INICIAR SESIÓNCaio Silva Rocha
Estava em pé ao lado de Luan, encostado na mesa de apoio perto da pista de dança, segurando uma taça de cristal. Meus olhos não saíam de Bruna por um único segundo. Ela brilhava sob as luzes suaves do salão, girando com o vestido de noiva enquanto dançava a primeira valsa nos braços de Patrick. Ao nosso redor, os convidados observavam a cena fascinados, cochichando elogios e admirando o casal. Patrick a conduzia cBruna MarquesEnquanto mastigava um pedaço do pão com geleia, a voz de Caio ecoava sem parar ao meu lado. Ele andava de um lado para o outro na cozinha, falando sem descansar, tentando arrumar justificativas e pedir desculpas. Não conseguia absorver uma única palavra do que ele dizia. Mantive meus olhos fixos em uma parte qualquer da parede de azulejos claros, em absoluto silêncio. A dor no meu peito ainda era gigante, sufocante. A descoberta de mais cedo simplesmente não saía da minha cabeça: eles realmente planejavam me levar à força para aquela cabana isolada se eu não tivesse aceitado me entregar e viver com os três. A ideia de que o amor que construímos tinha nascido sob a sombra de um sequestro planejado me dava náuseas.O som de passos no corredor anunciou a chegada dos outros dois. Patrick e Luan entraram na cozinha. Luan vestia apenas um calção de dormir, com o peitoral largo e descalço. Já Patrick estava inteiramente arrumado, vestindo calça jeans e uma camisa social escura,
Luan Silva RochaA noite já tinha tomado conta da mansão, e nós três continuávamos ali, enfileirados no corredor como sentinelas derrotados em frente à porta do quarto onde Bruna havia se trancado.Patrick estava sentado no chão, encostado na parede de um lado da porta. Caio ocupava o outro lado, com o terno todo amassado e a gravata frouxa no pescoço. Eu estava ajoelhado bem no centro, com a testa colada na madeira escura da porta, sussurrando apelos baixos para que a nossa mulher nos desse uma chance de explicar.— Coelhinha... Por favor, meu amor. Abre essa porta... — pedi mais uma vez, a voz rouca de tanto insistir. — Deixa a gente conversar com você.Nenhuma resposta. Nem o som de um passo, nem um fungado. O silêncio que vinha de dentro daquele quarto era pior do que qualquer grito ou discussão.Patrick foi o primeiro a perder a paciência com aquela agonia. Ele se levantou devagar, bufando pesado e passando as duas mãos pelos cabelos desgrenhados.— Para mim já chega — declarou,
Caio Silva RochaEram cerca de quatro horas da tarde quando Luan e eu cruzamos a porta principal da mansão. O dia na Empresa tinha sido exaustivo, cheio de reuniões. Tudo o que eu queria era tirar o terno, tomar um banho e encontrar Bruna tranquila para me desligar dos problemas da empresa.Porém, no instante em que pisamos no hall de entrada, o ar da casa pareceu pesado, carregado de uma tensão quase sufocante.Caminhei até a sala de estar e dei de cara com Patrick. Ele estava sozinho, descalço, vestindo apenas a calça de ginástica, andando de um lado para o outro sobre o tapete com as duas mãos cravadas nos cabelos, visivelmente perturbado. Ele arfava pesado, com o olhar fixo no chão, parecendo um bicho enjaulado.— O que aconteceu, Patrick? — perguntei no mesmo segundo, desabotoando o paletó e franzindo o cenho.Luan veio logo atrás de mim, ajeitando o relógio no pulso e parando ao meu lado.— Cadê a Bruna? — questionou, o tom de voz subindo imediatamente em alerta. — Aconteceu alg
Patrick Silva Rocha Enquanto segurava Bruna contra o meu peito no meio daquela rua, senti uma pontada cortante no coração. Ver a minha mulher desmoronar, banhada em lágrimas por ter a sua honra atacada por pessoas medíocres, me destruía por dentro. O único erro dela foi nos amar, aceitar três homens, só por isso o mundo insistia em lhe condenar. Beijei o topo da sua cabeça com carinho, sentindo o perfume doce dos seus cabelos, e murmurei: — Fica calma, minha coelhinha... Por favor, não chore. Eu vou resolver isso, juro que vou. Bruna desfez o abraço devagar. Ela deu dois passos para trás, limpando as bochechas com as costas das mãos tremendo, e olhou para mim com os olhos azuis marejados e cheios de dor. — Resolver como, Patrick? — perguntou, a voz falhando pelo choro. — Como você vai fazer essas pessoas pararem de me olhar como se eu fosse uma vagabunda? Ajustei a postura, buscando uma solução rápida para arrancar aquela angústia do peito dela. — Talvez a gente deva ir embora
Bruna Marques Caminhar ao lado de Patrick sob a brisa suave da manhã parecia a cena perfeita de uma vida tranquila. No entanto, bastou cruzarmos as portas de vidro da academia do condomínio para que o peso do mundo real desabasse sobre as minhas costas novamente. Assim que pisamos no recinto, o burburinho habitual de halteres batendo e esteiras funcionando pareceu perder o volume. Sentia o olhar de várias pessoas cravando-se em nós no mesmo segundo. O falatório baixo e os cochichos disfarçados pelos cantos não eram imaginação minha, a notícia sobre o meu relacionamento com os três irmãos Silva Rocha já tinha se espalhado por todo o condomínio como um rastro de pólvora. — Não liga para eles, coelhinha — murmurou Patrick perto do meu ouvido, apertando minha mão com um pouco mais de força para me transmitir segurança. — Foca no seu treino. Respirei fundo e inclinei a cabeça, tentando ignorar os rostos curiosos e os julgamentos estampados nos olhares das vizinhas e dos frequentadores.
Patrick Silva Rocha Estava sentado no sofá da sala, olhando para a escada, esperando Bruna terminar de se trocar para irmos à academia do condomínio. Um mês havia se passado desde que descobrimos toda aquela sujeira. Um mês em que os dias se misturaram entre reuniões intermináveis, papéis empilhados e telefonemas a qualquer hora. A casa estava silenciosa, Bruna e eu estávamos sozinhos na casa aquela manhã. Caio e Luan já tinham saído cedo para a empresa, desde aquele escândalo de fraude, decidimos que iríamos todos os dias, ficávamos de três a quatro horas lá, acompanhando de perto os relatórios, as auditorias e as movimentações financeiras. Era nosso dever defender o nosso império; não íamos deixar nenhum filho da puta nos passar a perna de novo. Enquanto aguardava no silêncio da sala, o som vibrante do meu celular sobre a mesa de centro cortou meus pensamentos. Estiquei o braço, peguei o aparelho e vi na tela a notificação de uma mensagem vinda de um número desconhecido. Franzi







