FAZER LOGINNa véspera do casamento, Alice Carson descobre que os próprios pais negociaram seu futuro para salvar o império da família. Revoltada, ela foge antes de subir ao altar e, decidida a destruir a única exigência que sustentava aquele acordo absurdo, passa a noite com um homem misterioso. Na manhã seguinte, seu pai deixa um ultimato cruel: se ela não se casar, pode esquecer que um dia teve uma família. Sem ter para onde ir, ela tenta recomeçar do zero. Mas o destino tem outros planos. Seu novo chefe é Jonathan Rhodes... o noivo de quem fugiu e o mesmo homem com quem passou a noite. Arrogante, irresistível e obcecado por controle, Jonathan se recusa a aceitar a humilhação de ter sido abandonado no altar. Para recuperar sua reputação e cumprir o acordo imposto por seu pai, ele faz uma nova proposta: um casamento de fachada em troca do perdão da dívida dos Carson. Sem alternativas, Alice aceita. Agora, dividindo o mesmo teto com o CEO mais temido de Boston, Alice promete que jamais se deixará controlar. Mas, enquanto o ódio se transforma em uma atração irresistível, segredos do passado e novos rivais ameaçam destruir esse casamento antes que ele deixe de ser apenas um contrato. Quem cederá primeiro: a mulher que jurou nunca se deixar controlar... ou o homem que nunca aceitou perder o controle?
Ver maisCapítulo 1 — O Acordo
Alice Carson — Isso é uma piada. — Minha voz saiu baixa, mas o silêncio na sala mostrou que ninguém achou graça. Meu pai estava atrás da mesa, dedos entrelaçados diante do rosto. Minha mãe evitava me olhar, parada perto da janela. Quando Michelle Carson evitava contato visual, era porque algo estava muito errado. — Eu gostaria que fosse — respondeu meu pai, sem levantar os olhos. Ri sem humor e cruzei os braços. — Então me diz que entendi errado. Que vocês não acabaram de me informar que vou casar com um desconhecido para pagar uma dívida. Nenhum dos dois respondeu, e meu estômago afundou. Eles estavam falando sério. — Não. — Levantei tão rápido que quase derrubei a cadeira. — Tenho vinte e um anos, não quinze. Vocês não decidem com quem eu me caso. — Você não entende a gravidade da situação — meu pai disse, esfregando o rosto com as mãos. — Então explica! Pela primeira vez, Arnold Carson pareceu mais velho do que era. — Estamos afundando, Alice. A Carson Enterprises acumulou uma dívida que o Grupo Rhodes pode usar para destruir tudo o que construí em trinta anos. — Então encontre outra solução. — Não existe outra! — Ele bateu a mão na mesa, e eu recuei um passo involuntário. Minha mãe fechou os olhos como se aquilo doesse. — Se esse acordo não acontecer, a empresa fecha. Centenas de funcionários ficam na rua. Perdemos tudo. — E sua solução foi me vender? — Não fale assim — disse num tom mais brando. — Como devo falar? — A frieza na minha voz surpreendeu até a mim. — Como uma filha agradecida por ter sido usada como moeda de troca? Minha mãe se aproximou, os passos lentos. — Nós não queríamos isso, Alice. — Então não façam. O silêncio ficou pesado, quase palpável, até que eu mesma o quebrei. — Quem é ele? — perguntei, porque precisava de algo concreto para odiar. — Jonathan Rhodes. Revirei os olhos. — O herdeiro fantasma? — perguntei, ironizando o apelido que a mídia dava a ele. — Aquele que todo mundo conhece a fama de playboy, mas que ninguém nunca viu o rosto em nenhuma foto? — Ele gasta milhões com assessoria e processos para manter a imagem blindada — disse meu pai, ajeitando a postura na cadeira como se defendesse o futuro sócio — mas é o herdeiro do Grupo Rhodes e vai assumir a presidência em breve. — Continua não sendo motivo para eu casar com ele. — Bati a mão na mesa. — Eu não sou um contrato. E vocês parecem ter esquecido que eu já tenho um namorado. — Namoros acabam, Alice. Arregalei os olhos. — Sério? É