LOGIN— Sai de cima de mim, seu idiota! — gritei, empurrando-lhe o peito enquanto ele me prendia contra a parede. Seus lábios desceram sobre os meus com uma força inesperada. O beijo percorreu meu pescoço, vagando pela minha pele até que uma fraqueza tomou conta de mim. Quando sua mão apertou meu seio, a lucidez voltou de golpe e o empurrei com toda a minha força. — Não! Isso é errado! — reagi. — Minha mente diz o mesmo, mas por que parece tão certo? Diga-me por que não consigo tirá-la da minha cabeça! — Sua voz tremeu de angústia. — Somos meio-irmãos. Isso é tão errado! — Não somos irmãos de verdade, não temos nenhum laço de sangue! — Afastou-se, os olhos brilhando de emoção. — Mesmo assim, continua sendo errado! — Então que seja errado. Não me importo mais. Quando a mãe de Elyssa se casou com o rico Greg Almendarez, sua vida simples virou um mundo de luxo — e de conflito. Theo, seu novo meio-irmão, era arrogante, cruel e a odiava sem motivo aparente. Viviam em constantes brigas, mas por trás de cada palavra cortante escondia-se uma atração proibida que nenhum dos dois conseguia ignorar. Um mal-entendido levou-o a invadir seu quarto e vê-la nua. A imagem gravou-se em sua memória, despertando um desejo que ele não podia mais reprimir. E quando a raiva se transformou em beijos, ambos perceberam que já era tarde demais para resistir. Arriscarão tudo por esse amor proibido, ou o medo os separará?
View More— Mãe, eles ainda vão demorar muito? — perguntei, com a voz carregada de impaciência enquanto percorria com o dedo a borda dourada do meu copo de água.
— Ele disse que já estão a caminho. Está apenas à espera do filho — respondeu a mãe, e consegui ouvir a alegria na sua voz antes mesmo de erguer o olhar. Os seus olhos brilhavam enquanto ajeitava uma mecha de cabelo encaracolado atrás da orelha, um hábito nervoso que ela tinha desde que eu era pequena. Estávamos agora num restaurante requintado e ambas estávamos vestidas com elegância. Era a noite em que ela finalmente me apresentaria ao homem com quem queria casar e ao filho dele. Fui criada apenas pela minha mãe desde que o pai faleceu quando eu tinha oito anos. Ela era uma mulher bonita e atraente e teve-me com apenas dezanove anos, por isso a nossa diferença de idades não era tão grande. Às vezes, as pessoas até nos confundiam com irmãs. Os meus pais também tinham uma grande diferença de idades. A mãe tinha apenas dezoito anos quando se casou com o pai e ele tinha quarenta e seis anos na altura. Era um homem de negócios mais velho que a conquistou com rosas e promessas de uma vida perfeita. Partilharam oito anos desse sonho antes de um ataque cardíaco súbito o levar. Desde que se casou jovem e ficou viúva cedo, a mãe teve vários relacionamentos após a morte do pai. Quase todos foram curtos, por isso fiquei surpreendida quando me disse no mês passado que planeava casar com o namorado atual. Ainda não o tinha conhecido pessoalmente porque ele estava sempre no estrangeiro por trabalho e era a mãe que muitas vezes viajava para o ver. Ela conhecia-o há muito tempo, disse ela. Foi o seu primeiro amor, o namorado do tempo da escola. Aquele que amou antes de conhecer o pai. Eu sabia que este era o relacionamento mais sério e duradouro que ela tivera desde a morte do pai. Além de ser bondoso e paciente, era também rico e amava-a profundamente. Talvez a mãe estivesse a exagerar em algumas partes, eu sabia como ela se deixava levar facilmente por grandes gestos, mas estava feliz por ela de qualquer forma. — Mãe, tens a certeza disto? — não pude deixar de perguntar. — Claro que tenho, o que estás a dizer? — Estendeu a mão por cima da mesa e segurou a minha. Os seus dedos