FAZER LOGINÉ claro que eu já estava acostumada com aquele olhar de zombaria e desprezo. Com o tom de voz que me fazia me sentir inferior.
Darius Evehart era desprezível e assassino, mesmo assim, vê-lo me chamar naqueles termos que durante anos me chamaram e humilharam, fez com que algo dentro de mim se retorcesse. A opinião dele não deveria me importar. Respirei fundo. — Você irá resgatar o meu irmão? Eu tenho sua palavra? — Perguntei. Darius caminhou até a cama e se deitou. O macho cruzou as pernas e apoiou a cabeça nos braços, olhando para mim. — Você irá dividir o quarto comigo? — Você mesmo disse que pode me forçar, porque precisa da minha permissão? Darius respirou fundo. — Responda a pergunta, fêmea. Desviei o olhar e murmurei: — Sim... — Iremos amanhã a noite. — ele disse e se levantou. — Por que não agora? Ele é muito pequeno e precisa de mim agora! Se você não tivesse me sequestrado... — gritei, mas Darius ignorou as minhas palavras, caminhando em direção as garrafas de vinho. Eu vi o macho beber mais vinho e todo o meu corpo estremeceu. Caminhei a passos largos em sua direção e o empurrei, fazendo-o derrubar parte do vinho em seu peito. — Seu miserável! Precisamos ir agora mesmo! Darius Evehart estreitou os olhos para mim. — Cuidado. Eu não sou tão paciente quanto pareço. Está perto do amanhecer, e não saio durante o dia. — avisou e tomou mais um gole. — Não sai durante o dia? Está brincando comigo! Acha que eu me importo? Darius revirou os olhos e eu continuei a insistir. De repente, de modo brusco o macho jogou o vinho na lareira e avançou em minha direção. Suas mãos agarraram os meus braços e ele me sacudiu. — Se continuar me importunando assim, terei que calar sua boca, escrava. — ameaçou ele. Meu sangue estava fervendo e eu só pensava em Nico sozinho. Desferi um tapa contra seu rosto com toda a minha força, Darius não se moveu, mas seu rosto ficou marcado com o meu tapa. Eu vi seus olhos arderem e a pele do seu rosto assumir escamas negras. Suas garras se alongaram enquanto ele segurava meus braços. — Eu deveria dar uma surra em você. Mas por enquanto, quero apenas que saia desse quarto antes que eu a acorrente naquela cama e deixe Volcrys fazer com você tudo que está imaginando. — sua voz era baixa e ameaçadora. Mesmo assim, era Nico e eu precisava insistir. — Você me arrastou para essa torre maldita. Me separou do meu irmão e agora quer que eu espere mais um dia para vê-lo? Vai me levar, ou serei a companheira de torre mais irritante que já viu. Para confirmar minhas palavras, chutei as garrafas de vinho que ainda restavam no chão, as quebrando. Darius me olhou como se eu tivesse matado alguém. — Não me provoque, fêmea. Há muitas maneiras de machucá-la sem afetar o vínculo imposto. Acha que sua Luna era cruel? Nunca me viu com raiva. E não há nada que me irrite mais do que pessoas inúteis! — Eu sentia a aura de perigo emanando dele e até mesmo Nyra se encolheu em minha mente. Engoli em seco e sai sem olhar para trás do quarto. Caminhei pelos corredores de pedra, o meu coração acelerado. Parei nas escadas e me apoiei na parede. Rangi os dentes de ódio. Ótimo, eu mesma salvarei Nico. Meu irmão não poderia esperar por mais tempo, só a deusa para saber o que Isis poderia fazer com ele sem que eu estivesse lá para protegê-lo. . . . Uma hora depois, consegui finalmente chegar no território da alcateia Anoitecer. Darius poderia dizer que a Torre era uma prisão, mas não havia tantos guerreiros para parecer uma prisão. E nem trancas. Mas quem seria o louco para tentar invadir a torre do príncipe Dragão Darius? Respirei fundo e comecei a pensar em como faria a Luna me entregar Nico. Eu tentaria usar o título de Luna do príncipe Darius Evehart para resgatar Nico. Caminhei de modo altivo em direção a casa da alcateia e antes mesmo de bater a porta, a Luna Isis apareceu. Seu olhar em minha direção era de desprezo e imponência. — O príncipe já se cansou de você? Coitado, preso com uma escrava feia. Aposto que ele a mandou de volta ao seu lugar e a verá esporadicamente, apenas para que a marca