr






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