eram frescos e reparei num anel com um pequeno diamante na sua mão esquerda que ainda não tinha visto. — Eu amo-o e ele também me ama. E isto é para ti, minha querida. Quero que tenhas uma família completa e maravilhosa — disse ela. Revirei os olhos às palavras da minha mãe. Já não era uma criança para que isso fosse algo tão importante para mim. — Sabes que já não sou uma criança, mãe. Tenho dezasseis anos e não desejo uma família perfeita e completa. Estou bem apenas sendo eu e tu, como antes — respondi. — Pois eu não estou bem com isso. Quero dar-te uma família perfeita e completa de que possas orgulhar-te. Quero compensar tudo o que fiz de errado — disse a mãe com emoção. — Se essa é a única razão pela qual queres casar com aquele homem, então não o faças, mãe — insisti. — Eu amo-o, tola. Essa é apenas uma das razões pelas quais me quero casar com ele. Vais ver que ele vai ser bom para nós — respondeu a mãe, o que me deixou mais tranquila. Bem, para ser honesta, a mãe cometeu muitos erros quando se tratou de mim e de nós. O pai deixou dinheiro e propriedades suficientes após a sua morte para que vivêssemos bem e nunca tivéssemos de nos preocupar com as despesas. Mas a mãe ainda era jovem na altura, habituada a que ele tratasse de todas as contas e decisões, e não sabia como gerir tudo. Era uma pessoa que gastava sem pensar, sem noção de orçamento, e investiu o nosso dinheiro em negócios que não compreendia até que um esquema nos deixou sem nada. Depois disso, a vida tornou-se difícil rapidamente. A mãe aprendeu a trabalhar pela primeira vez e conseguiu um emprego num salão de beleza local. Eu fiz o mesmo e comecei a trabalhar a tempo parcial desde cedo para ajudar nos meus estudos e nas despesas, tomando conta de crianças na vizinhança e a trabalhar numa lanchonete perto de casa. Admito que ela era por vezes irresponsável e até infantil, fazendo com que eu me sentisse a pessoa mais madura em mais do que uma ocasião. Mas nunca, em momento algum, me negligenciou. O seu amor era firme e constante e eu estava-lhe grata por isso com todo o meu ser. Agora ela ia casar e parecia mais feliz do que a tinha visto em anos. Quem era eu para me interpor no caminho da sua felicidade? — Aí vêm eles! Os meus pensamentos foram interrompidos quando a mãe se levantou de um salto e o seu rosto se iluminou. Segui o seu olhar para o outro lado do restaurante, onde dois homens caminhavam em direção à nossa mesa. Um era alto, com cabelo com fios brancos e um sorriso que combinava com o da mãe, e o outro era um rapaz que parecia ter alguns anos a mais do que eu. O homem de meia-idade, com a idade aproximada da minha mãe, aproximou-se primeiro, vestido com um fato de jantar azul-marinho impecável. Com ele vinha um rapaz alto e moreno que deduzi ser o filho dele. Ainda estavam um pouco longe para ver os seus rostos com clareza, mas endireitei-me automaticamente, alisando a saia do meu vestido com as mãos. — Estiveram muito tempo à espera? — perguntou o homem, com uma voz calorosa enquanto se inclinava para beijar a mãe suavemente nos lábios. De perto, vi que tinha traços europeus marcados, um porte atlético e era surpreendentemente bonito. — Nem por isso — respondeu a mãe, com os olhos a brilhar. — Quero que conheças a minha filha, Elyssa. Elyssa, este é o Greg — a mãe fez as apresentações e Greg estendeu a mão. Eu apertei-lhe a mão; o seu aperto era firme e amigável. — Podes chamar-me Tio Greg a partir de agora — disse ele com um sorriso. — Afinal, em breve seremos família. E este é o meu filho, Theo. Quando os meus olhos pousaram no rosto de Theo, prendeu-se-me um grito na garganta. O reconhecimento atingiu-me como um soco no