INICIAR SESIÓNLuna
Já era meia-noite. Eu nem estava tão afim de sair, mas Tatiane insistiu. Disse que a gente merecia uma dose depois da noite puxada. Heloísa apareceu com aquele jeitinho dela, toda empolgada, e acabou que fomos as três mesmo. A boate Lux Club estava do jeito que eu imaginava: luz baixa, ar-condicionado gelado misturado com perfume caro, e gente que se achava dona do mundo. Gente bonita, garçons de terno, bebidas douradas que custavam mais do que eu ganhava em uma semana, ostentação discreta que gritava "eu posso pagar". Entrei por último. Sandálias brancas, o pé já meio sujo da calçada. O short jeans claro grudado nas coxas, marcando cada curva. Ele era tão curto que a barra enrolava sozinha, e a poupa da minha bunda aparecia sem cerimônia. Nem me importei. Eu sabia o que carregava. Sabia o peso que aquelas roupas tinham na noite. O cropped tomara-que-caía mostrava minha barriga lisa, e o piercing no umbigo brilhava cada vez que eu passava perto de alguma luz. Não era pra ninguém. Era pra mim. Era lembrete de que meu corpo ainda era meu, mesmo quando eu o vendia. Mas eu senti. O olhar. Pesado. Direto. Queimando em mim como se fosse uma faca de fogo. Virei o rosto devagar, como quem não tem pressa, mas o coração já acelerado. Ele estava ali. No camarote privê. Na mesa dos homens que ninguém encosta. Sentado de forma largada, uma mão no copo de whisky, a outra pendurada com um cigarro entre os dedos. Olhar fixo, sem a menor vergonha de olhar. Diabo. O nome corre pelos corredores das grandes empresas como um vento frio. Perigoso. Violento quando precisa ser. CEO de uma das maiores corporações de tecnologia do país. Dono de tudo — ou pelo menos de tudo que valia a pena ter. Nunca precisei me meter com ele. Nunca nem quis, pra falar a verdade. Gente como ele não se mistura com gente como eu. Ou pelo menos era o que eu pensava. Mas o jeito que ele me olhou… Como se eu fosse a coisa mais interessante daquela noite. Como se, em meio a tantas mulheres bonitas, roupas caras e sorrisos ensaiados, eu fosse a única que realmente existia. E eu encarei de volta. Não baixei os olhos. Não virei o rosto. Caminhei reta, rebolando leve, sem forçar. Natural. Mas eu sabia que ele estava vendo tudo. O jeito que o short subia, o balanço da minha bunda, a firmeza do meu passo. Ele não desviava o olhar nem por um segundo. Chegamos no bar. Pedi uma dose de tequila. Nem precisei falar — o barman já sabia. Já me conhecia. Já sabia que eu não era dali, mas também não perguntava de onde eu vinha. Gente como ele aprende cedo a não fazer perguntas. Tatiane comentou alguma coisa sobre um cliente, mas eu mal ouvi. A sensação do olhar dele ainda grudava na minha pele como uma marca invisível. Heloísa puxou assunto sobre alguma treta da prima dela, mas minha cabeça não saía dali. Do camarote no canto. Do homem que me comeu com os olhos sem tocar em um fio de cabelo meu. Do Diabo. E o pior? Eu gostei. A tequila ainda queimava na garganta, descendo quente e ácida, mas não tanto quanto o olhar que eu sentia colado nas minhas costas. Eu nem precisava olhar para trás para confirmar. Era como se o peso do olhar dele marcasse minha pele, deixasse rastro, cobrasse presença. Fingi que não ligava. Cruzei as pernas, encostei no balcão de mármore gelado. Bebi com calma, os lábios molhados, os olhos semicerrados. Mas meu corpo inteiro estava ciente da presença dele ali. Cada célula, cada poro, cada respiração. Fera e os outros seguranças riam de alguma coisa. Homens grandes, postura imponente, olhos atentos. Mas ele não ria. Ele só olhava. Heloísa já estava dançando com um copo na mão, os quadris se movendo no ritmo da música eletrônica. Tatiane mandou mensagem para alguém no celular, o rosto iluminado pela tela. Eu respirei fundo, me ajeitei. E fui.Capítulo 1 Benício Venturelli Acordei com o barulho insuportável do celular vibrando na mesa de cabeceira. Observei o nome na tela antes de atender e levar ao ouvido.— Alô? — minha voz ainda saiu sonolenta, arrastada.— Ben? Cadê você, porra? — a voz de Jade cortou o silêncio do quarto.— Logo de manhã xingando, irmãzinha?— Estou falando sério, cara. Nossa mãe está aqui e está uma fera. Está deixando todos loucos. — Ouvi um suspiro frustrado do outro lado. — Vem logo.Merda. Tinha esquecido do jantar de família.Soltei um grunhido, passando a mão no rosto. Foi só então que percebi o corpo nu ao meu lado e os cabelos loiros espalhados pelo travesseiro.— O que foi? — ela perguntou, a voz ainda embargada de sono.— Tenho que ir — respondi, já sentando na cama.— Mas já? — Sua voz assumiu um tom manhoso que me causou repulsa. — Achei que passaríamos a noite juntos.Ela se esticou, movendo-se lentamente na minha direção. Os seios enormes balançaram com o movimento, o mamilo ainda rosa
