Mag-log inPOV: Cecilia HernándezO ar naquela sala parecia denso demais, como se, de repente, tivesse perdido todo o oxigênio. As palavras de Liam ainda pairavam no ambiente, ecoando em minha mente repetidamente, como um eco impossível de silenciar.“Ela é minha noiva.”Eu. Noiva de Liam Azacel.O impacto foi tão forte que fiquei sem reação, presa em um limbo entre a incredulidade e o medo. Minha garganta ardia, lembrando-me ainda da força de suas mãos quando, horas atrás, ele estivera prestes a me matar. E agora… pretendia que eu me tornasse sua noiva?—O quê…? —consegui murmurar, apenas um fio de voz que se perdeu em meio ao silêncio expectante da sala.Eu gostaria de negar, gritar que tudo aquilo era mentira, que jamais poderia amar um homem como ele. Mas, antes que pudesse pronunciar qualquer palavra, senti sua mão agarrar a minha com força. Um gesto que, visto de fora, poderia parecer carinhoso, mas que eu senti como uma algema gelada me prendendo à sua vontade.—O que foi, Lia? —sua voz s
POV: Cecilia HernándezO silêncio dentro do carro era insuportável. Eu olhava fixamente pela janela, acompanhando com os olhos as árvores que se erguiam como sombras borradas à nossa passagem. Eu me recusava a dirigir um único olhar para Liam. Não depois do que ele havia feito. Não depois de quase me estrangular com as próprias mãos, como se eu não valesse absolutamente nada.O motor zumbia constantemente, enquanto ele permanecia ao meu lado, tão tranquilo como se nada tivesse acontecido. O contraste fazia meu sangue ferver. Eu ainda sentia o ardor na garganta, e ele... ele simplesmente permanecia concentrado no tablet que segurava nas mãos, passando documentos, revisando sabe-se lá o quê.Engoli em seco com dificuldade e finalmente rompi o silêncio:—Para onde estamos indo? —perguntei sem tirar os olhos do vidro.Não obtive resposta. Nem sequer um gesto de irritação. Nada. Apenas o leve movimento de seus dedos sobre a tela, como se minha voz não existisse.Franzi a testa e soltei um
POV: Cecilia HernándezO calor me envolvia como um cobertor pesado. A respiração ritmada sob o meu ouvido, as batidas firmes de um peito que não era o meu, embalavam-me com uma sensação que, por alguns segundos, confundi com segurança. Só quando uma pressão brusca me arrancou daquele torpor foi que a verdade me atingiu como um raio.Abri os olhos e o vi: Liam Azacel, acordado, olhando para mim com aqueles olhos negros como abismos, frios, carregados de uma ira contida. Por um instante, fiquei paralisada, incapaz de me mover, mas aquela calma durou apenas o segundo que antecedeu a tempestade.—Que diabos…? —rosnou ele, com a voz áspera como ferro enferrujado.Antes que eu pudesse me explicar ou sequer me afastar, sua mão se fechou brutalmente ao redor do meu pescoço. O ar escapou dos meus pulmões de uma só vez. Ele me ergueu como se eu não pesasse nada e, em um movimento selvagem, arremessou-me contra a mesa do quarto. Senti o impacto percorrer minhas costas como um trovão, enquanto se
POV: Cecilia HernándezO trajeto de carro pareceu interminável, embora tivéssemos avançado apenas alguns quilômetros desde que deixamos para trás os muros da mansão de Rayner. Eu observava a paisagem sem realmente enxergá-la, agarrada à sensação de liberdade que acreditava sentir enquanto nos afastávamos daquele lugar. Mas aquela ilusão se desfez quando o veículo diminuiu a velocidade e parou diante de um imponente edifício.Franzi a testa. Não entendia por que havíamos parado justamente ali.—Um hotel? —murmurei para mim mesma, apertando os lábios.A porta do carro se abriu e o ar da noite me atingiu em cheio. Não tive outra escolha a não ser descer, observando a alta figura de Liam já avançar em direção à entrada do hotel com aquela segurança implacável que o caracterizava. Era como se o mundo inteiro tivesse sido feito para abrir caminho diante dele.Alguns passos ecoaram atrás de mim. Um dos guarda-costas —alto, corpulento, com uma expressão pétrea— aproximou-se com um semblante f
POV: Cecilia HernándezSenti minha garganta se fechar de repente quando Liam pronunciou meu nome com aquela segurança que fazia meu sangue gelar. Cecilia. O som me atravessou como uma faca. Meu corpo reagiu antes da minha mente: encostei-me ainda mais contra a parede, tentando disfarçar o tremor das minhas mãos, buscando refúgio em palavras que eu ainda não sabia como pronunciar.—N-não sei do que está falando —gaguejei, minha voz soou fraca até mesmo para mim mesma—. Você está enganado, Liam. Está me confundindo com outra pessoa.As desculpas brotaram como uma cascata, atropeladas e incoerentes. Disse que ele devia estar cansado, que sua mente o estava enganando, que havia tensão demais naquela casa e qualquer pessoa poderia se confundir. Repeti minha mentira várias vezes, como se, ao fazê-lo com convicção suficiente, pudesse apagar a verdade de seus olhos.Mas ele não desviava o olhar. Seu silêncio era pior do que qualquer acusação. Era como se ele se alimentasse de cada palavra que
Cecilia sentiu como o ar da sala de jantar se tornava pesado, quase impossível de respirar. Todos os olhares convergiam para ela. Cada par de olhos a examinava com atenção, mas o que mais pesava sobre ela era o de Liam. Diferente de antes, ele não fez a menor tentativa de defendê-la. Permaneceu imóvel, sereno, com um interesse calculista que se mostrava tão ameaçador quanto a hostilidade de Rayner.Essa mudança em sua atitude a desconcertou. A princípio, ela acreditara que Liam representava um obstáculo entre ela e a fúria de Rayner, mas agora compreendia que ele próprio era um enigma que deveria temer. Seu silêncio não era neutralidade, era uma declaração silenciosa: ele queria ver o que ela faria, como reagiria. E, pior de tudo, parecia apreciar a pressão à qual a estava submetendo.Cecilia sentiu um suor frio escorrer pela nuca, escondido sob a máscara. Seu instinto gritava para que corresse, para que se afastasse daquele lugar onde tudo poderia desmoronar em um segundo. Mas fugir