estômago. — Tu! — A palavra saiu de mim em voz alta, o suficiente para fazer uma mesa vizinha olhar para nós. Vi que também passou algo pelo rosto dele. Depois, arqueou uma sobrancelha e a sua expressão transformou-se naquele sorriso de desprezo que eu conhecia bem. Tinha a certeza de que ele também me reconhecera. Ele conhecia-me, sem dúvida. — Vocês os dois conhecem-se? — perguntou a mãe, com a testa franzida de confusão. — Claro que sim! Este é o cliente mal-educado do café onde trabalho, aquele que me incomodou e me insultou, mãe! — A minha voz tremeu, perdendo toda a compostura. Senti o sangue a ferver nas veias e a latejar nos ouvidos ao vê-lo. — O quê? Agora sou eu o mal-educado? — respondeu Theo, cerrando o maxilar. — Tu é que foste a empregada desrespeitosa que me derramou café quente em cima! — Foste tu que me incomodaste e me insultaste primeiro, por isso mereceste o que te fiz! — Olha a boca desta menina... — Chega, Theo! — cortou Greg, com a voz firme e autoritária. Despediu-se da mãe, puxou o filho para o lado e afastaram-se para falar em voz baixa e urgente. A mãe puxou-me de volta para a mesa, com o rosto desolado. — Elyssa, o que foi isto? — perguntou ela, e ouvi a decepção na sua voz. — É aquele de que te falei! — expliquei, ainda com raiva. — O idiota do café, aquele que me disse coisas horríveis, por isso lhe deitei café em cima. Não te lembras? — expliquei à minha mãe. — Por favor, acalma-te — disse a mãe com voz suave, desesperada. — Compreendo que estejas chateada, mas não podes simplesmente pedir desculpa? Resolve as coisas com o filho do Greg para que consigamos passar esta noite sem problemas. — Não, mãe! Não vou ser simpática para aquele idiota! Ele tem uma atitude horrível! Se soubesses o que me disse! — disse eu com raiva. — Compreendo que não tenhamos dado certo na altura, mas não podes simplesmente deixar isso para trás e dar-vos bem? Por favor, deixa as vossas diferenças de lado por agora, resolve isto e façam as pazes. Em breve seremos uma só família e serão irmãos de criação antes de muito tempo. Por favor, minha filha, tem paciência por mim — suplicou a mãe, parecendo prestes a chorar. A culpa invadiu-me e a minha raiva arrefeceu por instantes. Respirei fundo, deixando cair os ombros. Admito que agi por impulso. Nunca imaginara que, de todas as pessoas, aquele rapaz fosse o filho do homem com quem a minha mãe ia casar. Ele falou como se fosse a vítima, mesmo à frente dos nossos pais. — Desculpa, mãe — sussurrei. — Desculpa ter arruinado este momento para ti. Está bem, estou disposta a fazer as pazes e a esquecer tudo. Faço isto por ti, porque te amo. Só espero que ele não me provoque de novo — disse por fim. — Obrigada — disse ela, abraçando-me com força. Quando nos voltámos para eles, Greg já tinha acabado de falar com Theo. Parecia que também o tinha convencido a fazer o mesmo. Encontrámo-nos no meio da sala, apertámo-nos as mãos e murmurámos um pedido de desculpas. Tudo pareceu tão forçado e insincero que quase me deu arrepios. Pouco depois sentámo-nos para jantar e a conversa passou para os planos do casamento da mãe e do Greg. Lancei um olhar de relance a Theo. Fiquei surpreendida ao ver que ele me estava a observar, com os olhos atentos e indecifráveis. O meu sangue voltou a ferver. Claro que o pedido de desculpas dele era falso. Revirei os olhos, respirei fundo mais uma vez e forcei-me a desviar o olhar. Sempre que me lembrava dos insultos dele e de como me fizera sentir, a minha raiva regressava de imediato.