"A Prostituta e o CEO Obsessivo — Parte 2: O Herdeiro e a Empregada"📖 Sinopse OficialEle cresceu vendo o pai vencer o próprio inferno. Ela cresceu observando a família dele de longe. Agora, o inferno é deles.Benício Venturelli é o filho mais velho de Rodrigo (o Diabo) e Luna. Aos 25 anos, ele é Diretor de Operações da holding Venturelli — herdeiro de um império, de um sobrenome pesado e de uma história que ele tenta, desesperadamente, honrar. Cresceu vendo o pai se transformar de um homem frio em um pai presente. Cresceu vendo Luna — a ex-prostituta que virou sua madrasta — se tornar a mãe que ele nunca teve. Mas, por dentro, Benício é um homem solitário. Trabalha, trabalha e trabalha. Porque parar significa pensar. E pensar significa lembrar que a casa está vazia.Isadora "Isa" Correia tem 19 anos. Mora com a mãe Marlene, que trabalha como empregada na mansão Venturelli há 15 anos. Isa cresceu vendo a família dos sonhos de perto — e, ao mesmo tempo, tão longe. É estudante de Psic
A festa já tinha terminado há algum tempo. Heloísa estava sentada no sofá com sua barriga, Igor deitado com a cabeça em seu colo, e Verônica, minha mãe, arrumando os copos em cima da mesa, reclamando sozinha: — Esta criançada me acaba com tudo, misericórdia — disse Verônica. Luna estava ao meu lado, sentada com Jade no colo, e Benício deitado no chão, quase dormindo. Jade piscava devagar, lutando para não apagar, mas o sono já a havia vencido. — Mãe, posso dormir aqui hoje? — perguntou Benício, meio manhoso. — Ah, pode sim — respondeu Verônica antes mesmo de eu abrir a boca. — A avó faz panqueca amanhã cedo para vocês. Jade levantou a cabecinha, os olhinhos quase fechando. — Panqueca, vó… com leite — disse Jade. Todos riram. Luna olhou para mim e já entendemos: eles iam ficar. Melhor assim — dormem bem, e nós também descansamos um pouco. Ajudei Benício a subir para o quarto, ele já dormindo em pé, e voltei para a sala. Verônica pegou Jade do colo de Luna com todo cuidado. — Vá
Saímos da loja com Heloísa reclamando do calor, Igor chegando de moto e Luna tentando equilibrar bolsa, bebê e paciência tudo ao mesmo tempo.— Ai, meu amor! Traz logo esta mulher para casa, que se eu esperar mais, o bolo derrete! — disse Igor.— Derrete nada, você está é com medo de descobrir que vai ter que dividir o videogame com uma menina — respondeu Heloísa.— Mentira, eu quero menina! Só para vê-la com este seu gênio — disse Igor.— Então se prepare para sofrer, papai — respondeu Heloísa.— Misericórdia, já começou — disse eu.Todos riram. Benício correu na frente com um balão azul que Luna deu para ele, e Jade vinha no meu colo, rindo e apontando tudo no caminho.A casa de Heloísa estava toda decorada: rosa e azul, balões espalhados, mesa de doces, bolo enorme e uma plaquinha com "Menino ou Menina?" no meio.— Você caprichou, hein, Helô. Tá lindo! — disse Luna.— A mulher da decoração quase me matou, mas valeu a pena. Agora é apenas não chover, porque este teto aqui está na ba
FimUm ano depoisLuna está com a loja dela de volta. Heloísa ainda ajuda às vezes. Agora então, com cinco meses de barriga, vive lá sentada no balcão comendo salgados e reclamando que está gorda. E hoje vai ser o chá revelação do bebê dela com Igor.Parei o carro bem em frente à loja de Luna. O sol estava quente, e o som do carro ainda tocando baixinho deixava o clima meio leve. Desliguei o motor, olhei pelo retrovisor e vi os dois no banco de trás — Jade batendo o pezinho no assento e Benício com cara de impaciente.— Vamos, turma — falei rindo.Desci, dei a volta e abri a porta de trás. Antes mesmo de eu conseguir dizer qualquer coisa, Jade já se jogou para fora, tropeçando nos próprios pés, rindo e gritando:— Mamããã! — gritou Jade.— Ei, calma aí — reclamou Benício, tentando segurá-la pelo braço.Ela saiu correndo, empurrando a porta de vidro da loja com as duas mãos. A porta fez aquele "tac" alto, e eu juro que achei que ela ia derrubar.Luna apareceu lá de dentro, rindo. Aquel
Estava deitada no quarto, apenas curtindo o silêncio enquanto Jade dormia no berço. O sol batia meio fraquinho pela janela, um ventinho bom passando… tudo calmo. De repente, ouvi uma voz lá da porta:— Ô, minha princesa, olha a titia chegandooo! — gritou Heloísa.Olhei e vi Heloísa entrando, toda espalhafatosa como sempre, rindo e falando com a bebê, mesmo ela dormindo.— Você é de índia, não é, Jade? Toda princesinha, igual a mãe. Já estou vendo que vai dar trabalho quando crescer, viu? — disse Heloísa.Eu ri, mexendo no cabelo, meio sem acreditar que ela estava ali tão tranquila depois de tanto tempo.— Você só aparece quando a saudade já bateu, não é? — perguntei.— Ai, não fala nada. Estou acabada. Esta loja está me deixando maluca, bicho — respondeu Heloísa.— Como está lá? — perguntei, curiosa, ajustando a almofada nas costas.— Tá cheia, menina. Cheia mesmo! Eu abro a porta e já tem gente esperando. Vende roupa, vende bolsa, vende até o que nem está no estoque direito — ela riu