essa a sua resposta? — O que está em jogo aqui é muito maior do que um namoro. — Ele contornou a mesa e ficou diante de mim, e pela primeira vez na minha vida tentei encontrar algo no rosto dele que parecesse com o rosto de um pai de verdade. Não encontrei. Minha mãe ergueu as mãos. — Por favor, vamos conversar com calma. — Não existe calma quando vocês decidem meu futuro sem me consultar. — Comecei a andar pela sala, tentando não explodir. — O casamento está marcado para amanhã — disse meu pai. A risada que escapou de mim foi quase histérica. Travei no meio da sala, estática, como se as palavras tivessem chegado com um segundo de atraso e o corpo só agora tivesse recebido o recado. — Amanhã. — Repeti a palavra devagar, e a única coisa que consegui acrescentar foi: — Puta merda. — Olha os modos, Alice. — Minha mãe franziu o cenho, mas a voz saiu fraca demais para soar como repreensão de verdade. Ignorei. — Você acha que eu queria chegar a esse ponto? Passei meses tentando evitar isso. — E falhou. O olhar dele endureceu. — Se você não aceitar, a empresa afunda. Apertei os punhos ao lado do corpo. — Então que afunde. Minha mãe arregalou os olhos. Meu pai ficou imóvel por um segundo, como se não tivesse ouvido direito. Mas era exatamente o que eu sentia — não era minha responsabilidade salvar uma empresa às custas da minha vida inteira. — Você está sendo egoísta — disse ríspido. — E você está sendo um péssimo pai — rebati num tom seco. O golpe acertou. Ele desviou o rosto, e quando voltou a me encarar havia algo ainda mais frio nos olhos dele. — Não estou perguntando o que você quer. Vai acontecer. A frase me atravessou como um tapa. Tinham tirado minha escolha, minha liberdade, meu futuro, tudo de uma vez, e ele nem sequer piscou. Meu pai abriu a gaveta retirando um envelope pardo, grosso, que depositou sobre a mesa na minha direção. — As condições do acordo. Leia. Permanência mínima de um ano antes de qualquer divórcio, com multa milionária em caso de quebra de contrato. Sigilo absoluto sobre os termos. Presença obrigatória em eventos sociais como casal. Renúncia a qualquer bem do Grupo Rhodes em caso de separação. Uma lista fria que me transformava em peça decorativa por contrato, assinada e carimbada. Continuei lendo, e então encontrei a última cláusula. Parei, reli e não acreditei. — Isso é sério? — Levantei o documento na direção do meu pai. — Foi exigência dele. — Ele exigiu que a esposa fosse virgem. — Não era uma pergunta, era a constatação mais absurda que eu já havia feito em voz alta. — Um homem que aparece em escândalo toda semana com uma mulher diferente exige isso de mim. — Joguei a pasta sobre a mesa. — Isso é ridículo. — Abaixe o tom. — Não vou abaixar nada. Ele se inclinou levemente sobre a mesa. — Você sabe o que está em jogo. — Sei exatamente o que está em jogo. — Dei um passo na direção dele, porque recuar nunca foi uma opção para mim. Olhei para os dois. Para as pessoas que deveriam ter sido meu porto seguro. E me senti completamente sozinha. Engoli o nó na garganta, porque não ia chorar ali. Não na frente deles. Endireitei os ombros, peguei minha bolsa da cadeira e fui até a porta. — Aonde você vai? — perguntou minha mãe, e havia algo na voz dela que quase soou como arrependimento. — Para um lugar onde alguém se importe com o que eu quero. — Abri a porta sem hesitar. — Alice! Não olhei para trás. Atravessei o corredor da mansão com passadas firmes, descendo a escadaria principal sem desacelerar e com uma única certeza na cabeça: Eu só vou entregar minha virgindade ao homem que amo.Capítulo 137 — Jogo BaixoAlice CarsonA tranca da porta do banheiro feminino estalou com um som metálico que reverberou pelas paredes de mármore branco. Enxuguei as mãos com uma toalha de papel com deliberada calma, sem demonstrar o menor sobressalto. Pelo espelho bisotado, encarei o reflexo de Brianna encostada contra o batente de madeira maciça.