«Não sabes isso? Se continuarmos esta relação e continuarmos a desobedecer-lhes, a condição dela pode piorar. Gosto de ti, Theo, mas também gosto da minha mãe. Peço desculpa. Podes odiar-me por isto se quiseres, mas realmente já não consigo fazer isto. Vamos acabar com a nossa relação.»Forcei-me a olhar diretamente para os olhos dele apesar do quanto doía. Lágrimas frescas rolavam sem fim pelo rosto.«Não, não vou concordar com isto.» disse o Theo de imediato. A voz soava desesperada agora.Depois de repente, para meu choque, ele baixou-se devagar de joelhos à minha frente.«Por favor, baby. Tem pena de mim. Não consigo sobreviver a perder-te outra vez.» implorou partidos enquanto me olhava de baixo com olhos cheios de lágrimas.Aquela visão despedaçou-me por completo o coração. Ver o Theo ajoelhar-se à minha frente assim quase me fez ceder de imediato. O homem que outrora se comportava com tanto orgulho e confiança estava agora a im
«Baby, por favor. Já te disse. Podemos superar isto. Eu trato de tudo…» disse ele fracamente, a parecer devastado.Antes que eu pudesse pará-lo, ele puxou-me de repente para os braços. No instante em que me abraçou, quase me desmoronei por completo. O abraço sentia-se quente, seguro, reconfortante, exatamente como casa.E por um segundo doloroso, tudo o que eu queria era ficar ali para sempre e esquecer tudo o resto, mas eu sabia que não podia.Não podia permitir-me enfraquecer agora. Por isso, apesar do quanto me magoava, empurrei-o para longe com força.«Disse que já não quero isto! Porque é que estás a ser tão persistente?!» gritei violentamente.O Theo cambaleou ligeiramente com a força com que o empurrei, mas ainda me olhava com incredulidade e dor.«Sei que aconteceu qualquer coisa. Não agias assim sem razão. Falaram contigo? O que é que disseram?» exigiu. A paciência claramente começava a esgotar-se agora.Desviei
Parecia que o meu mundo inteiro se tinha desmoronado quando regressei ao penthouse do Theo. Já não era eu mesma. Enquanto estava de pé dentro do elevador, sentia-me completamente entorpecida, como se o corpo se movesse sozinho enquanto a mente permanecia presa de volta no quarto do hospital com os gritos desesperados da Mãe a ecoar na cabeça.Tudo se sentia insuportavelmente pesado. O peito doía tanto que se tornava difícil respirar devidamente, e os pensamentos estavam tão enredados de medo, culpa e coração partido que já mal conseguia pensar direito.Nem sequer me apercebi de quanto tempo a subida até ao penthouse tinha demorado porque a mente estava noutro lado o tempo todo. Tudo o que conseguia lembrar era a Mãe deitada fracamente naquela cama de hospital. A voz trémula, os ofegos dolorosos por ar e a promessa que eu tinha feito. A promessa que me despedaçou por completo.Quando cheguei à porta do penthouse, sentia-me emocionalmente esgotada e
Depois do que pareceu uma eternidade, o médico finalmente saiu da UCI. O Tio Greg aproximou-se de imediato.«O que aconteceu à minha mulher, doutor?» perguntou ansiosamente. O médico removeu a máscara antes de responder a sério.«Sofreu um ataque cardíaco ligeiro causado por stress severo e preocupação excessiva. Já não lhe tinha explicado antes que o stress emocional é extremamente perigoso para a condição dela?»O corpo inteiro gelou ao ouvir aquelas palavras. As palavras do médico bateram-me como uma bofetada dolorosa no rosto. Senti o peito apertar-se enquanto a culpa me consumia por completo.Devagar, reparei que o Tio Greg se virava para mim e lançava um olhar afiado e ressentido na minha direção. Desviei o olhar de imediato, incapaz de aguentar a acusação nos olhos porque no fundo sabia que eu realmente era responsável por isto.«Como está ela agora? Está bem?» perguntou o Tio Greg depressa outra vez.«Está estável por a


















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