Fugi do Alpha Cruel e Acordei na Cama do Caçador

Fugi do Alpha Cruel e Acordei na Cama do Caçador

last updateÚltima actualización : 2026-08-29
Por:  Leticia S. FerreiraActualizado ahora
Idioma: Portuguese
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Fui vendida para um monstro, fugi para a neve e acabei entregando minha alma ao meu pior pesadelo. Amália preferiu arriscar a vida na Floresta Negra a aceitar seu destino como a noiva-sacrifício de Kael, o implacável Alpha conhecido como o Açougueiro do Norte. Quase morrendo de frio, ela é resgatada por um caçador isolado, bruto e superprotetor. Presos por uma nevasca em uma pequena cabana, a hostilidade entre eles se transforma em uma paixão física e avassaladora. Mas a ilusão perfeita é estilhaçada quando o exército invade o refúgio e a máscara cai: o caçador sem nome que roubou seu corpo e seu coração é, na verdade, Sua Alteza Real, o próprio Alpha cruel de quem ela fugia. Ele sabia de tudo. Arrastada de volta para as intrigas do palácio, Amália precisará sobreviver a uma nova noiva venenosa e ao ciúme doentio do homem que quebrou sua confiança. Ela jurou odiá-lo. Mas como escapar de um monstro possessivo, quando ele está disposto a queimar o próprio reino para provar que ela é sua?

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Capítulo 1

PRÓLOGO

O vento frio entrava pelas frestas das janelas da propriedade dos Valcourt, um lembrete constante de que o dinheiro para os reparos havia acabado muito antes do inverno chegar.

Amália esfregou as mãos, tentando aquecer os dedos dormentes. Ela usava um vestido de lã cinza, puído nas bordas, muito diferente das sedas que sua madrasta, Eleanor, insistia em encomendar mesmo com a família à beira da ruína. O som de passos pesados ecoou no corredor, e a porta de seu quarto foi aberta sem qualquer aviso.

Era o mordomo, um dos poucos criados que ainda restavam. Ele não a olhou nos olhos.

— Seu pai exige sua presença no escritório, senhora. Imediatamente.

Amália assentiu, alisou a saia e seguiu o homem pelos corredores escuros da casa. Havia quadros faltando nas paredes, vendidos para pagar dívidas de jogo. O cheiro de mofo e abandono impregnava as cortinas velhas.

Quando ela entrou no escritório, o ambiente estava abafado, aquecido por uma lareira que queimava lenha de boa qualidade. Seu pai, Lorde Arthur, estava sentado atrás de uma pesada mesa de carvalho. Ele parecia dez anos mais velho, com o rosto afundado nas mãos, a pele pálida e os ombros curvados.

Ao lado dele, de pé, estava Eleanor. A madrasta de Amália usava um vestido verde-esmeralda impecável. Ela exibia um sorriso fino e calculado, os braços cruzados sobre o peito.

— Feche a porta, Amália — Arthur ordenou, a voz rouca, sem levantar o olhar.

Amália obedeceu. Ela caminhou até o centro da sala e parou, sentindo um nó se formar na garganta. Aquela reunião não era sobre economia doméstica. O olhar de Eleanor carregava uma satisfação que só aparecia quando alguém estava prestes a sofrer.

— Você nos chamou, pai.

Arthur finalmente ergueu a cabeça. Seus olhos estavam vermelhos. Ele pigarreou, tentando encontrar alguma autoridade em sua postura derrotada, mas falhou.

— Nossa situação financeira, como você bem sabe, chegou ao limite — ele começou, escolhendo as palavras com lentidão. — Os credores estiveram aqui novamente esta manhã. Eles ameaçaram confiscar a propriedade. Não temos mais para onde correr, Amália. As dívidas são impagáveis.

— Eu sei, pai. Tenho tentado reduzir os custos da casa, dispensei a cozinheira e…

— Reduzir custos não vai salvar esta família da prisão! — Eleanor cortou, impaciente. Ela descruzou os braços e deu um passo à frente. — Nós precisamos de dinheiro de verdade. Dinheiro que o seu pai não tem mais capacidade de conseguir. Mas, por sorte, eu encontrei uma solução.

Amália olhou da madrasta para o pai. Arthur desviou o rosto, encarando o fogo na lareira. O silêncio no escritório de repente pareceu pesado demais.

— Que solução? — Amália perguntou, a voz um pouco mais baixa.