não vire uma maldição. — zombou a loba. Puxei a gola do meu casaco e mostrei a marca. Seus olhos se estreitaram e ela não conseguiu esconder seu choque. Isis cruzou os braços. — O que você quer? — perguntou em tom afiado. — Vim buscar o meu irmão. Isis sorriu de modo sinistro e descruzou os braços. — Chegou tarde, eu o vendi para ser um dos lobos da alcateia Sangue. Meu coração bateu mais lentamente, quase como se quisesse parar de bater de vez. Alcateia Sangue... Não... Vamos encontrá-lo, Mary. Vamos encontrá-lo. Não se desespere. Nyra tentou me consolar. Ele pode não estar vivo quando eu o encontrar, Nyra, e se estiver não será mais o mesmo. Todo o meu corpo estremeceu de raiva. Empurrei a Luna contra a porta com toda a minha força, ela caiu e gritou por seus lobos. Em questão de segundos, eu estava cercada por lobos que apontavam suas facas e armas contra mim. — Sou a escolhida do príncipe Darius. Se me tocarem, vão estar tocando ele! — menti, aquele bastardo não me defenderia. Os lobos se entreolharam. — Se ele se importasse com ela, para começar ela não estaria aqui sozinha atrás do nojento do irmão. — a Luna gritou. Sua voz e percepção afiadas encorajaram os outros lobos a avançar em minha direção. O primeiro deles a avançar me espetou com sua faca de prata em seu braço. Gritei ao sentir minha pele queimar e sangrar. Eu olhava ao redor e só via rostos com raiva de mim, expressões odiosas. — Cortem-na! O príncipe Dragão não se importa com ela! — gritava a Luna. Como se sua voz fosse um comando divino, outros se aproximaram e me esfaquearam, tomando o cuidado para não me matar. Todos sabiam a consequência de uma morte não natural. O príncipe também morreria. Levantei as mãos para tentar me defender, minhas garras se alongando e Nyra querendo se transformar. Me deixe sair! Acabarei com eles! Ela gritou em minha mente. Antes que eu pudesse me transformar, uma coleira inteiramente de prata foi posta por trás em meu pescoço. — Não! — gritei e logo depois me atingiram na cabeça. Antes de cair, pensei em Nico. A alcateia de Sangue comprava escravos machos com sangue de Alfa para torturas e sacrifícios. Nico...como eu pude falhar tanto com você? Ele só tem cinco anos.Uma verdadeira batalha explodiu ao nosso redor, e meu coração batia de modo descompassado, enquanto meus pensamentos se dividiam entre meu irmão e Darius que possivelmente havia sido capturado. Oh pela deusa, os gritos dos guerreiros ao redor explodiam em todas as direções, eu via lobos se transformando e seus dentes afiados ansiando por sangue. De repente, vi a Luna Isis se voltar com seus guerreiros em minha direção. Eu a encarei, estava pronta para detê-la, até que vi meu irmão Nico correr em sua direção, ele gritava... Oh pela deusa, os dois se chocaram em uma luta violenta, enquanto meu irmão que devia estar se recuperando, estava sendo cercado por vários lobos. — Não! — gritei enquanto sentia mãos firmes me puxarem, eu ouvia o rei Kael gritando ordens para seus lobos, dividindo seus guerreiros e ordenando que alguns lobos levassem eu e Sara. Eu me debati contra o macho que me segurava, era o meu irmão lutando ali, era o irmão que eu jurei proteger e falhei! — Me solte! M
Eu olhei para Darius ainda sem acreditar. — Você não pode estar realmente falando sério sobre isso...— minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. O macho respirou fundo e não precisou responder. — Não, você não vai! — rosnei para ele. Darius apenas me encarou antes de responder: — Não pode me impedir. Meus olhos estavam marejados agora e fui tomada por um impulso violento. Depois de tudo que eu havia passado com ele, como ele ainda poderia acreditar que devia decidir algo assim sozinho? Ele estava fraco... Não conseguia sequer se transformar em seu dragão e ainda havia o fator da maldição da luz do sol... Darius engoliu em seco e eu o vi olhar com tristeza para as lagrimas que insistiam em descer do meu rosto. Senti meu coração sendo quebrado lentamente enquanto o macho diminuía a distância entre nós. Seus olhos estavam mais escuros agora, mais densos... Darius estendeu a mão e tocou meu rosto, suavemente. — Mary, eu vou voltar. E trarei comigo Sara, tudo ficará b
