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Capítulo.23

Autor: Autora NB
last update Fecha de publicación: 2025-09-29 21:34:43

Davi Montez

As palavras de Helena me atravessaram como uma lâmina.

— O quê? — perguntei, incrédulo, ainda sentindo o sangue escorrer pelo braço do tiro de raspão. — Helena, repete.

A voz dela quebrou do outro lado da linha:

— O Ruan… ele foi levado, Davi! Nossa mãe… ela entrou na casa e o levou. Deixou um bilhete dizendo que ia usá-lo pra se reerguer, que ele seria a chave dela pra riqueza. A polícia está aqui, mas, meu Deus, eu não sei o que fazer…

Fechei os olhos por um segundo, engolindo a d
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    Ruan DuarteO relógio marcava três e vinte da manhã quando o telefone de Ravi começou a vibrar sobre a mesa da sala. Nenhum de nós dormia de verdade. Milena estava internada desde o começo da noite, e a espera tinha se transformado em um silêncio pesado, quase sufocante.Ravi atendeu no segundo toque.— Alô?Ele não disse mais nada. Apenas ouviu. Seus olhos se encheram de lágrimas antes mesmo de desligar.— É agora. — disse, com a voz falhando. — Ela entrou em trabalho de parto.Saímos de casa quase correndo. O caminho até o hospital pareceu mais longo do que nunca. Ravi dirigia com cuidado exagerado, como se cada semáforo fosse um teste de paciência impossível.— Eu não sei se tô pronto. — ele murmurou, sem tirar os olhos da estrada.— Ninguém nunca está. — respondi. — Mas isso não te impede de ser.No hospital, o cheiro de antisséptico misturado ao ar gelado me trouxe lembranças que eu nem sabia que guardava. Jéssica já estava lá, andando de um lado para o outro, com o rosto tenso e

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    Ruan DuarteExistem rupturas que fazem barulho — gritos, portas batendo, palavras ditas no calor da raiva.E existem aquelas que doem mais: as silenciosas.A semana seguinte à confirmação da gravidez de Milena foi assim. Cheia de silêncios que gritavam.O almoço de domingo, que sempre foi barulhento e caótico na casa das nossas mães, aconteceu em um clima estranho demais. As vozes estavam baixas, os risos forçados, os talheres pareciam altos demais batendo nos pratos.Minha mãe mal olhava para Jéssica.A mãe de Ravi evitava olhar para Milena.E ninguém, absolutamente ninguém, tinha coragem de olhar diretamente para mim.— Então… — minha mãe começou, quebrando o silêncio — como anda a faculdade?A pergunta veio tarde demais. E rasa demais.— Indo. — respondi, seco.Jéssica permanecia sentada ao meu lado, postura ereta, mas o corpo tenso. Eu sentia isso só de encostar nela. A mão dela repousava sobre o colo, os dedos entrelaçados com força demais.— E você, Jéssica? — perguntou minha mã

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    Ruan DuarteExistem dias em que a vida não pede licença. Ela simplesmente chega, bate à porta com força e, quando você abre, nada mais é igual. Aquele foi um desses dias.Eu estava na sala do apartamento, o silêncio quebrado apenas pelo som distante da cidade, quando ouvi a porta se abrir devagar demais. Milena entrou primeiro. O rosto pálido, os olhos marejados. Ravi vinha logo atrás, passando as mãos pelos cabelos, andando de um lado para o outro como um leão enjaulado.Jéssica veio por último. Calma demais. E isso me assustou mais do que qualquer desespero.— Aconteceu alguma coisa? — perguntei, levantando.Milena não conseguiu responder. As lágrimas começaram a cair antes das palavras.Foi Jéssica quem falou.— Aconteceu.O coração começou a bater descompassado.— Sentem-se. — ela disse, apontando o sofá.Ravi sentou primeiro, as pernas tremendo. Milena se sentou ao lado dele, segurando sua mão como se fosse a única coisa que a mantinha de pé. Eu permaneci em pé, sentindo que algo

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