— Um casamento — Eleanor respondeu prontamente, os olhos brilhando de triunfo. — Um acordo extremamente vantajoso. O noivo concordou em assumir todas as dívidas da família Valcourt e ainda depositar uma quantia generosa nos cofres do seu pai. Em troca, você será a esposa dele.

Amália sentiu o chão sumir sob seus pés. Ela piscou, tentando processar a informação. Casamento. Ela sabia que filhas de nobres eram moedas de troca, mas nunca imaginou que seu pai a venderia daquela maneira, sem sequer um aviso prévio.

— Quem é o homem? — ela perguntou, esforçando-se para manter o tom de voz estável.

Arthur apertou a borda da mesa.

— É o Alpha Herdeiro. O Alpha Kael.

O sangue de Amália gelou. O nome ecoou em sua mente como uma sentença de morte. Kael. O Alpha do Norte. O lobo conhecido em todas as alcateias por sua crueldade implacável. As histórias sobre ele eram contadas para assustar crianças. Diziam que ele governava com garras sujas de sangue, que não tinha misericórdia por inimigos e que suas duas noivas anteriores haviam morrido em circunstâncias misteriosas e terríveis antes mesmo de chegarem ao altar. Ele não era apenas um tirano; ele era considerado um monstro lupino.

— Não — Amália sussurrou, dando um passo para trás. — Pai, não. Você não pode estar falando sério.

— O contrato já foi assinado — Eleanor declarou, com um tom de quem encerra um assunto trivial. — O selo real chegou esta manhã.

— Ele é um assassino! — Amália gritou, a compostura finalmente quebrando. Ela avançou até a mesa e bateu as mãos na madeira. — Pai, olhe para mim! Você está me vendendo para um homem que tortura pessoas por diversão. As pessoas o chamam de O Açougueiro. Você sabe o que ele faz com quem cruza o caminho dele!

— Chega, Amália! — Arthur levantou a voz, batendo o punho na mesa. Ele se ergueu, a expressão distorcida por uma mistura de raiva e vergonha. — Você acha que eu tive escolha? Se não aceitássemos, estaríamos todos na rua amanhã. Eu seria jogado em uma masmorra de devedores. Você iria acabar trabalhando como lavadeira ou coisa pior. Eu fiz o que precisava ser feito para salvar o nosso nome.

— Salvar o seu nome — ela corrigiu, a voz embargada, as lágrimas finalmente queimando nos olhos. — Você salvou a si mesmo e a ela.

Eleanor suspirou, revirando os olhos.

— Poupe-nos do drama, Amália. Você vai se casar com a realeza. Terá um castelo, joias, criados. Muitas mulheres matariam por essa oportunidade.

— Então case-se com ele você — Amália cuspiu, encarando a madrasta com ódio puro.

O rosto de Eleanor endureceu. Ela caminhou até Amália e, com um movimento rápido e impiedoso, desferiu um tapa no rosto da garota. O estalo foi alto. O rosto de Amália virou para o lado, a bochecha ardendo intensamente. Arthur apenas fechou os olhos, incapaz de intervir.

— Você vai aprender a ter respeito — Eleanor sibilou, o rosto a centímetros do de Amália. — Sua carruagem parte em três dias. O Alpha Kael não é um lobo que gosta de esperar. Você vai entrar naquela carruagem e vai ser a fêmea submissa que ele pagou para ter. Se você tentar fugir ou arruinar este acordo, eu mesma garanto que os batedores da guarda lupina a encontrem.

Amália tocou o próprio rosto, sentindo a pele quente. Ela olhou para o pai uma última vez. Arthur não abriu os olhos. Ele havia se rendido. Ele a havia sacrificado.

Não havia amor ali. Não havia proteção. A casa em que ela cresceu havia se transformado em uma cela, e a porta estava prestes a se fechar.

— Três dias — Amália repetiu, a voz perigosamente calma. A tristeza estava rapidamente sendo substituída por um instinto primitivo. Sobrevivência.

Ela deu as costas para o pai e para a madrasta, caminhando em direção à porta do escritório. Antes de sair, ela parou e olhou por cima do ombro.

— Eu espero que o dinheiro valha a pena, pai. Porque você acaba de perder a sua única filha.

Ela abriu a porta e saiu, caminhando rápido pelos corredores escuros. O som de seus passos abafava o barulho da tempestade lá fora. Amália não iria chorar mais. Enquanto entrava em seu quarto frio e trancava a porta, uma única certeza se formava em sua mente.

Ela entraria na carruagem em três dias.

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