MARYEu observei Darius arrastar Kael para longe do macho Green, enquanto o mesmo tentava lutar contra ele. Kael não parecia o mesmo, sendo sempre tão centrado, seus olhos eram frios na maior parte do tempo, mas agora estavam em chamas capazes de consumir tudo ao seu redor.— Solte-me Darius...— rosnou Kael, mas Darius continuou arrastando-o pela vila, em direção ao rio.Eu continuei correndo atrás dos dois, até que o macho se voltou contra Darius acertando-o um soco no queixo.Parei com meu coração batendo descompassado, o sangue de Darius pingou no chão de terra, o vento era cortante e o silencio da noite nos atingia.— Não me toque, porra. Não tente me impedir de fazer algo que você faria se fosse Mary...— rebateu Kael e eu podia sentir a dor em suas palavras.Seus olhos estavam brilhantes, as lagrimas que ele segurava pareciam pesadas demais.Os ombros de Darius ficaram tensos e eu temi que o macho revidasse, se eles começassem uma briga, como eu conseguiria segurá-los?Darius leva
Não, eles não poderiam brigar naquele instante.Não quando estávamos cercados de tantos inimigos assim! Mas Darius não parecia ver dessa forma, e o macho avançou em direção ao irmão e eu tentei agarrá-lo segurando pelo braço.— Não faça isso! Você não entende! Darius, Kael está transtornado por que Sara é uma refém na alcateia Anoitecer! — falei e o macho parou de avançar.Darius olhou nos meus olhos e eu via que ele estava tentando ligar os pontos.— Era isso que vocês estavam...— Sim, estávamos tentando encontrar uma maneira de resgatá-la.— Sua maneira é matar todos nós! — o alfa Green rosnou. — Eu não irei permitir essa troca.— Vai dizer onde ela está ou eu o mato aqui e agora.— rosnou Kael e sua voz era baixa e letal.Os olhos do Alfa Green se estreitaram e ele não pareceu se intimidar. Eu via o sangue de seu nariz manchar sua camisa, sua expressão era fria.O Alfa abriu os braços e disse:— Mate. Ainda assim, ninguém dirá onde ela está. Oh pela deusa...Kael a
POV MARYVárias horas haviam se passado e recados haviam sido trocados entre o alfa Green, Kael e o alfa Thorne da alcateia Anoitecer. Nossos lobos guerreiros que apoiavam a família real estavam cada vez mais próximos.Kael caminhava ao meu lado, enquanto a noite avançava em direção ao cativeiro da Luna Isis. Eu via o suor descendo por sua testa, ouvia o seu coração batendo cada vez mais rápido.Não havia espaço para negociar isso com o alfa Green, ele não aceitaria. Sara não era importante para a guerra, não era importante para ele.Continuamos caminhando em direção a pequena casa onde sabíamos que a loba estava sendo mantida, mas assim que avistei a porta, percebi que devia ter guardas.Kael também deve ter notado, porque ele parou de caminhar.— Mary...você contou para alguém? Nas horas que nos separamos, quando você foi procurar por Darius?— Kael voltou seu olhar em minha direção.Sim, eu havia me despedido de Kael logo após a conversa na sala e Darius surgir e demonstrar todo o s
POV MARYOs ombros de Kael Everhart continuavam a tremer, suas lágrimas caindo sobre o chão empoirado. Eu sentia a dor o envolvendo, o poderoso príncipe herdeiro estava desmoronando bem diante de mim.Meus braços continuavam a envolvê-lo, enquanto seu corpo estremecia.— Não sei o que farei se algo acontecer a ela, Mary... não consigo sequer pensar, e o que penso, pode prejudicar a outros. — sua voz era baixa e dolorosa, eu sabia o que Kael estava pensando. A escolha óbvia para ele era trocar a Luna Isis com Sara, mas isso iria expor quem Sara era, contudo, poderia libertá-la.Mas a Luna é nossa única vantagem para conseguir mais tempo até que mais guerreiros cheguem para lutar conosco. Entregar nossa única vantagem por uma única loba... A voz de Nyra em minha soou cautelosa e racional.Ela é a companheira dele, Nyra. Rebati e a loba se silenciou em minha mente.Kael continuava de joelhos, seus olhos ainda úmidos, sua cabeça enterrada em meu ombro.Eu nunca o havia visto tão frágil co