— Perdeu alguma coisa aqui dentro ou seu marido cansou de bancar o chaveiro de luxo tão cedo? — perguntei, virando-me de frente e apoiando o quadril na bancada, com os braços cruzados.Brianna deu dois passos lentos, os saltos finos ecoando no piso polido. O sorriso dela era pura acidez:— Você se acha muito esperta, não é, songa monga? Desfilando com esse ar de santa triunfante, achando que domou o grande Jonathan Rhodes.— Eu não domino ninguém, fofinha — soltei um riso soprado. — Nós temos uma parceria real. Algo que uma aproveitadora de quinta categoria como você jamais vai entender.Os olhos cinzentos dela faiscaram em ódio, mas ela lo
Capítulo 136 — Sombras em ManhattanAlice CarsonA viagem para Manhattan no jatinho particular confirmou o quanto a nossa sintonia estava afiada. Provocar o senhor Rhodes a milhares de metros de altitude e vê-lo perder a costumeira compostura corporativa para me puxar para o colo era o meu passatempo favorito. Ao chegarmos ao hotel, o cansaço da gravidez me derrubou, mas adormecer aninhada no peito dele, sentindo o calor protetor da sua mão sobre o meu ventre, me deu uma sensação de paz que eu não trocava por nada.Na manhã seguinte, a implicância possessiva de Jonathan com a fenda do meu vestido quase me fez rir. Aquele ciúme dele me irritava pelo excesso, mas não dava para negar que também mexia comigo. Ele não disfarçava o instinto territorial nem diante dos magnatas no salão do The Plaza. Quando Damon Carter tentou bancar o galanteador barato na nossa chegada, a resposta gélida de Jonathan quase congelou o ambiente. E, durante o debate sobre o setor imobiliário, enquanto o banque
Capítulo 135 — Quanto Tempo Jonathan RhodesA imagem da minha mesa de mogno desarrumada horas antes e o calor insano da entrega de Alice ainda queimavam sob a minha pele. Ter uma mulher que não recuava diante da minha intensidade e que me desafiava com a mesma ferocidade com que se entregava era um privilégio raro. E, como prometido, a amostra no escritório foi apenas o prelúdio. Assim que cruzamos a porta da cobertura, não dei espaço para tréguas: tomei-a na nossa cama com calma calculada e devoção bruta, provando que meu fôlego sempre acompanharia a sua audácia.Eu já tinha uma mulher naturalmente insaciável ao meu lado; agora, com os hormônios da gravidez aguçando cada instinto dela, Alice estava simplesmente irresistível. Eu era um homem de sorte, e sabia disso com cada terminação nervosa do meu corpo.A poltrona de couro do jatinho particular era espaçosa, mas meus pensamentos estavam longe dos balanços que repousavam na tela do meu tablet. Estávamos cruzando o céu noturno rumo
Capítulo 134 — Gasolina na FogueiraAlice CarsonA convocação indiscutível de Jonathan para eu acompanhá-lo a Nova York quase me fez revirar os olhos. Se o instinto protetor dele já beirava o absurdo antes, agora parecia que eu precisava de escolta armada até para respirar. Ele simplesmente virou um general possessivo de plantão. Mas a verdade é que, por mais que eu adorasse implicar com o excesso de zelo do senhor Rhodes, a ideia de ficar em Boston sem ele me dava um aperto ridículo no peito. Eu não aguentaria passar dois dias longe daquele homem nem se tentasse. E, para piorar minha capacidade de manter a pose profissional, a cena do almoço de horas atrás recusava-se a sair da minha cabeça. O contraste era covarde: o temido CEO de Boston, implacável em qualquer negociação, completamente desarmado na boutique infantil ao segurar aquele macacãozinho nude com os olhos marejados de devoção.Sozinha na minha mesa, encarei a tela do computador sem conseguir absorver uma única linha do co












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